terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A Infiltração Religiosa, A Fórmula Imperialista para Desfragmentar e Dominar Nações.

“Creio que a assimilação dos países latino-americanos aos EUA será longo e difícil enquanto esses países continuarem sendo católicos.” – Theodore Roosevelt.


Em 19 de outubro de 1596, o navio espanhol San Felipe foi destruído em Urado na ilha japonesa de Shikoku em rota de Manila para Acapulco. O daimiô (equivalente a senhor feudal) local Chōsokabe Motochika apreendeu a carga do galeão espanhol, e o incidente chegou até os ouvidos de Toyotomi Hideyoshi, o Taikō do Japão.

Segundo os japoneses quando o governador enviado por Hideyoshi (imperador japonês) a tussa interrogou alguns membros da tripulação da nau São Felipe, um dos testemunhos foi o do piloto do navio, um tal de Francisco da Finlândia, este supostamente quis impressionar a Masuda mostrando-lhe em um mapa, a grande quantidade de territórios sobre os quais governava seu Rei Felipe II. Ao perguntar-lhe, Masuda, como havia feito Castela para poder conquistar tantos e tão extensos territórios, o piloto lhe disse que primeiro se mandava para essa nova terra os padres e frades, que se encarregavam de converter uma parte da população e suas elites, afim de dividi-los e mais facilmente conquistá-los, quando pouco depois chegassem os exércitos castelhanos, e que desta forma tinham feito no Peru.

Essa conversa foi reportada a Hideyoshi, que reagiu com fúria, pois, confirmou suas suspeitas sobre o real intento da presença de cristãos no Japão. Ordenou então, que todos os missionários no Japão fossem reunidos. Ishida Mitsunari, primeiro entre os Go-Bugyō, esclareceu que a ordem de Hideyoshi era direcionada aos franciscanos que violavam abertamente seu decreto de 1587 - os jesuítas, que eram discretos em sua pregação, foram excluídos. No final, 26 missionários foram crucificados.

Essa foi a primeira perseguição letal de cristãos no Japão. O episódio ficou conhecido como os 26 Mártires do Japão.

A consciência do imperador japonês, de enxergar na infiltração de uma religião estrangeira, um ardil imperialista, livrou o Japão de virar uma colônia, como vieram a ser, quase todos os países asiáticos, incluso a antiguíssima China, e dessa forma, sobreveio um saudável auto-isolamento do Japão.  Por mais de dois séculos e meio, a única presença europeia no Japão, foi um pequeno entreposto em uma ilhota da ilha de Nagasaki, concedido aos holandeses, só permitido despachar um único navio por ano!

Dejima, ilhota, na ilha de Nagasaki. Único posto de contato por
séculos do Japão com o ocidente. 
Essa tem sido a fórmula de fracionar e dominar nações desde tempos idos, não é fenômeno recente. A própria reforma protestante foi financiada por seitas ocultas, para fracionar e dividir países, lhes afastando da influência católica. Tal como sucedeu com a antiga Liga Hanseática, atual norte da Alemanha, em que surge a Reforma Protestante. Mesmo na época, esses reformadores, eram minoritários, ainda hoje, todo sul e oeste da Alemanha era e ainda são católicos.  E por via de subornos, vantagens comerciais e o financiamento de exércitos mercenários, conseguiram se estabelecer nos principados do norte. Igual ardil foi usado em Flandres, originando a Holanda, ainda na época, de minoria protestante. E mais tarde a Inglaterra, igualmente por uma minoria protestante subvencionada por seitas ocultistas. Igual intento tentaram na França, alí, fracassaram, e a França conservou sua unidade.

Passados séculos, a tática não mudou e continua eficiente. Para extinguir as possessões coloniais portuguesas, na África, a CIA introduziu califados mulçumanos na África Austral. E mais recentemente, um dos objetivos da imigração de árabes para Europa é o fortalecimento de comunidades mulçumanas no seio de países Europeus, vivendo uma vida apartada do corpo nacional.

Na Ibero-América esse processo já advém desde a II Guerra, quando os Rockfellers financiaram missionários e o estabelecimento de igrejas Batistas por todo Brasil, concomitante a Lojas Maçônicas,  esse processo ganha força com o neopetencostalismo, e o resultado vemos hoje.

Os elementos advindos dessas seitas, como regra, se desbrasileirizam, se dissociam do Brasil, da identidade brasileira. Embora se digam brasileiros, por uma questão formal, não se identificam com o corpo nacional. E daí passam a se identificar com os EUA, que no seu imaginário, incorpora os valores e o modo de vida que contemplam como ideal. Passam a ser corpos estranhos que infeccionam a alma nacional e que se não forem detidos, levarão a morte do Brasil.

Nossa unidade religiosa foi fator determinante na expulsão dos franceses, que se dividiram, na época, entre huguenotes e católicos, e que embora melhor estabelecidos se enfraqueceram em guerras internas, para melhor proveito dos portugueses firmemente unidos. De igual modo, foi a fé católica que deu a unidade necessária aos brasileiros contra os hereges holandeses. Cumpre a todo nacionalista sincero, se apegar a religião ancestral de sua nação, e rejeitar com veemência toda religião estrangeira como se lhe oferecessem veneno. Pois tomar, significa, além de trair e quebrar o elo com seus ancestrais, cometer o suicídio da nacionalidade.






terça-feira, 20 de novembro de 2018

Bandeira do Brasil, Retrospectiva Histórica e uma Nova Proposta

“Sobre a imensa nação brasileira, nos momentos de festa ou de dor, paira sempre sagrada bandeira, pavilhão da justiça e do amor”.


A atual bandeira do Brasil, foi oficializada em 19 de novembro de 1889, concebida por  por Raimundo Teixeira Mendes, com colaboração de Miguel Lemos, Manuel Pereira Reis e Décio Villares, em substituição a vergonhosa proposta de Rui Barbosa, que copiava a bandeira estadunidense. 

idealizada por Rui Barbosa,
dirá Miguel Lemos:
"cópia servil do pavilhão da 
república norte-americana"
Produto de seu momento histórico, a bandeira do Brasil, herda as cores imperial, verde e amarelo, bem como mantem a configuração retangular embutido um losangolo redimensionado. Manuel Pereira Reis, catedrático de astronomia da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, foi muito feliz ao idealizar a esfera armilar, com estrelas, distribuídas em constelações, representando os Estados federados (21 na época, e que se acresce sempre quando da criação de um novo Estado), que giram em torno da estrela "polaris australis" que simboliza o Distrito Federal. As constelações são as presentes no céu do dia da proclamação da República. Resultando, sem dúvida, em um dos mais belos pendões dentre todas as outras nações do planeta.

Bandeira do Brasil
Flâmula Nacional apresentada por Ramundo Teixeira Mendes e  Miguel Lemos
 em substituição a vergonhosa proposta de Rui Barbosa

No que pese os elogios, desde sua criação, a bandeira foi também objeto de críticas, e houveram projetos de leis com propostas para sua modificação.

O deputado Francisco Coelho Duarte Badaró (MG), em dezembro de 1890, na oportunidade da aprovação da constituição da república, questionou o lema positivista presente na bandeira. 

Floriano Peixoto, chegou a sugerir o brasão da república em substituição ao brasão central da monarquia. 

O Barão do Rio Branco idealizou, sem contudo, oficializar sua proposta, a mudança das cores para vermelho, branco e preto, representando as três raças formadoras, com um sol nascente em substituição a coroa sobre o escudo do império.

O deputado Oliveira Valadão, em setembro de 1892, apresentou o primeiro projeto jurídico de modificação. Sugerindo retirar a esfera celeste a substituindo pelas Armas da República num círculo central, de cor azul marinho.



Em junho de 1908, o deputado Wesceslau Escobar, apresentou um projeto para retirar a faixa central com o lema "Ordem e  Progresso".




Em 1933, com a abertura da nova Assembleia Constituinte, que resultaria na Constituição de 34. O deputado Eurico de Góis, que já houvera proposto em 1908, a modificação da bandeira, substituindo a esfera armilar por uma estrela de cor branca, propôs um novo projeto, apondo a cruz da ordem de cristo tendo em seu centro um timbre circular com a representação do cruzeiro do sul, circundado por estrelas. O projeto foi rejeitado pela comissão constituinte.

Esse episódio é interessante, porque com a Revolução de 30, era um momento oportuno para mudança de bandeira e dos símbolos do Estado, e Getúlio, ao que parece, não quis alteração. Oque denota sua adesão ideológica, representadas nos símbolos nacionais, esboçadas pelos que proclamaram a  República. 


Cronologia Histórica da Bandeira do Brasil.

O Brasil teve como bandeira em sua fase colonial, as bandeiras do Reino de Portugal. 

A primeira bandeira especialmente designada para o Brasil, foi a instituída por Maurício de Nassau para o Brasil holandês (Nieuw Holland). E não a da famigerada e torpe Companhia das Índias Ocidentais (Geoctroyerde Westindiche Compagnie – GWC).


Ao designar armas próprias para o Brasil, bem como outras medidas autonomistas (Nassau quebrou o monopólio da Companhia das Índias Ocidentais, mantendo somente o comércio do açúcar e a extração do pau-brasil, liberando todo o mais) se depreende, que Nassau almejava constituir o Brasil como um Vice-reinado das Províncias Unidas, se constituindo ele próprio Vice-rei. 

Com o fim da União Ibérica, posteriormente, em 1692, D João IV conferiu a seu filho Teodósio o título de "Príncipe do Brasil", instituindo uma bandeira branca ostentando uma esfera armilar. A versão que atribui essa bandeira exclusiva para o Brasil é contestada, pelo fato dessa bandeira ser de uso dos navios mercantes portugueses, os navios de guerra portugueses não a usavam. Se explica que como o Brasil era o principal destino dos navios mercantes, tendeu a se atribuir essa bandeira ao Brasil. 


moeda cunhada no
Brasil em 1695
A esfera armilar advém do pavilhão pessoal de D. Manuel I, que chegou a ser usada com certa freqüência nos navios  durante a éra da expansão marítima que se deu sob seu reinado. De influência cabalista, inspirada no selo de hermes-toth, por influência do astrólogo sefardita Abraão Ben Samuel Zacuto, consultor de D. Manuel I.

A cruz da Ordem de Cristo, igualmente, foi adotada no período manuelino, também de influência cabalista, advinda da Ordem dos Templários, sem qualquer elo com a nacionalidade portuguesa. Foram os templários que trouxeram para o ocidente as heresias ocultistas, do que viria a ser a maçonaria (só fundada formalmente em 1717). A Ordem dos Templários, foi dissolvida, e em Portugal renomeada para Ordem de Cristo, porem subsistiu nela alguns elementos cabalistas, ainda que bem mais "cristianizados", do que era na Ordem dos Templários. D. Manuel sonhava reconquistar Jerusalém, destruir a cidade de Meca e converter todos os mulçumanos e judeus ao cristianismo.

Quando da instituição do principado do Brasil, as primeiras moedas cunhadas pela coroa portuguesa no Brasil, apresentavam a Esfera Armilar (brasão do Brasil ou dos territórios ultramarinos?) entrecortada pela Cruz da Ordem de Cristo (adotada pelo Estado Português), que viria a constar na bandeira imperial.

Reino Unido de Portugal, Brasil e
Algarve (1816)
Em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A Lei Carta de 1816 estabeleceu a insígnia do novo reino, especificando que o brasão de armas do Reino do Brasil deveria ser composto por uma esfera armilar de ouro em um campo azul.

Em 1940, o historiador português Augusto de Lima, trouxe a tona um projeto de bandeira de 1820 (anterior a independência), achada nos arquivos pessoais de D. João VI, encomendada a Debret, muito similar à bandeira do que viria a ser a do império. De fundo retangular verde, com losangolo amarelo, tendo ao centro a cruz da ordem de cristo sobreposta a esfera armilar, emoldurada por ramos de cana e café, tendo em sua base um dragão verde.

Essa descoberta corrobora o receio de D. João VI, com o processo de independência que se alastrava pelas Américas.  E o concelho que deixou a seu filho, D. Pedro I: “Se o Brasil for se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.

Aliado da Inglaterra, Portugal na pessoa de D. João VI, sabia bem que as lojas maçônicas eram extensões do poderio inglês, e que era através delas que se fomentava as falsas independências das colônias espanholas, fazendo-as cair sob julgo inglês. Ante esse cenário D. João VI pelo alvará de 3 de maio de 1818, proibiu o funcionamento de lojas maçônicas no Brasil, sob pena de morte. No que pese a Inglaterra não ter apoiado os esforços dos maçons no Brasil, posto já ter o Brasil, como mercado cativo através de Portugal. Enquanto nas colonias espanholas, o comércio com a Inglaterra era vedado, embora ocorresse amplamente de forma clandestina.

Projeto de Debret de 1820
A situação muda quando a Revolução do Porto, demanda a revogação de livre-comércio do Brasil, e sua perda do status de reino. Oque duplamente, tanto atingia a dignidade real de D. Pedro I, como feria os interesses ingleses, já estabelecidos diretamente no Brasil, sem a intermediação de atravessadores portugueses. Ante-vendo esse cenário, de uma independência feita por maçons, tendo a Inglaterra diretamente como aliada, o perigo de sucesso tornou-se real. Oque certamente influiu na decisão de D. Pedro I, se coroar Rei/Imperador do Brasil, seguindo o concelho de seu pai: “Se o Brasil for se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.

Esse projeto de bandeira de 1820, também joga alguma luz quanto a ideologia que moldou a estética da bandeira imperial. Na heráldica armorial, o escudo feminino é sempre representado por um losangolo, esse também figurava na bandeira dos Habsburgos, casa da qual provinha D. Leopoldina, já então casada com D. Pedro I. O casamento entre D. Pedro I e D. Leopoldina, não foi por acaso, visava buscar alianças com um Estado forte, a fazer contra-peso a sufocante influência inglesa. 

Don Pedro I, usava como insignia pessoal um dragão verde, que figura no projeto de Debret. Provavelmente, também de onde deriva a cor verde do campo da bandeira. Ao contrário do que se propala, ao afirmarem que "a cor verde adviria da casa dos Braganças", na verdade suas cores eram vermelho, azul e branco.

Portanto, esses indícios parecem mais próximos e portanto mais fortes, do que atribuições, que comumente se faz a analogias de estandartes da revolução francesa de cariz maçônico. 

Resultado de imagem para bandeira Garde Nationale

Embora seja, sempre uma possibilidade, que Debret tenha se utilizado de uma estética ambígua, afim de melhor atrair a simpatia de maçons pró-monárquicos.

Em fim, temos a bandeira imperial, oficializada no decreto de 18 de setembro de 1822. Diferente do projeto original, a esfera armilar sobreposta a cruz da ordem de cristo é circundada por um círculo estrelado de campo azul, aposto em um escudo de estilo inglês, ornado por um ramo de café e fumo, unidos por um laço vermelho, e tendo como timbre a coroa imperial de D. Pedro I.


Uma Nova Proposta.

Voltando a querela de propostas de alteração da bandeira brasileira, esse que vos escreve julga conveniente algumas observações.

O nome "Brasil", é celta, e significa vermelho, soa embaraçoso não ter nenhum vestígio de vermelho na bandeira que o representa. Assim, cremos que uma bandeira brasileira deveria ter predominantemente a cor vermelha.

A esfera armilar, desde a outorga do título de Principado do Brasil, tem sido seu brasão, contudo, não chega a ser um símbolo nacional, além de sua origem cabalista, também foi usado por outras colonias portuguesas, e desde sua instituição representou uma época negra, quando o Brasil foi entregue a companhias, que passaram a extorquir os brasileiros, essas mesmas companhias que faziam uso da esfera armilar. Julgamos mais conveniente e legítimo o primeiro, e portanto mais antigo, brasão de armas do Brasil.

Esse brasão de Armas é oque em heráldica chama-se: "escudo falante", por representar literalmente a denominação do pertencente.  Sua representação, também, não chega a ser original, é uma reprodução do escudo de Sobrarbe, adotado por associar o nome Brasil, creditado a arvore de pau-brasil, ao nome oficial: Terra de Santa Cruz. No caso a arvore figura sobre um campo prata (branco).

O dragão como parte da heraldica luso-brasileira. O dragão esta presente desde tempos imemoriais na Lusitânia antiga, designada pelos gregos de "Ofiuza" (terra das serpentes). O mito grego atribuía haver nos confins do mundo, a oeste, um jardim paradisíaco em que se abrigava uma macieira com pomos de ouro, capaz de dar sabedoria. No entanto, era resguardada por um dragão de 100 cabeças.

A figura do dragão também esta presente nas lendas célticas, sempre como guardião de algo valioso, alegoricamente: um tesouro, uma princesa....

O dragão verde também foi brasão de armas do Reino Suevo, o primeiro da Europa, posteriormente aditado a um leão vermelho, ante a união do Reino dos suevos com os alanos. Bem como, também presente no projeto da bandeira imperial.

bandeira suevo-galaica

Concebemos dessa maneira, que a junção desse escudo de armas com o dragão verde, sintetiza de forma perfeita o mito hespério, de transferência e formação de uma nova civilização no extremo oeste do mundo atribuído ao Brasil por padre Anchieta.

A compleição da bandeira seria a mesma da primeira bandeira do Reino de Portugal, com uma cruz central, também em alusão ao nome oficial do Brasil: Terra de Santa Cruz, mudando naturalmente as cores, campo vermelho e cruz branca. Figurando o Cruzeiro do Sul no campo superior direito, como localização geo-astronômica, sob forma de estrelas de 4 pontas, rejeitando as de 5 pontas de influência maçônica.






domingo, 16 de setembro de 2018

A V Geração Castilhista

"Uma plêiade de jovens idealistas radicalizados, Castilhistas, anti-liberais, anti-monarquistas, favoráveis a um Estado forte e autoritário, desfavoráveis ao Poder Legislativo (que nunca prosperou com o castilhismo), modernizadores burgueses, politizados e, apesar de militarizados, sempre, radicalmente civilistas. Entretanto, o traço fundamental, não só em sua doutrina, mas sobretudo da administração concreta dos militantes do PRR, foi seu marcado caráter anti-oligárquico e anti-patrimonialista dos seus governos de quase quatro décadas.."
Quando as sombras das trevas envolvem a pátria, quando seu povo vagueia sem rumo na escuridão, tomados pela fome, acometidos pelas chagas, saqueados por estrangeiros, e quando tudo parece perdido... os  heróis ressurgem, como astros a guiar o passo conduzindo em salvo pela jornada do destino, pois se lhes fora facultado nascerem em outras épocas.... mais amenas, renegariam! Pois é na noite mais escura que fulguram com maior brilho! E de nada valeria suas vidas se não quando mais a pátria deles necessita e com um sorriso nos lábios, ansiosamente, derramar o sangue por sua terra, e com seu sacrifício fertilizar os campos para que brotem gerações vindouras ainda mais potentes.

Volvendo os olhos para o passado, repousa o berço da nacionalidade, fonte perene de inspiração, em resgate dos valores perdidos, que uma vez renascidos, forjará uma geração capaz de realizar milagres. O renascimento do homine brasiliensis, tal como idealizou Maquiavel na sua busca do homem de "virtú" para salvar a Itália, ou o "ürbermensh" de Nietzsche. Todas tentativas de resgate do homem clássico ante a decadência da época. O brasileiro, que surge no Séc. XVI, ao contrário dessas transfigurações imaginárias é real. O brasileiro quinhentista é a materialização do homem renascentista.

É um anacronismo julgar tanto o português como o brasileiro quinhentista a luz do que se observou no restante da Europa. Portugal, como toda Ibéria, nunca experimentou o negror da idade-média, tendo sido àquele tempo a região mais próspera e culta da Europa. Disso decorreu o arcabouço tecnológico que propiciou as grandes navegações.

Para compreender aqueles homens tal qual eram e oque vieram a ser, é preciso mergulhar a luz do catolicismo, determinante na formação da mentalidade daquela gente. A Gallaecia cristã, aonde nasceu Portugal, que primeiro se bateu pela expulsão moura e cedo os repeliu, não sofreu o influxo do cristianismo romano. O norte, menos romanizado, conservou seu substrato celta sob uma aparência cristã. E assim, nunca caiu na decadência mórbida do cristianismo oficial.

São esses portugueses nortenhos, os mais numerosos, que virão a aportar no Brasil, em sua maioria aldeões, que conservaram sua ortopráxis religiosa de substrato celta, e por desiderato seu ethos. Nada sabiam dos costumes  bíblicos, e pouco compreendiam oque lhes falava nas missas rezadas em latim. Sua religiosidade se materializava nos ritos, peregrinações, rezas e agouros de suas crenças imemoriais, conservadas , pelo isolamento, nas populações aqui plantadas.

Os que se entregavam as letras, tinham por tutores os jesuítas, de formação humanista por excelência, e que será um traço característico na formação dos homens letrados do Brasil, e que exercerão sua influência ao longo dos dois primeiros séculos de nossa formação, findo o qual o Brasil já estava feito.

Temos assim, grosseiramente, a guisa de exemplo, dois seguimentos "intelectuais" em sentido lato, na formação do Brasil, um composto pela população rural iletrada, que conserva uma religiosidade com forte substrato pré-cristã e uma elite intelectual de formação humanista. Então, quando do contato entre esses portugueses, de natural espírito renascentista, e tupis, surge o brasileiro, que nasce livre da noção de pecado, ultra equinocialis non pecare, de hábitos arcaicos, verificável ainda hodiernamente, tanto em sua língua quanto em sua religiosidade, melhor conservada do que no outro lado do atlântico, o gosto pela fidalguia e suas inter-relações mais baseadas no sangue do que em convenções sociais. Isso tanto  pelo lado dos tupis quanto dos portugueses, ambas sociedades orgânicas, em que somente as relações de sangue firmava uma real aliança entre as partes. O "cunhandismo" foi um fenômeno natural na formação brasileira, conseqüente do encontro de duas sociedades com características tribais. Disso decorrendo sua estruturação social em clãs, como também se observa nas populações nortenhas de Portugal.

A expulsão dos jesuítas, concomitante ao parasitismo da metrópole já decaída pelo espírito mercantil, foi um golpe que retirou do Brasil esse corpo pensante, relegando a população ao abandono e a ignorância. Quadro agravado, com o não reconhecimento do Vaticano da dinastia dos Braganças ao fim da União Ibérica, e que fez cessar as nomeações de padres para o Brasil. Assim a ação eclesiástica em terras brasileiras teve um longo hiáto, no que pese ter corroborado para a preservação dessa religiosidade medieval pelos brasileiros.

O heroísmo que atirara a nação portuguesa ao mar se degrada em ambição grosseira de lucro, subverte a classe dirigente, que passam a viver do parasitismo mercantil das índias, as atividades produtivas do Reino são marginalizadas, decaem, e com ela a própria decência. As índias funcionaram como filtro que poupou o Brasil de espíritos rapaces, os que buscavam lucros imediatos, a colher riquezas feitas, se dirigiam para as índias, para o Brasil se foram os que buscavam fortuna estável, se fixando a terra. Os primeiros colonos, foram a melhor gente que Portugal pode nos legar, advindos da baixa aristocracia rural nortenha, com o intuito explícito de fundar uma nova pátria.

Perdida as índias, Portugal se volta para o Brasil como "sua vaca leiteira". Ainda ligado umbilicalmente a Portugal, não repele em definitivo oque se converte em explorador.

Foram as leis de Licurgo, profetizadas pela sacerdotisa de Delfos, que asseguraram a prosperidade de Esparta. Júlio de Castilhos, assim como Licurgo, é para nós brasileiros, o instituidor das leis que nos fará sair do paul em que nos encontramos. A ereção de um Estado forte, democrático e sobretudo soberano, garantidor da unidade e da prosperidade nacional.

A difusão de idéias de pluralidade religiosa, de Estados "multiculturais", visam a fragmentação da unidade nacional, promovida por seitas interessadas no enfraquecimento do Estado-Nação, em reação ao surgimento e fortalecimento dos Estados-Nacionais que despontam com os ideais renascentistas. O "iluminismo", embora comumente tido como um desdobramento do Renascimento, na verdade foi uma espécie de "contra-reforma".  Há dois elementos iluministas que deformam completamente os ideais renascentistas, o individualismo e o universalismo.

As sociedades clássicas, eram formações profundamente coletivistas, e anti-universalistas, marcadas pelo preponderância do interesse público sobre o privado. O interesse coletivo se sobrepunha a todo o mais e se fazia prevalecer por intermédio de suas instituições de caráter democrático. Ao mesmo tempo que os helênos, em especial, espartanos era reputados como povos "xenofobos", a conotação só toma contornos negativos, justamente com o iluminismo. Contudo não é particularidade dos gregos, mas de todos os outros povos de estrutura orgânica. Os visigodos, a guisa de exemplo, mesmo em contato permanente com romanos e outros povos em suas estadia nos balcãs, e posteriormente na Espanha, constava no Código Visigótico, a proibição de contrair matrimonio com outras gentes, se não somente entre eles.

As instituições políticas helênicas, celtas e mesmo germânicas, se caracterizavam por ter um caráter democrático. A guisa de exemplo, mesmo Esparta, tida como um modelo "aristocrático" guardava em seu bojo eleições para certas instituições bem como consultas diretas aos seus cidadãos, instituto caracterizador da democracia. As sociedades celtas e germânicas, embora tendo Reis, hereditários, ainda sim, passíveis de destituição, ou eleitos, cumpriam mais uma função de chefe militar, as questões de maior relevo eram submetidas em assembléia, se subordinando o Rei as suas decisões. Havia ainda um "senado"(de: senos/antigos), um conselho de anciões que deliberavam entre si, submetendo em seguida a apreciação popular.

A instituição democrática, pela sua própria natureza, é anti-pluralista, esmagando as minorias e fazendo prevalecer o interesse da maioria sobre a minoria. Que com o tempo acaba por homogenizar o corpo social.

É preciso frisar que "multiculturalismo" é a manutenção de diversidades étnicas dentro de uma mesma área geográfica. O processo natural, que ocorria ao longo de toda antiguidade, era que grupos minoritários que transmigravam, e que se assentassem em uma área já povoada, fossem naturalmente absorvidos. Se isso não ocorria, fica claramente caracterizado uma invasão, e mais das vezes, a instituição de uma oligarquia (governo de poucos) subjulgando a maioria. Exemplo disso, foram as invasões anglo-saxônicas nas ilhas britânicas, antes, um assentamento celta de tempos imemoriais.

Portanto, o multiculturalismo é incompatível com uma ideologia nacionalista. O multiculturalismo é essencialmente uma tática imperialista, de divisão e desfragmentação, para quebrar a unidade de um povo, de longa data empregada por impérios, indiferentes, e mesmo hostis a unidade de povos submetidos. Como são exemplos o império pérsa, egípcio e romano, dentre outros.  Contudo, a sua própria tática de dominação, leva ao seu enfraquecimento, quando confrontado por outros povos com maior unidade, tal como sucedeu aos persas diante dos gregos. Será a atual China, os antigos gregos, diante dos EUA no papel do antigo império persa? O tempo dirá....

Observe que guardadas as devidas complexidades do Estado moderno, esse é o modelo simplificado do Estado Castilhista, o chefe do executivo, auxiliado por um corpo técnico que delibera, ao passo que o executivo julgando conveniente ou não as proposituras do concelho, submete a apreciação popular.

Ver-se o acentuado caráter orgânico desse modelo institucional, e que caracteriza o Estado Castilhista, ao contrário dos Estados Liberais, em que os governados se vê-em excluídos das decisões políticas. E é esse modelo orgânico, e por desiderato democrático, que possibilita que as decisões políticas se subordinem ao interesse coletivo, a vontade popular ipso facto, impossibilitando o favorecimento de uma minoria sobre uma maioria.

A instituição de Estados pluralistas, universalistas e descentralizados é a receita da ruína. O exemplo da guerra do peloponeso deveria ser sempre uma imagem fresca na memória daqueles que propugnam por um modelo descentralizado de Estado. Igual exemplo vemos entre os celtas, sua grande fraqueza, residiu em estarem pulverizados, para maior facilidade da dominação romana. Pois não só impossibilita a reunião dos meios que poderia fortalece-los, como abre margem a intromissão de uma potência externa. Essa foi a tática romana, se aliando a tribos mais fracas para golpear outras mais fortes, dividi-los e por fim, sem oposição, instituir seu domínio sem contestação.

Os exemplos se repetem na história, nas Américas temos os Maias, que embora mais antigos e tecnologicamente mais avançados do que seus rivais, enfraquecidos pelas guerras civis, desaparecem soterrados pela ascensão Asteca de instituição política mais centralizada.

Na história moderna isso é dado início com a guerra de Flandres. Expulsos da Espanha, os judeus fomentam sub-levações nos domínios de Espanha. Primeiro em Flandres (atual Bélgica) fomentando a divisão entre católicos e protestantes (minoritários), e que resultará no surgimento da Holanda, e não por acaso a primeira constituição de caráter pluralista, e universalista. A tática segue, com o fomento do separatismo da Catalunha e de Portugal concomitantemente. A Espanha consegue debelar a insurreição na Catalunha, mas perde Portugal, resultando no fim da União Ibérica. O mesmo modus operandi ocorre no processo de falsa-independência dos países americanos, todos fomentados por casas bancárias inglesas de mãos dadas com as maçonarias locais, extensão dos seus interesses.

É repetido como mantra, que o Brasil seria um "país multicultural", não há mentira maior. O Brasil sempre se caracterizou como uma sólida unidade étnico-cultural, muito mais do que países europeus menores, e do que qualquer outro com suas dimensões. Todos os brasileiros tem uma descendência comum, com uma mesma língua, sem dialetos,  e sobretudo com uma forte unidade religiosa, do qual todos os brasileiros tem ascendentes desse mesmo credo.

A perda da unidade étnico-cultural de um povo leva a sua desfragmentação e o fim de sua existência. O nacionalismo surge como defesa ideológica da nacionalidade, de seus elementos caracterizadores e dos meios materiais que o sustentam. Cumpre inexoravelmente a um nacionalista protegê-los e preservá-los, ainda mais nesses tempos em que a nacionalidade é atacada, por inimigos internos e externos.
  1. A I Geração Castilhista, com Júlio de Castilhos, nos deu as bases institucionais sob o qual devemos fundar o Estado Nacional Brasileiro; 
  2. a II se deu com as teses de tecnificação do Estado; 
  3. a III se dar com sua instituição no plano nacional, com o Estado Novo, rejeitando mais claramente as teses universalistas. Simbolicamente isso é ilustrado na Constituição de 37 com a declaração do catolicismo como religião oficial do Estado, antes omitido na constituição de 34; 
  4. A IV é caracterizada pelo período pós-Getúlio, incluindo Pasqualini, Goulart e Brizola nesse período, marcado por uma adaptação do Castilhismo, ao Estado Liberal, por intermédio do Trabalhismo. Hodiernamente; 
  5. somos a V Geração Castilhista, legatários dos ideais de Júlio de Castilhos, Vargas, Pasqualini, Goulart e Brizola. Porque posteriores a eles, e ante um novo contexto político que nos apresenta, de ataques a existência dos brasileiros como entidade nacional, de separatismos, de destruição do próprio Estado-Nacional manietado por corporações privadas, e a subjulgação do Brasil a potências externas. Somos  legatários de todo um corpo de tradições e em memória daqueles que se bateram pelo Brasil, em plena afirmação de nacionalidade!
As vozes ancestrais ecoam, em súplica, para que nos levantemos e os heróis tomem seus postos, alçando ao alto o estandarte legado, renovando antigos juramentos, conclamando a defesa da pátria!

Somos o reflexo de nossos antepassados, ligados pela cadeia imemorial do veio antigo e comum inquebrantável que nos une. E que perdidos nas brumas do tempo, reclamam que nos juntemos a eles. Além do gelo, ao norte, na Hiperbórea? Na idílica Arcárdia? Não.... nós somos hespérios! Somos a transferência de uma civilização, que transpondo o abismo oceânico, seguindo o por-do-sol atlântico alcantilado, coloreado a cada dia e a cada ano pela vermelha ilha do solícito brilhante sol poente, rumo à paradisíaca rubra ilha Hy-Brasil, nos exilamos nas terras ocidentais do mundo, na realização profética de criação de uma nova raça de homens, predestinada pelos Deuses, a conquistar o mundo! A grei de Breogan!


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15. Uma Grécia nas Ribeiras do Atlântico Sul.





terça-feira, 14 de agosto de 2018

O Falseamento da Presença Judaica na Formação Portuguesa e Brasileira.



É comum os veículos de comunicação falarem numa suposta herança judaica na formação brasileira, citam cifras de 10 à 20%, as vezes mais! Dados completamente surreais, distorcidos, quando não manipulados.

Para desmentir essas cifras, basta mensurar a contribuição germânica na península ibérica (Suevos, Visogodos, Vândalos) no Séc. V, que se processou num contingente, muito maior, e jamais vista ou alcançada por judeus na ibéria. Estima-se, sem maior margem de erro, que 40 mil Suevos se estabeleceram no noroeste ibérico (Portugal e Galiza), 280 mil Visigodos em Espanha, e cerca de 80 mil Vândalos distribuídos na Galiza e na Bética (atual Andaluzia/Vandalucia). Pois bem, com esse contingente, que representou,  a época, 5% do total da população, passados mais de um milênio, atuais análises genéticas comprovam que continua sendo essa a taxa de contribuição germânica na formação das populações hispânicas, variando essas taxas em algumas regiões até 10%. 

É de salientar que desde o início, esses contingentes se fundiram completamente com a população autóctone da península, ao contrário das comunidades judaicas, que sempre se mantiveram apartadas, sem se integrarem ao corpo nacional. 

Então a questão a se perguntar é, como poderia um determinado grupo pequeno, vivendo em comunidades fechadas, ter, supostamente, uma contribuição maior na formação humana da ibéria ante outros muito mais numerosos e integrados a sua massa populacional? 

A resposta é óbvia: não pode! Não tem como! Então de onde eles retiram essas cifras de "10, 20%"? Eis o ardil! Determinados genes característicos de populações semitas, e que não se restringem a judeus, são comuns a povos neolíticos, que se espalhou pela Europa como pelo norte da África.

Mensurar os marcadores genéticos advindos de judeus propriamente, do que já existia anteriormente de pastores do neolítico e mesmo que advieram com romanos, gregos, fenícios e posteriormente árabes que também possuem esses genes em comum, não é tarefa das mais fáceis, mas podemos chegar em cifras bastante fidedignas comparando a populações ibéricas que permaneceram isoladas, como é o caso dos bascos, que não tiveram contribuição romana, nem grega, nem fenícia em sua formação. Logo o substrato genético de populações neolíticas estariam bem caracterizados. Esses genes entre os bascos correspondem a 5%. Ou seja, é muito provável que em outros contingentes da população ibérica, haja 5% de contribuição neolítica em sua formação, portanto, não atribuíveis a judeus, nem a romanos, gregos, fenícios e árabes. Essa cifra de 5% também é similar as encontradas na população da Astúria, Cantábria e Galiza, aonde a presença judaica foi desprezível, quase inexistente. 

Em Portugal, genes atribuíveis a judeus oscilam conforme a região, sendo maior ao sul que no norte. No total, Portugal, apresenta 15% de genes que podem ser atribuíveis tanto a judeus, como a romanos, gregos, fenícios e árabes. Desses como já estimamos, 5% pelo menos são atribuíveis a pastores do neolítico. Sobram 10% que se subdividem entre os povos já citados e não a exclusivamente judeus.

No norte de Portugal essa taxa é menor, oscila entre 2,5 à 5%, estando portanto coberta pela mesma taxa neolítica. 

No sul (algarve e alentejo) varia entre 5 à 15%. Tendo tido essa área forte presença romana, que tinha sua capital em Mérida, já a cidade de Cádiz fora fundada por fenícios, além da ulterior invasão moura que mais perdurou no sul. Para estimarmos o contingente judeu, sejamos conservadores, subdividamos esses 10% restantes (excluindo os 5% atribuíveis a pastores do neolítico) em 4 partes iguais, embora a contribuição romana, seja certamente a mais significativa, tanto por ser mais antiga, como tendo sido bastante presente e contínua ao longo da história, sobram ainda a fenícia, a judia e a árabe. A árabe também é bem provável que tenha sido maior do que a judaica, mas, mais uma vez, sejamos conservadores.... subdividamos esses 10% indistintamente, teríamos uma contribuição judaica de 2,5% (oque mais uma vez, afirmamos que deva ser bem menor). É essa a real parcela de contribuição judaica na formação portuguesa. 

É de se ressaltar ainda, que os judeus nunca tiveram uma grande leva migratória para a ibéria, sua presença sempre ocorreu de forma agregada a romanos, e posteriormente árabes, e que sempre se mantiveram em comunidades isoladas. A considerar ainda que houveram pelo menos dois grandes expurgos de judeus na ibéria, uma no Séc. VII, sob o Reinado Visigodo, a que estava submetido oque hoje é Portugal, bem como em fins do Séc. XV. Nunca poderiam ter tido maior impacto na formação populacional de Portugal. 

Posto isso podemos agora nos debruçar sobre a tal presença de Cristãos-Novos no Brasil. Com a expulsão da Espanha, e o abandono de muitos judeus de Portugal (em Portugal eles não foram expulsos, apenas obrigados a se converterem, abandonando o país os que assim não quiseram), advindo alguns para o Brasil, porém a maioria rumou para Holanda. 

Oque se deve por a relevo é que esse número de Cristãos-Novos, comparado, a outros tantos portugueses que vieram, foi bastante exíguo, ainda mais comparado aos indígenas e mestiços da terra, a massa populacional do Brasil. A guisa de comparação, a maior leva de colonos que vieram para o Brasil nos primeiros tempos de colonização, foi com Tomé de Souza na Bahia, um total de 1(um) mil, dos quais apenas 10 eram cristãos-novos.  

Com a invasão holandesa, foi que se processou uma maior vinda de cristãos-novos portugueses, quando não judeus declarados, que se encontravam "exilados" na Holanda. Muitos compraram ou simplesmente se apossaram de engenhos abandonados em meio a guerra contra os holandeses, conseqüência do êxodo em massa dos brasileiros saídos de Pernambuco. Pernambuco a esse tempo não contava mais do que 40 engenhos no total. 

Com a derrota dos holandeses e o cerco do Recífe, relata-se que quase todos, em desespero, se suicidaram por intermédio de veneno, os que sobraram, abandonaram Recífe, seguindo com os holandeses para Nova Amsterdam, no que hoje é Nova York.

Análises genéticas realizadas na população do nordeste do Brasil revelam cifras, de marcadores genéticos atribuíveis a judeus, ainda menores do que as encontradas em Portugal, 2% tão somente. Nesses ínfimos 2%, deve-se mais uma vez chamar atenção, estão diluídos a contribuição de romanos, gregos, fenícios, árabes, os próprios judeus e.... mais recentemente, a imigração sírio-libanesa ocorrida no Brasil.  Oque corrobora os registros históricos, bem como uma maior presença nortenha na formação brasileira. 

Com isso não se nega a presença de cristãos-novos no Brasil, houveram, porém foram parcelas diminutas no conjunto da população que se formava. A guisa de exemplo imagine uma pequena vila, de mil habitantes (estamos sendo modestos, mais uma vez) em que haja uma família de cristão-novos nessa comunidade, suponhamos coisa de 10 indivíduos, ou seja estamos sendo superlativos, uma grande família com 8 filhos! Esses 10 indivíduos num bojo de uma pequena população de mil, não representa mais do que 0,1%!!!! Compreende-se como cifras de 10 à 20% divulgados pela imprensa são super-dimensionados.

Afora toda essa explanação já relatada, e que por si só já explica essa malversação, ainda tem a metodologia, voltando a Portugal é curioso que os locais em que ocorreram coleta de material genetico, foi justamente aonde historicamente houve comunidades judaicas....  e ainda sim, as cifras são aquelas apresentadas, que antes revelam uma pequena contribuição na formação portuguesa.

Também, enfático na rejeição desse mito criado, são os que se debruçam ao estudo genealógico como o pesquisador Francisco Augusto de Araújo Lima autor da obra: "Siará Grande - Uma Província Portuguesa no Nordeste Oriental do Brasil", que desmente a versão da grande imprensa: “Há uma ‘certeza’ de que o Ceará é judeu. É uma crença forte, mas, documentado, encontram-se poucas pessoas de origem judaica. São uma gota d’água.".

No final das contas, a quem interessa, a deturpação histórica e a falsificação de nossa formação? Não é segredo que a imprensa hegemônica se encontra em mãos de grupos judaicos, e são esses grupos que se ramificam nas mais diversas searas, que tentam se legitimar no país atribuindo, falsamente, serem parte de sua formação, quando sempre foram refratários a se integrarem. Também trata-se de falsear nossa identidade nacional, apagando-a e mesmo servindo de meio para o aliciamento de membros para certas seitas sob a suposta afiliação "judaica".

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terça-feira, 12 de junho de 2018

Nenhum Outro Governo Combateu Tanto O Capital Estrangeiro Quanto O De Getúlio

Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano.”  – Getúlio Vargas.


Quando Getúlio assumiu o governo em 1951, se deparou com o estrago que o governo Dutra havia feito com as finanças do Brasil. E a predação que caucava na economia nacional, denunciando a majoração de dívidas aumentadas pela “mágica” dos juros, nos onerando artificialmente pelo que não devíamos:

“O excedente de mais de 16 e meio bilhões entre o capital estrangeiro aplicado no país [....] e o que foi efetivamente registrado como tal [....] significa nada mais na menos de que uma dívida contraída pelo Brasil no estrangeiro e que terá que ser paga [....] dentro de certo prazo. E vamos restituir oquê? [....] Pagar oque não devemos; restituir o que não recebemos; o que foi majorado por simples magias de cifras, a fim de supervalorizar o capital estrangeiro, em detrimento dos valores do trabalho brasileiro e da população brasileira”.  

Em 1953 Vargas denunciava as remessas de lucros feitas pelas empresas estrangeiras dizendo:

“ [....] estou sendo sabotado por interesses contrários de empresas privadas que já ganharam muito mais no Brasil; que têm em cruzeiros duzentas vezes mais capital que empregaram em dólares para emigrá-los ao estrangeiro a título de dividendos: em vez de os dólares produzirem cruzeiros, os cruzeiros é que estão produzindo dólares e emigrando”

Nestes termos, é rico em significado o discurso proferido por Getúlio em 31 de janeiro de 1954 no qual faz novos ataques ao capital estrangeiro e à evasão de divisas para o exterior, ao mesmo tempo que faz uma análise da situação financeira do país:

“Agora vou dizer-vos como se sangrava as energias do povo brasileiro [....] mandei cotejar as declarações feitas pelos exportadores do Departamento de comércio dos Estados Unidos, com as declarações feitas aos nossos consulados [....] Foi registrado um aumento de valores nas faturas de 150 milhões de dólares [....] Se considerarmos que o sistema era generalizado [....] tivemos um mínimo de desvios cambiais de 250 milhões de dólares em dezoito meses.
 Reduzindo assim o valor da moeda, apresentava-se como um reflexo natural a elevação dos preços, conseqüência e não causa de um fenômeno que escapava ao nosso controle [....]
Outra sangria se determinava no registro de capitais estrangeiros e na remessas de lucros [....]. Mandei efetuar o levantamento legal [....] Em 1948 estavam registrados capitais estrangeiros no valor de Cr$ 6.232.000.000,00.
Em 1949 o valor subia a Cr$ 9.633.000.000,00 pedindo registro”

O problema levantado referia-se aos registros de lucros acima de 8% permitidos, isto nos mostra que Vargas tentou enfrentar o fenômeno imperialista.

A fim de alterar a Legislação sobre remessa de lucros o governo lançou em 3 de janeiro de 1952 o decreto 30.363 fixando que:

"o capital estrangeiro com direito a retorno era apenas o capital original que efetivamente houvesse ingressado no país e que contasse no Registro de Carteira de Câmbio do Banco do Brasil".


O decreto teve repercussão nacional e internacional, revelando à opinião pública uma postura destacadamente antimperialista por parte do Governo de Getúlio e sobretudo seu comprometimento com o desenvolvimento lastreado no capital nacional sem o qual não há que se falar em um verdadeiro desenvolvimento autônomo e por assim dizer soberano. Incompatível portanto com governos posteriores como, a guisa de comparação, notadamente, o de JK, que alguns insistem, ardilosamente, comparar a Getúlio, taxando ambos como "nacional-desenvolvimentistas"..... como se água e óleo se misturassem.


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Breve Biografia de André Vidal de Negreiros, Fator Máximo na Expulsão dos Holandeses do Brasil


“De André Vidal direi a Vossa Majestade o que me não atrevi atègora, [...] Tem Vossa Majestade mui poucos no seu reino que sejam como André Vidal; eu o conhecia pouco mais que de vista e fama: é tanto para tudo o demais, como para soldado: muito cristão, muito executivo, muito amigo da justiça e da razão, muito zeloso do serviço de Vossa Majestade, e observador das suas reais ordens, e sobretudo muito desinteressado, e que entende mui bem todas as matérias, posto que não fale em verso, que é falta que lhe achava certo ministro grande da corte de Vossa Majestade. Pelo que tem ajudado a estas cristandades lhe tenho obrigação; mas pelo que toca ao serviço de Vossa majestade (de que nem ainda cá me posso esquecer) digo a Vossa Majestade que está André Vidal perdido no Maranhão, e que não estivera a Índia perdida se Vossa Majestade lha entregara.”

Pe. Anto. Vieira, lamentando a ida de André Vidal
do governo do Maranhão.



André Vidal de Negreiros
É no movimento contra o domínio holandês que surgem os primeiros heróis da nacionalidade, com destaque especial para André Vidal de Negreiros. Segundo palavras de Irinêo Joffily, Vidal, à frente do exército restaurador, foi “o principal heróe brazileiro nos tempos coloniaes”. Hélio Zenaide destaca que Vidal foi um homem”íntegro” e o nomeia como o “herói da guerra contra os holandeses em Pernambuco”.

Esta concepção da existência de um sentimento de brasilidade e amor à terra, fica clara na obra “Vidal de Negreiros: afirmação e grandeza de uma raça”, de Luiz Pinto, que se propõe a realizar uma biografia de Vidal. A obra de Luiz Pinto foi a única que se dedica a apresentar uma biografia mais detalhada de Vidal. Para Luiz Pinto, o domínio holandês no Brasil não teve outra significação senão a econômica, tendo em vista o “espírito mercenário e judaico da Companhia de rapina”. O mesmo, para Pinto, não se passava com os brasileiros que defendiam a colonização lusa: a bandeira que empunhavam contra a Holanda seria a da religião católica contra os hereges calvinistas, o que teria dado à guerra uma característica religiosa.

Segundo o autor, foram as três raças de nossa etnia - a branca, a negra e a indígena, representadas respectivamente por Vidal, Henrique Dias e Camarão, que deram corpo e sentido à guerra de expulsão. E continua: “(...) Vidal foi a alma da restauração, o homem que nunca se curvou ao mêdo, nem a conveniências, nem se sobressaltou frente ao poderio inimigo, de muitas vêses quase esmagado.”.

Entre as tropas arregimentadas na Paraíba para a libertação da Bahia do domínio holandês, em 1624, já se encontrava, como “voluntário da sua terra”, André Vidal de Negreiros, paraibano, então com 18 anos de idade e filho de Francisco Vidal e d. Catarina Ferreira. Seu pai seria senhor do engenho S. João. Nas passagens a seguir, podemos perceber a visão de um herói destemido, um predestinado, devotado à sua terra e à sua religião, que Luiz Pinto visa construir:
“Quando Matias de Albuquerque acudiu aos chamamentos e reclamos da Bahia, arregimentando tropas para combater o invasor batavo, um jovem paraibano vibrou de entusiasmo. Queria lutar também, seguir com os resultados de qualquer maneira, acudir em defesa da sua pátria e da sua religião. (...) O rapaz André, filho do velho Vidal, era dos mais ardorosos. Alistara-se às suas custas. E logo se transformou num propagandista e animador dos mais decididos e corajosos. Moço, desenvolvido, ágil, ouvindo as narrativas dos vencedores, sentia estremecimentos, desejando partir quanto antes em socorro daquele povo.”
Vidal não só se destacou pela sua empolgação e devoção pela causa da expulsão dos holandeses – também se destacou nas batalhas, se tornando um dos soldados mais capazes e distinguidos pelos seus superiores:
“Sem muita demora, André Vidal enquadrou-se à arte da guerra. Os seus superiores hierárquicos começaram logo a distingui-lo, não só pela sua bravura indômita, mas ainda pela sua conduta serena, pelo seu instinto de soldado, pela segurança dos seus planos e rapidez por que procurava executá-los. (...) O principio do amor à terra nativa e à religião era a bandeira que se não ofuscava. Isto determinava as mais cruéis represálias, os mais atrozes combates. Na alma de André Vidal era sacrossanto esse princípio (...). Não se fez demorar o renome de André Vidal de Negreiros no seio da tropa. Distinguido e disputado pelos superiores, viu-se durante a guerra na Bahia nos lugares mais arriscados, marchando à frente como um predestinado. E não se fez silêncio sobre os seus brios de soldado e bravura de patriota, embora contra isso conspirasse a sua grande simplicidade e modéstia.”.
“André Vidal, que logo se fez destro e valente soldado, não só lutou durante toda a fase da expulsão dos flamengos da Bahia como perseguiu a esquadra holandesa fugitiva até deixá-la fora do seu Estado natal”.

Diante de tantas qualidades, o rei de Castela se fez informado das virtudes de Vidal, que foi promovido ao posto de alferes, então com 19 anos de idade. Segundo Pinto, “André Vidal de Negreiros era uma vocação de soldado, tanto pela firmeza moral quanto pela robustez física. Dir-se-ia que a terra de massapê da várzea do rio Paraíba, o seu rio, lhe dera essa seiva, como ainda muita bravura e fidalguia.”.

Após a derrota no Arraial do Bom Jesus, optou-se pelo sistema de guerrilhas e emboscadas, a guerra irregular de extermínio; tática esta que não foi bem aceita pelos “prepotentes castelhanos”. No entanto, André Vidal, após oito anos de estudo na Europa, estaria convencido de que aquele seria o melhor sistema para destruir o poderio flamengo. Para Luiz Pinto, o plano de Vidal seria realmente o mais indicado. Além disso, também teria sido concertado por Vidal o plano da chegada da esquadra de D. Fernando de Mascarenhas (conde da Torre), que não logrou em sucesso.

Mais tarde, com a vitória da restauração no Maranhão, André Vidal foi nomeado governador da capitania. Essa nomeação, seria o pagamento de uma dívida do rei de Portugal. Vidal estava no auge do seu prestígio, e o Conde Maurício de Nassau, que estava voltando para a Europa diante de uma conjuntura desfavorável para a continuação do domínio holandês:
“Cumpria-se assim um antigo compromisso do rei de Portugal para com o herói. De modo que, quando Nassau retornava à pátria européia, André Vidal de Negreiros se fortificava para total execução dos seus planos, traçados e alimentados desde 1632”. Após assumir o governo do Maranhão, em 1645, Vidal não permaneceu lá por muito tempo, pois “cabia-lhe tecer a teia sinistra da guerra”.
Enquanto Teles da Silva despistava os holandeses com falsas promessas de armistício, Vidal organizava os batalhões:
“O que os flamengos não sabiam exatamente, e isso é claro, era que André Vidal tinha um plano concertado e que poria em prática de qualquer maneira, dentro do seu alto patriotismo e fidelidade religiosa. (...) Vidal era firme e queria a guerra de expulsão, ágil e violenta. Mas Nassau não desconfiou das manobras do paraibano. E tanto é que deixou transitar livremente por duas vezes, tanto no Recife quanto na Paraíba. E só através da sua primeira viagem a Recife, quando retornou de Lisboa, é que Vidal conseguiu firmar posição na capital da nova Holanda, arregimentando para as suas hostes o capitalista João Fernandes Vieira, senhor de Engenho da Várzea, no Recife, homem religioso e rico, vaidoso e prepotente, que se tornou um elemento nuclear na guerra”.
Nesta passagem, Vidal é mais uma vez colocado como peça central da guerra de restauração, seu principal articulador, que conseguiu de certo modo “enganar” Nassau, que lhe concedeu livre trânsito pelas capitanias. Vidal fez do Maranhão apenas um ponto de apoio para as suas incursões à Paraíba e Recife, com o objetivo de “colher adeptos, planejar a guerra, animar os fracos, encorajar os medrosos”. E a figura de Vidal vai ficando cada vez mais relevante no tocante à guerra de restauração, como fica evidente na seguinte passagem: 
"A libertação do Brasil do domínio colonial holandês cabe, como já mostraram Varnhagen, João Ribeiro, Hermann Watjen, Pandiá Calógeres e outros intérpretes da luta de restauração, tal como a organização da revolta geral, a epopéia pernambucana, uma das maiores da história da pátria - criação de guerrilhas, emboscadas relâmpagos implantadoras de morte - sem dúvida, ao engenho extraordinário de André Vidal."
Enquanto os dirigentes das duas partes se limitavam ao campo diplomático, Vidal, Henrique Dias, Camarão entre outros, preparavam o cerco do Recife, encurralando a Nova Holanda. D. João IV queria a paz com a Holanda e, ao mesmo tempo, a luta de libertação. Já a única paz que os nativos aceitavam era a conquistada pelas armas, com a capitulação total do agressor. Segundo Luiz Pinto, o rei e o vice-rei tentavam uma trégua. “É nesse passo da crônica que se verifica haver a restauração nascido da coragem, da decisão e as firmeza de André Vidal”. Na tentativa de suspender a luta com os batavos, o vice-rei endereçou uma enérgica recomendação a Vidal, que respondeu de forma altiva e patriótica. Na carta, os chefes rebeldes, Vidal e Martins Soares Moreno, demonstram que, se o rei de Portugal continuasse com o propósito de dar trégua aos holandeses, eles iriam à procura de qualquer príncipe católico a fim de auxiliá-los, relatando inclusive a perturbação e inquietação de muitos nativos ao saber que o rei consideraria “ruins vassalos” os que continuassem na luta contra os flamengos, muitos chegando a pensar em matar suas filhas e esposas para não vê-las em poder do inimigo. Esta carta seria um “grito de rebeldia e de coragem, contra a covardia lusa, a frouxidão de D. João IV, preferindo perder 8 províncias da sua grande colônia a ter de lutar um pouco mais para desenraizar os flamengos invasores”.

A esta altura, Recife já estava sitiada. Com a junção das tropas de Dias, Camarão e Vieira, Vidal assume a “direção geral de chefe supremo das operações militares”. Na primeira batalha dos Guararapes, Vidal ficou na reserva. “Era o homem das horas difíceis, o que traçava, o que executava”. Com o desenrolar do combate, Vidal assumiu o comando. Os flamengos foram derrotados na 1ª batalha dos Guararapes, “onde a bravura da raça brasileira, em plena formação, se marcava proficientemente”. E sobre a ação de Vidal, afirma-se: 
“A influência do mestre de campo André Vidal de Negreiros foi tão evidente, não só no traçar planos certos e tática perfeita como no comandar e avançar à vanguarda, com o destemor de um guerreiro romano”.
Na 2ª batalha dos Guararapes, Vidal foi o comandante dos terços. Segundo Luiz Pinto, antes da batalha, discutia-se o método de acometer o inimigo. Várias opiniões surgiram, mas foi vitorioso o ponto de vista de Vidal: atacar o inimigo, violentamente, partindo do engenho velho dos Guararapes: (...) Os luso-brasileiros não perderam um momento: atacam ferozmente. Vidal avança alucinadamente pela encosta, flanqueado por Antônio Silva e Cardoso. Figueirôa, intrépido, na retaguarda. Vieira, audaz e valente, firma-se a raso, sobre o Boqueirão, com 800 homens, flanqueado por Henrique Dias e Diogo Camarão [sobrinho de Felipe Camarão, que havia falecido]. (...) Derrotados, aniquilados mesmo, os holandeses foram perseguidos até o fim sem nenhuma ação militar. A vitória rolou dos montes Guararapes envolta nos farrapos dos pavilhões inimigos, às pontas de lanças de Vidal, Vieira, Camarão e Henrique Dias.

Após a 2ª batalha dos Guararapes, a situação do Recife era muito difícil para ser sustentada pelos holandeses. A Holanda ainda tentava um entendimento com Portugal, mas já haviam passado quase três anos da última batalha. “Vidal estava inquieto. Queria completar a obra de limpeza”. O auxílio do rei de Portugal estava tardando, até que em fins de 1653, surgiu na costa a grande esquadra tão prometida e esperada. Vidal insistia em terminar o que haviam iniciado, expulsando definitivamente os holandeses de “sua nação”. “Vendo Barreto que a razão estava com Vidal, resolveu, com ele e outros companheiros ilustres, traçar o plano de ataque. Traçado e cumprido”. Poucos dias depois, os holandeses capitularam. É relevante perceber a mensagem incutida nestes últimos acontecimentos: Ninguém estava disposto a continuar a luta pela restauração; apenas Vidal (sempre ele). que queria continuar sua “obra de limpeza”. Insistiu tanto nesta meta que foi atendido: e, mais uma vez, estava certo, pois a vitória dos brasileiros, patriotas e católicos foi definitivamente garantida.

Após longas negociações e forte pressão por parte dos holandeses, finalmente um acordo de paz foi assinado em 1661, “com vergonhosa situação para Portugal e prejuízo para o Brasil”, segundo Pinto. Por intervenção da Inglaterra, foram fixadas as seguintes condições: indenização de 400.000 cruzados por ano, em dinheiro ou em açúcar, sal e tabaco; restituição às Províncias Unidas de toda a artilharia que se encontrasse no Brasil; liberdade de comércio para os holandeses. Ao Brasil, coube uma indenização de 120.000 cruzados, além de 20.000 para dote da infanta que se casou com Carlos II. Essa condescendência de Portugal diante das pressões holandesas e inglesas, segundo Pinto, desvirtuou o sentido da vitória, conquistada pela valentia dos brasileiros, e que lhes custou vidas e imensas fortunas, pois, naquele momento, preferiam a colonização lusa, principalmente por motivos de religião. Como não poderia deixar de ser, Vidal não concordou com as injustas condições do acordo de paz:
“Essa frouxa transigência, que não foi dos nossos heróis, desvirtuou a vitória das batalhas dos Guararapes. Contra ela Vidal de Negreiros quis se opor, mas era uma condição aceita pelos superiores lusos, sob cuja cúpula vivia o Brasil, e seria assim baldada qualquer indisciplina ou reação. Se por esse miserável preço, que os judeus holandeses exigiam com faca nos peitos, conseguimos uma paz definitiva, (paz para eles, na Europa, pois a nossa se argamassou com sangue), e ninguém seria capaz de alterá-la dentro das nossas fronteiras. Valha-nos ao menos esta certeza.”.
No início de 1655, Vidal viajou a Lisboa. Encontrou a Corte em festa, não só pela vitória brasileira, mas também pelo aniversário do rei. D. João fez questão de abraçar o mestre de campo da vitória, estreitar nos braços o guerreiro impávido, que derramou o sangue por várias vezes, que, à maturidade, via-se aleijado de uma perna, mas altivo e varonil. Pois dos 45 anos de idade, quando se achava na Europa, Vidal já contava 27 anos de guerra.

Após dias em Lisboa, Vidal retornou ao governo do Maranhão. Acerca do governo no Maranhão, Sérgio Buarque de Holanda atribui a seguinte citação ao padre Antonio Vieira:
 “Vidal é talvez o único, antes de Gomes Freire, que não procura explorar o braço indígena, e que castiga os motins não por motivos pessoais (como os outros) mas por espírito público. Vai logo embora. ‘Teria salvo a Índia’ - diz o Padre”.
Em face da ida de Barreto de Menezes para o governo da Bahia, Vidal foi escolhido governador de Pernambuco. Porém, não tardou para que Vidal e Menezes entrassem em choque, pois o paraibano não aceitava as imposições da Bahia. Neste momento, Portugal lutava contra a perspectiva de uma luta em Angola, onde se encontrava Fernandes Vieira. Assim, foram trocados os governadores, indo André Vidal para Angola, onde rapidamente consolidou boa política de paz para Portugal. Após mais uma vitória, Vidal queria recolher-se à vida privada.
“Vidal tinha sido um homem de guerra, um homem sem amor, sem uma afeição feminina. A guerra absorveu-o totalmente na melhor fase da existência. Perdera os pais, de cujo contacto se afastara aos 18 anos; as afeições que conquistara foram afeições de guerra. Homem desprendido, sem se preocupar com a sua vida particular, achava ser tempo de afastarse da luta à tranqüilidade da velhice.”.
Todavia, isto não lhe foi possível: Pernambuco passava por uma luta política entre diversas classes de agricultores, comerciantes e soldados. Em 1666, Vidal assume, pela segunda vez, o governo de Pernambuco. No interregno desses conflitos, finalmente pôde Vidal “despertar para a vida”, vivendo em paz os anos que lhe restavam. Na sua velhice, realizou uma verdadeira obra social, deixando grande parte dos seus bens para o “amparo à velhice, à orfandade e aos desvalidos”. Vidal seria “um herói sem empáfia”, que teria recusado todos os oferecimentos que lhe foram feitos, posto à margem comendas, prestígio, glória, tudo, para ajudar aos mais necessitados, o que ressaltaria ainda mais “a sua compreensão de homem público e patriota”.

O seu amor concentrou-se à pátria. Foi um peregrino do civismo, um mago da fé. Fez-se guia do seu povo, sem nunca haver esmorecido, nem recusado, nem temido. Enquanto sentia a pegada do inimigo no chão do Brasil, aí esteve a cobri-la, a apagá-la. Ou morreria na luta ou tangeria os invasores insolentes que menosprezavam a sua religião. O destaque da personalidade de André Vidal avulta em todos os documentos históricos. Fora um soldado brioso, um homem feliz. Sua vida é uma equação cívico-militar, um panorama de lealdade, patriotismo e amor à fé. É o que se sente ao traçar o roteiro da guerra holandesa no Brasil, desde a invasão da Bahia até à de Pernambuco.


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