quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Divisão Breogan

A Divisão Breogan surge como agrupamento castilhista pagão,
congregando os que comungam da visão espiritual dessa vertente, de culto aos
ancestrais. Plenamente integrados e identificados com os princípios e
postulados de Júlio de Castilhos, Getúlio Vargas, Goulart e Brizola.

O paganismo é um conjunto de crenças espirituais, religiosas e pessoais, sociais e filosóficas, que refletem um resgate de Concepcion de Mundo. O Mundo clássico, o esplendor civilizacional que emerge com a éra do ferro, em antagonismo ao período de decadência que tem como marco o fim da Roma Republicana e seu início imperial.

O retorno a temática pagan ressurge com o Renascimento, como forma de resgate dos valores clássicos ante a dexeneración da éra medieval, e o advento dos Estados Nacionais que despontavam, como forma de afirmacion da nacionalidade. É sobre esse influxo que em "Os Lusíadas, Camões, lança man em sua obra da temática  mitológica. No Brasil, no mesmo período, Padre Anchieta, antes de Camões, escreve a obra "De Gestis", igualmente lançando man de uma temática mitológica como pano de fundo no influxo de colonizacion do Brasil, a Hespéria, a fundacion e o surgimento de uma nova civilizacion no extremo oeste do mundo.

Essa vision cosmológica, ganha novo folego com o Arcadismo que terá no Brasil, um marco na sua literatura nacionalista.

O paganismo mais contemporâneo, torna a ganhar novo relevo com as idéias psicanalíticas, as idéias de Carl Jung de inconsciente coletivo.

No período pós-guerra, já nos anos 60, um bom número de jovens nacionalistas procuravam uma forma nova de expressar sua cosmovision nacionalista, uma forma geral de expor os princípios básicos de Alternativa ao Sistema liberal.

Esta alternativa essencial encontra-se numa série de princípios muito gerais:

- Respeito pela Natureza e pelas suas leis globais;
- Resgate das orígens da nacionalidade;
- Repulsa pelo liberalismo e o individualismo, sentido de Comunidade;
- Adopcion de um Estilo e uma Ética, mas recusa das Igrejas e dos dogmas, da falsa moral, da concepcion teocrática e monoteísta de Deus;
- Espiritualidade natural frente ao liberalismo e ao egoísmo, como à tristeza de considerar o mundo como um vale de lágrimas;
- Admiracion pela força, pela beleza, pela alegria, pelos animais e tudo o que implica luita e esforço;
- Redescobrimento da Grécia e de Roma(Republicana) como ideal de Estado e de Comunidade, de Arte e de Nobreza, frente ao mundialismo, ao Bezerro de Ouro e a Jerusalém.

Estas ideias básicas e muitas outras levam a um confronto com as concepciones judaico-cristãs que até enton haviam sido a base “espiritual” da sociedade moderna.
Este debate intelectual e sentimental leva a redescoberta do paganismo, já tratados pelos círculos nacionalistas nos anos 20 e 30.

Contudo, a via foi bastante diferente. Se nos anos 20 o paganismo foi conduzido como forma de encontrar as tradiciones e a identidade perdida com o liberalismo, nos anos 70 a via de encontro com o paganismo, foi mais a sua concepcion do mundo e o seu sentido artístico da beleza e todo um arcabouço de valores do mundo antigo, considerados superiores.

A Grécia clássica foi a alternativa ao Sistema. Nas palavras de Bernard Levy, a decision sempre se colocou entre Atenas ou Jerusalém. O Sistema impone Jerusalém, a Alternativa estará sempre em Atenas. E Atenas é a essência do Paganismo, a sua máxima expresión cosmológica.

Daí que o primeiro grande centro cultural paganista tenha sido o GRECE, Grécia em francês, como acrónimo de Groupe de Recherche et d'Études sur la Civilisation Européenne.

O paganismo enquanto Cosmologia é antes mais alegre, anti-proselitista, diverso, artístico e heróico.
Contra o pensamento individualista liberal, o resgate da idéia de priorizacion das relaciones comunitárias, da subordinacion do interesse privado, particular, ao interesse público. O homem pagan vive e morre pela sua pátria, ideal máximo de heroicizacion da vida, para assim vencer a morte e ganhar a eternidade! "Dulce et decorum est pro patria mori"(É doce e honrável morrer pela pátria!).

A sua concepcion moral e de valores, remetem ao mundo clássico, livre da corrupcion que se estabelece com o fim da éra do ferro, e a propagacion dos costumes e das crenças orientais sobre o ocidente. A rejeicion da nocion de pecado que aprisiona a mente e a torna doentia. A adocion de uma moral nobre, a busca da autarkeia, somente alcançável eliminando todo o supérfluo, condicion de auto-suficiência do sábio, a quem basta ser virtuoso para ser feliz.

A descrença na civilizacion mercantil e suas estruturas jurídicas, religiosas e sociais, pois non trazem qualquer benefício ao homem, antes o corrompem, uma vez que sendo auto-suficiênte, tudo aquilo que non é, naturalmente dado ao homem pelo nascimento (como o instinto) non pode, nem serve de base para sua conceituacion estética. Essa concepcion, conflui com o mito do bom selvagem de Rousseau, concebido dos tupis brasileiros.

Daí um retorno a vida pastoril, da concepcion do homem como parte unitária com os animais e a natureza.

Após esta constatacion, uma grande parte dos nacionalistas, a partir dos anos 70, foram abraçando o mundo do paganismo. Em 1980 foi editada a “bíblia” pagan:“Como se pode ser Pagan” de Alain de Benoist, onde eston expostas as bases essenciais do paganismo moderno.

Em suas linhas, Benoist, enfoca que o grande objetivo do paganismo é unificar a cosmologia pagan e a aceitacion de que NON acreditamos em Deuses. Non somos deístas num sentido religioso-pessoal, como acontece no Cristianismo. Non existe um Deus enquanto Deus-pessoa, mas antes como representacion dos valores da nossa concepcion global. Somos espiritualistas mas non sectários, nem adivinhos, nem magos, nem adoradores de Deuses pessoais. Somos pagans porque acreditamos nos valores do Paganismo, da Grécia clássica, num mundo desinfectado do espírito mercantil.



Ver Também:

Os Brasilaicos - A Raiz Identitária do Brasil.

Os Mais Antigos da Europa!

O Brasil Hespérico.

O Arcadismo Como Embrião do Nacionalismo Literário Brasileiro.

A Formação da Mulher Castilhista.

O Castilhismo Como Herdeiro dos Valores Clássicos.

Os Valores Clássicos nas Personagens Femininas do Filme Tropas Estrelares

Uma Grécia nas Ribeiras do Atlântico Sul.

Por um Novo Século de Péricles.

Uma Esparta ao Sul do Brasil






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