sábado, 2 de agosto de 2014

O Atavismo na Formação do Novo Homem Brasileiro.


Conta um antigo mito Tupi que quando a terra se encontrava sob o caos, governada pelas mulheres. Guaracy, o Deus Sol, enviou seu filho Iurupari, o legislador, para restabelecer a ordem das coisas, transferindo o poder aos homens, instituindo novos costumes e uma missão: encontrar a mulher perfeita. 

Iurupari é o legislador divinizado encontrado em todas as religiões e mitos primitivos que nos remete as forças atávicas para retomar o equilíbrio natural das coisas. Ante a degradação moral, no sentido mais amplo do termo, que atualmente acomete os brasileiros, é preciso resgatar o Ethos Brasiliensis no qual se forjou a nação brasileira. Uma época em que os homens não conheciam desfalecimentos, animosos a todo tempo, intrépidos, sempre prontos a se arrostar aos perigos e enfrentá-los na mais perfeita sobriedade, a velha impavidez tupi, sempre relatado com admiração pelos cronistas da época.

Rasgos desse ethos brasileiro, ainda se observa nos mais antigos, entre a população cabocla, na maneira mansa do falar, não raro serem grandes oradores, a presteza em ajudar, o destemor ante os perigos, o gosto pela valentia, o desprezo pela riqueza, a cordialidade de trato e a amabilidade, são apenas alguns aspectos desse ethos e que vem sendo soterrados por uma cultura estrangeira, implicando  na perda da nossa identidade, transformando-nos em agentes passivos, massa de rebanhos prontos ao abate.

Será esse Ethos Brasiliensis que haverá de nos salvaguardar, de manter viva a identidade brasileira, mais do que isso..... de reascender o espírito pátrio e forjar o “homem novo”, a continuação do projeto da Revolução de 30, o brasileiro renascido, adaptado a uma nova éra, capaz assim de erigir uma grande nação.

“Para não desesperar do destino deste povo, houve que levar os olhos para a remota história do Brasil em formação quando as suas virtudes se pronunciaram: o nascer das tradições brasileiras, com o lance em que a nacionalidade se revelou e afirmou, uma “idade heróica”, em manifestação de valor pátrio capaz de fazer o orgulho de qualquer povo. A história desses dias longínquos, a cujas tradições nos acolhemos, será a montanha em beleza, altura que nos protegerá contra as emanações do paul em que nos encontramos. Lá em cima, com o anunciar da nacionalidade, gira um sopro de vivificante aurora: purifiquemo-nos, reanimemos nele.” – Manoel Bomfim.

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