sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Bandeirismo - A Expressão Cultural de Apoio ao Estado Novo.


Ao estudarmos a Semana de Arte Moderna de 22, vemos a subdivisão que dela adveio entre o movimento Pau-Brasil que se desdobrou no movimento antropofágico, e o verde-amarelismo, esse pintado como "fascista", oque é uma deslavrada mentira. Dos três fundadores: Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado, apenas Plínio seguiu a vertente fascista, e mesmo quando participava, ainda não havia aderido, logo é completamente sem fundamento tal alcunha. 

De toda sorte, o verde-amarelismo tomou dois rumos a nível político: o Integralismo e o Bandeirismo. O Integralismo com Plínio Salgado e seu movimento homônimo, e o Bandeirismo com Menotti del Picchia e Cassiano Ricardo, dentre outros, de apoio ao modelo político de Getúlio Vargas. O silêncio sobre o Bandeirismo é sepucral na literatura, oque só se explica por ranço ideológico presente na oligarquia paulista, em redutos como a USP, que mais do que silenciar disseminam para o restante do país, mentiras sobre o período.

O Movimento Bandeira, foi organizado entre 1935-37 por dois dos principais poetas verde-amarelos: Menotti del Picchia  e Cassiano Ricardo. Tendo como principal meio de difusão o jornal Anhangüera.
O movimento bandeirista parte da idéia alegórica, expressa no poema Martin Cererê de Cassiano Ricardo, que narra a origem mítica da Nação por intermédio de uma “criança travessa” que deve ser orientada e disciplinada.

No que se refere a polêmica entre os movimentos políticos oriundos do verdeamarelismo, tanto o Integralismo como o Movimento Bandeira, se colocavam como defensores da unidade, pelo nacionalismo  e contra  influências estrangeiras.

O Movimento Bandeira não se colocava simplesmente como terceira via, mas como uma quarta via frente ao Comunismo, Integralismo e à Oligarquia Liberal. De modo que o Movimento Bandeira se apresentava como uma “novidade original”.


A Academia Verde-amarela.
O início oficial do Verdeamarelo se deu em 25 de julho de 1926, com a publicação de um artigo de Hélios (pseudônimo de Menotti del Picchia) no Correio Paulistano em que esse anunciava a criação da “Academia Verde e Amarela”, formada por ele, Plínio Salgado e Cassiano Ricardo.

A coletânea O Curupira e o Carão publicada em 1927, publicações de autoria coletiva dos três: Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado. A tríade verde-amarela afirmava que alguns desacordos não deveriam refletir na constituição do grupo, uma vez que o importante era criar um pensamento, uma arte e uma política genuinamente brasileira. Segundo esses escritores, o verde-amarelismo estava pautado na liberdade de cada um procurar o Brasil como quisesse.

Um traço essencial do verde-amarelismo era o anti-academicismo. O próprio nome “Academia Verde e Amarela” era uma sátira à Academia Brasileira de Letras e suas congêneres, com suas regras sobre como escrever uma boa literatura, estatutos e a glorificação de literatos passadistas, significando, enfim, o encarceramento da literatura em instituição.

Contra isso, o autor sugeria liberdade de criação e exaltação das características essenciais do Brasil. O objetivo principal do grupo era o “descobrimento do Brasil”. Descobrimento de toda uma riqueza cultural escondida pelo formalismo da literatura passadista e também pela interpretação errônea dada por outros grupos modernistas contemporâneos, dentre eles o da revista Terra Roxa. Dizia Hélios: “nós, filhos da terra, cantaremos suas plantas, seus animais, seus caboclos e seus heróis, com a língua nativa a que daremos nosso devotamento e nosso amor”.

A Escola da Anta e a Polêmica entre a Anta e a Loba.
A polêmica entre a anta, a loba e outros símbolos sugeridos, como o manitôs e o caracu, se estendeu aproximadamente por um mês no Correio Paulistano. No final das contas, os demais membros do grupo aderiram à causa – embora, com ressalvas – e, finalmente, elegeu-se a Anta como o símbolo da campanha verde-amarela. A eleição do símbolo acabou por determinar qual seria a linha de pensamento assumida pelo grupo a partir de então.

Menotti defendia metaforicamente, que a herança cultural brasileira provinha da loba “nas colinas do Capitólio” por intermédio dos portugueses. Ainda que reconhece-se o simbolismo racial do indígena como fator assimilatório,  atribuia ao meio ambiente, a terra, a verdadeira força de integração étnica. Plínio Salgado defendia a origem tupi:
“Nós não bebemos leite da Loba, mas sugamos o leite da Anta – totem racial brasileiro – na seiva americana! Não viemos da colina de Capitólio, mas dos planaltos bolivianos enamorados dos Ibiturunas.”

Plínio tentava sustentar que a herança tupi estava presente pela herança cultural e mesmo biológica constitutiva do brasileiro, e assim, justificar a Anta como totem.

Menotti concordava quanto a Anta como símbolo integrador de uma raça futura, contudo ainda rejeitando a raça indígena como sua delineadora.

Já Cassiano Ricardo admitia, em parte, a influência do índio, mas de forma passiva, sem maior contribuição cultural:
“Eu poderia dizer, em resumo: o indígena influiu justamente por isso. Por essa incultura que o fez pacífico e acolhedor, desconhecendo ódios de raça e preconceitos de inteligência – coisas que tanto separam os homens. E não precisava dizer mais nada. Limitar o índio a uma figura decorativa é evidente.”

A posição de Plínio Salgado, preponderou, dando ao índio tupi a personalidade constitutiva. O resultado da polêmica foi resumido meses depois de anunciado o fim do grupo, no artigo O atual momento literário, chamado de Manifesto Nhengaçu. Contudo como registra Cuccagna, a adesão dos demais, se deveu mais a conveniência do que por convencimento:
“Se, por exemplo, dois signatários do manifesto como Menotti del Picchia e Cândido Motta Filho aderiram à Anta, foi mais pelo interesse em defender objetivos sociopolíticos e culturais comuns, valorizados na luta para o prestígio e a supremacia sobre os da Antropofagia, do que pelo endosso sincero à concepção de um Brasil formado e a se formar pela ação de forças étnico-culturais tupis, que eles, conforme haviam motivado na polêmica de 1927, rechaçavam com decisão. Apenas Cassiano Ricardo, dos quatro autores que auxiliaram Plínio Salgado na composição do manifesto (além dos citados, o outro foi Alfredo Ellis Júnior) foi quem realmente abraçou boa parte das ideias indianistas da Anta e as divulgou (...) no primeiro Martim Cererê, de 1928”. In: CUCCAGNA, C.. Op. cit.. p. 213.

No final de 1927, o grupo declarou seu fim. Quem primeiramente expressou a decisão foi Menotti, que considerava acabada a tarefa. Segundo ele, as preocupações, inicialmente focadas em questões estéticas, alargaram-se, principalmente após o exame de obras tradicionais como as de Alberto Torres e de Tavares Bastos. Tomava-se consciência da realidade brasileira, o que contribuía para:
“(...) a formação de uma vasta consciência nacionalista, autônoma, pessoal, de características tão próprias, capazes de dar uma fisionomia típica aos nossos processos de vida e de trabalho, à nossa estrutura político-jurídica, às nossas tendências, à nossa língua, a tudo, enfim, que caracteriza este formidável acampamento humano, que vitoriosamente realiza a maior experimentação democrática sob os trópicos, na acertada observação de um escritor ilustre.

Alguns dias mais tarde, Plínio Salgado escreveu artigo intitulado: Matemos o verdeamarelismo, em que concordava com a dissolução. Justificava a leitura de pensadores políticos como Alberto Torres, Tavares Bastos, Euclides da Cunha, Farias Brito e Oliveira Viana, na medida em que ajudavam a pensar no “problema social brasileiro”, para com os quais outros grupos modernistas eram indiferentes.

Os verdeamarelos sentiram a necessidade de fundir, num só corpo, “a arte e o senso econômico-social, de sorte a [construir] um Brasil absolutamente novo”. Por seu turno, “uma filosofia, genuinamente brasileira, ou sulamericana, se poderia aparecer quando consolidada a unidade étnica e estabilizada a situação econômica”.

Salgado não concordava com Menotti, entretanto, quando o companheiro dizia que a missão estava finda. Ao contrário, acreditava que havia muito a fazer para atingir o objetivo de dar ao Brasil uma consciência social. “Entretanto, não devemos mais caminhar juntos. Separemos as nossas atuações. Com a mesma finalidade, lutamos conservando as nossas personalidades. Com responsabilidade própria. Pela imprensa do país, pelo livro, pela palavra.” Dizia o autor:
“Separemo-nos, para agirmos melhor. O rótulo de verdeamarelo estava já se tornando insuportável. Todas as nossas atitudes e gestos, as nossas obras literárias, a nossa atuação social era formada segundo regras e fórmulas de tal grupo. Éramos os verdeamarelos. A nossa combinação libérrima estava, de tempos para cá assumindo um caráter de intolerância literária e doutrinária. E estando nós num regime de procura, as realizações transitórias que íamos efetivando já vinham (sic) tomadas como modelos. Acabaríamos tornando-nos acadêmicos. Teríamos os nossos preconceitos. E, afinal, o verdeamarelismo terminaria por formar corpo de doutrina, assimilando-nos, sem que o percebêssemos. Matemos o verdeamarelismo. Era mais um ismo. Não queremos mais ismos. Queremos, agora, entrar num período fecundo de arte, com um alto sentido social.”

Somente após alguns meses depois de encerradas as atividades, em 17 de maio de 1929, Menotti, Plínio, Cassiano, Alfredo Elis, e Cândido Mota Filho lançaram um texto no Correio intitulado O atual momento literário, por ocasião do ingresso dos quatro primeiros na Academia Paulista de Letras, oque foi motivo de deboche por parte dos antropofagistas, ante a incongruência de se dizerem anti-acadêmicos e contraditoriamente ingressarem na Academia. O texto procurava ser uma explicação da orientação do grupo “na obra de renovação intelectual brasileira” e, mais tarde, ficaria conhecido como Manifesto Nhengaçu Verdeamarelo.

Em sua escrita memorialista, Cassiano Ricardo afirma que a diferença entre o verde-amarelismo e a Escola da Anta, é que este último era inspirado pelas obras de Alberto Torres, Barbosa Rodrigues, Couto de Magalhães, Roquete-Pinto e Alarico Silveira.

Cassiano Ricardo relata que defendia que ele e Plínio Salgado “deveriam se entender” sobre o Integralismo. Cassiano Ricardo convidou Plínio para dialogar sobre “o partido que ele iria fundar”, nesta conversa, lembrou que, se eles haviam combatido os “ismos” literários de importação na década de 1920, então “por que [deveriam] importar” um “outro ‘ismo’ mais grave porque político-ideológico”. Na ocasião, o poeta defendeu a opinião de que o grupo deveria se chamar Bandeirismo ou “qualquer outro ‘ismo’ histórico” brasileiro. Imbuído da subjetividade e veracidade pertencente a escrita memorialista, Cassiano Ricardo afirma que Plínio prometeu “estudar melhor o problema”, mas dias depois, o poeta viu um “grupo integralista em formação paramilitar, com seus ‘anauês!’ e sinais do sigma”. Esses relatos memorialistas expõem o ressentimento de Cassiano Ricardo frente a recusa de Plínio Salgado em rever seu interesse em fundar o Integralismo sob signos contrários a estética defendida pelo poeta.

Anos posteriores a fundação da AIB, Cassiano Ricardo expõe sua não adesão ao Integralismo em seu ensaio O Brasil no original (1937, p. 136) – livro propaganda do Movimento Bandeira – o ensaísta afirma que não sabe:
por que cargas d’água o encarregado de redigir esse […] documento revolucionário de 32 foi Plínio Salgado. Só sei que convidado a escrevê-lo, o atual chefe do Integralismo cometeu a maior perfídia que um homem de inteligência poderia cometer: deu feição política às ideias literárias que o “Correio” […] vinha publicando desde 1922.

Tanto Menotti quanto Plínio eram descrentes do liberalismo, mas Plínio, explica Menotti: “já pendia para a direita e eu para o ideal trabalhista”. Menotti ainda lembra que, por não concordar com sua orientação, ele juntamente com Candido Motta Filho, Cassiano Ricardo, Alfredo Ellis Jr. e outros, separaram-se do líder integralista e organizaram o movimento da “Bandeira”, pela a adoção por parte do Integralismo das influências estrangeiras.

Cassiano Ricardo explica que inicialmente o movimento modernista foi dividido em dois grupos, os quais poderiam explicar “a superfetação da esquerda e da direita”: o Integralista e o Bandeirismo. Embora tendo origem no mesmo movimento literário (verde-amarelismo), Cassiano Ricardo afirmava que as diferenças eram radicais: 
1. a oposição ao “caráter internacionalista” da AIB, pois a “Bandeira” é nacionalista; 2. a AIB é “contra a liberdade individual” e a Bandeira é “pela valorização do indivíduo como ser social”; 3. a AIB é contrária à “autonomia dos Estados” e a “Bandeira é federalista”; 4. a AIB é pelo racismo, já a Bandeira é pela valorização das contribuições de cada raça; e 5. a AIB é “um partido político” enquanto a Bandeira é um movimento cultural.


Ressalva que na comparação entre o “chefe da Bandeira” e “o chefe fascista”; o primeiro “dispensa o copiado figurino romano”. Por essas razões, Cassiano afirmava que tal “fascismo redundaria num artifício, numa caricatura. Seria uma imitação desajustada e grosseira”. Por essas razões, advertia que os brasileiros deveriam refletir:
"Hoje, como quando o sertão era um jogo livre de forças descêntricas […] o mundo apresenta o mesmo espetáculo alarmante e agressivo. Retornar ao espírito das “bandeiras” é a única forma de recompor, dentro da disciplina e da força do comando, as energias que se anulam, se combatem e se dispersam. Não é preciso procurar fora de nossa Pátria, no exotismo de fórmulas políticas de enxerto a estrutura espiritual de nosso grupo humano, uma vez que nossa própria história contém o esquema seguro e instintivo das normas sociais que criaram uma nacionalidade."

Prevenindo contra o comunismo, os redatores anhangüeras perguntavam: a “Bandeira é Comunista?”. A resposta é categórica: “Não […] porque é pela Pátria, pela religião e pela família” (ANHANGUERA, 1937, 29 de junho, ano 1, n. 3, p. 3). Os bandeiristas questionavam: “se a Bandeira é por Deus, pela Pátria e pela família, será acaso fascista?”. A resposta também é direta: “Não”, pois se o Fascismo era “uma solução nacional italiana […] não podia ser uma solução brasileira”. Menotti del Picchia (1936, p. 9), considera que a tríade “Deus, Pátria e Família” era fundamento da civilização cristã, sendo o Brasil criado sob esse signo; a Bandeira defendia esses princípios. Completando o argumento de Picchia, Cassiano Ricardo afirma que mesmo tendo como ponto de encontro a tríade “Deus, Pátria e Família”, existia vários pontos de desacordo entre a AIB e o Movimento Bandeira.

Sobre a posição dos “novos bandeirantes” entre a tensão capital e o trabalho. Os bandeiristas argumentavam que o comunismo russo não abolira o capital, apenas transferiram para o Estado e aboliram as iniciativas privadas. Também questionavam o conceito de “ditadura do proletariado”, uma vez que, segundo eles, no Brasil não existia um “proletariado”. Segundo os bandeiristas, para justificar sua “sangrenta doutrina no Brasil”, os comunistas repetiam como “papagaios, as fórmulas de sua mística”, inventando que entre nós também existe o “camponês”. O que temos, de acordo com os “novos Bandeirantes”, são “trabalhadores, cheios de tarefa [...] dispostos a mandar às favas todos os Lenines, Prestes, Trotzkis, Bergers e Stalins”. 


De acordo com a posição dos bandeiristas, o “paraíso terreal revelado pelo Integralismo ao operariado corre parelhas com o céu rasgado pela demagogia bolchevista” (ANHANGUERA, 1937, 9 de agosto, n. 37, ano 1, p. 3). E concluíam: “parece que foi um comunista escarlate quem concebeu a doutrina” e, “apesar dos disfarces”, é “apenas uma denominação nova à sovietização”. Os bandeiristas perguntavam o que seria do “operariado, sem direito de pensar, desarmado, fiscalizado pelos capatazes do sigma, obrigados a bradar trinta ‘anauês’ por dia” e, ao menor protesto, ser atirado “nas algemas do inferno disciplinador”

No que se refere à solução da tensão entre trabalho e o capital defendida pela AIB, os “novos bandeirantes” afirmavam que somente havia “promessa e divagação” e que os integralistas pretendiam transformar o Brasil em um “Estado policial […] senhor da produção e ordenador absoluto da atividade obreira”.

Os “novos bandeirantes” defendiam “que o trabalho e o capital” eram duas forças que precisavam ser harmonizadas. Para eles, o capital tinha “seu complemento no trabalho”, daí a necessidade de se criarem leis trabalhistas que harmonizem “os interesses do empregador com os dos empregados”, de forma que o Estado protegesse as “classes menos favorecidas sem atentar os interesses das classes capitalistas”. A respeito dessa posição, os “novos bandeirantes” acusam o Comunismo de destruir a autoridade e o Integralismo por ser irracional frente à autoridade. Os bandeiristas afirmam que, para que se justificasse a aplicação do Comunismo ou do Integralismo no Brasil, era preciso ter os mesmos problemas da Rússia, Alemanha ou Itália. Além da ausência de características para suas implantações, os “novos bandeirantes” também criticavam o imperialismo russo, italiano e alemão na Europa.

Em seu ensaio O Brasil no original, Cassiano Ricardo alerta que em razão das eleições marcadas para 1938, os integralistas vinham falando de democracia. E por isso, defende que até nisso a AIB faz “pensar no Fascismo e no hitlerismo que, de vez em quando, também se dizem adeptos da democracia”. Segundo os bandeiristas, essa era outra incoerência dos integralistas, uma vez que eles se colocavam “contra o voto, mas votavam. Eram contra os partidos, mas eram um partido. Eram contra a democracia, mas só existiam por favor da democracia”. Paralelamente a afirmação de que os integralistas se pareciam com o Fascismo europeu ao se aproveitarem da democracia, os bandeiristas afirmavam que o grupo de Plínio Salgado eram uma cópia. De acordo com os bandeiristas, são copiadas as camisas, o “sigma, que é um disfarce da cruz suástica”, e o “gesto romano, que nunca foi nosso”. Para os “novos bandeirantes”, o “Chefe verde” é o “maior plagiador” de estrangeirismos, sendo o Estado Integralista uma “transposição ipisis literis do Estado totalitário corporativo fascista”. Segundo eles, a AIB copia “a doutrina, a organização, a técnica, o ritual”, até a “maneira de falar do seu chefe”.

A respeito do “fenômeno nacional”, Cassiano Ricardo propõe que não “se trata de uma democracia que só funcione em razão dos partidos”, do direito ao voto concedido pelos “direitos políticos” ou da confusão que “Fascismo e Comunismo praticam para iludir massas”. Ressalta, ainda, que, frente a essas confusões, “o conceito de democracia” não “pode sofrer deturpação” e que, para não haver deturpação, o Bandeirismo seria o movimento que organizaria a democracia, “modernizando-a, limpando-a da politicagem” (RICARDO, 1937, p. 227-228).  Frente a um regime que funcione em razão dos partidos, do direito ao voto e das confusões das “duas pragas”, Cassiano Ricardo propõe uma “forma de governo” que melhor “assegure a sua existência” (RICARDO, 1937, p. 228). Para os “novos bandeirantes”, a única forma capaz de recuperar a originalidade nacional é a Democracia Social Nacionalista. No artigo “Os três caminhos”, escrito para o jornal Anhanguera – e como de costume, sem autor declarado –, os bandeiristas defendem o ideal “nem bolchevismo, nem Fascismo”, nem “Democracia Liberal”, mas a “Democracia Social Brasileira” (ANHANGUERA, 1937, 4 de agosto, ano 1, n. 33, p. 3).





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