domingo, 24 de março de 2019

A Ação dos Paulistas e de Alexandre de Gusmão na Fixação das Fronteiras Brasileiras ao Sul

O historiador inglês Robert Southey não hesita em sustentar que, indemarcadas, as fronteiras ao Sul, “esta incerteza era favorável aos portugueses – que tinham nos paulistas homens capazes de alargar-lhes os domínios como não o sabiam fazer os colonos de Castela”, E se eles não deram o extremo Sul ao Brasil foi porque não encontraram quem os estimulasse para isso, ao passo que a aventura das minas os tentava para o Oeste. Quando foi o momento oportuno de defender a margem do Prata, os paulistas se encontravam formalmente combatidos pelas gentes da metrópole.

Apesar de tanto acontecer, se de todo não fracassaram as tentativas ali, a eles muito se deve. Se o atual Paraná foi São Paulo por quase todo o período colonial, é que pelo paulista se conquistou, e desbravou, e colonizou a terra. Em 1660, já estão estabelecidos em Paranaguá e campos de Curitiba os paulistas João de Araújo Gabriel de Lara, Salvador Jorge Velho... Logo ao entrar do século XVIII, Brito Peixoto e Sebastião Guerra com toda sua parentela: Magalhães, Meneses e Vasconcelos, Barbosa, Lemes, Prados e Raposo Góis.... dos velhos troncos paulistas, conquistam ao gentio carijó a ilha e a costa de Santa Catarina, e criam o estabelecimento de onde se irradia o povoamento de toda província. Fazem mais: armam, a sua custa, uma expedição por mar, em sumacas, e levam as suas explorações até a lagoa dos Patos e depois aos denominados campos de Buenos Aires, assegurando o domínio lusitano sobre todo aquele território.

Em 1680, funda-se a colônia do Sacramento, para levar o Brasil até o Prata... E tudo resultou naquela sucessão de desastres. Salvou-se, depois, o que é hoje o Rio Grande; para tal efeito, porém, mais concorreu a ação dos Paulistas, transcorrendo as terras, povoando-as, do que tudo que a metrópole decrépita acumulou em desazos.

Pode-se dizer, que quem deu a Portugal o faro daquele Sul foi um Paulista, o grande Fernão Paes Leme: os castelhanos e os seus índios adiantaram-se até onde os paulistas consideravam do Brasil, e o bandeirante, “descendo da cidade de São Paulo com muitos naturais intrépidos e esforçados, os quais, apresentando batalhas aos castelhanos e seus confederados, por várias vezes lhes fizeram viva guerra. Constrangidos do ferro, e temido da mortandade, desalojaram de muitas aldeias, e se retiraram para os seus domínios perseguidos, fugindo maltratados”.

Bastava que o Estado português aproveitasse essa tradição, em vez de entregar o caso às suas tropas degradadas, e o Brasil estaria onde o quiseram levar depois. Finalmente, salvou-se a parte onde se imprimiu o traço dos bandeirantes. Em 1703, o paulista Domingos da Figueira fez a viagem até o sítio da Colônia, e consignou-a em roteiro completo, com todas as indicações e descrições subsidiárias. Aí, já ele assinala – que em St. Marta há povoamento e criação de gado, pelo brasileiro Domingos de Brito. Capistrano, em comentário, referindo-se a esse roteiro, nota: “Os paulistas poderiam ser encarregados de fazer um caminho menos longo e menos exposto ao inimigo do que o usado até então. O interesse, porém, visava a outro ponto e resumia-se todo nos lucros auferidos do contrabando com os espanhóis”.

Todavia, ao passo que os representantes do Estado português inutilizavam a tentativa, e estragavam a mesma posse militar, os Cosme da Silveira e Antonio de Souza estabeleciam as primeiras fazendas de criação, nos campos de Viamão e Capivari. Foi isto, aproximadamente, em 1717. Pouco depois, com os outros Paulistas, abria-se a estrada ainda hoje seguida pelas tropas – de São Paulo ao Rio Grande. Anos depois, quando foi preciso salvar, ali, a tradição brasileira, vigorosamente combatida por Ceballos, valeram especialmente os destemidos esforços dos Paulistas – fundando e mantendo a colônia de Iguatemi, explorando e garantindo a posse dos campos de Guarapuava, ao mesmo tempo que cortavam todo aquele Sul de estradas, por onde pudessem acudir prontamente, em boa estratégia, os reforços militares necessários.

O ministro português Lopo de Saldanha, que até nos parece exceção de lucidez, na sua gente daqueles tempos, quando procura o remédio possível para a mísera situação do Sul (Colônia do Sacramento), manda que recorram aos paulistas “que com o só provimento de pólvora e chumbo têm penetrado e descoberto a maior parte do Brasil”. O ministro português evocava uma tradição viva: bastou que se falasse na ida de Paulistas para ali, e a onda de tapes e castelhanos estremeceu.

Num dos piores momentos dessa campanha, chegou a combater um exército de Paulistas que acorreram para libertar a Colônia, cercada e ameaçada pelos castelhanos de Buenos Aires.


Alexandre de Gusmão e a Colonização Açoriana 

Em 1740, um brasileiro de São Paulo, foi nomeado escrivão da puridade (secretário particular do Rei), Alexandre de Gusmão. Sua influência cresceu e ele praticamente passou a dirigir a política externa portuguesa neste período.

De formação racionalista e em consonância com o poderoso Marquês de Pombal, eis um antecedente do que virá a ser o Castilhismo, pode, assim, dar início ao seu plano de assegurar em definitivo as fronteiras do Brasil. Ao contemplar o estabelecimento de colonos nas províncias meridionais, preconiza uma nova forma de colonização, por intermédio de famílias que produzissem, sem mão de obra escrava.

As ilhas dos Açores sofriam um excesso populacional, o que já havia forçado a emigração de muitos. O recrutamento de colonos nessa região foi, portanto, uma solução para os açorianos e também para o governo português, que precisava povoar efetivamente o sul do Brasil. Quatro mil famílias deveriam ser mandadas, embora jamais tenha se chegado a essas cifras.

A Coroa ofereceu uma série de vantagens a esses colonos: passagem gratuita e todas as facilidades para o estabelecimento na nova terra. Cada família recebia um pequeno lote de terra, um mosquete (arma de fogo), duas enxadas, um machado, um martelo, duas facas, um podão, duas tesouras, um serrote, duas verrumas (furador), dois alqueires de sementes, duas vacas, uma égua, além de um fornecimento de farinha suficiente para u m ano. Os colonos cultivaram a terra, desenvolveram a cultura do trigo e da vinha e fundaram vilas. Uma delas, se estabelece à beira do Rio Guaíba, os primeiros sessenta casais que fundaram o 'Porto dos Casais', atual Porto Alegre. Assim, nas províncias meridionais do Brasil, formou-se um núcleo de população branca muito maior do que no resto da colônia.

Em 1746, quando começaram as negociações diplomáticas do que viria a ser o Tratado de Madrid, Alexandre de Gusmão já possuía os mapas mais precisos da América do Sul, que encomendara aos melhores geógrafos do Reino. Era um dos trunfos com que contava para a luta diplomática que duraria quatro anos (1750).

Alexandre compreendeu que a Coroa Espanhola jamais reconheceria Colonia do Sacramento como possessão portuguesa, porque lhes prejudicava o tesouro, ante o contrabando que afluía no rio da Prata. Além disso, descobrira-se ouro no Brasil, não era preciso entrar em conflitos por causa da prata de Potosí. Como compensação, já tinha em vista as terras convenientes à coroa portuguesa: os campos dos Sete Povos das Missões, Oeste do atual estado do Rio Grande do Sul, onde os portugueses poderiam conseguir grandes lucros criando gado.

E assim incrementou a imigração açoriana, entre 1748 e 1753, com um grande contingente que se estabelece do litoral de Santa Catarina ao Rio Grande de São Pedro, reforçando a presença portuguesa na região. Incentivando a "colonização por casais", constituída por famílias campesinas .

Esse tipo de migração foi totalmente original no conjunto de nossa colonização e só foi possível por não serem essas áreas produtoras de gêneros tropicais de grande valor comercial. No litoral sul, formaram-se pequenas propriedades em contraste com o restante do país.

Alexandre de Gusmão e os núcleos de colonização açoriana

Finalmente, em Madrid, a 13 de janeiro de 1750, firmou-se o tratado: Portugal cedia a Colônia do Sacramento e as suas pretensões ao estuário da Prata, e em contrapartida receberia os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul (território das missões jesuíticas espanholas), o atual Mato Grosso do Sul, a imensa zona compreendida entre o alto Paraguai, o Guaporé e o Madeira de um lado e o Tapajós e Tocantins do outro, regiões desabitadas e que não pertenceriam aos portugueses se não fossem o tratado.

Foi meio continente assegurado a Portugal pela atividade de Alexandre de Gusmão. Para a região mais disputada, o Sul.

O tratado foi admirável em vários aspectos. Determinou que sempre haveria paz entre as colônias americanas, mesmo quando as metrópoles estivessem em guerra. Abandonou as decisões tomadas arbitrariamente nas cortes europeias por uma visão mais racional das fronteiras, marcadas pelos acidentes naturais do terreno e a posse efetiva da terra. O princípio romano de uti possidetis deixou de se referir à posse de direito, determinada por tratados, como até então tinha sido compreendido, para se fundamentar na posse de fato, na ocupação do território: as terras habitadas por portugueses eram portuguesas.

Entretanto o tratado logo fez inimigos: os jesuítas espanhóis, expulsos das Missões, e os comerciantes impedidos de contrabandear no Prata. 

Um novo acordo — o de El Pardo —, firmado em 12 de fevereiro de 1761, anulou o de Madrid. Mas as bases geográficas e os fundamentos jurídicos por que Alexandre tanto lutara em 1750 acabaram prevalecendo e, em 1777, aqueles princípios anulados em El Pardo ressurgiram no Tratado de Santo Ildefonso. A questão foi ainda objeto de novo tratado do Pardo, a 11 de março de 1778.

No final do século XVIII, quase todo o sul estava incorporado ao domínio português, predominando, no litoral, as pequenas propriedades agrícolas e, no interior, as grandes estâncias. Os açorianos reforçaram a presença portuguesa de Santa Catarina ao Prata, contribuindo para o predomínio da língua portuguesa sobre a castelhana. Com eles, foram criados núcleos de resistência à expansão espanhola proveniente do Prata. Além disso, introduziram seus costumes, artesanato, hábitos, diversões e religião, fortalecendo a cultura portuguesa no Continente do Rio Grande de São Pedro.



quarta-feira, 13 de março de 2019

A Regionalização como fator de Integração e Desenvolvimento Nacional

"Não temos mais problemas regionais; todos 
são nacionais, e interessam ao Brasil inteiro."
Getúlio Vargas  


O IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, foi criado em 1938 por Getúlio Vargas, afim de auxiliar a administração pública por intermédio de uma concepção científica de Estado (Princípio Castilhista de Tecnificação do Estado).

O IBGE por razões didáticas, delineou o Brasil em regiões geo-astronômicas, e não étnicas como propugna alguns ignorantes. A regionalização foi concebida por Getúlio, como planejamento de Estado para a integração de todo o país ao projeto de desenvolvimento econômico, centrado na industrialização e comandado pelo governo federal.

Como extensão desse planejamento, Getúlio implementou a Marcha para o Oeste, que contemplava a ocupação dos imensos vazios populacionais no interior do Brasil. Para isso, criou em 1943 os Territórios Federais de Iguaçu, Ponta Porã, Guaiporé, Acre, do Rio Branco (atual Roraima) e Amapá. Continuação do projeto de Floriano Peixoto de resguardar as fronteiras brasileiras, quando contemplava a criação de cidades militares ao longo da fronteira e a distribuição de terras para os ex-combatentes da Guerra do Paraguai. Getúlio foi além, criou territórios federais com a posterior criação de cidades planejadas nesses territórios, que teria na cidade de Ceres, em Goiás, seu projeto piloto.

O planejamento regional, visava assim desenvolver as regiões brasileiras, integrando o país, de modo a traçar planos estruturais como ferrovias, estradas, fundar cidades.... povoar e civilizar as terras brasileiras. Projeto, a grosso modo, abortados com a deposição de Getúlio, e o fim do Estado Novo. A guisa de menção, tal como Floriano contemplava dotar os ex-combatentes da guerra do Paraguai com terras na fronteira, Getúlio distribuiria terras na Amazônia aos "soldados da borracha", os fixando no imenso vale amazônico, com sua deposição, restaram desamparados.

Note: em 1913 a Bahia era situada na região "oriental", S. Paulo ao sul. Em 38, a Bahia é situada a Leste, em 43 como Leste Setentrional e em 1950 Leste juntamente com MG, RJ e ES. Em 69, S. Paulo passa a integrar o sudeste e a Bahia o nordeste. 


De modo que as regionalizações traçadas pelo IBGE não são estáticas, nem devem ser, cumpre o papel de traçar cenários destinados a políticas unificadas pelo governo federal a dadas áreas.

Em 2002, com Lula, ante uma retomada de investimentos em infra-estrutura, o plano traçado por técnicos (tão ao gosto castilhista) do BNDES, do MP – Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e o MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,  foi tirado do papel, após exaustivos debates em Brasília com os ministérios setoriais, percorrendo todos os estados da federação, discutindo os resultados com o governo local, empresariado, universidades, terceiro setor, de forma a convergir para uma proposta que incorpora-se as demandas tópicas de projetos estruturantes.

E assim, definiram os "eixos regionais" mediante três critérios: transportes, energia e telecomunicações. Desses, os meios de transportes são os mais importantes, levando em conta os já existentes e potenciais, com sua respectiva área de influência. Se segue a eles, os serviços de energia e telecomunicações.



Visavam assim que os serviços advindos da infra-estrutura deveriam ser oferecidos ao setor produtivo de forma conjugada. Os eixos procuravam integrar as diversas economias regionais e melhor articulá-las entre si e com os mercados internacionais, proporcionando uma visão nacional para o planejamento, ao mesmo tempo em que o diagnóstico e as ações preconizadas são espacialmente referenciados. Além disso, permitindo uma abordagem geo-econômica, que difere da tradicional divisão geo-política do país.

 Duas características fundamentais nortearam a elaboração do portfólio:
  1. Primeira, a certeza de que a atratividade desses investimentos para o setor privado é fundamental para estabelecer a necessária parceria para sua implementação. Esta é uma postura pragmática haja vista a pouca disponibilidade de recursos de origem fiscal para dar conta do programa de investimentos ressaltado no estudo. Trata-se, portanto, de planejamento indicativo e não de voluntarismo dissociado da realidade.
  2. Segunda, a noção de que ele não engloba todos os investimentos necessários ao país, mas tão-somente aqueles estruturantes, capazes de alavancar outros investimentos e o próprio desenvolvimento das regiões em que estão inseridos.
A integração nacional, advinda da inserção dos espaços até então menos desenvolvidos à economia nacional, seria capaz de engendrar um novo ciclo de crescimento no país.

Foi dessa forma que projetos como a construção de hidrelétricas, linhas de transmissão, a transposição do rio São Francisco, a ferrovia trans-nordestina, a ferrovia Ferro-Norte, a rodovia trans-oceânica, a nova base de submarinos no RJ, a industria naval, de par com seus estaleiros e a Petrobrás, fizeram ocorrer um surto econômico no país. E não só, um "crescimento baseado no consumo" (oque também foi implementado acertadamente), como repetem os que reverberam as mentiras da imprensa hegemônica. Oque resultou na crise, foram as baixas nos preços das commodities, e PRINCIPALMENTE a operação Lava-Jato que paralisou todo processo, juntamente com o congresso paralisado pela oposição (PSDB-DEM-PMDB et caverna).

Oque importa dizer é que o planejamento regional esta intrinsecamente interligado a um plano nacional, que só se opera em governos desenvolvimentistas. Oque explica os longos hiatos desde a derrubada de Vargas a Jucelino, de Goulart a Geisel, e deste ao Lula. Para ficar claro, não estamos dizendo que governos como: JK, Geisel e Lula, foram nacionalistas, apenas que, inegavelmente, nesses períodos houve investimentos no desenvolvimento nacional.

Tal como Getúlio operou em 38, com a criação dos territórios federais, esse tipo de medida conjugado com o plano de integração nacional, propiciaria a criação de novos Estados a serem criados ou anexados por outros. É o caso do norte de Minas Gerais a ser integrado ao eixo do São Francisco, o triangulo mineiro ao eixo sudoeste, assim como o oeste paulista e noroeste do Paraná, talvez recriando aí o Estado do Iguaçu. E assim, com outros, conforme a conveniência.

Esses projetos, como tendem a serem de médio a longo prazo, só se materializam efetivamente, mediante uma continuidade administrativa. Como explana Borges de Medeiros lamentando o fim da reeleição ilimitada, celebrada no pacto de pedra alta em 1923, como condição do fim das hostilidades entre castilhistas e maragatos:
"...Sinto insuperável inibição abolir dispositivo constitucional relativo reeleições.... A reeleição é um dos pivôs do nosso sistema constitucional e a melhor garantia de ordem pública e de continuidade administrativa." - Borges de Medeiros, 1923.
E aí adentramos no modelo institucional. Somente governos que se projetam no tempo, como foi o caso de Vargas com o Estado Novo, ou de eventuais governos que façam sucessores, esses projetos se concretizam. Adentrando opositores viram cemitérios, como um dentre tantos outros exemplos os CIEPs implantados pelo Brizola. Eleito o gato-angorá (Moreira Franco), os CIEPs foram literalmente abandonados e destruídos.

Daí que somente Estados com instituições políticas fortes, conseguem sustentar e materializar esses investimentos. A URSS só conseguiu se desenvolver, goste ou não, pela mão forte de Stalin, que a industrializou ou como no caso do Japão da éra Meiji.  O princípio da continuidade administrativa, é oque propicia estabilidade necessária para o país se desenvolver. E tanto mais é fundamental, que haja centralização administrativa, sem a qual não seria possível mobilizar as forças produtivas do país. Essas são as lições que a história político-econômica nos ensina.


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01. Marcha Para o Oeste e O Homem Novo.
02. Goiania A Cidade Símbolo da Marcha Para o Oeste.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Clãs Brasilaicos - Fidalgos Guerreiros do Brasil

“Todas as aristocracias guerreiras, sempre 
foram desdenhosas da riqueza e do luxo”.



A representação política na sociedade colonial se fazia representar pela nobreza. Era uma verdadeira aristocracia, onde figuravam exclusivamente os nobres de linhagem aqui chegados ou imigrados e fixados, e seus descendentes; os ricos senhores-de-engenho; a alta burocracia civil e militar da Colônia, e os seus descendentes. Nos dois primeiros séculos de colonização, esse será o regime vigente na vida colonial, o clã parental.

O clã parental, teve, e tem, reflexos e influência sobre a nossa estrutura política. O clã parental é uma organização aristocrática. É uma espécie de Ordem de Cavalaria das grandes famílias dominicais. Foi enorme a sua influência no Período Colonial.

Não se deve cair no anacronismo de confundir a estrutura de clã parental com a eleitoral que posteriormente vigerá durante o império. Era o regime parental, um verdadeiro clã consanguíneo, regido por códigos de honra que abrangia toda parentela. 
"Os acostados da Nobreza eram havidos na conta de parente educados desde a puberdade sob os olhos e direção do seu chefe, auxiliados nos primeiros passos da sua carreira, casados e dotados por ele - sua feitura, como se dizia - e, por toda vida, gloriando-se da sua casa adotiva e prontos a darem a vida pelo amo, de quem se intitulavam "criados", quer dizer: homens da sua criação. Era a mesma idéia que originara a formação do patronato romano, do clã céltico, da comitiva germânica, do patrocínio visigótico, da soberania feudal". - Costa Lobo.
Ao passo que o clã eleitoral, engloba um espectro maior de pessoas, parentes ou não que estejam vinculados a um regime de dependência para com um chefe político. 

O clã era então composto pelas famílias aparentadas, tanto as que se prendem pelos laços da consangüinidade, como pelos da afinidade. Por isto, sempre exorbita a área do domínio-tronco e se estende por vários domínios, e mesmo por municípios inteiros. Normalmente, composto pelos mesmos elementos consangüíneos e afins da família patriarcal: filhos, genros, cunhados, netos, sobrinhos, irmãos, afilhados, crias. 

No período colonial, estas famílias aparentadas eram extremamente solidárias. Todas se sentiam unidas, não só nas lutas privadas, de famílias, como nas lutas contra as autoridades públicas. O talião de sangue se exercia, indistintamente, sobre os elementos da família senhorial, como também sobre os outros elementos do clã parental - desde que fossem partícipes no agravo e se tivessem colocado ostensivamente ao lado do chefe do clã, embora não residissem com ele.

O costume da indivisibilidade do domínio assegurava a permanência dos laços de solidariedade familiar, e assim foi no passado, ainda com mais generalidade e força. Tal como no período colonial, os bens móveis, passam para o filho primogênito - como se ele fosse o próprio patriarca em pessoa: - e toda a família tem assim, na indivisibilidade tradicional dos domínios, a impressão material da sua própria unidade, da sua permanência e continuidade no espaço e no tempo.
"Possuir terras herdadas era sinal de nobreza, devendo o domínio continuar indivisível nas mãos da descendência. Mantinha-se assim o orgulho das linhagens diretas, e o respeito hierático, levado pela sociedade patriarcal desaparecida. Houve como que uma identificação da terra com a família, realizando-se uma espécie de culto aos antepassados, impregnado de um certo animismo fetichista, na representação das pessoas desaparecidas, pelas coisas que lhes pertenceram. Quando morria o chefe, os seus objetos passavam na ordem da importância, isto é, da idade, às gerações dos filhos e dos netos. O gibão de couro era destinado sempre ao filho mais velho, assim como o relógio de ouro, de fabricação suíça, com sua grande corrente e pesada medalha. Vestindo o primeiro em suas campeirações semanais ou usando o segundo nas suas relações da cidade, o herdeiro se reintegrava completamente no seu papel superior do morto, dando muitas vezes a impressão de que, através destes objetos, o chefe desaparecido continuava o comando. O mesmo acontecia com os pertences da cabeça feminina do casal, que iam parar nas mãos das filhas e das netas, desde as jóias antigas, pesadonas, ofuscantes, até as almofadas de bilros para fazer rendas. E foi a propriedade territorial, mantida apesar de irreprodutiva, o elemento mesmo de imposição do interesse moral da ordem antiga sobre a nova, alimentando nas famílias já urbanizadas o orgulho do seu passado rural e aristocrático. Este orgulho, no entanto, está muito longe de ser compreendido como uma arrogância -- e deve ser entendido como uma satisfação quase ingênua de pertencer às linhagens históricas da região"

O clã patriarcal, desenvolvendo a sua função povoadora, se expandia em grupo, localizando-se e fixando-se pelo critério da contigüidade. Ora, este critério de circunvizinhança constituía-se logicamente em condição ideal, dentro da qual o in-breeding iria surgir, consolidando os laços de parentesco: e gerando o clã parental. Daí, desta tendência ao casamento entre parentes, principalmente entre tios e sobrinhas e entre primos e primas - tornarem-se as famílias mais importantes de uma localidade ou de um município, todas elas ligadas pelo vínculo da consangüinidade: e isto era uma razão de consolidação do prestígio social e material da família no período colonial e, no período do Império e ainda hoje, do seu prestígio eleitoral e político. Muito generalizado no Norte, e ainda aí dominante, esta tradição endogâmica o foi também, no período colonial, ao sul.

Tome-se como exemplo Brito Peixoto, que se fixou nas terras do Rio Grande, não só com sua família; mas com todo seu clã de parentes consangüíneos e afins: Barbosa, Lemes, Prados, Raposo Góis, Pacheco, Pinto Bandeira, Silveira, Rodrigues, etc.... todos ramos familiares que se bifurcam. 

Esse entrelaçamento das famílias senhoriais encontrava uma nova força genética no sistema de endogamia. Esta endogamia - que conservamos desde os primeiros séculos, na nossa aristocracia rural - é uma conseqüência deste método de instalação em contigüidade das novas gerações, adotado pelos pater familias senhoriais. Conseqüência do isolamento geográfico, e de uma população ainda rarefeita. 

Em São Paulo, por exemplo, um ouvidor-geral, André da Costa, testemunha que os moradores daquela região "estavam muito aparentados uns com os outros, assim por consangüinidade como por afinidade". Segundo estimativas, baseadas em estudos genealógicos, orbitava em 23,3% na época seiscentista e 42,8% na época setecentista. Uma consangüinidade, incomparavelmente, maior do que o observado em populações européias: França 2%; Inglaterra 3%; Dinamarca 4%; Saxônia 4%; Noruega 6,56%. 

Esse aspecto endogâmico, ilustra que a miscigenação, ao contrário do que se propala, não foi algo generalizado.... mas que se processou de uma forma centrípeta, em que o núcleo endógeno se conservava puro, enquanto a miscigenação se processava fora desse núcleo. 

Daí a nossa tradição rural de casamentos com primos entre si e de tios com sobrinhas - tradição que é a gêmula do clã parental. Tanto ao sul como ao norte, as famílias dos grandes senhores rurais acabaram formando verdadeiras colônias do mesmo sangue - e isto era a base biológica para a organização do clã parental, para a sua consolidação nos costumes e para essas lutas de famílias, que no período colonial dominaram com os seus tumultos todo o Sul e todo o Norte - toda a nossa terra então colonizada. 

O processo de fixação a terra, seu desbravamento, sua defesa ante o gentio bravio, corsários e piratas que infestavam a costa, impelia que esses primeiros povoadores às armas. Uma Aristocracia de guerreiros e não de plutocratas, os caudilhos do sertão tinham, justamente por isto, a preferência, reservada sempre a toda e qualquer nobreza, para os cargos da governança. Inscreviam-se nos "livros de S. Majestade", exibindo os seus grandes feitos no sertão, as suas mais notáveis gestas de bandeirantes: um maior número de índios acaudilhados, ou uma cópia maior de "peças" apresadas, ou de malocas devastadas, ou de castelhanos desbaratados. O fato de serem pobres ou ricos pouco importava.

Prova disto é o requerimento de Diogo Unhates, de Santos, pedindo ao Ouvidor Pedro Cubas que lhe concedesse, em 1614, sesmaria ao sul:
"Diz Diogo de Unhates, morador na Vila de Santos, escrivão da ouvidoria da Fazenda dessa Capitania que, há perto de quarenta anos, é morador nesta Capitania, em cujo tempo tem servido a S. Majestade com muita fidelidade e verdade em tudo quanto a ela tem sido possível, e assim ao Governador e capitão da terra, ajudando-o a defendê-la dos inimigos ingleses e holandeses, que a vieram saquear e destruir, e assim também dos índios rebelados contra os moradores dela e de que, nos recontros e batalhas que com eles tivera, muitas vezes lhe deram muitas frechadas em seu corpo e uma no braço direito, de que ficou aleijado; e porque tem muitos filhos varões e seis fêmeas de legítimo matrimônio, e como quem é os havia de sustentar e amparar, e não tem terras onde fazer suas roças e mantimentos onde possa trazer seus gados e criações, pede uma data de terras e sesmarias na parte que se chama Paranaguá..."
Era assim que eles justificavam a concessão de sesmarias vastas: exibindo os gilvazes da luta, as mutilações do soldado, o corpo cortado pela espada do normando, do bretão ou do flamengo, ou atravessado pela flecha do bugre. Com isto, eles ingressavam na posse da terra - o que era a principal nobreza, ou nos cargos públicos, que também davam nobreza. De qualquer forma, era a bravura militar que dignificava então o indivíduo - e assegurava-lhe títulos à nobreza e à aristocracia.

Esta "nobreza de espada", foi a que vigeu nos primeiros tempos; esta é que aparecia inscrita "nos livros de S. Majestade"; esta é que era eleita para os cargos da governança. Não o era a "gente mecânica", não o eram os alfaiates, os ferreiros, os carpinteiros, os pintores, os pedreiros, como tais e antes de passarem pela purificação aristocratizante das armas. Como tais - como "mecânicos" - podiam ter figurado nos cargos da governança, nos postos da Câmara; mas, por motivo de força maior, ocasionalmente, transitoriamente, acéfala como se achava esta pela deserção dos eleitos ("por os eleitos terem ido ao sertão"), que eram gente nobre, porque consagrada e aristocratizada pelo valor guerreiro. O preconceito aristocrático subsistia na sociedade bandeirante, tanto subsistia, que o próprio Procurador do Povo, em certa ocasião, verbera o abuso de deixarem entrar na república "homens oficiais mecânicos e gente baixa".

Era então a nobreza paulistana, antes de tudo, uma nobreza guerreira e não de riqueza, como passou a ser nos séculos III e IV com o pastoreio, com as minas e com o café. Esses paulistas, que nas cortes portuguesas, são referidos como efeito de irritante pavor para aqueles que, então, pensavam reduzir-nos à simples condição de colônia.

Depois dessas primeiras gerações, Portugal, degradado em sanguessuga de tributos, vem completar o seu parasitismo com as funestas companhias, que, em monopólios execráveis, devem alimentar os inúteis e abjetos dirigentes de lá; quando Portugal separa as populações com as garantias feitas ao reinol insolente e ganancioso, incapaz de qualquer atividade que não seja a rapina mercantil.

Os bastardos dos Braganças, não só entregaram o monopólio comercial as Companhias, quando quase mataram a própria população portuguesa de fome e feriram de morte suas poucas manufaturas, como transformaram o Brasil em uma Colônia terceirizada da Inglaterra, formando o capital da industrialização anglo-saxônica, mas sobretudo, extinguiram o Direito aos cargos da governança serem  exercidos exclusivamente pela nobreza da terra. Oque motivou os episódios da: Revolta de Beckman, Guerra dos Mascates, dos Emboabas, todos, em reação a perda do status quo

Essa mudança institucional, foi um golpe de morte para a fidalguia brasileira, que perdeu seu poder político para os reinóis, gente sem eira nem beira, que chegava com alguns trapos, e enriqueciam da noite para o dia, com os escambos que arrematavam. Concomitante a perda do poder político, e o declínio econômico, o espirito mercantil prevalece e degrada os valores. Casamentos arranjados com gente de baixa estirpe, a perda dos laços parentais, e a mescla de sangue, antes imaculadas. 

O desfazimento do clã, leva ao fim da contiguidade da propriedade familiar sob o poder de um chefe, e conduz a divisão sucessorial, desarticulando a estrutura da família e, em conseqüência, o fim do clã parental, que se baseavam, uma e outro, nesta continuidade e nesta unidade ideal.



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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O Plano Kalergi e a Criação de uma Casta do Poder Mundial



O Nacional-Socialismo alemão, não inovou quanto as teses racialistas, apenas as aplicou de forma mais ostensiva como política pública. Muitos positivistas, anteriores a qualquer movimento nazi-fascista, encampavam as ideias evolucionistas, e propugnavam a aplicação de uma política populacional, que em maior ou menor grau foi implementado pelos EUA e demais países. A Noruega, a guisa de comparação aplicou políticas eugênicas até meados da década de 70. 

Findo a II Guerra, essas idéias foram escamoteadas do cenário científico sob a pecha de "racismo". Curiosamente grandes corporações ligadas a notórios banqueiros, aprofundaram as pesquisas genéticas das populações..... com que fim? E por que?

Mesmo velado, o grande volume de informações, na atualidade, advindos de pesquisas e descobertas genéticas, confirmam oque os estudos da década de 30 já denunciavam. E jogam luz sobre oque esta por trás da promoção, dessas corporações, de movimentos LGBTs, abortivos e imigratórios.

Em "Mein Kampf", Hitler reproduzia oque os teóricos evolucionistas enalteciam como fator de civilização, a capacidade gregária, de solidariedade:
“Nos seres mais primitivos, o instinto de conservação não vai além da preocupação com o próprio "eu". O egoísmo [....]Enquanto, porém, o instinto de conservação se manifesta apenas desta maneira, falta lhe completamente a base para a formação de uma comunidade [...]a comunhão entre o macho e a fêmea exige uma extensão do instinto de conservação, pelo cuidado e a luta que, além do próprio "eu", inclui também a outra metade. O macho, às vezes, também procura alimento para a fêmea; o mais freqüente é eles ambos procurarem-no para os filhos. Um protege o outro, de modo que aqui se verificam as primeiras formas, embora infinitamente elementares, de um espírito de sacrifício. [...]No momento em que este espírito de sacrifício ultrapassa o quadro estreito da família, estabelecem-se as condições para a fundação de maiores agremiações e, enfim, de verdadeiros Estados.
Os povos mais atrasados da terra têm essa qualidade muito apagada [....] Quanto mais aumenta a disposição a sacrificar interesses puramente pessoais, tanto mais se desenvolve a capacidade para erigir comunidades mais importantes.
É o ariano que apresenta, do modo mais expressivo, essa disposição para o sacrifício do trabalho pessoal, e, sendo necessário, até da sua própria vida, que arrisca em favor dos outros. Por si mesmo, o ariano não se caracteriza por ser um homem mais bem dotado intelectualmente, mas, sim, pela sua disposição em pôr todas as suas faculdades ao serviço da comunidade. [....]Só depois de trabalhar pelos outros, recebe ele novamente a parte que lhe toca. Não trabalha mais, diretamente para si, mas incorpora-se, com o seu trabalho, no quadro geral da coletividade, visando, não o seu proveito mas sim o bem de todos.
Tal disposição, que faz ceder o interesses do próprio "eu" à conservação da comunidade, é realmente a condição indispensável para a existência de toda civilização humana. Só ela pode criar as grandes obras da humanidade, que ao fundador pouca recompensa trazem, as maiores bênçãos porém às gerações futuras.”

Note que é algo completamente antagônico as teses individualistas pregadas pelos liberais. Essa aptidão ao sacrifício, não é algo meramente valorativo ou cultural, esta intrinsecamente ligado a uma questão biológica, e não a aspectos espirituais, morais, ou outras tolices como pregam alguns. E a ciência, atualmente, comprova. O segredo reside na ocitocina. Esse é o hormônio do “amor”, que, por exemplo, atinge picos numa mãe que amamenta, criando o forte vinculo materno. Que gera maior empatia entre membros de um mesmo agrupamento humano. Todos os seres gregários, que vivem em comunidade, tendem a ter um nível de ocitocina elevado. 

Essa diferença de nível de ocitocina, pode ser facilmente observável entre cães e gatos. Cães são mais gregários do que os gatos, vivem em matilhas, ao passo que os gatos tendem a ter um comportamento mais solitário. Isso se explica pela diferença de nível de ocitocina entre ambos. Uma pesquisa realizada por Paul Zak para o documentário da BBC “Cats V. Dogs”, mostrou que após serem afagados, os níveis de ocitocina nos cães aumentou em 57%, nos gatos, apenas 12%.

Leões também apresentam maior nível de ocitocina, oque explica seu comportamento gregário, diferente de outros felinos como tigres e onças, de comportamento solitário.

Esse hormônio é presente também em humanos, e seus níveis variam conforme a raça, e mesmo entre indivíduos de uma mesma raça. Indivíduos com baixos níveis de ocitocina tendem a ter comportamentos mais individualistas, não se vinculando a um grupo, e apresentam comportamento egoísta. 

Indivíduos com maiores níveis de ocitocina tendem a terem relacionamentos monogâmicos, são mais confiáveis, resultando em um comportamento etnocêntrico, aumentando a empatia do grupo com uma tendência a rejeição de pessoas de fora, oque pode ocasionar em xenofobia. Sendo mais solidários entre si, e possuem um vínculo social mais forte. 

Existem estudos indiretos, realizadas nos EUA, entre pessoas brancas e negras, que demonstram que os brancos apresentam maiores níveis de ocitocina do que negros. 

De modo que pode, e há casos de indivíduos brancos com baixos níveis de ocitocina, que porém, não correspondem a média geral. E é esse tipo que na Alemanha se chamava: "untermensch" e que tão comumente é retratado como contra-propaganda por Hollywood. Elementos desajustados, sem empatia pelo próximo, predispostos a violência gratuita, de baixa capacidade intelectual, quase sempre egoístas, todos os atributos repudiados em um homem são, necessário para erigir uma civilização superior.


Essas diferenças parecem jogar luz sobre o que esta por trás do Plano Kalergi, promovido pela oligarquia mundial, que visa o extermínio da raça branca. O Plano Kalergi leva o nome de seu idealizador: Richard Coudenhove Kalergi. Em seu livro “Praktischer Idealismus”, Kalergi indica que os residentes dos futuros “Estados Unidos da Europa” serão um tipo de sub-humanos, produtos da miscigenação. Declara que os europeus devem se cruzar com outras raças, menos inteligentes, e assim se tornarem mais facilmente manipuláveis por uma elite governante que se conservará fora do processo. 

A promoção de movimentos LGBTs e campanhas pró Aborto, tem o fito de baixar a taxa de natalidade, concomitante ao incremento imigratório. Condenando a raça branca ao extermínio. Agravado pelo baixo nível intelectual dessas gerações futuras. Ao passo que essa oligarquia se mantem apartada desse processo, se convertendo numa casta a subjugar uma massa de escravos. Se antes as políticas eugênicas visavam o bem estar público das gerações futuras, com populações mais saudáveis e mais aptas. Na atualidade, oque se tem é uma oligarquia a manejar justamente o contrário, inferiorizar a massa populacional e restringir os beneficios de melhoria eugênica para uma pequena casta que domina o planeta.

O resultado será uma massa populacional sem coesão, facilmente manipulável, e intelectualmente inferior, incapaz de qualquer reação contra seus algozes.


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sábado, 22 de dezembro de 2018

Do Keltico ao Galaico-Português, A Língua dos Brasileiros.

"Conservando nossa língua, ecoamos as vozes de nossos ancestrais."


A língua portuguesa merecia melhor tratamento e maior glória do que lhe é conferida na atualidade.  Diferente do castelhano e do "alemão", que são línguas artificiais, inventadas, o português é uma língua histórica, de constituição orgânica que carrega em sua formação marcas "genéticas" de sua origem. Ao mesmo tempo que se trata de uma das línguas mais antigas faladas em todo o mundo. A guisa de comparação, o islandês, tido como a mais conservadora dentre todas as línguas escandinavas e mesmo da família germânica, não vai além de 1540. O português tal como o conhecemos retrocede a 1175 (havendo referencias ainda mais antigas de 1108)!

O francês antigo, bem como o provençal antigo, comparados com o francês, e o provençal falado hoje, são outras línguas. Isso não ocorre com o português arcaico. Este representa uma fase envelhecida do idioma, sem contudo ser outro.

Velho nalgumas formas, arcaico no emprego de muitas palavras, obsoleto na preferência de certas expressões (e diverso na pronúncia, provavelmente), o português dos primeiros tempos é sempre inteligível, porque a gramática é a mesma.  

A língua portuguesa, que melhor seria chamar de: Galaico-portuguesa, nasce no noroeste peninsular. Foi essa a língua falada durante a Guerra de Reconquista contra os infiéis muçulmanos, e fator de distinção entre galaicos e sarracenos, que somado aos seus respectivos credos, os vinculavam a sua nação. Os galaicos, de fé cristã e língua galaica dos infiéis sarracenos, hereges e de língua árabe.

Imagem relacionada
Inscrição Lusitana de Cabeço das Fráguas. Talhada quando da
transição da antiga língua celta para o latim:
OILAM TREBOPALA/INDO PORCOM LAEBO/COMAIA
ICCONA LOIMINNA/ OILAM USSEAM / TREBARUNE INDI
TAVROM/ IFADEM REVE
Em 61 A.C. o latim já era língua corrente no sul da península. Estrabão, historiador e geografo grego, radicado em Roma, observou que os turdetanos, na Bética (atual oeste da Andaluzia), haviam esquecido a sua língua materna (céltica), e se expressavam em latim. Nesse interregno até o séc. V, ocorre o processo de transição da antiga língua céltica para o latim a medida que a romanização avança para o norte. No séc. X, na cordilheira Cantábrica, ainda se registra vestígios da antiga língua.

O latim se espraiou por toda península com a invasão romana, e no Séc. V, com as invasões bárbaras (suevos, visigodos, alanos, vândalos), se intensificou a corrupção da linguagem. Com a invasão árabe, no Séc. VIII, a decadência do latim se acentuou, o latim reduziu-se a uns falares vernáculos, e quase despareceu das Espanhas, como havia de suceder no norte da África. 'Aljamia' chegou a chamar-se o linguajar latino, e era como se dissesse 'o bárbaro', o estrangeiro, em oposição à 'aravia', a língua árabe.

Mas no fim do séc. XI (1097) criou-se o condado portucalense, logo depois elevado a reino por Afonso Henriques. Os sucessos estimularam às oposições religiosas, e os portugueses não quiseram mais falar em árabe. Não podendo volver ao esquecido latim aceitaram a fala barbarizada da gente mais humilde.

No que pese, indubitavelmente, ser uma língua "latina", com forte contribuição do romance, que a torna aparentada as demais línguas neolatinas. O galaico-português manteve substratos de sua origem céltica. De modo que alguns filólogos a classificam como uma língua celto-latina.

Dentre esses substratos, estaria o uso do verbo ser ao invés de ter, em frases possessivas, ex: "a chave é minha". A marcante presença de ditongos decrescentes. São exemplos, e não só, dentre outros, de características presentes nas línguas célticas.

O galaico-português desde então, se conservará, quase que por um milagre, sem maiores transformações.

É esse o idioma que se traslada para o Brasil. No que pese haver à época, oque se designou como: português quinhentista, que é um português mais padronizado e gramaticado. O português que aqui se estabelece, nos primeiros séculos de colonização, é o português nortenho, falado por aldeões e aristocratas rurais, em geral gente iletrada. Somente a camada letrada da sociedade, que basicamente se restringia, aos burocratas do Estado e padres, tinham acesso ao português gramaticado (quinhentista). Embora, com o perpassar do tempo, é ele que se estabelece nos dias atuais. Na população humilde o português arcaico resiste.

O emprego do infinito variável, ainda hoje usado com freqüência na língua popular, atesta sua proximidade com o português arcaico. Se não tivesse empregado o infinito variável , Camões teria escrito uma frase ambígua naquele célebre passo: "Ó Netuno, lhe disse, não te espantes de Baco no teus reinos receberes" (Lusíadas, VI, 15).

Repare como o segundo infinito variável, torna a frase mais leve, e o pensamento mais evidente na seguinte passagem de Alencar: "Nem por isso os outros deixam de continuar o seu giro, e as estações de seguirem o seu curso regular".

O uso do infinito variável, foi muito mais extenso no português antigo, e é mesmo mais notável na língua popular do que no português literário moderno. É um maravilhoso recurso de clareza, ou de ênfase, a que é lícito recorrer mesmo quando a gramática postula o contrário.

Em 1980, o filólogo Ataliba Castillo conta que quando se passou a debruçar sobre as diferenças entre o português falado no Brasil do de Portugal, ao contrário, do que inicialmente se pensava.... que o português no Brasil se distanciava do de Portugal. A verdade, era que o português de Portugal é que se afastara do português do séc. XV, e que se manteve no Brasil. 

Existem depoimentos de gramáticos do Séc. XVI, dentre os quais: Fernão de Oliveira, que ao tentar descrever o modo de falar dos portugueses, dizia que: "o portugueses falam como pessoas de muito ciso, falam lentamente".  Oque destoa do modo atual dos portugueses falarem, que se notabilizam pela contração de palavras, "engolindo" sílabas. 

Esse distanciamento do português de Portugal, teria se processado no séc. XVIII, por influência francesa. Daí não só a tendencia de engolir sílabas no meio das palavras, como o de omitir sílabas finais. Bem como, o abandono, pelos portugueses atuais, do gerúndio, tão empregado no português-arcaico e ainda usual no português do Brasil.

A língua que se fala no Brasil, ainda que transpareçam diferenças da de Portugal, é, em essência, a mesma, pois que se compendia na mesma gramática. Essas diferenças são classificadas como "linguajar" que se alteram mesmo entre estrados sociais de uma mesma localidade, e que de modo algum, distingue como outra língua.

O português dos colonos da alta camada social manteve-se, por isso, com um caráter muito conservador: em 1618, o autor dos diálogos das grandezas dizia que o Brasil era Academia onde se sabia falar bem e que os jovens de Lisboa e doutras partes do reino aí vinham para aprender as boas falas [....] O número de brasileiros que iam formar-se na Universidade de Coimbra aumentava de século: 13 no século XVII e 1752 no século XVIII.

De modo, que, se pode afirmar, que o português do Brasil é mais arcaico e melhor conservado do que o falado em Portugal. E que urge uma melhor preservação do nosso idioma, a exemplo do islandês, que vige uma política linguística formulada desde o século XVIII que proíbe a entrada de palavras estrangeiras, e que no lugar de adotar estrangeirismos, cria neologismos a partir de palavras próprias; além disso, reativa palavras antigas e cria outras baseadas em raízes bem conservadas na tradição linguística nacional.

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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A Infiltração Religiosa, A Fórmula Imperialista para Desfragmentar e Dominar Nações.

“Creio que a assimilação dos países latino-americanos aos EUA será longo e difícil enquanto esses países continuarem sendo católicos.” – Theodore Roosevelt.


Em 19 de outubro de 1596, o navio espanhol San Felipe foi destruído em Urado na ilha japonesa de Shikoku em rota de Manila para Acapulco. O daimiô (equivalente a senhor feudal) local Chōsokabe Motochika apreendeu a carga do galeão espanhol, e o incidente chegou até os ouvidos de Toyotomi Hideyoshi, o Taikō do Japão.

Segundo os japoneses quando o governador enviado por Hideyoshi (imperador japonês) a tussa interrogou alguns membros da tripulação da nau São Felipe, um dos testemunhos foi o do piloto do navio, um tal de Francisco da Finlândia, este supostamente quis impressionar a Masuda mostrando-lhe em um mapa, a grande quantidade de territórios sobre os quais governava seu Rei Felipe II. Ao perguntar-lhe, Masuda, como havia feito Castela para poder conquistar tantos e tão extensos territórios, o piloto lhe disse que primeiro se mandava para essa nova terra os padres e frades, que se encarregavam de converter uma parte da população e suas elites, afim de dividi-los e mais facilmente conquistá-los, quando pouco depois chegassem os exércitos castelhanos, e que desta forma tinham feito no Peru.

Essa conversa foi reportada a Hideyoshi, que reagiu com fúria, pois, confirmou suas suspeitas sobre o real intento da presença de cristãos no Japão. Ordenou então, que todos os missionários no Japão fossem reunidos. Ishida Mitsunari, primeiro entre os Go-Bugyō, esclareceu que a ordem de Hideyoshi era direcionada aos franciscanos que violavam abertamente seu decreto de 1587 - os jesuítas, que eram discretos em sua pregação, foram excluídos. No final, 26 missionários foram crucificados.

Essa foi a primeira perseguição letal de cristãos no Japão. O episódio ficou conhecido como os 26 Mártires do Japão.

A consciência do imperador japonês, de enxergar na infiltração de uma religião estrangeira, um ardil imperialista, livrou o Japão de virar uma colônia, como vieram a ser, quase todos os países asiáticos, incluso a antiguíssima China, e dessa forma, sobreveio um saudável auto-isolamento do Japão.  Por mais de dois séculos e meio, a única presença europeia no Japão, foi um pequeno entreposto em uma ilhota da ilha de Nagasaki, concedido aos holandeses, só permitido despachar um único navio por ano!

Dejima, ilhota, na ilha de Nagasaki. Único posto de contato por
séculos do Japão com o ocidente. 
Essa tem sido a fórmula de fracionar e dominar nações desde tempos idos, não é fenômeno recente. A própria reforma protestante foi financiada por seitas ocultas, para fracionar e dividir países, lhes afastando da influência católica. Tal como sucedeu com a antiga Liga Hanseática, atual norte da Alemanha, em que surge a Reforma Protestante. Mesmo na época, esses reformadores, eram minoritários, ainda hoje, todo sul e oeste da Alemanha era e ainda são católicos.  E por via de subornos, vantagens comerciais e o financiamento de exércitos mercenários, conseguiram se estabelecer nos principados do norte. Igual ardil foi usado em Flandres, originando a Holanda, ainda na época, de minoria protestante. E mais tarde a Inglaterra, igualmente por uma minoria protestante subvencionada por seitas ocultistas. Igual intento tentaram na França, alí, fracassaram, e a França conservou sua unidade.

Passados séculos, a tática não mudou e continua eficiente. Para extinguir as possessões coloniais portuguesas, na África, a CIA introduziu califados mulçumanos na África Austral. E mais recentemente, um dos objetivos da imigração de árabes para Europa é o fortalecimento de comunidades mulçumanas no seio de países Europeus, vivendo uma vida apartada do corpo nacional.

Na Ibero-América esse processo já advém desde a II Guerra, quando os Rockfellers financiaram missionários e o estabelecimento de igrejas Batistas por todo Brasil, concomitante a Lojas Maçônicas,  esse processo ganha força com o neopetencostalismo, e o resultado vemos hoje.

Os elementos advindos dessas seitas, como regra, se desbrasileirizam, se dissociam do Brasil, da identidade brasileira. Embora se digam brasileiros, por uma questão formal, não se identificam com o corpo nacional. E daí passam a se identificar com os EUA, que no seu imaginário, incorpora os valores e o modo de vida que contemplam como ideal. Passam a ser corpos estranhos que infeccionam a alma nacional e que se não forem detidos, levarão a morte do Brasil.

Nossa unidade religiosa foi fator determinante na expulsão dos franceses, que se dividiram, na época, entre huguenotes e católicos, e que embora melhor estabelecidos se enfraqueceram em guerras internas, para melhor proveito dos portugueses firmemente unidos. De igual modo, foi a fé católica que deu a unidade necessária aos brasileiros contra os hereges holandeses. Cumpre a todo nacionalista sincero, se apegar a religião ancestral de sua nação, e rejeitar com veemência toda religião estrangeira como se lhe oferecessem veneno. Pois tomar, significa, além de trair e quebrar o elo com seus ancestrais, cometer o suicídio da nacionalidade.






terça-feira, 20 de novembro de 2018

Bandeira do Brasil, Retrospectiva Histórica e uma Nova Proposta

“Sobre a imensa nação brasileira, nos momentos de festa ou de dor, paira sempre sagrada bandeira, pavilhão da justiça e do amor”.


A atual bandeira do Brasil, foi oficializada em 19 de novembro de 1889, concebida por  por Raimundo Teixeira Mendes, com colaboração de Miguel Lemos, Manuel Pereira Reis e Décio Villares, em substituição a vergonhosa proposta de Rui Barbosa, que copiava a bandeira estadunidense. 

idealizada por Rui Barbosa,
dirá Miguel Lemos:
"cópia servil do pavilhão da 
república norte-americana"
Produto de seu momento histórico, a bandeira do Brasil, herda as cores imperial, verde e amarelo, bem como mantem a configuração retangular embutido um losangolo redimensionado. Manuel Pereira Reis, catedrático de astronomia da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, foi muito feliz ao idealizar a esfera armilar, com estrelas, distribuídas em constelações, representando os Estados federados (21 na época, e que se acresce sempre quando da criação de um novo Estado), que giram em torno da estrela "polaris australis" que simboliza o Distrito Federal. As constelações são as presentes no céu do dia da proclamação da República. Resultando, sem dúvida, em um dos mais belos pendões dentre todas as outras nações do planeta.

Bandeira do Brasil
Flâmula Nacional apresentada por Ramundo Teixeira Mendes e  Miguel Lemos
 em substituição a vergonhosa proposta de Rui Barbosa

No que pese os elogios, desde sua criação, a bandeira foi também objeto de críticas, e houveram projetos de leis com propostas para sua modificação.

O deputado Francisco Coelho Duarte Badaró (MG), em dezembro de 1890, na oportunidade da aprovação da constituição da república, questionou o lema positivista presente na bandeira. 

Floriano Peixoto, chegou a sugerir o brasão da república em substituição ao brasão central da monarquia. 

O Barão do Rio Branco idealizou, sem contudo, oficializar sua proposta, a mudança das cores para vermelho, branco e preto, representando as três raças formadoras, com um sol nascente em substituição a coroa sobre o escudo do império.

O deputado Oliveira Valadão, em setembro de 1892, apresentou o primeiro projeto jurídico de modificação. Sugerindo retirar a esfera celeste a substituindo pelas Armas da República num círculo central, de cor azul marinho.



Em junho de 1908, o deputado Wesceslau Escobar, apresentou um projeto para retirar a faixa central com o lema "Ordem e  Progresso".




Em 1933, com a abertura da nova Assembleia Constituinte, que resultaria na Constituição de 34. O deputado Eurico de Góis, que já houvera proposto em 1908, a modificação da bandeira, substituindo a esfera armilar por uma estrela de cor branca, propôs um novo projeto, apondo a cruz da ordem de cristo tendo em seu centro um timbre circular com a representação do cruzeiro do sul, circundado por estrelas. O projeto foi rejeitado pela comissão constituinte.

Esse episódio é interessante, porque com a Revolução de 30, era um momento oportuno para mudança de bandeira e dos símbolos do Estado, e Getúlio, ao que parece, não quis alteração. Oque denota sua adesão ideológica, representadas nos símbolos nacionais, esboçadas pelos que proclamaram a  República. 


Cronologia Histórica da Bandeira do Brasil.

O Brasil teve como bandeira em sua fase colonial, as bandeiras do Reino de Portugal. 

A primeira bandeira especialmente designada para o Brasil, foi a instituída por Maurício de Nassau para o Brasil holandês (Nieuw Holland). E não a da famigerada e torpe Companhia das Índias Ocidentais (Geoctroyerde Westindiche Compagnie – GWC).


Ao designar armas próprias para o Brasil, bem como outras medidas autonomistas (Nassau quebrou o monopólio da Companhia das Índias Ocidentais, mantendo somente o comércio do açúcar e a extração do pau-brasil, liberando todo o mais) se depreende, que Nassau almejava constituir o Brasil como um Vice-reinado das Províncias Unidas, se constituindo ele próprio Vice-rei. 

Com o fim da União Ibérica, posteriormente, em 1692, D João IV conferiu a seu filho Teodósio o título de "Príncipe do Brasil", instituindo uma bandeira branca ostentando uma esfera armilar. A versão que atribui essa bandeira exclusiva para o Brasil é contestada, pelo fato dessa bandeira ser de uso dos navios mercantes portugueses, os navios de guerra portugueses não a usavam. Se explica que como o Brasil era o principal destino dos navios mercantes, tendeu a se atribuir essa bandeira ao Brasil. 


moeda cunhada no
Brasil em 1695
A esfera armilar advém do pavilhão pessoal de D. Manuel I, que chegou a ser usada com certa freqüência nos navios  durante a éra da expansão marítima que se deu sob seu reinado. De influência cabalista, inspirada no selo de hermes-toth, por influência do astrólogo sefardita Abraão Ben Samuel Zacuto, consultor de D. Manuel I.

A cruz da Ordem de Cristo, igualmente, foi adotada no período manuelino, também de influência cabalista, advinda da Ordem dos Templários, sem qualquer elo com a nacionalidade portuguesa. Foram os templários que trouxeram para o ocidente as heresias ocultistas, do que viria a ser a maçonaria (só fundada formalmente em 1717). A Ordem dos Templários, foi dissolvida, e em Portugal renomeada para Ordem de Cristo, porem subsistiu nela alguns elementos cabalistas, ainda que bem mais "cristianizados", do que era na Ordem dos Templários. D. Manuel sonhava reconquistar Jerusalém, destruir a cidade de Meca e converter todos os mulçumanos e judeus ao cristianismo.

Quando da instituição do principado do Brasil, as primeiras moedas cunhadas pela coroa portuguesa no Brasil, apresentavam a Esfera Armilar (brasão do Brasil ou dos territórios ultramarinos?) entrecortada pela Cruz da Ordem de Cristo (adotada pelo Estado Português), que viria a constar na bandeira imperial.

Reino Unido de Portugal, Brasil e
Algarve (1816)
Em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A Lei Carta de 1816 estabeleceu a insígnia do novo reino, especificando que o brasão de armas do Reino do Brasil deveria ser composto por uma esfera armilar de ouro em um campo azul.

Em 1940, o historiador português Augusto de Lima, trouxe a tona um projeto de bandeira de 1820 (anterior a independência), achada nos arquivos pessoais de D. João VI, encomendada a Debret, muito similar à bandeira do que viria a ser a do império. De fundo retangular verde, com losangolo amarelo, tendo ao centro a cruz da ordem de cristo sobreposta a esfera armilar, emoldurada por ramos de cana e café, tendo em sua base um dragão verde.

Essa descoberta corrobora o receio de D. João VI, com o processo de independência que se alastrava pelas Américas.  E o concelho que deixou a seu filho, D. Pedro I: “Se o Brasil for se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.

Aliado da Inglaterra, Portugal na pessoa de D. João VI, sabia bem que as lojas maçônicas eram extensões do poderio inglês, e que era através delas que se fomentava as falsas independências das colônias espanholas, fazendo-as cair sob julgo inglês. Ante esse cenário D. João VI pelo alvará de 3 de maio de 1818, proibiu o funcionamento de lojas maçônicas no Brasil, sob pena de morte. No que pese a Inglaterra não ter apoiado os esforços dos maçons no Brasil, posto já ter o Brasil, como mercado cativo através de Portugal. Enquanto nas colonias espanholas, o comércio com a Inglaterra era vedado, embora ocorresse amplamente de forma clandestina.

Projeto de Debret de 1820
A situação muda quando a Revolução do Porto, demanda a revogação de livre-comércio do Brasil, e sua perda do status de reino. Oque duplamente, tanto atingia a dignidade real de D. Pedro I, como feria os interesses ingleses, já estabelecidos diretamente no Brasil, sem a intermediação de atravessadores portugueses. Ante-vendo esse cenário, de uma independência feita por maçons, tendo a Inglaterra diretamente como aliada, o perigo de sucesso tornou-se real. Oque certamente influiu na decisão de D. Pedro I, se coroar Rei/Imperador do Brasil, seguindo o concelho de seu pai: “Se o Brasil for se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.

Esse projeto de bandeira de 1820, também joga alguma luz quanto a ideologia que moldou a estética da bandeira imperial. Na heráldica armorial, o escudo feminino é sempre representado por um losangolo, esse também figurava na bandeira dos Habsburgos, casa da qual provinha D. Leopoldina, já então casada com D. Pedro I. O casamento entre D. Pedro I e D. Leopoldina, não foi por acaso, visava buscar alianças com um Estado forte, a fazer contra-peso a sufocante influência inglesa. 

Don Pedro I, usava como insignia pessoal um dragão verde, que figura no projeto de Debret. Provavelmente, também de onde deriva a cor verde do campo da bandeira. Ao contrário do que se propala, ao afirmarem que "a cor verde adviria da casa dos Braganças", na verdade suas cores eram vermelho, azul e branco.

Portanto, esses indícios parecem mais próximos e portanto mais fortes, do que atribuições, que comumente se faz a analogias de estandartes da revolução francesa de cariz maçônico. 

Resultado de imagem para bandeira Garde Nationale

Embora seja, sempre uma possibilidade, que Debret tenha se utilizado de uma estética ambígua, afim de melhor atrair a simpatia de maçons pró-monárquicos.

Em fim, temos a bandeira imperial, oficializada no decreto de 18 de setembro de 1822. Diferente do projeto original, a esfera armilar sobreposta a cruz da ordem de cristo é circundada por um círculo estrelado de campo azul, aposto em um escudo de estilo inglês, ornado por um ramo de café e fumo, unidos por um laço vermelho, e tendo como timbre a coroa imperial de D. Pedro I.


Uma Nova Proposta.

Voltando a querela de propostas de alteração da bandeira brasileira, esse que vos escreve julga conveniente algumas observações.

O nome "Brasil", é celta, e significa vermelho, soa embaraçoso não ter nenhum vestígio de vermelho na bandeira que o representa. Assim, cremos que uma bandeira brasileira deveria ter predominantemente a cor vermelha.

A esfera armilar, desde a outorga do título de Principado do Brasil, tem sido seu brasão, contudo, não chega a ser um símbolo nacional, além de sua origem cabalista, também foi usado por outras colonias portuguesas, e desde sua instituição representou uma época negra, quando o Brasil foi entregue a companhias, que passaram a extorquir os brasileiros, essas mesmas companhias que faziam uso da esfera armilar. Julgamos mais conveniente e legítimo o primeiro, e portanto mais antigo, brasão de armas do Brasil.

Esse brasão de Armas é oque em heráldica chama-se: "escudo falante", por representar literalmente a denominação do pertencente.  Sua representação, também, não chega a ser original, é uma reprodução do escudo de Sobrarbe, adotado por associar o nome Brasil, creditado a arvore de pau-brasil, ao nome oficial: Terra de Santa Cruz. No caso a arvore figura sobre um campo prata (branco).

O dragão como parte da heraldica luso-brasileira. O dragão esta presente desde tempos imemoriais na Lusitânia antiga, designada pelos gregos de "Ofiuza" (terra das serpentes). O mito grego atribuía haver nos confins do mundo, a oeste, um jardim paradisíaco em que se abrigava uma macieira com pomos de ouro, capaz de dar sabedoria. No entanto, era resguardada por um dragão de 100 cabeças.

A figura do dragão também esta presente nas lendas célticas, sempre como guardião de algo valioso, alegoricamente: um tesouro, uma princesa....

O dragão verde também foi brasão de armas do Reino Suevo, o primeiro da Europa, posteriormente aditado a um leão vermelho, ante a união do Reino dos suevos com os alanos. Bem como, também presente no projeto da bandeira imperial.

bandeira suevo-galaica

Concebemos dessa maneira, que a junção desse escudo de armas com o dragão verde, sintetiza de forma perfeita o mito hespério, de transferência e formação de uma nova civilização no extremo oeste do mundo atribuído ao Brasil por padre Anchieta.

A compleição da bandeira seria a mesma da primeira bandeira do Reino de Portugal, com uma cruz central, também em alusão ao nome oficial do Brasil: Terra de Santa Cruz, mudando naturalmente as cores, campo vermelho e cruz branca. Figurando o Cruzeiro do Sul no campo superior direito, como localização geo-astronômica, sob forma de estrelas de 4 pontas, rejeitando as de 5 pontas de influência maçônica.