quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O Atual Fenômeno da Imigração Mulçumana

Em uma entrevista do imam de uma mesquita da cidade de Colonia na Aleamnha, Sami Abu-Yusuf para o canal russo REN TV, sobre os acontecimentos em Colonia, envolvendo imigrantes islâmicos em casos de estupros e assédios sexuais. O imam disse que: “Os eventos da véspera de Ano Novo foram culpa das próprias mulheres, pois elas estavam seminuas e usando perfume. Não é surpresa que os homens quiseram atacá-las. [Se vestir desta forma] é como jogar lenha na fogueira”.

O tom da reportagem é revelador, O repórter diz que estava se tornando difícil dizer se a Alemanha pertence aos alemães ou aos muçulmanos. Disse ainda que os casos de assédio sexual não passaram de um presságio de algo muito maior, que está por vir.

A reportagem ao entrevistar um policial menciona ainda que os imigrantes não vão para a Alemanha em busca de uma vida melhor; eles vêm em grupos com o objetivo de se incorporar ao crime organizado.



Esse fenômeno imigratório não nos é tão distante. Em meados da década de 60, quando eclodiu os movimentos comunistas em Angola, Moçambique, Congo e em menor intensidade em outros locais da África. Uma estratégia que a CIA lançou mão, foi a difusão do islamismo na África Austral, com fito de barrar o avanço comunista. A mencionar também que quem fomentou os surgimento de grupos radicais islâmicos, inexistentes até antes da II Guerra, foi a própria CIA.

Embora se sustente que a imensa maioria dos mulçumanos são pacíficos. O caso é que a estrutura e a pluralidade dessas seitas, tornam as comunidades mulçumanas terreno fértil para o fanatismo político quando convenientemente manobrado para esse fim. Sem uma estrutura central que coiba o aliciamento por grupos externos, ao mesmo tempo que gozam de ampla autonomia sem qualquer vinculo com o país ou uma entidade central vinculada a um país, os membros e seus líderes religiosos, tornam-se facilmente cooptáveis por agencias estrangeiras quando interessadas em desestabilizar o país.

São fartos os casos no mundo árabe, bem como nos países em que houve o estabelecimento de comunidades mulçumanas. A Albania comunista, empreendeu uma guerra sem tréguas aos mulçumanos lá presentes, tão nocivos foram, motivo de constante agitação na vida nacional. Como na França, que de longa data tem uma numerosa comunidade mulçumana vivendo uma vida a parte do corpo nacional. A Rússia com os mulçumanos do cáucaso.... e por assim, incapazes de se integrarem a vida nacional.

A desestabilização dos países árabes e a imigração artificial, fomentada por organismo vinculados a agencias de inteligencia, visam claramente plantar células nos países de destino. Ligando esses grupos ao tráfico de drogas e diversas outras atividades ilícitas podendo fazer uso delas quando lhe convir para desestabilizar governos. E mesmo passar a ter peso político, em países que enventualmente tenham ou venham a ter uma comunidade mulçumana numerosa. Caso tanto da França como da Alemanha (lembrar que o maior contingente imigratório da Alemanha é turco).

No Brasil é especialmente preocupante o crescente, e já estabelecida, comunidade mulçumana em Foz do Iguaçu-PR, local estratégico e de intensa atividades ilícitas. E com atuação, já publicitada pela própria ABIN, da CIA na região. Mais uma vez deve ficar claro que embora os EUA digam combater grupos extremistas, são na verdade eles, seus principais financiadores, caso patente do ISIS.

Assim temos a infiltração de elementos desestabilizadores, ligados a agencias estrangeiras, ao mesmo tempo que esses grupos, apesar de viverem uma vida a parte, passam a influenciar politicamente o país em que estão estabelecidos e em um ambiente alheio, florescem como sementes do mal.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

RETRATO MOLECULAR DO BRASIL


Sérgio D. J. Pena 

Muitos autores, usando metodologia histórica, sociológica e antropológica, já analisaram as origens do povo brasileiro: Paulo Prado em Retrato do Brasil (1927), Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil (1933), Gilberto Freyre em Casa Grande & Senzala (1933) e Darcy Ribeiro em várias obras, culminando em O Povo Brasileiro (1995). Nós usamos novas ferramentas - a genética molecular e a genética de populações - para reconstituir e compreender o processo que gerou o brasileiro atual, no momento em que comemoramos 500 anos da chegada dos europeus ao Brasil.

A filogeografia é o campo de estudo dos princípios e processos que governam a distribuição geográfica de linhagens genealógicas dentro das espécies, com ênfase em fatores históricos. Ela integra conhecimentos de genética molecular, genética de populações, filogenética, demografia e geografia histórica. Sabendo que linhagens genealógicas ameríndias, européias e africanas contribuíram para a composição da população brasileira, decidimos mapear na população branca do Brasil atual as distribuições espaciais destas linhagens em um contexto histórico. Para isso, amostras de DNA da população do Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil foram estudadas com dois marcadores moleculares de linhagens genealógicas: o cromossomo Y para estabelecer linhagens paternas (patrilinhagens) e o DNA mitocondrial para estabelecer linhagens maternas (matrilinhagens). Comparações com estudos realizados em populações de outros países permitiram estabelecer a origem geográfica da vasta maioria dessas linhagens genealógicas. 

A genética reconstruindo a história

O segmento exclusivo do cromossomo sexual Y (presente apenas em homens) e o DNA mitocondrial (DNA presente em organelas celulares denominadas mitocôndrias) apresentam propriedades genéticas em comum. Primeiro, eles são herdados de apenas um dos pais: o cromossomo Y é transmitido apenas através do espermatozóide paterno apenas para filhos homens e o DNA mitocondrial é transmitido através do óvulo materno para filhos e filhas. Segundo, não trocam genes com outros segmentos genômicos (não se recombinam), sendo transmitidos às gerações seguintes em blocos de genes (denominados 'haplótipos').

Esses blocos permanecem inalterados em patrilinhagens ou matrilinhagens até que ocorra uma mutação. As mutações ocorridas durante a evolução humana geraram variações (polimorfismos) dos haplótipos que servem como marcadores de linhagem. Além disso, o cromossomo Y e o DNA mitocondrial fornecem informações complementares, permitindo traçar patrilinhagens e matrilinhagens que alcançam dezenas de gerações no passado, podendo assim reconstruir a história genética de um povo.

As variações do cromossomo Y e do DNA mitocondrial

A maior parte (mais de 90%) do cromossomo Y humano não sofre recombinação - os haplótipos são transmitidos inalterados de pai para filho por gerações e gerações. Para identificar os diferentes haplótipos necessitamos estudar polimorfismos de DNA do cromossomo Y que possuam velocidades evolucionárias diferentes. No estudo das linhagens em brasileiros, optamos por polimorfismos de evolução lenta, ou UEPs (do inglês unique event polymorphisms), que indicam eventos mutacionais únicos. Há dois tipos de UEPs: os que resultam da mudança de uma só base da seqüência do DNA (SNP, do inglês single nucleotide polymorphism), e os decorrentes da entrada de uma curta seqüência de bases (retroposon) em uma determinada posição no cromossomo. A identificação desses polimorfismos é utilíssima para a reconstrução da história de migrações em populações humanas.

O DNA mitocondrial humano possui duas regiões com propriedades evolutivas diferentes. A maior região (mais de 90% do total) é codificante, ou seja, é usada como molde para síntese de RNA. A taxa de mutação nesta região é aproximadamente 5 vezes maior do que do DNA nuclear. A segunda região, chamada de 'alça D', tem em torno de 1.122 pares de bases, não é codificante e evolui cinco vezes mais rápido que o resto da molécula (portanto, 25 vezes mais rápido que o DNA nuclear). Em geral, estudam-se as duas regiões, seqüenciando o DNA mitocondrial nos dois trechos mais variáveis da alça D e procurando SNPs em posições específicas da região maior. A busca de SNPs é feita com enzimas de restrição, que cortam o DNA em seqüências específicas (com quatro a seis bases) -- alterações na seqüência do DNA mitocondrial podem eliminar sítios de restrições ou criar um novo onde não havia nenhum. SNPs estudados com enzimas de restrição recebem o nome especial de RFLPs (do inglês restriction fragment length polymorphisms, ou seja, polimorfismos de tamanho de fragmentos de restrição).

Amostragem da população brasileira

O Brasil tinha 157.070.163 habitantes em 1996, distribuídos pelas regiões Norte (11.288.259), Nordeste (44.766.851), Sudeste (67.000.738), Sul (23.513.736) e Centro-Oeste (10.500.579), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE. Quanto à raça [1] o IBGE adota um critério simplista, segundo a cor da pele (por autoclassificação): branca, preta, amarela, parda, indígena e sem declaração. Há um claro gradiente (do Norte para o Sul) nas proporções relativas das cores de pele: brancos são 22,7% da população no Norte e 83,3% no Sul. Esses dados demonstram a dificuldade de obter uma amostra representativa da população brasileira para pesquisa genética, principalmente sabendo-se que tais estudos são complexos demais para permitir a análise de grande número de indivíduos. 

Nós optamos, por razões teóricas e logísticas pelo estudo de uma amostra de 200 indivíduos (247 para o DNA mitocondrial), o que é um bom número em termos de estudos filogeográficos humanos, distribuídos em quatro das cinco principais regiões geográficas do Brasil: 50 indivíduos do Sudeste (99 pessoas no caso do DNA mitocondrial), 50 indivíduos do Norte, 50 indivíduos do Nordeste e 50 indivíduos do Sul. 
Para evitar que essa escolha, em cada região, afetasse os resultados, restringimos nossa amostra à população branca, majoritária no Brasil (51,6%). Obtivemos amostras de DNA (codificadas para garantir total anonimato) de indivíduos não-aparentados. A amostragem, porém, incluiu principalmente pessoas de classe média e classe média alta, o que poderia afetar as conclusões dos estudos. Por isso, amostras de DNA de trabalhadores rurais brancos do Vale do Jequitinhonha (MG) -- cedidas pelo Professor Carlos Maurício Antunes e Roberto Campos Amado do Departamento de Parasitologia da UFMG -- foram estudadas, para comparação. 

Patrilinhagens em brasileiros brancos

Nosso estudo filogeográfico de brasileiros brancos permitiu deduzir que a imensa maioria das linhagens de cromossomo Y do País é de origem européia, mais especificamente portuguesa (como revela a semelhança com dados referentes a 93 portugueses, obtidos em colaboração com o geneticista Jorge Rocha, da Universidade do Porto). Chama atenção a contribuição mínima de cromossomos Y vindos da África sub-Saara (haplogrupo 8, com 2% do total) e ameríndios (haplogrupo 18, nenhum). 

Em contraste, os cromossomos Y europeus (haplogrupo 1) estão presentes na grande maioria (57%) dos brasileiros. Tal participação aumenta quando se admite que o haplogrupo 2 (19% da amostra) tem sua principal origem na Europa. Há várias linhas de evidência nesse sentido. Esse haplogrupo, por exemplo, é comum em portugueses (13%), e Portugal é o país de origem da maioria dos imigrantes europeus para o Brasil. Mas de onde veio o excesso de haplogrupo 2, já que a proporção entre brasileiros é maior que entre portugueses? Não do leste da Ásia, pois é pequena a proporção, no País, de cromossomos Y japoneses e coreanos. Uma pista surge da comparação das regiões do Brasil: a maior proporção do haplogrupo 2 ocorre no Sul (28%), onde foi importante a imigração de alemães e outros europeus, e a segunda no Nordeste (19%), palco da invasão holandesa. Mesmo existindo outras contribuições (do Oriente Médio, por exemplo), a Europa é também a origem mais provável do excesso de haplogrupo 2. Assim, no mínimo 66% e no máximo 85% (este talvez mais próximo da verdade) dos cromossomos Y em brancos brasileiros vieram da Europa.

Também é alta a proporção - em brasileiros (14%) e portugueses (12%) - do haplogrupo 21, encontrado basicamente no norte da África e, em menor proporção, em outras áreas mediterrâneas. O grupo do geneticista Antônio Amorim, na Universidade do Porto, demonstrou que em Portugal a freqüência do haplogrupo 21 aumenta gradativamente do norte para o sul, atingindo quase 25% no Algarve (extremo Sul). A explicação histórica mais provável é que esse haplogrupo é uma relíquia genética dos sete séculos de invasão da península Ibérica, na Idade Média, pelos mouros (oriundos do norte da África).

Sua alta freqüência em brasileiros deve-se então aos portugueses, pois não há registros sobre a vinda para o Brasil de números significativos de escravos do norte da África (o que é reforçado pela baixa proporção de linhagens de DNA mitocondrial do norte africano encontrada em nossos estudos). Se o haplogrupo 21 foi trazido por portugueses, deve ser somado às contribuições européias. Assim podemos concluir que a imensa maioria das linhagens de cromossomo Y dos brasileiros brancos veio da Europa, especialmente de Portugal.

As proporções mínimas de cromossomos Y africanos e ameríndios constatadas poderiam levantar dúvidas sobre a adequação da amostra. Sabendo que a distribuição de cores de pele é desigual nos segmentos sociais do Brasil, poderia o predomínio de pessoas de classe média e classe média alta na nossa amostra viciar os resultados, apontando maior ancestralidade européia? Um fato desmente isso. O estudo dos cromossomos Y de 10 indivíduos brancos de baixa renda do vale do Jequitinhonha (MG) também não detectou haplótipos ameríndios ou da África sub-Saara. 

Matrilinhagens em brasileiros brancos

As linhagens de DNA mitocondrial de todo o mundo dividem-se em três grandes conjuntos, os super-haplogrupos L1, L2 e L3. Os dois primeiros são especificamente africanos, enquanto o último ocorre em todos os continentes, mas pode ser subdividido em haplogrupos típicos de populações africanas, européias, asiáticas e ameríndias.

A classificação por DNA mitocondrial é bem mais complexa que a baseada no cromossomo Y. Em ameríndios brasileiros, por exemplo, há apenas um haplogrupo principal de Y, mas quatro de DNA mitocondrial (A, B, C e D). A diversidade de DNAs mitocondriais também foi muito grande em brasileiros brancos: 171 haplótipos distintos em 247 indivíduos. Ao contrário do revelado pelo estudo do cromossomo Y (ampla maioria de haplogrupos europeus), os DNA, mitocondriais tiveram, para todo o Brasil, uma distribuição de origens geográficas bem mais uniforme: 33% de linhagens ameríndias, 28% de africanas e 39% de européias. Entre as linhagens européias, destacaram-se os haplogrupos H, T e J, sendo responsáveis respectivamente por 44%, 14% e 10% do total dessas linhagens.

Como os ameríndios vieram da Ásia, o DNA mitocondrial não os diferencia dos asiáticos. Assim, assumimos que todas as linhagens asiáticas obtidas (haplogrupos A, B, C e D) eram ameríndias. Como não encontramos no Brasil outras linhagens da Ásia que não ocorram também entre ameríndios, qualquer erro decorrente da adoção dessa premissa deve ser muito pequeno. Já a grande diversidade de haplogrupos africanos é compatível com o fato de que os escravos foram trazidos para o Brasil de muitas áreas (principalmente da costa ocidental da África, mas também de Moçambique, no leste).

O fato de encontrarmos 33% de matrilinhagens autóctones, permite-nos calcular que aproximadamente 45 milhões de brasileiros possuem DNA mitocondrial originário de ameríndios. Em outras palavras, embora desde 1500 o número de nativos no Brasil tenha se reduzido 10 vezes (de aproximadamente 3,5 milhões para 325.000), o número de pessoas com DNA mitocondrial ameríndio aumentou mais de 10 vezes! 

Raízes filogenéticas do Brasil

Os resultados obtidos demonstram que a imensa maioria (provavelmente mais de 90%) das patrilinhagens dos brancos brasileiros são de origem européia enquanto a maioria (aproximadamente 60%) das matrilinhagens são de origem ameríndia ou africana. As patrilinhagens, embora sejam maciçamente européias e muito semelhantes à distribuição em Portugal, exibem ainda considerável variabilidade. Isso deve-se à alta diversidade genética dos ibéricos, fruto de muitas invasões e imigrações: celtas, fenícios, gregos, romanos, suevos, visigodos, judeus, árabes e bérberes. A maior mistura gênica certamente ocorreu nos 700 anos de ocupação por mouros (até 1492) e está expressa na alta freqüência do haplótipo 21 (do norte da África) em portugueses e, através deles, nos brasileiros.

Outra pista interessante é a alta freqüência do haplogrupo 9 do cromossomo Y em portugueses e brasileiros. Esse haplogrupo ocorre em toda a área mediterrânea, mas atinge suas freqüências máximas em judeus e libaneses. Até o final do século 14, grande quantidade de judeus vivia na península Ibérica, em aparente harmonia com cristãos e muçulmanos. No século 15, a discriminação aumentou até que os judeus, exceto os que se converteram ao cristianismo (cristãos novos), foram expulsos de Portugal, em 1509. Embora fosse proibido a judeus e mouros emigrar para as Américas, muitos cristãos novos vieram para o Brasil, provavelmente trazendo o haplogrupo 9.

Por sua vez, os imigrantes que chegaram ao Brasil a partir da metade do século 19, em especial italianos, espanhóis, alemães, japoneses e sírio-libaneses, deixaram sua 'marca' no aumento (em relação a Portugal) da freqüência dos haplogrupos mediterrâneos 21 e 9 (italianos, espanhóis e sírio-libaneses) e na presença dos haplogrupos 22 (espanhóis) e 20 (japoneses). Como foi dito, a presença dos alemães no Sul e dos holandeses no Nordeste provavelmente reduziu a freqüência dos haplogrupos mediterrâneos nessas regiões e aumentou a do haplótipo 2.

Já os estudos de DNA mitocondrial demonstram proporções gerais de 33% de linhagens ameríndias, 28% de africanas e 39% de européias, mas variando consideravelmente de região para região, segundo o padrão esperado pela história de colonização de cada uma delas. No Sul, são europeus 66% dos haplótipos, o que reflete a ampla imigração da Europa para a região nos séculos 19 e 20. No Norte, onde a presença indígena é elevada, 54% das matrilinhagens são ameríndias. No Nordeste, como esperado, predominam matrilinhagens africanas (44%). No Sudeste, a distribuição das linhagens é muito uniforme. Apesar da alta diversidade de linhagens de DNA mitocondrial, européias e africanas, não foi possível relacionar haplogrupos específicos a regiões brasileiras. As linhagens européias H, T e J predominam em todas as regiões e não apresentam um padrão específico de distribuição. Isso é consistente com o fato de que, dentro da Europa, a diferenciação de matrilinhagens é bastante pobre.

No caso das linhagens africanas, sabe-se que a maioria dos escravos que vieram para o Brasil originavam-se da costa oeste, da vasta região entre o rio Senegal no norte e a Angola portuguesa no sul. Na parte mais norte dessa região estavam o reino Ioruba de Oyo e os reinos de Dahomey e Congo. Os escravos que vieram dessa região, chamados de Minas, constituíam aproximadamente um terço do total que veio para o Brasil e concentraram-se inicialmente na Bahia. Muitos desses escravos tinham a religião Ioruba, da qual veio o Candomblé baiano. A maioria dos escravos para o Rio de Janeiro e Minas Gerais veio de Angola - de tribos que falavam dialetos do tronco Bantu. Entretanto, no século XIX houve consideráveis migrações internas dos escravos, com homogeneização entre os estados. Sabe-se pouco sobre a distribuição de haplogrupos de DNA mitocondrial na África, especialmente em Angola. Assim, fica difícil fazer inferências filogeográficas a partir dos nossos resultados, que mostram que os haplogrupos L3e e L1c constituem quase 50% dos africanos. 

As linhagens ameríndias mostraram um padrão curioso. O haplogrupo A foi o mais comum no Nordeste, Sudeste e Sul (36% do total das três regiões), enquanto o C foi o mais comum no Norte (38%). Novos estudos estão sendo iniciados para tentar explicar essa correlação geográfica.

O Retrato Molecular do Brasil no contexto histórico

Em resumo, nossos estudos filogeográficos com brasileiros brancos revelam um padrão de reprodução direcional: a imensa maioria das patrilinhagens é européia, enquanto a maioria das matrilinhagens (cerca de 60%) é ameríndia ou africana. Os resultados combinam com o que se sabe sobre o povoamento pós-cabralino do Brasil. Exceto pelas invasões (temporárias) de franceses no Rio de Janeiro e de holandeses em Pernambuco, praticamente apenas portugueses vieram para o Brasil até o início do século 19. Os primeiros imigrantes portugueses não trouxeram suas mulheres, e registros históricos indicam que iniciaram rapidamente um processo de miscigenação com mulheres indígenas. Com a vinda dos escravos, a partir da segunda metade do século 16, o processo de miscigenação estendeu-se às africanas.

Em 1552, em carta ao rei D. João, o padre Manuel da Nóbrega fala da falta de mulheres brancas na nova colônia, e pede que essas sejam enviadas para que os homens "casem e vivam (...) apartados dos pecados em que agora vivem". A coroa portuguesa tolerou relacionamentos entre portugueses e índias desde o início da colonização, mas passou a estimular casamentos desse tipo oficialmente por um Alvará de Lei emitido em 4 de abril de 1755 pelo marquês de Pombal. A idéia de Pombal, aparentemente, era povoar o Brasil, garantindo sua ocupação, mas essa política surpreendentemente liberal não se estendeu aos africanos. É óbvio, no entanto, que a mistura de portugueses com africanas continuou.

A partir da metade do século 19, o Brasil recebeu enormes levas de novos imigrantes, destacando-se portugueses e italianos, seguidos de espanhóis, alemães, japoneses e sírio-libaneses. Entre 1872 e 1890, por exemplo, a população de brancos brasileiros aumentou em 12,5 milhões. Embora muitos imigrantes tenham vindo com suas famílias (em especial, os alemães), havia um excesso significativo de homens em outros grupos. Como os imigrantes eram em geral pobres, casavam-se com mulheres também pobres, o que no Brasil significava mulheres de pele escura (por causa da correlação entre cor da pele e classe social). 

Vários autores, dentre os quais despontam os já mencionados Paulo Prado, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, enfatizaram a natureza tri-híbrida da população brasileira, a partir dos ameríndios, europeus e africanos. Os dados que obtivemos dão respaldo científico a essa noção e acrescentam um importante detalhe: a contribuição européia foi basicamente através de homens e a ameríndia e africana foi principalmente através de mulheres. A presença de 60% de matrilinhagens ameríndias e africanas em brasileiros brancos é inesperadamente alta e, por isso, tem grande relevância social.

O Brasil certamente não é uma democracia racial. Prova disso é a necessidade de uma lei para proibir o racismo. Pode ser ingênuo de nossa parte, mas gostaríamos de acreditar que se os muitos brancos brasileiros que têm DNA mitocondrial ameríndio ou africano se conscientizassem disso valorizariam mais a exuberante diversidade genética do nosso povo e, quem sabe, construiriam no século 21 uma sociedade mais justa e harmônica.

Notas

[1] A razão pela qual "raça" está entre aspas no texto é que, embora o IBGE continue usando o termo, ele é mais uma construção social e cultural do que biológica. Na verdade, do ponto de vista genético raças humanas não existem. O homem moderno distribuiu-se geograficamente e desenvolveu características físicas, incluindo cor da pele, que são adaptações ao ambiente de cada nicho geográfico. Entretanto, do ponto de vista genético não houve diversificação suficiente entre estes grupos geográficos para caracterizar raças em um sentido biológico, como demonstrou recentemente o geneticista americano Alan Templeton. Isto introduz uma dificuldade, pois como podemos nos referir a certos grupos, como por exemplo, os índios brasileiros? Uma nomenclatura que tem sido crescentemente usada é a de etnias, que na nossa opinião deveriam ser muito amplamente definidas como grupos populacionais que possuem características físicas ou culturais em comum. Infelizmente a definição de etnia como "um grupo biológico e culturalmente homogêneo" dada no Novo Dicionário Aurélio (1a edição) é errada. Não existe na face da Terra nenhum grupo humano biologicamente (nem culturalmente) homogêneo

Fila Brasileiro - O Melhor Cão de Guerra do Mundo!

Diz o ditado popular que o caráter de um cão é o espelho do seu dono. Forjado no Brasil ao longo de séculos, exercendo o pastoreio na lida com o gado, caçando onças, farejando escravos fugitivos, o Fila-Brasileiro aderiu ao seu temperamento as qualidades estimadas pelos caboclos, e assim selecionando, naturalmente, se incorporou as características que mais estimavam: coragem, lealdade, rusticidade..... É curioso como essas qualidades foram as mesmas atribuídas por Roquette Pinto, em uma avaliação psicológica, a população cabocla brasileira. E que parece refletir de forma fossilizada, o ethos brasileiro. 

Rústico, forte, dotado de uma coragem sem limites e de uma lealdade sem falhas, que virou adágio popular: "Fiel como um cão de fila".  O Fila possui qualidades únicas na cinofilia, é o único, dos cães molossos, com ojeriza a estranhos.

Fila antigo
Providos de pele grossa e solta, o salvaguarda contra ataques de onças que não o conseguem ferir de morte. Também possuem articulações frouxas (responsável pelo "passo de camelo") que permite maior liberdade de movimentos, dando-lhe agilidade notável para se esquivar de coices e chifradas no pastoreio como de eventuais ataques de onças quando na caça.

O "passo de camelo" possibilita percorrer longas distancias, com um mínimo gasto de energia, quando na condução por tropeiros. Sua rusticidade tornou-o figura indispensável nas fazendas brasileiras, já que não exige maiores cuidados e esta sempre pronto para as tarefas mais rudes.

Foram essas carcaterísticas que levaram o Exército Brasileiro, através do CIGS - Centro de Instrução de Guerra na Selva, durante 5 anos, realizar testes com cães das raças doberman, pastor alemão e o próprio fila brasileiro, levando essas raças ao extremo, próximas de um real conflito na selva, e concluir que o Fila Brasileiro é a raça mais apta ao trabalho na selva, os estudos apontaram que o fila tev melhor adaptalidade as condições inóspitas da floresta amazônica, e em ambiente hostil, teve melhor desempenho na maioria das qualidades testadas, como olfato, resistência, força, coragem, silêncio, entre outras características.

Em Risco de Extinção:

Fila Antigo
A raça Fila Brasileiro foi reconhecida como tal, em meados da década de 40 para 50, em fins dos anos 70 houve uma grande demanda pela raça, e canis e criadores inescrupulosos passaram a miscigenar com raças estrangeiras (mastiff napolitano, Dogue Alemão e Bloodhound, dentre outros) afim de terem mais ninhadas ante a grande procura. De modo que a entidade (CBKC) responsável por zelar pelo padrão racial nada fez ante as denúncias de miscigenação, resultando num "fila" atípico e com uma imensa diversidade tipológica. Surgiu uma entidade (CAFIB) de criadores que denunciaram essa desnaturalização da raça, contudo quer por falta de maiores estudos sobre o fila, quer por já ter em seus planteis filas miscigenados, a CAFIB acabou desenvolvendo um cão com características do bloodhound, flagrantemente diferente dos filas da década de 60.

Atualmente, por parte de alguns criadores, em esforços individuais e incipientes ainda.... começa-se a procurar um resgate do antigo padrão Fila Brasileiro.

 Padrão CBKC tem características do Mastiff Napolitano, o padrão CAFIB do bloodhound e a esquerda o Típico Fila Antigo




sexta-feira, 8 de julho de 2016

Capital Tem Pátria!

A visão liberal é de que a nacionalidade do capital não importaria, que o "capital é internacional". E não deveria importar porque as empresas tenderiam a maximizar o lucro a fim de sobreviver e portanto, esse patriotismo seria um luxo ao qual elas não podem se permitir. Curiosamente, muitos marxistas concordam com isso: "capital não tem pátria".
 
Ha Joon Chang, economista sul-coreano, profº da Universidade de Cambridge  é da opinião de que não existe “capital sem nacionalidade”:

"Apesar da crescente “internacionalização” do capital, quase todas as multinacionais continuam a ser empresas nacionais com operações internacionais, em vez de companhias genuinamente desprovidas de nacionalidade. Elas realizam no seu país de origem a maior parte das suas atividades básicas, como pesquisas avançadas e a definição de estratégias. Quase todos os seus principais tomadores de decisões também são cidadãos do país de origem da empresa. Quando precisam fechar fábricas ou reduzir empregos, geralmente o último lugar onde fazem isso também é no país de origem, por vários motivos políticos e, acima de tudo, econômicos. Isso significa que o país de origem se apropria da maior parte dos benefícios de uma corporação transnacional." - (CHANG, pg. 72)

O Estado, principalmente em países desenvolvidos, tornam-se extensões das grandes corporações dominantes, fomentando, amparando e intervindo nos interesses de suas empresas, seja de forma econômica ou abrindo mercados a bala de canhão.

Quando os EUA intervém em páises produtores de petroleo, o faz para proteger não só sua economia, dependente dessa matriz energética, e seu sistema financeiro baseado no petro-dólares, mas como no direto interesse de suas empresas petrolíferas.

Há Joon Chang chama atenção ainda para a vinculação direta do financiamento dessas empresas em seu estágio de desenvolvimento e mesmo após com o capital nacional:

“As empresas, em especial (embora não exclusivamente) nos seus primeiros estágios de desenvolvimento), com frequência são respaldadas por dinheiro público, direta e indiretamente. Muitas delas recebem subsídios diretos para tipos específicos de atividades, como o investimento em equipamento ou o treinamento de trabalhadores. Elas às vezes até mesmo são salvas pelo dinheiro público, como a Toyota foi em 1949, a Volkswagen em 1974 e a GM em 2009. Ou então elas podem receber subsídios indiretos na forma de proteção tarifária ou direitos de monopólio regulamentares.” (CHANG, p. 74)

Isso é ainda mais importante no setor de Pesquisa e Tecnologia, que demanda investimentos de longo prazo, que sem aporte de capital nacional, não seria possivel:

“Essa predisposição patriótica também é muito forte na área de pesquisa e desenvolvimento, que situa-se no âmago do vigor competitivo das empresas nas indústrias mais avançadas. A maior parte das atividades de P&D das corporações permanece no país de origem. Quando são transferidas para o exterior, em geral o são para outros países desenvolvidos, e mesmo assim com uma tendenciosidade “regional” (com regiões aqui querendo se referir à América do Norte, à Europa e ao Japão), que nesse sentido é em si uma região). Recentemente, um crescente número de centros de P&D foi instalado em países em desenvolvimento, como a China e a Índia, mas a P&D que eles conduzem tendem a se situar nos níveis mais baixos de sofisticação.” (CHANG, p. 72)

O mito liberal de industrialização dos países em desenvolvimento via transferencia do setor produtivo para países periféricos se revela uma mentira deslavrada. Apenas atividades menores, que não exijam qualificação, são transferidas, e aqui nem consideraremos a evasão de divisas. Eis oque diz Chang sobre o tema:

“Mesmo quanto a Produção, [....] a maioria das corporações transnacionais ainda está firmemente estabelecida no seu país natal. Existem exemplos ocasionais de empresas, por exemplo a Nestlé, que fabrica no exterior a maior parte da sua produção, mas elas são em grande medida a exceção. Entre as corporações transnacionais estabelecidas nos Estados Unidos, menos de um terço da produção das empresas industriais é produzido no exterior. No caso das empresas japonesas, o percentual está bem abaixo de 10%. Na Europa, o percentual subiu rápido recentemente, mas a maior parte da produção de empresas europeias situase dentro da União Europeia, de modo que isso deve ser interpretado mais como um processo de criação de empresas nacionais para uma nova nação chamada Europa do que um processo de empresas europeias se tornando verdadeiramente transnacionais.” (p. 72)

“Em resumo, poucas corporações são de fato transnacionais. A vasta maioria delas ainda fabrica o grosso da sua produção no país de origem. Especialmente no que diz respeito a atividades de qualidade superior como a tomada de decisões estratégicas e a P&D de produtos avançados, elas permanecem firmemente centradas no país natal. A conversa a respeito de um mundo sem fronteiras é extremamente exagerada.” (p. 72)

Desse modo como podeis ver o chavão marxista de que o “capital não tem pátria” ,  que o “capital é internacional”, não passa de uma ilação sem qualquer esteio na realidade, fruto de mentes metafísicas, que fantasiam e não se atem a realidade. Com graves repercussão no desenvolvimento nacional além da distorção interpretativa.

Só o desenvolvimento baseado no capital nacional é capaz de gerar um desenvolvimento sustentável, sem sobressaltos, de forma efetiva, ao fomentar a produção e seu desenvolvimento tecnológico. Elevando assim o estágio civilizacional de um país, e possibilitando garantir-lhe soberania e prosperidade para seus nacionais. Como assim nos ensina Barbosa Lima Sobrinho:

"o desenvolvimento econômico, sendo acumulação de capital, só se realizará com poupanças e capitais nacionais. Não há lei que possa desviar o capital estrangeiro de seu roteiro natural, orientado para o rumo que mais convier aos seus donos, aos homens que na verdade o comandam. Ao passo que o capital autóctone terá sua tarefa e o seu destino incorporados ao processo de desenvolvimento nacional" ( SOBRINHO, p. 285)

terça-feira, 5 de julho de 2016

Cingapura: uma aula de Keynesianismo.


Todos conhecemos um embuste chamado "Index of Economic Freedom", também chamado "Índice de Liberdade Econômica", mantido por uma organização conservadora de nome Heritage Foundation.

Esse ranking é utilizado pelos seguidores do liberalismo econômico (em especial sua vertente conhecida como escola austríaca) como se fosse um "índice de adoção ao liberalismo", mas provaremos nesse texto que o 2º colocado (Cingapura) segue as políticas defendidas pela escola keynesiana (principal rival da liberal, a qual eu e o Ciro seguimos), ignorando todo o ideário liberal, o que mostra a inutilidade do índice para sustentar argumentações liberalóides.


Nesse texto, ignoraremos a questão da organização conservadora desprezar completamente as liberdades individuais e, portanto, não dever ser utilizada como parâmetro para quem se diz liberal (termo que também deveria estar atrelado às liberades individuais, mas no Brasil é utilizado por conservadores extremistas).

Em primeiro lugar, vamos explicar de forma simples e resumida o que as duas escolas defendem.

Liberais: Defendem que o Estado não deve interferir na economia do país, deixando a iniciativa privada atuar livremente. A maioria acredita que função do Estado deve se limitar à regulação e sistema judiciário para garantir a obediência dessa regulação e o cumprimento dos contratos. Os mais extremistas defendem que o Estado sequer devia existir (anarcocapitalistas, seguidores de Rothbard), enquanto os mais suaves toleram que o Estado tenha alguma política social (limitada a distribuir uma pequena quantia de dinheiro para a população, algo do tipo bolsa-família, caso dos seguidores de Friedman). Defendem que todas as empresas e serviços devem estar na mão da iniciativa privada, inclusive defendendo que o governo não deve interferir no comportamento do Banco Central e deixar o controle da emissão de moeda na mão da iniciativa privada (mesmo Friedman defendia o fim do FED americano).

Keynesianos: Defendem que o Estado é um agente indispensável no controle da economia e deve ter como objetivo regulá-la, alcançar o pleno emprego (taxa de desemprego suficientemente pequena de tal forma que aqueles que desejam trabalhar tenham como conseguir trabalho), atuar em setores que não são interesse da iniciativa privada mas que são importantes para o desenvolvimento econômico, estimular investimentos em determinadas áreas da economia enquanto desestimula outras (seja com participação estatal em empreendimentos ou não) e conceder benefícios sociais que garantam um padrão mínimo de vida (como por exemplo seguro-desemprego, jornada de trabalho limitada, assistência médica e educação gratuita). Considera o controle de emissão de moeda via Banco Central uma ferramenta essencial para que o Estado consiga administrar os ciclos de alta e baixa da atividade econômica.

Cingapura é uma Cidade Estado asiática, que se tornou independente em 1965. Até 1971, porém, sua política monetária estve atrelada à Malásia, tendo seu BC completamente independente só a partir de 1971.

A atuação de seu Banco Central (MAS - Money Authority of Singapore) desde sua criação é bastante intensa. Até 1981, seu câmbio utilizou âncora cambial. Inicialmente, atrelou seu câmbio à libra esterlina (fixou o valor relativo a ela), alterando essa referência para o dólar americano em 1972. Em 1973, deixou seu dólar valorizar controladamente para combater a inflação. Em 1974 impôs tetos de crédito para bancos e companhias financeiras, além de mais rigor na concessão de crédito para combater a inflação que veio como consequência do choque do petróleo. Depois de controlá-la no mesmo ano, retirou as restrições dos bancos e apreciou moderadamente a moeda (novamente de forma controlada). Na segunda metade da década de 70 controlou a liquidez do sistema bancário monitorando a base monetária, taxas de juros, expansão do crédito e taxa de conversão para uma cesta de moedas do interesse da autoridade monetária, atuando principalmente no câmbio em relação à cesta de moedas até 1981.
A partir de 1981, passou a focar no controle do câmbio, utilizando uma política de bandas cambiais, deixando o dólar de Cingapura flutuar dentro de faixas predeterminadas pelo MAS em relação à cesta de moedas, com revisões periódicas tanto do valor central quanto das bandas, abrindo mão do controle da taxa de juros. Essa política permanece até os dias de hoje.

Fontes sobre o MAS, BC de Cingapura:


Nas grandes empresas do país, o governo de Cingapura intervém sistematicamente. E ao intervir, não digo apenas na regulação, ele força determinados empreendimentos a ter participação estatal e é acionista de praticamente todas as grandes empresas do país.
Cingapura possuía um PIB de 307 bilhões de dólares em 2014 e, nesse mesmo ano, seus dois fundos soberanos (Temasek Holdings e GIC - Government of Singapore Investment Corporation Private Limited) foram avaliados em 530 bilhões de dólares. Isso significa que o Estado de Cingapura possui 1,7x mais riquezas que toda a riqueza produzida em um ano de sua cidade-estado somada. Se isso não é um Estado gigante, nenhum Estado do mundo é gigante.
Não satisfeito com isso, o governo de Singapura possui participação relevante NA MAIORIA as 10 maiores empresas do país, que pode ser conferida na lista da Forbes:

1 - DBS, Temasek é o 4º maior acionsta.
2 - Singtel, Temasek é o maior acionista.
3 - Oversea-Chinese Banking, Singapore Investments Pte Ltd (GIC) é o 7º maior acionista.
4 - Wilmar International, não possui participação relevante do Estado
5 - Keppel Corp, Temasek é a maior acionista.
6 - CapitaLand, Singapore Technologies é o maior acionista, sendo que o maior acionista do Sigapore Technologies é o Temasek
7 - Singapore Airlines, Temasek é o maior acionista
8 - SembCorp Industries, Temasek é o maior acionista
9 - Flextronics International, não possui participação relevante do Estado
10 - Global Logistic Properties, não possui participação relevante do Estado

Não satisfeito de incentivar ou desincentivar os investimentos da iniciativa privada como prega o keynesianismo, o governo singapurense participa EFETIVAMENTE da administração de quase todos os grandes empreendimentos do país, por meio de seus fundos soberanos e suas empresas controladas.

Fontes sobre o tamanho do Estado de Cingapura e a participação estatal nas empresas:


Quanto aos serviços públicos a questão é ainda mais séria.
Todas as crianças e adolescentes em Cingapura tem educação estatal gratuita e todas as escolas do país recebem investimento estatal. Isso mesmo, TODAS. Não há nenhuma que não recebe. O ministério da educação determina o currículo e os objetivos de todo sistema educacional do país.
O Estado possui 4 universidades. QUATRO, em uma pequena cidade-estado: National University of Singapore, Nanyang Technological University, Singapore University of Technology and Design e Singapore Institute of Technology.

E o sistema de saúde de Cingapura? Disponibiliza um sistema universal para toda a população, sendo que o sistema público é 80% do sistema de saúde. Ele não é completamente gratuito, mas as pessoas pagam DE ACORDO COM SUA RENDA e há um fundo para cobrir os gastos dos pobres.
E as residências? Uma ilha tão pequena e rica deve rolar uma especulação imobiliária violenta, certo? ERRADO! 80% das residências são ESTATAIS, feitas pelo HDB - Housing and Development Board. Essas residências são ocupadas de acordo com critérios definidos pelo governo, sobrando apenas 20% para o livre-mercado.
E o transporte? É dada grande ênfase ao transporte público e são colocadas taxações exorbitantes para encarecer e desestimular o uso de carros privados, além do governo disponibilizar um número limitado de permissões por mês para novos carros. Nada de livre-mercado no transporte também.

Fontes sobre serviço público:


Sobre os impostos, em geral são baixos pois o Estado se financia de outras maneiras (principalmente pelas suas empresas) mas é utilizado imposto progressivo como manda o figurino keynesiano.

Fontes de sobre impostos:


Em Cingapura os direitos trabalhistas existem! A carga horária de trabalho é limitada a 44 horas semanais, com uma hora de almoço. Deve haver um dia de descanso remunerado no mínimo por semana. Existem 11 feriados nacionais pagos em que, caso haja trabalho, devem ser compensados pelo empregador. Você tem direito a até 14 dias de pagamento sem trabalho em caso de doença e até 60 em caso de hospitalização dependendo do tempo de casa. Você tem direito a férias remuneradas, que variam de 7 a 14 dias úteis por ano dependendo do tempo de casa. Seu empregador é obrigado a pagar a previdência pública obrigatória, chamada CPF. Você tem direito a 6 dias para cuidar de suas crianças, mas sem ser pago. 18 semanas de licença-maternidade... Faltam apenas 2 itens que alguns sentem falta para ser completo: Seguro-desemprego e salário mínimo.

Fontes sobre direitos trabalhistas:


Em suma, quando um liberal vier com essa historinha de índice de liberdade econômica, apresente esse texto.

O 2º colocado nesse índice tosco seguiu totalmente a escola keynesiana, pisou em tudo o que eles acreditam e mostra que se trata de uma clara tentativa de se apropriar do mérito alheio usando um ranking que não mede o que os liberais dizem medir: A diferença entre nós e eles.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Os Valores Clássicos Nas Personagens Femininas do Filme Tropas Estrelares.

Robert A. Heinlein, foi um autor de ficção científica da década de 50, que  em 1959 escreveu Starship Troopers. Obra na qual foi baseado o filme Tropas Estrelares (1997). O filme é uma caricatura de uma cultura militarista/espartana direcionado ao público adolescente. Razão pela qual, não se deve esperar maior qualidade da obra. Mas que por resquício, acaba mostrando alguns valores espartanos, ainda que de forma caricata. 

A versão cinematográfica fica aquém da obra literária de Robert A. Heinlein. Heinlein entra com muito mais profundidade e discussão no mundo fictício, sobre política e filosofia. O livro é muitas vezes mais ousado do que o filme examinando mais cuidadosamente os conceitos dos valores potenciais do militarismo (em vez de apenas difama-lo). Toca a superfície, mas não mergulha verdadeiramente nos valores clássicos. 

Ilustrativamente, em uma cena, o personagem "Rico" é punido administrativamente com 10 chicotadas em público perante seus camaradas (tal como sucedia em Esparta), por ter agido com negligencia, ao permitir que um de seus comandados em um campo de treinamento, retira-se o capacete, tendo sido atingido e resultado em sua morte. Oque também põe em relevo que os superiores são responsáveis pelo bem estar de seus comandados. O inato espírito de camaradagem que deve existir em qualquer agrupamento humano, sendo um responsável pelos outros mutuamente.

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Um dos pontos suscitados em sua obra, e posto com maior relevo no filme é o papel de gênero. As personagens femininas são dotadas de valores superiores, próprias de uma sociedade espartana, céltica, se equiparando aos homens, mesmo superando os débeis.  No início do filme, é apresentado um pelotão composto indistintamente por mulheres e homens

Na obra ficcional, só se atinge a cidadania plena, com o serviço militar, tal como era em Esparta.  As regras oficiais são apresentadas pelo Sargento Ho no momento do recrutamento do personagem "Rico":
"- Mas se você quer servir e eu não posso falar com você sobre isso, então nós temos que levá-lo, porque esse é o seu direito constitucional.
- Ele diz que todos, homem ou mulher, deve ter o seu direito de pagar com seu serviço e assumir a plena cidadania."
Além disso, uma das principais personagens (Carmem), disputa o posto de capitão da tropa, e disputa em igualdade e até com mais valor outros pretendentes. A cena do vestuário evidencia bem essa igualdade de gênero, bem como a mentalidade naturalista do espírito clássico, não havendo nenhuma separação entre homens e mulheres no vestiário.

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No livro, como por reflexo no filme, não existe nenhum impedimento as mulheres. Podendo assumirem indistintamente qualquer posto, desde que sejam qualificadas. É o apreço a meritocracia como valor mais alto.

Na obra ficcional, as mulheres servem mais na marinha, como capitães de naves Troop ( ex Yvette Deladrier comandando "Roger Young"). As mulheres estão concentradas mais na Marinha, especialmente como pilotos, devido ao tamanho menor, melhor tolerância para altas Gs e reflexos mais rápidos. A maioria dos pilotos e capitães de naves eram mulheres por essas razões.

Outra cena que evidencia esses valores, é quando o Capitão Jorgensen tutor de "Rico" em matemática, durante sua visita oficial. Vendo que as notas de Carmem eram muito melhores do que a de Rico não esboça qualquer hesitação em coloca-la no comando de uma nave estelar, em detrimento de Rico. Mais uma vez, vemos triunfar a meritocracia e a ausência de corporativismo. Posto que meritocracia e o corporativismo são incompatíveis.

Em suma, o filme Tropas Estrelares, desde que sob um olhar crítico, é um filme a ser assistido, de modo a se observar esses valores clássicos, ainda que por reflexo. A se notar que na obra, as mulheres portam esses valores, algo completamente ausente na atual psiquê feminina e mesmo masculina. E são sob esses valores, que a tornam capazes com justo mérito e orgulho, ascender a posições mais altas. 


Ver também:

1. Mulher Cidadã.
2.Getúlio Não Tomou Parte na Deportação da Olga.
3. A CIA Como Promotora do Feminismo No Pós Guerra.
4. Educação e Formação da Mulher Castilhista

O Castilhismo como Herdeiro dos Valores Clássicos:
http://ressurreicaonacionalista.blogspot.com.br/2016/03/o-castilhismo-como-herdeiro-dos-valores.html

Uma Grécia nas Ribeiras do Atlântico Sul.
http://ressurreicaonacionalista.blogspot.com/2009/08/uma-grecia-nas-ribeiras-do-atlantico.html

Por um Novo Século de Péricles.
http://ressurreicaonacionalista.blogspot.com/2009/08/por-um-novo-seculo-de-pericles.html

Uma Esparta ao Sul do Brasil
http://ressurreicaonacionalista.blogspot.com.br/2016/03/castilhismo-um-estado-espartano-ao-sul.html