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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Presidente Vargas, o Arquétipo do Rei Nobre e Justo, Garantidor da Soberania da Pátria


Na mitologia celto-galaica, do norte da atual ibéria, antiga Kéltia, um dos seus Deuses era representado pela mão direita decepada. A simbologia não é estranha ao mitogema indo-europeu, na mitologia nórdica Týr também é assim representado, por ter empenhado sua mão dentro da boca do lobo Fenrir, para que o grande lobo fosse preso, e assim garantir que seu mundo não fosse destruido. Na mitologia irlandesa o protagonista é Nuada, rei dos Tuatha dé Danann, que os lidera numa guerra contra os Fir Bolg, quando tem seu braço decepado após vencer o rei dos fomorianos.

Assim Nuada não pode mais governar, pois apenas um homem inteiro e saudável podia ser rei, pois da saúde do rei dependia a saúde da terra. O médico, druida, DianCécht lhe faz um braço de prata que não foi o bastante para garantir seu direito de governar. Nuada sai em auto-exílio e em seu lugar assume Bres, o Belo, filho de Elatha. A eleição de Bres fora estratégica, pois ele era de origem fomoriana, e assim manteria a paz com os fomores. Mas, logo se mostrou um rei tirânico, injusto, e iniciou uma éra de más colheitas que se abateu sobre a terra. Para pôr fim a esse reinado, era preciso que um rei legítimo desafiasse Bres, e por essa razão, Miach, filho de DianCécht, descobre um jeito de superar os feitos do pai e devolver um braço de carne e osso a Nuada, tornando-o novamente digno de reclamar a soberania.

Ara galaica consagrada ao Deus Neiton
O pleito de Nuada ao trono conduz as Tuatha dé a uma nova guerra contra os fomores, mais intensa do que a anterior, mas acaba na vitória das Tuatha após Lugh matar Balor, o rei fomor, um gigante ciclope, que incendiava e que tudo fazia perecer e definhar com seu olho que tudo via. Para essa batalha, Nuada concede o trono temporário a Lugh, para que ele liderasse o povo a vitória. Nuada morre em batalha, Lugh, porém, consegue matar Balor com sua lança, atingindo seu olho incendiário.

Vargas preenche todo esse ciclo mítico, lidera a nação brasileira ao seu desenvolvimento e sua soberania, gerando uma éra de prosperidade. Descende diretamente de Amador Bueno, que foi aclamado Rei do Brasil. Getúlio, após sair vitorioso de todas as batalhas: Revolução de 30, Contra-revolução de 32, Segunda Guerra Mundial, é destituido, vilmente. Sai em auto-exílio, e assim segue, um período de penúria para o País, governado por um usurpador, indígno da terra. Na religiosidade céltica, uma terra só se torna próspera quando seu soberano a ama, e assim cela um casamento entre ela e seu rei. Na mitologia irlandesa isso é relatado quando Nuada tem um encontro amoroso com a Deusa Morrigam, que o lidera para a vitória. E assim era o rito de sagração de um rei em todo o mundo celta, o casamento do Rei com sua terra, a Deusa Morrigan, ou Nábia na antiga Gallaecia, os nomes se multiplicam, conforme as localidades.

Como Nuada, Vargas volta a ser soberano, porém cumpre a sina de se sacrificar para libertar o país, esse é o ponto central do mito. O soberano que se sacrifica pelo país para garantir sua soberania e prosperidade. Esse mitogema se repete em quase todo mundo indo-europeu. Leônidas, rei de Esparta, igualmente cumpre essa sina. Ao marchar contra o exército Persa, sabia que se sacrificava, e marchava para a morte, para assim salvar a Grécia.

Ao se erguer  a mão direita no juramento a bandeira quando do alistamento militar, ou nas missas, oque se esta fazendo é um juramento imemorial de nossos ancestrais, mesmo que isso implique se sacrificar, para garantir a existência de nossa nação, do direito de vivermos, livremente, em nossa pátria, em sua plena soberania, garantia de prosperidade.

Nuada, como Getúlio Vargas, era o rei nobre de alma e espírito, justo e correto, que nos ensina que a honra deve estar acima do orgulho, que as tradições, e o dever público, vem antes dos interesses pessoais, que nossa soberania depende de nossa própria conquista e que essa depende dos sacrifícios que lhe são exigidos.




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terça-feira, 3 de setembro de 2019

O Combate de Getúlio Vargas aos Regionalismos e as Doutrinas Estrangeiras.

“O que, entretanto, caracteriza a evolução brasileira após a II Guerra é a falta de uma ideologia nacional e o abandono crescente e irresponsável de nossas crenças e dos mais legítimos interesses da população, pondo em risco a sobrevivência das falsas elites locais. Ideologias exógenas trazem para dentro do País seus conflitos. Impondo seus métodos e impedindo a identificação e a defesa dos nossos interesses mais essenciais.”

Bautista Vidal



Em uma passagem em que Elzira Vargas, filha de Getúlio, o indagara do porque não convocava o plebiscito para legitimar a Constituição de 37, Getúlio foi expresso em apontar como causa o regionalismo e a influência de doutrinas estrangeiras, expressando claramente sua contrariedade a essas duas chagas:
"[...] Não te passou ainda pela cabeça que os dois únicos partidos de âmbito nacional têm suas origens fora do Brasil: o comunismo e o integralismo? Todos os outros representam apenas interesses locais ou, quando muito, regionais." – Getúlio Vargas.
Essa exposição sucinta de Getúlio, sintetiza tanto sua aversão aos regionalismos como a influência estrangeira, como mais do que isso, expressa sua obra nacionalista. Todo apostolado de Getúlio, foi uma luta perene contra aqueles que querem dividir o Brasil. Inimigos da nacionalidade brasileira, inimigos do Brasil e dos brasileiros.

Desde o primeiro momento em que Getúlio pois os pés no Catete, deu início a uma guerra sem tréguas as facções regionais que dominavam o cenário político nacional. A política de interventores federais, implantada por Getúlio nada mais foi do que a retomada da "Política das Salvações" implementada por Hermes da Fonseca, eleito pela mão do poderoso Senador Pinheiro Machado, mentor de Getúlio, para esmagar as oligarquias regionais, concomitante a concepção castilhista de centralização administrativa, fundamental para o país. 

Foi essa política de interventores federais, de Getúlio, que motivou a Revolta de 32, e o rompimento com Flores da Cunha no RS, antes seu aliado. Lutero Vargas, filho de Getúlio, comentando os episódios que abalaram as relações entre Getúlio e Flores, comenta: "Meu pai veio para o Rio como gaúcho e voltou como brasileiro".

A política de Getúlio extinguiu TODOS os partidos regionais, inclusive, cortando na própria carne, com a extinção do PRR - Partido Repúblicano Rio Grandense, fundado pelo seu próprio pai, Manoel Vargas junto com Júlio de Castilhos.

Instaurado o Estado-Novo, a Queima-das-Bandeiras é outro momento, que mais do que simbólico, materializa o antagonismo de Getúlio ao embuste regionalista, quando expressa em seu pronunciamento:
"Temos motivos de sobra, para encarar os dias futuros com otimismo e confiança, atravessamos períodos difíceis no passado. Com as forças dispersas e malcaratadas, as rivalidades regionais e as constituições inadequadas, aumentavam a desorganização política e administrativa. Abolimos as bandeiras e escudos estaduais e municipais, os hinos regionais e os partidos políticos. Tudo isso se fez, visando consolidar a unidade política e social do Brasil." - Getúlio Vargas. 
Francisco Campos, então seu ministro é ainda mais expresso:
“Bandeira do Brasil, és hoje a única. Hasteada a esta hora em todo o território nacional, única e só, não há lugar no coração dos brasileiros para outras flâmulas, outras bandeiras, outros símbolos. Os brasileiros se reuniram em torno do Brasil e decretaram desta vez com determinação de não consentir que a discórdia volte novamente a dividi-lo, que o Brasil é uma só pátria e que não há lugar para outro pensamento do Brasil, nem espaço e devoção para outra bandeira que não seja esta, hoje hasteada por entre as bênçãos da Igreja e a continência das espadas e a veneração do povo e os cantos da juventude. Tu és a única, porque só há um Brasil ─ em torno de ti se refaz de novo a unidade do Brasil, a unidade de pensamento e de ação, a unidade que se conquista pela vontade e pelo coração, a unidade que somente pode reinar quando se instaura pelas decisões históricas, por entre as discórdias e as inimizades públicas, uma só ordem moral e política, a ordem soberana, feita de força e de ideal, a ordem de um único pensamento e de uma só autoridade, o pensamento e a autoridade do Brasil” - Francisco Campos, 1937. 
A Campanha da Nacionalização, que proibiu o ensino em língua estrangeira nas escolas, e mesmo seu uso em público e obrigando a troca de nomes estrangeiros por nacionais mostra o empenho de nacionalização por Getúlio.

Getúlio pois fim ao processo de imigração que ameaçava soterrar a nacionalidade brasileira, e frear o processo de germanização que ocorria no sul. Posteriormente, vindo a liberar a imigração portuguesa, delineando aqueles que se integravam ao corpo nacional, dos indesejáveis, que não se integravam.

Sua política de integração nacional, com a expansão para o oeste, e o assentamento de brasileiros em áreas desertas, ainda não povoadas, abertura de vias férreas, estradas, linhas de transmissão, o fortalecimento do catolicismo. Todos os atos de Getúlio colimam para um processo nacionalizador, como talvez, nunca até então houvera sido feito no Brasil. E eis oque nos diz o próprio Getúlio:
"Brasileiros! Debruçai-vos sobre o mapa da nossa Pátria! Observai o imenso domínio de que se apoderaram os nossos maiores, desprezando vicissitudes, retemperando o caráter, a cada hora, nas lides contra os acidentes naturais, recuando as raias da superfície geográfica até aos pendores da cordilheira dos Andes, galgando montanhas, transpondo caudais, varando saltos e cachoeiras, rompendo estradas em regiões inóspitas, drenando pântanos e alagadiços e assentando os alicerces de uma Nação de cerca de nove milhões de quilômetros quadrados!
Essa epopeia, entretanto, é sobrepujada por outra ainda mais impressionante e que deve encher de justo orgulho a todos vós. A manutenção da unidade brasileira constitui fenômeno sem paralelo na história dos povos modernos. O centrifugismo foi a lei que imperou em nosso Continente. Enquanto, ao longo das nossas lindes, os vice-reinados espanhóis se desagregavam, decompondo-se em dezenas de Estados; enquanto, na Europa e na Ásia, poderosos impérios se desarticulavam, mantínhamos com inquebrantável fidelidade o ritmo da nossa união sagrada. Nada nos separou, nada teve o dom de afrouxar os elos que nos soldam numa cadeia indivisível. A unidade brasileira é um dogma inviolável e um exemplo que nos servirá de bússola no rumo do porvir." - Getúlio Vargas.
Aqueles que falam em "Brasis", embalados por doutrinas externas, e que, sordidamente, evocam o nome de Getúlio, o fazem pelo mais vil oportunismo. Lobos em pele de cordeiro. Mais do que trair o legado de Getúlio, traem a nacionalidade, aos nossos ancestrais, a pátria. E o pior inimigo é sempre o interno, que atuam apunhalando pelas costas, a traição!

Nós castilhistas somos intransigentes em defesa dos interesses do Brasil, e não toleraremos infiltrados, nem tampouco, proximidade com quem quer que renegue a nacionalidade brasileira vomitando mentiras de que o Brasil seria "diverso", "multicultural", "complexo", "heterogêneo" dentre outras baboseiras para idiotas identitários. Brasil somente aos brasileiros!







terça-feira, 12 de junho de 2018

Nenhum Outro Governo Combateu Tanto O Capital Estrangeiro Quanto O De Getúlio

Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano.”  – Getúlio Vargas.


Quando Getúlio assumiu o governo em 1951, se deparou com o estrago que o governo Dutra havia feito com as finanças do Brasil. E a predação que caucava na economia nacional, denunciando a majoração de dívidas aumentadas pela “mágica” dos juros, nos onerando artificialmente pelo que não devíamos:

“O excedente de mais de 16 e meio bilhões entre o capital estrangeiro aplicado no país [....] e o que foi efetivamente registrado como tal [....] significa nada mais na menos de que uma dívida contraída pelo Brasil no estrangeiro e que terá que ser paga [....] dentro de certo prazo. E vamos restituir oquê? [....] Pagar oque não devemos; restituir o que não recebemos; o que foi majorado por simples magias de cifras, a fim de supervalorizar o capital estrangeiro, em detrimento dos valores do trabalho brasileiro e da população brasileira”.  

Em 1953 Vargas denunciava as remessas de lucros feitas pelas empresas estrangeiras dizendo:

“ [....] estou sendo sabotado por interesses contrários de empresas privadas que já ganharam muito mais no Brasil; que têm em cruzeiros duzentas vezes mais capital que empregaram em dólares para emigrá-los ao estrangeiro a título de dividendos: em vez de os dólares produzirem cruzeiros, os cruzeiros é que estão produzindo dólares e emigrando”

Nestes termos, é rico em significado o discurso proferido por Getúlio em 31 de janeiro de 1954 no qual faz novos ataques ao capital estrangeiro e à evasão de divisas para o exterior, ao mesmo tempo que faz uma análise da situação financeira do país:

“Agora vou dizer-vos como se sangrava as energias do povo brasileiro [....] mandei cotejar as declarações feitas pelos exportadores do Departamento de comércio dos Estados Unidos, com as declarações feitas aos nossos consulados [....] Foi registrado um aumento de valores nas faturas de 150 milhões de dólares [....] Se considerarmos que o sistema era generalizado [....] tivemos um mínimo de desvios cambiais de 250 milhões de dólares em dezoito meses.
 Reduzindo assim o valor da moeda, apresentava-se como um reflexo natural a elevação dos preços, conseqüência e não causa de um fenômeno que escapava ao nosso controle [....]
Outra sangria se determinava no registro de capitais estrangeiros e na remessas de lucros [....]. Mandei efetuar o levantamento legal [....] Em 1948 estavam registrados capitais estrangeiros no valor de Cr$ 6.232.000.000,00.
Em 1949 o valor subia a Cr$ 9.633.000.000,00 pedindo registro”

O problema levantado referia-se aos registros de lucros acima de 8% permitidos, isto nos mostra que Vargas tentou enfrentar o fenômeno imperialista.

A fim de alterar a Legislação sobre remessa de lucros o governo lançou em 3 de janeiro de 1952 o decreto 30.363 fixando que:

"o capital estrangeiro com direito a retorno era apenas o capital original que efetivamente houvesse ingressado no país e que contasse no Registro de Carteira de Câmbio do Banco do Brasil".

O decreto teve repercussão nacional e internacional, revelando à opinião pública uma postura destacadamente antimperialista por parte do Governo de Getúlio e sobretudo seu comprometimento com o desenvolvimento lastreado no capital nacional sem o qual não há que se falar em um verdadeiro desenvolvimento autônomo e por assim dizer soberano. Incompatível portanto com governos posteriores como, a guisa de comparação, notadamente, o de JK, que alguns insistem, ardilosamente, comparar a Getúlio, taxando ambos como "nacional-desenvolvimentistas"..... como se água e óleo se misturassem.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Vargas e o Integralismo



“Não consentiremos que o esforço e a dedicação patriótica dos bons brasileiros venham a sofrer inquietações e sobressaltos originados pelas ambições personalistas ou desvarios ideológicos de falsos profetas e demagogos vulgares." - Getúlio Vargas.


Estando em viagem pela Itália em 1930, Plínio Salgado escreve uma carta a um amigo se mostrando impressionado pelo regime fascista e seu encontro com Mussolini:

“Tenho estudado muito o fascismo; não é exatamente esse o regime que precisamos aí, mas é coisa semelhante. O fascismo, aqui, veio no momento preciso, deslocando o centro de gravidade política, que passou da metafísica jurídica às instituições das realidades imperativas. (...). Penso que o Ministério das Corporações é a máquina mais preciosa. O trabalho é perfeitamente organizado. O capital é admiravelmente bem controlado. (...) Volto para o Brasil disposto a organizar as forças intelectuais esparsas, coordená-las, dando-lhes uma direção, iniciando um apostolado.”

“Contando eu a Mussolini o que tenho feito, ele achou admirável o meu processo, dada a situação diferente do nosso País. Também como eu, ele pensa que antes da organização de um partido, é necessário um movimento de idéias”. (Apud MEDEIROS, Jarbas; VIEIRA, Margarida. “As idéias políticas de Plínio Salgado”. In: CRIPPA, Adolpho (coord.). As idéias políticas no Brasil.)

Plínio Salgado
Disso derivou a idéia de criar a AIBAção Integralista Brasileira, oque veio a se concretizar em 32. 

O Integralismo nasce assim do fascismo e terá nos imigrantes italianos e alemães seus principais núcleos de apoio, tendo recebido mesmo ajuda financeira ao longo de sua existência de Mussolini.  Havendo também estreita colaboração entre integralistas e o partido nacional-socialista no Brasil, como os jornais Blumenauer Zeitung e Joinvillerser Zeitung, que atuaram na cobertura dos dois movimentos (CARONE, 1977, p. 212; GERTZ, 1987, p. 192); tendo inclusive a NSDAP compartilhado sua sede com a AIB em Rio do Sul – SC. (RIBAS, 1944, p. 129).

O envolvimento de Plínio Salgado com movimentos estrangeiros, e seu relativo distanciamento do governo, embora o movimento desperta-se simpatias em Vargas, provocava também desconfiança em Getúlio. A lembrar que Plínio Salgado fora apoiador da contra-revolução de 32. Assim é que Getúlio registra em seu Diário:

“O integralismo é uma forma orgânica de governo e uma propaganda útil no sentido de disciplinar a opinião... Não confio muito nos seus dirigentes, nem eles têm procurado se aproximar do governo de modo a inspirar confiança.”

Com a instituição do Estado Novo em 37, o fechamento dos partidos políticos será decretado em dezembro desse mesmo ano, incluso a AIB e o partido Nacional-Socialista.

Antes mesmo do decreto de três de dezembro de 1937, começar a valer, em 18 de abril de 1938, Getúlio recebeu o embaixador alemão Karl Ritter, que manifestou desagrado com o fechamento do partido nacional-socialista no Brasil, e que isso implicava ter o Brasil como inimigo. Getúlio contemporanizou alegando que não poderia abrir exceções posto que todos os partidos, inclusos os brasileiros, foram extintos. Eis o teor da conversa:
Karl: " - O Partido Nacional-Socialista é a própria Alemanha [....] Todos os ataques que são dirigidos ao Partido, portanto, são considerados também ataques diretos ao Reich."
Getúlio: " - Ora, não devemos comprometer uma grande questão com outra menor".
Karl: " - Se o senhor considera a proibição do Partido Nacional-Socialista no Brasil uma questão pequena, não vejo por que insiste nela. Os temas políticos são fundamentais para o Führer. E os nossos negócios, mesmo os mais consideráveis, não tem qualquer importância se comparados aos assuntos supremos do Partido".  

O inconformismo de Karl Ritter, com o fechamento do partido nacional-socialista no Brasil, se devia ao projeto alemão de incorporação do sul do Brasil como colônia alemã. 

Segundo Olbiano de Melo, Getúlio prosseguiu em suas negociações com os integralistas mesmo após a extinção dos partidos, oferecendo-lhes o Ministério da Educação. A liderança do movimento chegou a escolher o nome de Gustavo Barroso para a pasta, mas a indicação, transmitida por Alcebíades Delamare a Francisco Campos para que este a levasse até Vargas, misteriosamente.....  jamais chegou a seu destino.
"Encontrei com Plínio Salgado. Caipira astuto e inteligente, entendemo-nos bem." - Getúlio Vargas, 26 de outubro de 1937.

Em 11 de março de 1938, antes do efetivo fechamento dos partidos em 18 de abril. Ocorreu a primeira tentativa de golpe por parte dos integralistas. Uma grande quantidade de armas foi apreendida na casa de Plínio Salgado, onde, segundo Hélio Silva, foram encontrados três mil punhais marcados com a suástica. Tendo Plínio Salgado e Belmiro Valverde — chefe militar do levante — conseguido escapar.

Getúlio registrou em seu diário, antes desse primeiro evento, já ter conhecimento da conspiração dos integralistas contra seu governo, diz:

“12 de fevereiro de 1938: ―Vieram falar-me sobre conspirações que estavam sendo tramadas no Exército etc. Combinei inicialmente providências militares no Rio Grande e em São Paulo, e aconselhei ao chefe de Polícia vigilância aqui, não convindo, por enquanto, fazer prisões.”

Dois dias depois, em 14 de fevereiro, as informações da conspiração chegavam de modo mais grave:

“―O ministro da Justiça, impressionado com os boatos de conspiração, quer apressar as coisas.

E, no dia 16 do mesmo mês,  assim registrava o clima conspiratório dos integralistas contra o governo:

“―A polícia fluminense descobre uma conspiração integralista em Petrópolis e faz prisões.”
"Ambiente de franca conspiração, dirigido por integralistas. Disse ao ministro Campos que ou o Plínio vinha colaborar ou eu teria de adotar medidas de repressão contra seus partidários." - Getúlio Vargas, 05 de março de 1938.
A conspiração prosseguiu e, na véspera da deflagração do segundo levante, ocorrido em 11 de maio de 1938. O movimento foi novamente dominado após algumas horas de cerco dos integralistas ao palácio Guanabara e um levante no Ministério da Marinha. Com as prisões efetuadas. Ficou claro que a tentativa de assassinato a Getúlio não partira tão somente dos integralistas, mas também de liberais, denunciando mais uma vez a relação do Plínio Salgado com os liberais, e de setores de dentro das próprias forças armadas.
10 de maio de 1938 – “à noite, após o despacho, fui deitar-me. Não havia ainda adormecido, quando sobressaltou-me cerrada fuzilaria e descargas de metralhadoras. Era o ataque ao palácio, feito de surpresa. O ministro da Guerra veio até o portão, mas não pôde penetrar porque o espaço era varrido pelas metralhadoras. As forças do Exército e da polícia cercavam os arredores, mas não podiam penetrar. Essa situação manteve-se até a madrugada, quando os rebeldes se renderam.” - Getúlio Vargas.
12 de maio - "Aproveitei para fazer o elogio do ministro da Guerra. Realmente, durante mais de três horas em que estive atacado no Guanabara pelos assaltantes e pela própria guarda do palácio, quase sem defesa, foi ele o único homem entre os altos funcionários da administração que, com o risco da própria vida, procurou salvar-me. Dos outros, os que não fugiram, procuraram primeiro garantir a si próprios." 
28 de junho - (Descobriu-se que um irmão de Oswaldo Aranha estava implicado no ataque ao palácio. O chanceler quer demitir-se) "Oswaldo reiterou seu pedido de demissão, dizendo que sua mãe era de opinião que ele não poderia continuar servindo a um governo que castigara seu irmão."
Belmiro Valverde, um dos integralistas presos, aponta Plínio Salgado como um dos mandantes:

“Plínio Salgado sabia, estava acompanhando os fatos, alegrou-se com as primeiras notícias favoráveis, desesperou-se quando soube do fracasso. Um depoimento por nós ouvido de Francisco San Tiago Dantas acrescenta que Plínio redigiu um depoimento para que ele lesse no Rio de Janeiro, logo que saísse vitorioso o movimento.”

Sobre Plínio, diz ainda Valverde:

“vencidos, ele (Plínio Salgado) nos pôs de lado; vencedores, haveria de querer surgir como grande Messias, o Homem do Destino. Cometemos para ele o pecado de não ganhar a partida”.

Anos depois, o próprio Plínio confessara sua participação no levante:

“A minha autorização, não apenas ao sr. Valderde, mas aos chefes integralistas do DF, era no sentido de articular, preparar e aguardar, e nunca decidir sobre a forma de ação, e nem sobre a data da sua execução”.

O envolvimento com liberais e apoio externo do fascismo italiano se comprova com a prisão de Severo Fournier, liberal e ex contra-revolucionário de 32, que se refugia no consulado italiano.

As correspondências entre o embaixador italiano Vicente Locajono e o ministro fascista do exterior, Galeazzo Ciano, comprovam que a AIB recebia subvenções do governo italiano.

Sede do Partido Nacional-Socialista e da AIB em Rio do Sul - SC. 

Do envolvimento dos integralistas com o partido Nacional-Socialista no Brasil, no que pese haver colaboração, havia divergência ideológica ante o projeto de assegurar a germanização das colônias alemães por parte do partido nacional-socialista do projeto integralista de brasileirização desses contigentes. Plínio Salgado reiteradas vezes chegou a atacar as proposições racialistas do Nacional-Socialismo, bem como acusando-os de pagãos.   Em junho de 1935, Plínio Salgado chegou a enviar um emissário, Dr. José Zamarin da Testa, à embaixada da Alemanha, no Rio de Janeiro, oferecendo a cessação dos insultos que proferia à Alemanha e a manutenção do germanismo no sul após a chegada ao poder, em troca de ajuda financeira do III Reich. (C.f. GERTZ, 1987, p. 135-136).

O alemão Stemmer, agente secreto de Batista Luzardo, revelou a parceria dos nazistas com os integralistas, e a união desses com Flores:
"O Stemmer foi apresentado ao Contreiras pelo Sr. Correia Pires, agente de ligação entre Flores e o elemento florista em Rivera. ( ... ) Acrescentou o Contreiras que os integralistas não carecem de recursos, visto que o Sr. Plínio Salgado teve sempre o auxílio pecuniário de elementos alemães. O Contreiras, no curso das conversas com o Stemmer, disse que a combinação com os alemães é a seguinte: o governo integralista que se instalar no Brasil dará o monopólio das exportações das matérias-primas brasileiras à Alemanha e concederá várias regalias aos alemães no Brasil" - Batista Luzardo, em carta à Getúlio em 04 de outubro de 1938.

Desta forma, Getúlio tinha ciência que, mesmo após o levante de 11 de maio de 1938, os integralistas não desistiram e continuaram articulados ao agente alemão e a Flores da Cunha, além de ainda contar com o apoio de alguns setores militares.

Diante dessas relações do integralismo com o nacional-socialismo e o fascismo, é que Getúlio confessa a sua filha Elzira Vargas, após ser indagado do porque não convocava o plebiscito para legitimar a Constituição de 37, o motivo da instauração do Estado Novo:

"o golpe de primeiro de novembro foi justamente para evitar qualquer movimento eleitoral que só poderia nos prejudicar nesta ocasião, e me perguntas pelo plebiscito? Não te passou ainda pela cabeça que os dois únicos partidos de âmbito nacional têm suas origens fora do Brasil: o comunismo e o integralismo? Todos os outros representam apenas interesses locais ou, quando muito, regionais" – Getúlio Vargas.

Desta forma, o Estado Novo surge como o salvador da ordem, que libertou o Brasil das doutrinas e das interferências externas e o projetou para si mesmo, a fim de evitar o caos e a pobreza gerada pelo liberalismo, ao mesmo tempo eliminar definitivamente os regionalismos que ameaçavam a unidade brasileira.





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O Combate de Getúlio Vargas aos Regionalismos e as Doutrinas Estrangeiras
Biografia de Gustavo Barroso.

domingo, 4 de junho de 2017

As Raízes Socialistas No Pensamento Getulista.



"Desejo apenas, antes de me afastar inteiramente da vida pública, deixar no Partido Trabalhista Brasileiro um componente novo, uma força de equilíbrio que atenda às aspirações dos trabalhadores e eleve a nossa cultura como a expressão doutrinária do socialismo brasileiro." – Getúlio Vargas.

Quando de seu “exílio”, em São Borja, em uma entrevista concedida a Décio Freitas, Getúlio confessou não ter lido muito Comte em sua juventude, mas sim Saint-Simon, seu verdadeiro mestre:

“Saint-Simon foi o meu filósofo. Na minha juventude eu o li muito, exaustivamente. Mandei vir da França uma edição completa das obras dos saint-simonianos, editadas em Paris, nos meados do século passado. Não li todos os volumes, mas li muitos. Quem me influenciou foi Saint-Simon, não Auguste Comte. Os que conhecem estes filósofos sabem das diferenças marcantes entre eles.”

Saint-Simon
Saint-Simon foi o filósofo francês fundador do pensamento industrialista e que teve Auguste Comte, como seu discípulo, quando secretário de Saint-Simon de 1817 à 1824. O socialismo industrialista de Saint-Simon, foi a primeira vertente ideológica, de matiz intervencionista, negadora do liberalismo. Com a proposta de sanar os efeitos maléficos do capitalismo mediante uma interveniente administração pública.

Saint-Simon concebeu uma economia planejada que regulasse o desenvolvimento nacional. Os industriais e os seus financiadores seriam os missionários de um novo credo, pelo qual "as classes mais numerosas e sofredoras" seriam incorporadas e protegidas pela sólida união de Indústria e Governo. O excesso de exploração pelo capital, advindos do egoísmo, seriam redimidos pela instituição de uma sociedade altruísta, termo cunhado então, para designar um regime próspero e distributivo.

Um dos princípios liberais que Comte julgava particularmente funesto pelo liberalismo, seria o de conceber os processos de produção, circulação e consumo de mercadorias somente em função dos interesses individuais. A absolutização do desejo de lucro, aceso egoisticamente em cada agente da vida social, tende a gerar um estado de anomia ou de violência desenfreada que tão-só uma prudente e enérgica administração pública conseguiria evitar.

Estruturava assim um regime meritocrático, em que a recompensa do mérito iria para os fortes; a assistência benévola, para os fracos. Chegando ao ponto de abolir o instituto da herança, um dos maiores óbices criados ao progresso por manter privilégios individuais em detrimento da solidariedade social. Nascia, deste modo, o ideal reformista do Estado-Providência: um vasto e organizado aparelho público que ao mesmo tempo estimula a produção e corrige as desigualdades do mercado.

Getúlio quando estudande de direito, dissertando sobre a questão da propriedade, citando Comte, critica a fórmula do Laissez Faire, que não passa de uma confissão de impotência frente aos problemas sociais. Registra, que o Estado:

“Deve proteger ou antes facilitar, a tendência associativa e as sociedades cooperativas dos operários para resistirem ao capital. Deve, porém, ser o garantidor da liberdade individual e nunca julgá-la no círculo de ferro de uma disciplina rigorosa”.

Critica aos que não entendem as verdadeiras necessidades da nação. A indústria (no sentido da manufatura e no sentido amplo de tudo aquilo que é produzido) é a maior riqueza de um país, diria Saint-Simon:

Os capitais e a indústria, eis aí os órgãos naturais da criação das riquezas; um povo que as possui necessariamente enriquecerá, um povo que não as tem continuará necessariamente pobre”.

Na França de Napoleão quase todos os empresários que lograram exercer uma influência econômica duradoura pertenciam a um grupo bem definido: não eram bonapartistas, mas "socialistas" san-simonianos.

Saint-Simon ficou entusiasmado com a ascensão de Napoleão Bonaparte (1769-1821) ao poder, em 1804, como Imperador, e com a sua decisão de governar alicerçado em Conselhos Técnicos, dispensando a opinião dos políticos.

Saint-Simon imaginava ser o pensador da nova ordem, o seu cientista. Getúlio claramente abraçou esse postulado. Eis o fragmento de um discurso, alguns meses após a Revolução de 30:

A época é das assembléias especializadas, dos conselhos técnicos integrados à administração. O Estado puramente político, no sentido antigo do termo, podemos considerálo, atualmente, entidade amorfa, que, aos poucos, vai perdendo o valor e a significação.” – Getúlio Vargas, em 04-05-1931.

Getúlio conseguiu substituir a representação política pelos conselhos técnicos integrados à administração.

Francisco Martins de Sousa, ao concluir a sua análise do corporativismo vigente no Estado Novo, destacou, de forma clara, a fidelidade de Vargas ao castilhismo, nos seguintes termos: “Em síntese, pode-se apontar a fidelidade de Vargas ao castilhismo nestes aspectos:

a) O governo é uma questão técnica, é um problema de competência (o poder vem do saber e não de Deus ou da representação). A tarefa legislativa não pode ser delegada aos parlamentos, mas a órgãos técnicos.

b) O governo não é ditatorial porque não legisla no vazio, mas consulta as partes interessadas. O princípio castilhista que se exercia mediante a publicação das leis e a resposta do governante às críticas, sob Vargas, no plano nacional, assume esta forma: os técnicos elaboram as normas legais; os interessados são convidados a opinar; e o governo intervém para exercer função mediadora e impor uma diretriz, um rumo. Em vários níveis essa modalidade achava-se institucionalizada em Conselhos Técnicos, com a participação dos especialistas, dos interessados e do Governo.

O ponto nevrálgico da estratégia de Getúlio seria a redução dos problemas políticos a questões técnicas. E foi o Conselho Federal de Comércio Exterior que assessorava Getúlio, que o levou à solução intervencionista do problema do aço, com a criação da CSN sob forma de Empresa Pública diretamente vinculada e gerida pelo Estado. Esse conselho, tinha formação baseada nas idéias difundidas na Escola Politécnica por Aarão Reis (1853-1936), com uma visão bastante ampla da intervenção do Estado na economia.

“A Democracia econõmica não se pode organizar sem o prévio planejamento. Este é que se tem de realizar. Não para economia da coletividade ser desfrutada por meia dúzia de privilegiados. Esse planejamento econômico é que coloca a produção subordinada aos interesses da comunidade e não das minorias. Por conseguinte, nós todos devemos nos empenhar em trabalhar para isso, para a organização dessa democracia planificada, a fim de que ela constitua a defesa dos trabalhadores. É nessa democracia que me alisto convosco, para conseguirmos realizar o engrandecimento do Brasil e a prosperidade de todos os brasileiros.” – Getúlio Vargas.

Além de Saint-Simon, Getúlio foi profícuo leitor da obra de Friedriech List, autor do “Sistema Nacional de Economia Política”. List, converteu o discurso empresarial de Saint-Simon na linguagem de um poder público centralizador de que Bismarck seria o paladino. O caminho alemão passou pelo protecionismo oficial à indústria com Guilherme II. Foi nessa Prússia moderna e autoritária que se adotou, pela primeira vez, o termo: Estado de bem estar, Wohl-fahrsstat.

Os exemplos da França e da Alemanha ilustram a tese: de que o desenvolvimento técnico e econômico das nações européias não foi um subproduto automático da Revolução Industrial, e sim de fatores ideológicos e, em senso lato, culturais. Isso é ainda mais claro no caso do Brasil. Independente em 1822, portanto, um Estado-Nacional ainda mais antigo do que a Itália e a Alemanha, com um território vasto e já unificado, não há ao longo de todo meio século de Império, nenhuma iniciativa de desenvolvimento industrial do país, por carência de uma ideologia industrial que a mobilize, e que só despertará para tal empreendimento, com o pensamento industrial dos republicanos. E é com a ação de Getúlio, movido por essa ideologia industrial-socialista que a industrialização brasileira se concretizará, ainda que tardia. 


domingo, 24 de janeiro de 2016

Getúlio Vargas e A Mulher Cidadã

A 24 de fevereiro de 1932, Getúlio Vargas, concedeu o Direito de voto às mulheres.

Carlota Pereira Queiroz
Podendo votar e ser votada,  a mulher brasileira passou a ser reconhecida como cidadã, integrada ao processo político, econômico, social e cultural do país. O direito ao voto às mulheres foi instituído pelo novo Código Eleitoral, promulgado por Getúlio através do decreto 21.076. Em 1933, pela primeira vez, as mulheres votaram e foram votadas para a Assembléia Nacional Constituinte. Entre os 214 deputados eleitos, uma única mulher: Carlota Queiroz. 

Em 17 de maio de 1932, Getúlio regulamentou o trabalho feminino. As mulheres passaram a ter acesso ao mercado de trabalho em igualdade com os homens. Foi estabelecido o princípio de salário igual para trabalho igual, a jornada de trabalho de oito horas e a licença-maternidade de dois meses.

Getúlio proporcionou às mulheres o acesso a diversos setores da sociedade e rompeu com uma série de preconceitos, como o ingresso no ensino básico e universitário e cargos públicos através de concursos.

O estadista foi o maior defensor do feminismo no Brasil, como comprova o seguinte episódio em que tomou parte a filha, Alzira Vargas: quando Alzira levou à presença de seu pai uma jovem que pleiteava ingresso em cargo público, até então reservado só para homens, sem a menor surpresa, ouviu de Getúlio: "A mulher de hoje precisa falar inglês, saber datilografia e guiar automóvel. A senhora já sabe?"

Getúlio recepciona as representantes do Fundo para Federação Brasileira para o Progresso Feminino.





terça-feira, 10 de março de 2015

A Marcha Para o Oeste e O Homem Novo.

“Pressinto que é na ‘Marcha para o Oeste’ que o Brasil, libertando-se do litoral cosmopolita e saturado de influências híbridas, achará a sua alma verdadeira”

Pierre Chabloz



O projeto nacional brasileiro contemplava a readequação do brasileiro ao novo sistema produtivo que se impelia, a industrialização.

O sistema produtivo do Brasil encontrava-se completamente atrasado, mais do que agrícola, uma agricultura mono-exportadora e rudimentar. E a margem desse sistema falido, encontrava-se o brasileiro, esteriotipado no “jeca tatu”, abandonado e vivendo um processo pré-capitalista, quase medieval, em um sistema clientelista. 

O projeto nacional brasileiro impelia a mudança por uma sociedade industrial e punjante, trazendo o brasileiro para éra industrial e capitalista. E para isso era preciso adequar o brasileiro, criar o homem novo, adaptado aos novos tempos, ao sistema industrial, capaz de gerar a prosperidade nacional.

Roquette Pinto, rejeitando as teses “racialistas” de que o atraso do Brasil derivava do seu tipo humano, apontava que o problema era de ordem de saúde pública e deficiência educacional. Rejeitava a substituição do brasileiro por imigrantes europeus. Contudo isso não implicava, a rejeição por políticas de melhoramento da raça. Tais como a proibição de casamento entre primos, ainda hoje vedado por acarretar em problemas genéticos oriundos da consangüinidade. Roquette Pinto propunha ainda, incentivos para o casamento entre casais saudáveis, afim de haver um incremento e melhoramento da raça.

Esse projeto se concretizou, na Marcha Para o Oeste, que visava a ocupação do imenso vazio do vale amazônico, por elementos fisicamente sadios, e que se firma-se ali o Brasil Novo, de um brasileiro branco e católico.  E para isso concorreu os soldados da borracha, no curso da II Guerra. Getúlio aproveitou os esforços de guerra, para ocupar a Amazônia, integrando-a, efetivamente, ao Brasil. Fez recrutar milhares de brasileiros, que ao final do conflito receberiam terras e ajuda governamental para se estabelecerem definitivamente. Realizando ao mesmo tempo uma reforma agrária e amparando do flagelo da seca os contingentes populacionais do nordeste do Brasil.

Foi criado o SEMTA – Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, órgão a cargo do recrutamente e tendo a frente o suíço Pierre Chabloz, encarregado de coordenar a propaganda.

“eu pressinto muitas vezes que é na ‘Marcha para o Oeste’ que o Brasil, libertando-se do litoral cosmopolita e saturado de influências híbridas, achará a sua alma verdadeira”

60 mil cearenses foram recrutados, ante o já grande contingente presente na Amazônia (I ciclo da borracha). O fato da população cearense não ter tido cultura escravocrata, tendo os mamelucos do interior cearense maiores similaridades com os mamelucos e nativos da Amazônia ocidental, ao contrario de outros lugares do nordeste e mesmo do sudeste.

Os indivíduos eram recrutados segundo tipos físicos sadios, de modo a não terem problemas congênitos e se enquadrarem no típico brasileiro sem digredir da nacionalidade, presente em todo o país.

Foram classificados dentre outros tipos em: normolíneo, tipo normal com pêlos e pescoço longo, que seria o mais desejável no processo seletivo; o mixotipo tronco longo e pouco volumoso, mais próximo do normal; o brevilíneo; e o disgenopata, o mais indesejável, a ser descartável.

O quadro sinótico, tinha a finalidade de ser distribuído entre os médicos de seleção, expressando a relação de hierarquia entre os biótipos.

Da esquerda para direita, dois mixotipos, normolíneo e brevilíneo. O normolineo era o tipo mais desejável. 
O tipo disgenopata era o mais indesejável
a ser descartado no processo seletivo





O projeto além de prever o assentamento permanente desses contingentes, previa a criação de cidades planejadas como centros logísticos de apoio permanente e de vida urbana para as fazendas criadas no seu entorno, a exemplo do exitoso projeto piloto de Cérceres em Goiás.

Cérceres foi uma colônia agrícola criada pelo Estado Novo, como projeto piloto, que visava a implantação de tantas outras no projeto de Marcha Para o Oeste, além do apoio governamental com a abertura de estradas, serviços públicos, financiamento, orientação técnica, o governo estruturava solidamente uma estrutura de ensino técnico para formação do homem novo. 

Um empreendimento que tornou e ainda hoje faz de Cérceres uma cidade modelo com melhor padrão de vida do centro-oeste.

Tudo isso deveria ter sido implementado na Amazônia, e foi melancolicamente abortado com a queda de Getúlio em 45. Os soldados da Borracha abandonados em um ambiente mais mortífero que os campos de batalha do norte da Itália, nunca receberam qualquer auxílio e tão pouco alguma homenagem do Estado brasileiro(usurpado pelos liberais).


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