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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Goiânia, a Cidade Símbolo do Projeto de Expansão Para o Oeste.


por Costa Melo.

A primeira filha da Revolução Brasileira de 1930. Em 24 de Outubro de 1933 é lançada pelo interventor Pedro Ludovico a pedra fundamental da cidade-símbolo da Marcha para o Oeste, a ocupação dos vazios populacionais do interior do Brasil. Seu simbolismo era a fundação de um Novo Brasil, livre das velhas oligarquias, enraizadas na velha capital, a Cidade e Comarca de Goyaz. Outrossim, a mudança pôde contribuir para a preservação do acervo arquitetônico colonial muito presente naquela urbe hoje quase tricentenária.

Goiânia, apesar dos traçados mais futurísticos, ainda aguarda muitas transformações necessárias.

No mapa abaixo, de 1943, logo após o batismo cultural, com a presença do então presidente Getúlio Vargas, traz algumas curiosidades que apontam o quanto foi modificado o projeto original:

A sede da Catedral Metropolitana era para ser na atual Praça do Cruzeiro, que domina o panorama do Setor Sul, cuja arquitetura residencial era bastante avançada, buscando harmonizar habitação e paisagismo com farta arborização (havia uma parte reservada para casas do programa de habitação dos famosos IAPIS de Vargas); vê-se também o investimento em áreas verdes no plano inicial do Setor Oeste, com o Lago das Rosas ainda compatível com o banho público.

O mais interessante é que além do prospecto urbanístico valorizar muito o verde e a circulação entre os bairros e vilas, o Setor Norte Ferroviário, cujo centro dominava a Estação Central da Estrada de Ferro Goyaz, todas as cercanias e partes do início da Avenida Goiás, além de destinada ao comércio e serviços, era destinada também a galpões de oficinas industriais, uma vez que o projeto era a ferrovia chegar a Mato Grosso e Norte do Brasil, com pontos de industrialização, sobretudo metalúrgica e agrícola, para apoiar a interiorização do país.

Goiânia, ao menos no princípio, era uma cidade revolucionária, em todos seus conceitos.

Apesar de preservar muitas áreas verdes, seus cursos d'água no perímetro urbano estão bastante degradados, causando inclusive falta de abastecimento, além da incompletude de redes de esgoto, isto porque a especulação imobiliária tomou conta dos poderes públicos com relação ao urbanismo; a cidade é feita e dominada por carros, com um transporte público desumano, apenas feito por ônibus. Até hoje é apenas um pálido sonho uma rede básica metroviária, isto porque a cidade jaz em terreno predominantemente plano. Enfim, esperamos um dia poder devolver muito de seus primeiros desideratos.


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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Vargas e o Integralismo



“Não consentiremos que o esforço e a dedicação patriótica dos bons brasileiros venham a sofrer inquietações e sobressaltos originados pelas ambições personalistas ou desvarios ideológicos de falsos profetas e demagogos vulgares." - Getúlio Vargas.


Estando em viagem pela Itália em 1930, Plínio Salgado escreve uma carta a um amigo se mostrando impressionado pelo regime fascista e seu encontro com Mussolini:

“Tenho estudado muito o fascismo; não é exatamente esse o regime que precisamos aí, mas é coisa semelhante. O fascismo, aqui, veio no momento preciso, deslocando o centro de gravidade política, que passou da metafísica jurídica às instituições das realidades imperativas. (...). Penso que o Ministério das Corporações é a máquina mais preciosa. O trabalho é perfeitamente organizado. O capital é admiravelmente bem controlado. (...) Volto para o Brasil disposto a organizar as forças intelectuais esparsas, coordená-las, dando-lhes uma direção, iniciando um apostolado.”

“Contando eu a Mussolini o que tenho feito, ele achou admirável o meu processo, dada a situação diferente do nosso País. Também como eu, ele pensa que antes da organização de um partido, é necessário um movimento de idéias”. (Apud MEDEIROS, Jarbas; VIEIRA, Margarida. “As idéias políticas de Plínio Salgado”. In: CRIPPA, Adolpho (coord.). As idéias políticas no Brasil.)

Plínio Salgado
Disso derivou a idéia de criar a AIBAção Integralista Brasileira, oque veio a se concretizar em 32. 

O Integralismo nasce assim do fascismo e terá nos imigrantes italianos e alemães seus principais núcleos de apoio, tendo recebido mesmo ajuda financeira ao longo de sua existência de Mussolini.  Havendo também estreita colaboração entre integralistas e o partido nacional-socialista no Brasil, como os jornais Blumenauer Zeitung e Joinvillerser Zeitung, que atuaram na cobertura dos dois movimentos (CARONE, 1977, p. 212; GERTZ, 1987, p. 192); tendo inclusive a NSDAP compartilhado sua sede com a AIB em Rio do Sul – SC. (RIBAS, 1944, p. 129).

O envolvimento de Plínio Salgado com movimentos estrangeiros, e seu relativo distanciamento do governo, embora o movimento desperta-se simpatias em Vargas, provocava também desconfiança em Getúlio. A lembrar que Plínio Salgado fora apoiador da contra-revolução de 32. Assim é que Getúlio registra em seu Diário:

“O integralismo é uma forma orgânica de governo e uma propaganda útil no sentido de disciplinar a opinião... Não confio muito nos seus dirigentes, nem eles têm procurado se aproximar do governo de modo a inspirar confiança.”

Com a instituição do Estado Novo em 37, o fechamento dos partidos políticos será decretado em dezembro desse mesmo ano, incluso a AIB e o partido Nacional-Socialista.

Antes mesmo do decreto de três de dezembro de 1937, começar a valer, em 18 de abril de 1938, Getúlio recebeu o embaixador alemão Karl Ritter, que manifestou desagrado com o fechamento do partido nacional-socialista no Brasil, e que isso implicava ter o Brasil como inimigo. Getúlio contemporanizou alegando que não poderia abrir exceções posto que todos os partidos, inclusos os brasileiros, foram extintos. Eis o teor da conversa:
Karl: " - O Partido Nacional-Socialista é a própria Alemanha [....] Todos os ataques que são dirigidos ao Partido, portanto, são considerados também ataques diretos ao Reich."
Getúlio: " - Ora, não devemos comprometer uma grande questão com outra menor".
Karl: " - Se o senhor considera a proibição do Partido Nacional-Socialista no Brasil uma questão pequena, não vejo por que insiste nela. Os temas políticos são fundamentais para o Führer. E os nossos negócios, mesmo os mais consideráveis, não tem qualquer importância se comparados aos assuntos supremos do Partido".  

O inconformismo de Karl Ritter, com o fechamento do partido nacional-socialista no Brasil, se devia ao projeto alemão de incorporação do sul do Brasil como colônia alemã. 

Segundo Olbiano de Melo, Getúlio prosseguiu em suas negociações com os integralistas mesmo após a extinção dos partidos, oferecendo-lhes o Ministério da Educação. A liderança do movimento chegou a escolher o nome de Gustavo Barroso para a pasta, mas a indicação, transmitida por Alcebíades Delamare a Francisco Campos para que este a levasse até Vargas, misteriosamente.....  jamais chegou a seu destino.
"Encontrei com Plínio Salgado. Caipira astuto e inteligente, entendemo-nos bem." - Getúlio Vargas, 26 de outubro de 1937.

Em 11 de março de 1938, antes do efetivo fechamento dos partidos em 18 de abril. Ocorreu a primeira tentativa de golpe por parte dos integralistas. Uma grande quantidade de armas foi apreendida na casa de Plínio Salgado, onde, segundo Hélio Silva, foram encontrados três mil punhais marcados com a suástica. Tendo Plínio Salgado e Belmiro Valverde — chefe militar do levante — conseguido escapar.

Getúlio registrou em seu diário, antes desse primeiro evento, já ter conhecimento da conspiração dos integralistas contra seu governo, diz:

“12 de fevereiro de 1938: ―Vieram falar-me sobre conspirações que estavam sendo tramadas no Exército etc. Combinei inicialmente providências militares no Rio Grande e em São Paulo, e aconselhei ao chefe de Polícia vigilância aqui, não convindo, por enquanto, fazer prisões.”

Dois dias depois, em 14 de fevereiro, as informações da conspiração chegavam de modo mais grave:

“―O ministro da Justiça, impressionado com os boatos de conspiração, quer apressar as coisas.

E, no dia 16 do mesmo mês,  assim registrava o clima conspiratório dos integralistas contra o governo:

“―A polícia fluminense descobre uma conspiração integralista em Petrópolis e faz prisões.”
"Ambiente de franca conspiração, dirigido por integralistas. Disse ao ministro Campos que ou o Plínio vinha colaborar ou eu teria de adotar medidas de repressão contra seus partidários." - Getúlio Vargas, 05 de março de 1938.
A conspiração prosseguiu e, na véspera da deflagração do segundo levante, ocorrido em 11 de maio de 1938. O movimento foi novamente dominado após algumas horas de cerco dos integralistas ao palácio Guanabara e um levante no Ministério da Marinha. Com as prisões efetuadas. Ficou claro que a tentativa de assassinato a Getúlio não partira tão somente dos integralistas, mas também de liberais, denunciando mais uma vez a relação do Plínio Salgado com os liberais, e de setores de dentro das próprias forças armadas.
10 de maio de 1938 – “à noite, após o despacho, fui deitar-me. Não havia ainda adormecido, quando sobressaltou-me cerrada fuzilaria e descargas de metralhadoras. Era o ataque ao palácio, feito de surpresa. O ministro da Guerra veio até o portão, mas não pôde penetrar porque o espaço era varrido pelas metralhadoras. As forças do Exército e da polícia cercavam os arredores, mas não podiam penetrar. Essa situação manteve-se até a madrugada, quando os rebeldes se renderam.” - Getúlio Vargas.
12 de maio - "Aproveitei para fazer o elogio do ministro da Guerra. Realmente, durante mais de três horas em que estive atacado no Guanabara pelos assaltantes e pela própria guarda do palácio, quase sem defesa, foi ele o único homem entre os altos funcionários da administração que, com o risco da própria vida, procurou salvar-me. Dos outros, os que não fugiram, procuraram primeiro garantir a si próprios." 
28 de junho - (Descobriu-se que um irmão de Oswaldo Aranha estava implicado no ataque ao palácio. O chanceler quer demitir-se) "Oswaldo reiterou seu pedido de demissão, dizendo que sua mãe era de opinião que ele não poderia continuar servindo a um governo que castigara seu irmão."
Belmiro Valverde, um dos integralistas presos, aponta Plínio Salgado como um dos mandantes:

“Plínio Salgado sabia, estava acompanhando os fatos, alegrou-se com as primeiras notícias favoráveis, desesperou-se quando soube do fracasso. Um depoimento por nós ouvido de Francisco San Tiago Dantas acrescenta que Plínio redigiu um depoimento para que ele lesse no Rio de Janeiro, logo que saísse vitorioso o movimento.”

Sobre Plínio, diz ainda Valverde:

“vencidos, ele (Plínio Salgado) nos pôs de lado; vencedores, haveria de querer surgir como grande Messias, o Homem do Destino. Cometemos para ele o pecado de não ganhar a partida”.

Anos depois, o próprio Plínio confessara sua participação no levante:

“A minha autorização, não apenas ao sr. Valderde, mas aos chefes integralistas do DF, era no sentido de articular, preparar e aguardar, e nunca decidir sobre a forma de ação, e nem sobre a data da sua execução”.

O envolvimento com liberais e apoio externo do fascismo italiano se comprova com a prisão de Severo Fournier, liberal e ex contra-revolucionário de 32, que se refugia no consulado italiano.

As correspondências entre o embaixador italiano Vicente Locajono e o ministro fascista do exterior, Galeazzo Ciano, comprovam que a AIB recebia subvenções do governo italiano.

Sede do Partido Nacional-Socialista e da AIB em Rio do Sul - SC. 

Do envolvimento dos integralistas com o partido Nacional-Socialista no Brasil, no que pese haver colaboração, havia divergência ideológica ante o projeto de assegurar a germanização das colônias alemães por parte do partido nacional-socialista do projeto integralista de brasileirização desses contigentes. Plínio Salgado reiteradas vezes chegou a atacar as proposições racialistas do Nacional-Socialismo, bem como acusando-os de pagãos.   Em junho de 1935, Plínio Salgado chegou a enviar um emissário, Dr. José Zamarin da Testa, à embaixada da Alemanha, no Rio de Janeiro, oferecendo a cessação dos insultos que proferia à Alemanha e a manutenção do germanismo no sul após a chegada ao poder, em troca de ajuda financeira do III Reich. (C.f. GERTZ, 1987, p. 135-136).

O alemão Stemmer, agente secreto de Batista Luzardo, revelou a parceria dos nazistas com os integralistas, e a união desses com Flores:
"O Stemmer foi apresentado ao Contreiras pelo Sr. Correia Pires, agente de ligação entre Flores e o elemento florista em Rivera. ( ... ) Acrescentou o Contreiras que os integralistas não carecem de recursos, visto que o Sr. Plínio Salgado teve sempre o auxílio pecuniário de elementos alemães. O Contreiras, no curso das conversas com o Stemmer, disse que a combinação com os alemães é a seguinte: o governo integralista que se instalar no Brasil dará o monopólio das exportações das matérias-primas brasileiras à Alemanha e concederá várias regalias aos alemães no Brasil" - Batista Luzardo, em carta à Getúlio em 04 de outubro de 1938.

Desta forma, Getúlio tinha ciência que, mesmo após o levante de 11 de maio de 1938, os integralistas não desistiram e continuaram articulados ao agente alemão e a Flores da Cunha, além de ainda contar com o apoio de alguns setores militares.

Diante dessas relações do integralismo com o nacional-socialismo e o fascismo, é que Getúlio confessa a sua filha Elzira Vargas, após ser indagado do porque não convocava o plebiscito para legitimar a Constituição de 37, o motivo da instauração do Estado Novo:

"o golpe de primeiro de novembro foi justamente para evitar qualquer movimento eleitoral que só poderia nos prejudicar nesta ocasião, e me perguntas pelo plebiscito? Não te passou ainda pela cabeça que os dois únicos partidos de âmbito nacional têm suas origens fora do Brasil: o comunismo e o integralismo? Todos os outros representam apenas interesses locais ou, quando muito, regionais" – Getúlio Vargas.

Desta forma, o Estado Novo surge como o salvador da ordem, que libertou o Brasil das doutrinas e das interferências externas e o projetou para si mesmo, a fim de evitar o caos e a pobreza gerada pelo liberalismo, ao mesmo tempo eliminar definitivamente os regionalismos que ameaçavam a unidade brasileira.





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domingo, 24 de janeiro de 2016

Getúlio Vargas e A Mulher Cidadã

A 24 de fevereiro de 1932, Getúlio Vargas, concedeu o Direito de voto às mulheres.

Carlota Pereira Queiroz
Podendo votar e ser votada,  a mulher brasileira passou a ser reconhecida como cidadã, integrada ao processo político, econômico, social e cultural do país. O direito ao voto às mulheres foi instituído pelo novo Código Eleitoral, promulgado por Getúlio através do decreto 21.076. Em 1933, pela primeira vez, as mulheres votaram e foram votadas para a Assembléia Nacional Constituinte. Entre os 214 deputados eleitos, uma única mulher: Carlota Queiroz. 

Em 17 de maio de 1932, Getúlio regulamentou o trabalho feminino. As mulheres passaram a ter acesso ao mercado de trabalho em igualdade com os homens. Foi estabelecido o princípio de salário igual para trabalho igual, a jornada de trabalho de oito horas e a licença-maternidade de dois meses.

Getúlio proporcionou às mulheres o acesso a diversos setores da sociedade e rompeu com uma série de preconceitos, como o ingresso no ensino básico e universitário e cargos públicos através de concursos.

O estadista foi o maior defensor do feminismo no Brasil, como comprova o seguinte episódio em que tomou parte a filha, Alzira Vargas: quando Alzira levou à presença de seu pai uma jovem que pleiteava ingresso em cargo público, até então reservado só para homens, sem a menor surpresa, ouviu de Getúlio: "A mulher de hoje precisa falar inglês, saber datilografia e guiar automóvel. A senhora já sabe?"

Getúlio recepciona as representantes do Fundo para Federação Brasileira para o Progresso Feminino.





terça-feira, 10 de março de 2015

A Marcha Para o Oeste e O Homem Novo.

“Pressinto que é na ‘Marcha para o Oeste’ que o Brasil, libertando-se do litoral cosmopolita e saturado de influências híbridas, achará a sua alma verdadeira”

Pierre Chabloz



O projeto nacional brasileiro contemplava a readequação do brasileiro ao novo sistema produtivo que se impelia, a industrialização.

O sistema produtivo do Brasil encontrava-se completamente atrasado, mais do que agrícola, uma agricultura mono-exportadora e rudimentar. E a margem desse sistema falido, encontrava-se o brasileiro, esteriotipado no “jeca tatu”, abandonado e vivendo um processo pré-capitalista, quase medieval, em um sistema clientelista. 

O projeto nacional brasileiro impelia a mudança por uma sociedade industrial e punjante, trazendo o brasileiro para éra industrial e capitalista. E para isso era preciso adequar o brasileiro, criar o homem novo, adaptado aos novos tempos, ao sistema industrial, capaz de gerar a prosperidade nacional.

Roquette Pinto, rejeitando as teses “racialistas” de que o atraso do Brasil derivava do seu tipo humano, apontava que o problema era de ordem de saúde pública e deficiência educacional. Rejeitava a substituição do brasileiro por imigrantes europeus. Contudo isso não implicava, a rejeição por políticas de melhoramento da raça. Tais como a proibição de casamento entre primos, ainda hoje vedado por acarretar em problemas genéticos oriundos da consangüinidade. Roquette Pinto propunha ainda, incentivos para o casamento entre casais saudáveis, afim de haver um incremento e melhoramento da raça.

Esse projeto se concretizou, na Marcha Para o Oeste, que visava a ocupação do imenso vazio do vale amazônico, por elementos fisicamente sadios, e que se firma-se ali o Brasil Novo, de um brasileiro branco e católico.  E para isso concorreu os soldados da borracha, no curso da II Guerra. Getúlio aproveitou os esforços de guerra, para ocupar a Amazônia, integrando-a, efetivamente, ao Brasil. Fez recrutar milhares de brasileiros, que ao final do conflito receberiam terras e ajuda governamental para se estabelecerem definitivamente. Realizando ao mesmo tempo uma reforma agrária e amparando do flagelo da seca os contingentes populacionais do nordeste do Brasil.

Foi criado o SEMTA – Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, órgão a cargo do recrutamente e tendo a frente o suíço Pierre Chabloz, encarregado de coordenar a propaganda.

“eu pressinto muitas vezes que é na ‘Marcha para o Oeste’ que o Brasil, libertando-se do litoral cosmopolita e saturado de influências híbridas, achará a sua alma verdadeira”

60 mil cearenses foram recrutados, ante o já grande contingente presente na Amazônia (I ciclo da borracha). O fato da população cearense não ter tido cultura escravocrata, tendo os mamelucos do interior cearense maiores similaridades com os mamelucos e nativos da Amazônia ocidental, ao contrario de outros lugares do nordeste e mesmo do sudeste.

Os indivíduos eram recrutados segundo tipos físicos sadios, de modo a não terem problemas congênitos e se enquadrarem no típico brasileiro sem digredir da nacionalidade, presente em todo o país.

Foram classificados dentre outros tipos em: normolíneo, tipo normal com pêlos e pescoço longo, que seria o mais desejável no processo seletivo; o mixotipo tronco longo e pouco volumoso, mais próximo do normal; o brevilíneo; e o disgenopata, o mais indesejável, a ser descartável.

O quadro sinótico, tinha a finalidade de ser distribuído entre os médicos de seleção, expressando a relação de hierarquia entre os biótipos.

Da esquerda para direita, dois mixotipos, normolíneo e brevilíneo. O normolineo era o tipo mais desejável. 
O tipo disgenopata era o mais indesejável
a ser descartado no processo seletivo





O projeto além de prever o assentamento permanente desses contingentes, previa a criação de cidades planejadas como centros logísticos de apoio permanente e de vida urbana para as fazendas criadas no seu entorno, a exemplo do exitoso projeto piloto de Cérceres em Goiás.

Cérceres foi uma colônia agrícola criada pelo Estado Novo, como projeto piloto, que visava a implantação de tantas outras no projeto de Marcha Para o Oeste, além do apoio governamental com a abertura de estradas, serviços públicos, financiamento, orientação técnica, o governo estruturava solidamente uma estrutura de ensino técnico para formação do homem novo. 

Um empreendimento que tornou e ainda hoje faz de Cérceres uma cidade modelo com melhor padrão de vida do centro-oeste.

Tudo isso deveria ter sido implementado na Amazônia, e foi melancolicamente abortado com a queda de Getúlio em 45. Os soldados da Borracha abandonados em um ambiente mais mortífero que os campos de batalha do norte da Itália, nunca receberam qualquer auxílio e tão pouco alguma homenagem do Estado brasileiro(usurpado pelos liberais).


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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A Contra-revolução de 1932



Tropa Federal Riograndense no Ibirapuera
A Contra-revolução de 32 foi a reação da oligarquia em seus espamos finais contra a Revolução de 30, quando usou parte da classe média em São Paulo como bucha de canhão na consecução de seus intentos, ao que a classe trabalhadora se pois ao lado de Getúlio com quem sempre esteve!


A mesma oligarquia que antes fraudava sem a maior parcimônia eleições e mergulhava na mais sombria corrupção, usava como embuste uma pretensa "democracia"(que sempre renegaram) contra um governo revolucionário que ainda se encontrava em formação. Pretexto, reles pretexto para abortar a Revolução em curso.

O empresário Octavio Frias de Oliveira (falecido proprietário do jornal "Folha de São Paulo"), participou como voluntário daquele movimento (mais um que serviu como buxa de canhão para os apetites de poder insaciáveis da oligarquia cafeeira). Em sua biografia, contou o que foi realmente aquela rebelião:
"aquilo era sacanagem dos paulistas da UDN. Sempre achei isso. Porque nenhum filho de gente importante estava lá? Só estavam o povinho ou os ingênuos como eu. Foi uma das sacanagens mais bem armadas que eu já vi.".
Lembrando que, enquanto os filhos da oligarquia escapavam de ir lutar, o filho de Getúlio, Lutero Vargas, na época apenas um adolescente, foi para a frente de combate, pois como escreveu Getúlio em seu Diário:
"não podia privá-lo de fazer aquilo que julgava ser o seu dever. Meus inimigos não poderão dizer que este aspecto sentimental me desinteressava" .
Hodiernamente esse cadáver de 32, mantido insepulto pela oligarquia, é usado por separatistas, sob manto de "regionalismo" para atacar Getúlio, e a unidade Nacional, fomentando divisões internas. E alguns inocente úteis, ou mau-caráteres mesmo, que se alcunham "nacionalistas"(?) defendem essas mesmas pautas, que foram expressamente combatidos por Vargas.

Alguns, são tão descarados, que chegam ao cúmulo da desfaçatez em negarem a própria existência da nacionalidade brasileira, que é a própria razão de ser de alguém que se alcunhe como "nacionalista".

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

"New Deal" foi inspirado em Vargas.

Em um pronunciamento público em 27 de janeiro de 1936, no de Rio de Janeiro, o Presidente Franklin Roosvelt atribuiu a criação do "New Deal" a Getúlio Vargas:
"Despeço-me esta noite com grande tristeza. Há algo, no entanto, que devo sempre lembrar. Duas pessoas inventaram o New Deal: o Presidente do Brasil e o Presidente dos Estados Unidos." - Franklin Delano Roosevelt, 27 de novembro de 1936.

Como revela o jornalista José Augusto Ribeiro em sua biografia sobre Getúlio:
"Roosevelt era admirador de Hamilton desde a juventude, tendo lhe dedicado a sua dissertação de graduação em Harvard. Além disto, também tinha uma admiração confessa por Vargas, tendo lhe atribuído publicamente parte da inspiração para o New Deal"

Alexander Hamilton fora um estadista estadunidense introdutor do protecionismo econômico nos EUA. Em uma única frase, poder-sei-ia dizer que Hamilton foi o principal mentor das diretrizes de política econômica e financeira e, em grande medida, institucionais, que possibilitariam a extraordinária ascensão dos Estados Unidos da América, da condição de ex-colônia recém-liberta, mas afogada em dívidas e incertezas, para, já nas décadas finais do século XIX, despontar como a maior potência industrial e econômica do planeta. Acima de tudo, ele foi um campeão da idéia revolucionária de estabelecer um Governo poderoso para colocá-lo a serviço do bem-estar geral (general welfare) ou bem comum.

Getúlio em sua juventude havia sido leitor do economista Friedrich List que tinha em Hamilton uma de suas referências.

Quando do advento do "New Deal" por Roosevelt, os Estado Unidos da América(EUA), se encontravam quase uma década em depressão econômica e outras tantas em recessão. O liberalismo se mostrou um sistema falído levando os EUA a bancarrota. Enquanto ao sul, no Brasil, a Revolução de 30 instaurara um novo modelo de Estado com uma nova proposta econômica e de ordem social levada a cabo por Getúlio. O Castilhismo.

É esse modelo brasileiro, que será copiado por Roosevelt para retirar os EUA da grande depressão. Roosevelt a exemplo de Vargas, faz do Estado um intermediador nas relações entre o capital e o trabalho. Cria em 1935 agência Nacional de Relações de Trabalho que terá poder de criar normas e julgar litígios trabalhistas envolvendo as organizações de trabalhadores, a exemplo da Justiça do Trabalho no Brasil com seu poder normativo. 

O Estado passou diretamente a intervir na economia como já pregava o economista brasileiro Aarão Reis desde 1896, que influiu na política econômica de Getúlio desde sua ascenção ao poder em 1930 e mesmo antes no Rio Grande do Sul.

Roosevelt buscou o fortalecimento do executivo, uma avocação incomum no Estado ianque, lançando mão de um sem número de decretos para se sobrepor ao Congresso, buscando a Centralização do poder político, ao mesmo tempo que já contava com a reeleição ilimitada, princípio castilhista da continuidade administrativa.

Como ocorreu com Vargas, Roosevelt foi ferozmente combatido pela direita oligárca estadunidense, acusado de "comunista", que vêem no Estado um mero instrumento de interesses corporativos e, na economia, um campo de caça para a ação dos “setores mais dinâmicos do capitalismo”.

De modo que foi o advento desse novo modelo brasileiro que mudou o curso da história mundial e ironicamente salvou os EUA da ruína.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Conjuntura Política A Que Estava Submetido Getúlio. - Compreendendo a Éra Vargas.


Desde o início da Revolução de 30, o exército se dividia em diversas facções: comunistas, nazifascistas, liberais-conservadores e “getulistas” (alicerçados nas tropas gaúchas, somado a alguns positivistas espalhados pelo Brasil). Com a contra-revolução de 32, Getúlio perdeu sua principal base de apoio ao romper com Flores da Cunha, então governador do Rio Grande do Sul. A partir de então Getúlio fica a mercê do exército. E é do exército, especialmente da ála nazi-fascista, das forças armadas, que partirão as violações a prisioneiros políticos, torturas, prisões arbitrárias, etc.... capitaniadas pela besta-humana do Filinto Müller(anti-varguista histórico).

Daí dizer Hélio Silva, reputado o maior historiador do período Republicano:

".... A revolta vermelha de 1935 vai mostrar o golpe de Estado de 10 de novembro de 1937, que foi feito pelos militares, embora Vargas apareça como seu principal personagem e beneficiário, porque são os militares que assumem, de fato, a função de árbitro e estabilizador, que farão sentir sempre que julgarem ameaçado o sistema existente."

É a fantasiosa tendência de se atribuir tudo do período a Getúlio, como se ele fosse um "monárca Absolutista". Oque em absoluto, não era! Se assim fosse, a UDN e seus algozes em 45 não teriam tido meios para depô-lo. A triste verdade é que no interregno de 32 à 37 Getúlio foi pouco a pouco perdendo as rédeas do poder, É quando expressamente registra em seu diário:

“Estou à mercê do Exército, sem força que o controle, e sem autoridade pessoal e efetiva sobre ele. Estou só e calado para não demonstrar apreensão.” - Getúlio Vargas, 29 de maio de 1939.

Outra passagem em 1942, registrada em seu Diário, demonstra essa impotência contra os militares. É quando o filho do Oswaldo Aranha pede a Vargas que solta-se um amigo que havia sido preso, Getúlio ordena sua soltura, e o Filinto Müller não acata a ordem:

“14 de março – Procurou-me o filho do Oswaldo, dizendo que sua família vivia espionada pela polícia, e pediu-me a soltura de um estudante amigo, que mandei atender. O chefe de Polícia negou, sob palavra, que controlasse o Oswaldo, afirmando que, ao contrário, o Oswaldo é que controlava seus telefones, por intermédio da Light.”

É mediante esse cenário que o historiador Hélio Silva sentencia:

"A intervenção dos militares, primeiro contra Vargas, impondo a sua renúncia, deveria, na opinião desses "revolucionários", ter-se completado na tomada do poder. Porque o movimento de 1964 teria eclodido em agosto de 1954, se Vargas houvesse simplesmente renunciado. O impacto do seu suicídio nas massas populares e na consciência da Nação tornou impossível o prosseguimento violento do processo subversivo desencadeado. Basta lembrar que o mais ardoroso dos propagandistas da reforma - Carlos Lacerda - logo após o suicídio de Vargas teve que se refugiar no Galeão, temeroso da reação popular. "


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