domingo, 12 de dezembro de 2021

O Natal, de São Nicolau ao Vovô Índio, e uma Nova Proposta

 

Durante centenas de anos, cerca 1200 a 1500, São Nicolau foi o incontestável distribuidor de presentes nas celebrações que se fazia no seu dia, 6 de dezembro. O santo guardava algumas similaridades com as primeiras divindades indo-européias, o Saturno romano ou o nórdico Ódin, que aparecia como um homem de barba branca que tinha poderes mágicos, como, por exemplo, conseguir voar. Ele também se certificava se as crianças andavam na linha, recitavam suas orações e se comportavam bem. Até que no Séc. XIX surge a figura atual do papai noel, que mais tarde será difundido para o resto do mundo pela Coca-Cola. 

O Natal só passou a ser celebrado no século IV, pela mão do Papa Júlio I, que fixou a data de nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, quando então se começou efetivamente a festejar esta data, que coincide com a Saturnália dos romanos e o Solstício de Inverno dos germânicos e celtas. Assim esses festejos pagãos foram cristianizados. Alguns países, no entanto, optaram por celebrar o Natal em seis de janeiro, data que depois foi sendo associada à chegada dos três Reis Magos.

A figura do "Papai Noel" vem de São Nicolau, santo grego, nascido 280 anos depois de Cristo e que foi bispo de Myra, uma cidade romana da Turquia. Nicolas não era nem gordo, nem alegre, mas criou reputação de ser explosivo, um rijo defensor da doutrina da Santa Igreja Católica durante a “Grande Perseguição”, quando as bíblias eram queimadas e os padres forçados a renunciar ao cristianismo sob pena de morte. Nicolau desafiou estes editais e passou anos na prisão antes de Constantino ter trazido o cristianismo para um lugar de destaque no seu império. A fama de Nicolau sobreviveu muito tempo depois da sua morte (a 6 de dezembro de algum ano desconhecido em meio do século IV) porque ele esteve associado a muitos milagres e a reverência à sua figura continua até hoje, mesmo para além da sua ligação ao "Papai Noel".

Nicolau ficou conhecido entre os santos porque ele era o padroeiro de muitos grupos, desde marinheiros até nações inteiras. Por volta de 1200, se tornou conhecido como padroeiro das crianças e distribuidor de presentes mágicos por causa de duas fantásticas histórias da sua vida. No conto mais conhecido, três jovens garotas foram salvas de uma vida de prostituição quando o jovem bispo Nicolau entrega em segredo, três sacos de ouro ao pai das moças, que estava endividado, para serem utilizados como dote. A outra história muito difundida na idade média, conta que: Nicolau entrou numa estalagem na qual o estalajadeiro havia morto três rapazes e feito picles com os seus corpos desmembrados, que guardava em barris no porão. O bispo não só descobriu o crime como também ressuscitou as vítimas. E assim se tornou padroeiro das crianças. 

Em locais em que ocorreram a reforma protestante como Inglaterra, Holanda e alguns reinos no que hoje é a Alemanha, santos como Nicolau deixaram de ser adorados. Na Inglaterra protestante a comemoração do Natal, chegou a ser proibida. De modo que a data foi alterada para a do dia de Natal em vez do dia 6 de dezembro. 

O Sinterklaas holandês:

Sinterklaas com seus ajudantes Zwarte Piet.
Os identitários acusam o papai noel holandes
de ser "racista".

Na Holanda, crianças e famílias simplesmente se recusaram a abdicar de São Nicolau como distribuidor de presentes. E levaram para a América, em Nova Amsterdam, atual Nova Iorque, o “Sinterklaas" (Santa Claus), onde a tradição perdurou. Mas nos primórdios da América, o Natal nada tinha haver com o feriado moderno. O feriado foi evitado na Nova Inglaterra, e noutros locais tornou-se um pouco como o advento pagão chamado Saturn Ália que outrora ocupou o seu lugar no calendário. O Sinterklaas holandês é representado vergando uma longa capa vermelha ou casula sobre um bispo branco tradicional alva e, um cajado de pastor. Ele tradicionalmente monta um cavalo branco, e carrega um grande livro vermelho em que registra se cada criança foi boazinha ou travessa no último ano. Sinterklaas tem como ajudante o Zwarte Piet ("Pete Negro"), um ajudante vestido em trajes mouros e com rosto negro. Zwarte Piet apareceu pela primeira vez na imprensa como o servo sem nome de São Nicolau em Sint-Nikolaas en zijn knecht ("São Nicolau e Seu Servo"), publicado em 1850 pelo professor Jan Schenkman em Amsterdam, em que apresentava imagens de Sinterklaas entregando presentes pela chaminé, cavalgando sobre telhados de casas em um cavalo cinza e chegando da Espanha em um barco a vapor, que na época era uma excitante invenção moderna. Talvez com base no fato de que São Nicolau historicamente é o santo padroeiro dos marinheiros (muitas igrejas dedicadas a ele foram construídas perto dos portos), Schenkman poderia ter se inspirado nos costumes espanhóis e nas ideias sobre o santo quando o retratou chegando via água em seu livro. Schenkman introduziu a canção Zie ginds komt de stoomboot ("Olhe ali, o barco a vapor está chegando"), ainda popular na Holanda. No entanto, a tradição parece remontar pelo menos ao início do século XIX. O vestido colorido de Zwarte Piet é baseado em trajes nobres do século XVI, quando a Holanda se encontrava sob domínio espanhol. Ele é tipicamente retratado carregando uma sacola que contém doces para as crianças, que ele joga ao redor, uma tradição supostamente originada na história de São Nicolau que salvou três meninas da prostituição jogando moedas de ouro pela janela à noite para pagar seus dotes. 

Diz-se que Sinterklaas veio da Espanha, possivelmente porque, em 1087, metade das relíquias de São Nicolau foram transportadas para a cidade italiana de Bari , que mais tarde passou a fazer parte do reino espanhol de Nápoles. Outros sugerem que a laranja tangerina, tradicionalmente presentes associados a São Nicolau, levou ao equívoco de que ele deveria ser da Espanha. Esta teoria é apoiada por um poema holandês documentado em 1810 em Nova York e fornecido com uma tradução em inglês. É a primeira fonte mencionando a Espanha em conexão com Sinterklaas . Pintard queria que São Nicolau se tornasse o santo padroeiro de Nova York e esperava estabelecer uma tradição Sinterklaas. Aparentemente, ele obteve ajuda da comunidade holandesa em Nova York, que lhe forneceu o poema original em holandês Sinterklaas. A rigor, o poema não afirma que Sinterklaas vem da Espanha, mas que precisa ir à Espanha colher as laranjas e as romãs. Assim, a ligação entre Sinterklaas e Espanha passa pelas laranjas, uma iguaria muito apreciada no século XIX. Mais tarde, a conexão com as laranjas se perdeu e a Espanha tornou-se sua casa.

Tradicionalmente, ele carregava também uma vara de bétula (holandês: ova ), uma vassoura de limpar chaminés feita de galhos de salgueiro, usada para bater em crianças travessas. Algumas das canções mais antigas dos Sinterklaas mencionam crianças travessas sendo colocadas na bolsa de Zwarte Piet e levadas de volta para a Espanha. Esta parte da lenda se refere aos tempos em que os mouros invadiram as costas europeias, e até a Islândia, para sequestrar a população local como escravos. Essa qualidade pode ser encontrada em outros companheiros de São Nicolau, como Krampus e Père Fouettard. Em versões modernas da festa Sinterklaas, no entanto, Zwarte Piet não carrega mais as ovase as crianças não são mais informadas de que serão levadas de volta para a Espanha na bolsa de Zwarte Piet se forem malcriadas. Tradicionalmente, o rosto de Zwarte Piet é considerado negro porque ele seria um mouro espanhol. Curiosamente no Brasil, pervive fragmentos, do "homem do saco" que levaria embora crianças danadas. Reminiscência da colonização holandesa? 

A Invenção do "Papai Noel":

Nas primeiras décadas do século XIX, uma série de poetas e escritores se empenharam em transformar o Natal numa celebração da família, ao recontar a história e fazer renascer São Nicolau.

O livro de 1809 de Washington Irving, Knickerbocker's History of New York, foi o primeiro a retratar Nicolau como um fumador de cachimbo, elevado em cima dos telhados num trenó voador, a distribuir presentes as crianças que se portaram bem e ramos aos que se portavam mal. Em 1821, um poema anónimo, ilustrado, intitulado “The Children's Friend" (O amigo das crianças) contribuiu mais ainda para a construção do Papai Noel moderno e o associou ao Natal. Aqui temos finalmente a aparência de um Papai Noel, pegaram a parte mágica da distribuição de presentes da história de São Nicolau, retiraram-lhe todas as caraterísticas religiosas e o vestiram com as peles dos distribuidores de presentes alemães desgrenhados. Essa figura trouxe presentes às crianças que se portaram bem, mas também trazia uma vara de bétula, referia o poema, que “orientava a mão dos pais para o uso quando o caminho da virtude for recusado pelos seus filhos.” O pequeno trenó do Papai Noel era puxado apenas por uma única rena. Em 1822, Clement Clarke Moore, professor de literatura grega em Nova York, escreveu "A Visit From St. Nicholas"(“Uma visita de São Nicolau”), também conhecido como “The night Before Christmas"(“A noite de Natal”) para os seus seis filhos, sem nenhuma intenção de contribuir para o novo fenómeno do Papai Noel. Tendo sido publicado, de forma anónima, no ano seguinte, e é esse até hoje, o Papai Noel com as características que conhecemos: amável e alegre que conduz um trenó, puxado, agora, por oito renas. É dele também a versão do bom velhinho entrar pela chaminé, inspirado nos antigos lapões, na Finlandia, que viviam em pequenas tendas, semelhantes a iglus, cobertos com pele de rena, sendo a entrada para essa “casa” um buraco no teto.

Depois de se estabelecer de forma consistente, o Papai Noel americano sofreu uma espécie de migração reversa para a Europa, substituindo os assustadores distribuidores de presentes e adotando nomes locais como Père Noël (França), Father Christmas (Grã Bretanha), Papá Noel (Argentina, Colômbia, Espanha, Paraguai , Peru e Uruguai),  Nikolaus ou Weihnachtsmann (Alemanha), Santa Claus (Estados Unidos e Canadá), Kerstman (Países Baixos), Babba Natale (Itália), Pai Natal (Portugal) e no Brasil "Papai Noel".

O "Véi da Coca" e sua difusão:

É amplamente divulgado que a Coca-Cola teria criado o atual visual do Papai Noel (roupa vermelha com detalhes em branco e cinto preto), mas é historicamente comprovado que o responsável por sua roupa vermelha foi o cartunista alemão Thomas Nast, em 1886 na revista Harper’s Weeklys. Até então, a figura do Papai Noel era representado com roupas de inverno, porém na cor verde ou marrom (com detalhes prateados ou brancos), tipico de lenhadores . O que ocorre é que em 1931 a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ao modo de Nast, com as cores vermelha e branca, o que foi bastante conveniente,  já que são as cores de seu rótulo. Tal campanha, destinada a promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período em que as vendas da bebida eram baixas na época), fez um enorme sucesso  e a nova imagem de Papai Noel espalhou-se rapidamente pelo mundo. Portanto, a Coca-Cola contribuiu para difundir e padronizar a imagem atual, mas não é responsável por tê-la criado.

A Politização do Papai Noel pelo Mundo:

O Papai Noel mantém-se como uma figura politizada por todo o mundo. As tropas americanas espalharam pelo mundo, a sua versão do homem alegre, imediatamente nos anos que se seguiram à Segunda Grande Guerra, e foi bem recebido de forma geral, como um símbolo da generosidade americana na reconstrução das localidades assoladas pela guerra.

Na Rússia, Stalin não gostava do Papai Noel. Antes da revolução russa, o Avô Gelado (Ded Moroz) era uma figura privilegiada do Natal que adotou as características dos proto-pais-natais, como o Sinterklaas holandês. Quando da formação da União Soviética, os comunistas aboliram a celebração do Natal e dos distribuidores de presentes. Mais tarde, nos anos 30, quando Stalin precisou de apoio, ele permitiu a reaparição do Avô Gelado, não como distribuidor de prendas do Natal, mas sim do ano novo. As tentativas russas de deslocar o Natal foram malsucedidas, tal como as tentativas soviéticas de espalhar a versão secular do Avô Gelado, de casaco azul, como forma de evitar confusões na europa com a versão do Papai Noel.

Ded Moroz (Avô Gelado) o "papai noel" russo.
Os soviéticos tentaram substituir os distribuidores de prendas locais em todos os locais onde foram depois da Segunda Guerra Mundial, por exemplo na Polónia ou na Bulgária, mas as populações locais conservaram até ao colapso da União Soviética, em 1989 e depois disso voltaram às suas antigas tradições.

Na atualidade pessoas de diferentes nações têm o Papai Noel como uma figura controversa, quer seja porque a figura representa a comercialização do Natal em detrimento da figura de Cristo ou como uma invasão em suas próprias tradições nacionais. Em países como a República Checa, a Holanda, a Áustria e a América Latina houve fortes tradições de movimentos anti-Papai-Noel, na tentativa de proteger suas tradições do norte americano.

O Vovô Índio.

No Brasil essa resistência ao "papai noel" estadunidense, se deu nos anos 30, na figura do "Vovô Índio", contando com apoio oficial do Presidente Getúlio Vargas, quando em dezembro de 1932, no estádio de São Januário, prestigia o lançamento do Vovô Índio como a versão brasileira do "papai noel". 

A ideia do Vovô índio nasceu de uma campanha idealizada pelo escritor Cristovam de Carvalho, em 1932, com a publicação do "Fabulário do Vovô Índio", e não como alguns difundem do integralismo. Gustavo Barroso, inclusive, era contra, pois via no movimento indigenista, uma manobra maçônica para des-lusitanizar o Brasil, dividindo-o, o apartando de suas raízes. Oque em verdade, nós castilhistas, concordamos com Gustavo Barroso. Muito do anti-lusitanismo que marcou a independência do Brasil, bem como a proclamação da República foi estimulado pelas Lojas Maçônicas, em que seus membros promoviam o indigenismo, e o africanismo, como meios de atacar as bases da identidade brasileira, como até hoje fazem.  Contudo, no que pese esse cavalo de troia malicioso por trás do indigenismo, a imensa maioria dos escritores, ignoravam essa maledicência, alçando a figura do índio como a de verdadeiro símbolo da nacionalidade brasileira. A lembrar que o próprio Plínio Salgado, em antagonismo ao Gustavo Barroso, se filiava como um indigenista, foi ele que introduziu a "saudação": "Anauê!", e que certamente, foi o mentor do integralismo ter abraçado a figura do Vovô Índio. E ao menos nesse contexto histórico, é que insere a figura do Vovô Índio, a de um símbolo de resistência brasileira a importação estrangeira. 

O lançamento do Vovô Índio, provocou um debate no meio intelectual, com uns se posicionando a favor outros contra. Houve um concurso para a escolha da imagem do Vovô Índio, vencida por Euclides da Fonseca. E mesmo com oposições e críticas, o Vovô Índio resistiu por algumas décadas, até meados da década de 50, ele permeou o imaginário natalino das crianças brasileiras. O seu declínio vem com o fim da segunda guerra, e uma maior invasão de multinacionais e propagandas estrangeiras, em especial estadunidense, na imprensa brasileira. O papai noel estadunidense, tinha e tem até hoje um padrinho forte, a Coca-Cola, e toda máquina cultural dos EUA o alçando a símbolo do consumismo. E assim ele se impôs não só no Brasil, como se tornou prevalente em todo o planeta

O Papai Natal Brasileiro, Um Nova Proposta:

Pandigueiro galaico
arte: Luis d'Avila
As críticas ao Vovô Índio, no geral pesavam sobre sua suposta "artificialidade". Concordamos em parte com as críticas. A verdade é que quase todas as atuais figuras "distribuidoras de presentes" são resultado de criações literárias do séc. XIX. O Vovô Índio, não foge a regra, é uma criação literária, como seus congêneres, peca por ser tardio.... seus críticos parecem esquecer esse pequeno "detalhe". Vê-se, claramente, que desconheciam as origens do "bom velhinho".

E mais das vezes, essas criações literárias, apresentam variações locais, como é o caso de Sinterklaas na Holanda, Ded Moroz na Rússia, o próprio Santa Claus estadunidense, que foi o genérico difundido para o resto do mundo. Porque negar a variação nacional brasileira? 

A crítica desse que vos escreve em relação ao Vovô Índio, se centra na falta de lastro dele com a tradição natalina portuguesa. Na Espanha, a figura do Papai Noel estadunidense, só recentemente, tem sido difundido, havendo longínguas variações locais, com as crianças escrevendo cartas aos três Reis Magos, e não a algum "papai noel". Na Espanha a figura do "papai noel" esta relacionada ao folclore local. Na Euskadi, tem-se a figura do Olentzero, na Catalunia: Tío de Nadal, na Cantábria: Esteru, e na Galiza, que mais nos interessa, por ser a zona que também abrange todo norte português, de onde sairam majoritariamente os colonizadores brasileiros, a figura do Pandigueiro ou Apalpador

Pandigueiro ou Apalpador, segundo a tradição do Natal galaico, é um carvoeiro que mora nas montanhas e que desce, nas noites de 25 ou 31 de Dezembro para tocar a barriga dos meninos para ver se comeram bem durante o ano, deixando-lhes um montezinho de castanhas, eventualmente algum presente e desejando-lhes que tenham um ano vindouro cheio de felicidade e fartura. A figura claramente se relaciona a antiga divindade galaico-lusitana Reue, que habita as montanhas, com seu equivalente na mitologia irlandesa Dagda, retratado como um homem ruivo, de porte avantajado, generoso, e que carrega um caldeirão, como simbolo de abundancia. 

A figura do Pandigueiro, havia sido extinta há algumas décadas, e foi retomada recentemente, em 2006 na Galiza. Penso que esse antecedente é o lastro no qual deve se basear uma versão brasileira do "papai noel". 

Papai Natal, o papai noel brasileiro
Assim concebemos, que o "papai noel" brasileiro, seja um montanhês vestido a maneira dos antigos tropeiros das montanhas de Minas, São Paulo e Serra Geral, redutos das populações montanhesas brasileiras: poncho vermelho, calça e camisa verde, chapeu verde ou vermelho, retratando as cores das vestes de São Nicolau, botas, e luvas. Mantendo a tradicional aparência do Pandigueiro Galaico: ruivo de olhos azuis, e corpo avantajado. Eventualmente com cachimbo. O cachimbo, na tradição galaica, certamente é uma importação, um elemento exógeno, posto que é uma difusão brasileira. E sendo o cachimbo uma criação brasileira, acaba abrasileirando mais o personagem, no que pese a posição contrária no que toca a questão do fumo como má influência para crianças. Por hora, nos interessa mais a concepção original, questões alhures ficam para depois. Junto a ele a inseparável figura do jumento, carregado de presentes. O jumento, tão injuriado, é uma dos principais símbolos da natividade, foi ele quem carregou Nossa Senhora, presente também no nascimento de Cristo, e dos animais de maior préstimo aos homens em toda história, como no Brasil, presente em todos os seus rincões. 

Assim, temos um tropeiro montanhês, que desce das montanhas nas noites de Natal, para distribuir presentes para as crianças brasileiras. Chamamos a essa figura de "Papai Natal", substituindo o "Noël" francês pelo seu equivalente em português "Natal", tal como já ocorre em Portugal a que chamam o bom velhinho de "Pai Natal", aqui "Papai Natal". 

A Manutenção da Tradição dos Presépios:

Toda essa tratativa sobre "papai noel" seria estéril, se nos esquecermos, como vem ocorrêndo, que o  principal foco e razão da celebração natalina é o nascimento de Cristo. Em nenhuma hipótese a celebração de Cristo pode ser secundarizada. E os presépios são, especialmente, um símbolo dessa celebração, e que não por acaso, vem se perdendo com a comercialização do Natal e a centralização do "papai noel" como simbolo do consumismo. 

A tradição do presépio surge com São Francisco de Assis, e é uma das mais longínguas tradições no Brasil, desde 1552, quando Padre Anchieta faz o primeiro Presépio no Brasil que se tem registro. E desde então a tradição dos presépios tem sido uma das principais manifestações natalinas no Brasil, e que aos poucos, vem se perdendo. Quando diante do ataque aos mais básicos conceitos de família e de integridade da pessoa humana, perpetrados pelo identitarismo, a representação da Sagrada Família nos presépios é um símbolo de resistência e proteção da nossa família, da nossa fé, da nossa brasilidade.

Presépio de Natal

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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Gilberto Gil na Academia Brasileira de Letras, Mais Um Escárnio Contra a Literatura Nacional

Gilberto Gil a esq, com
sua farda de gala da ABL(?)
O anuncio de "Gilberto Gil" para a Academia "Brasileira" de "Letras"(?) - ABL, não causa surpresa para quem já conhece, de longa data, no que se transformou a instituição. Mas, mais uma vez, traz a tona a triste realidade em que se encontra, nossa combalida, língua portuguesa.... jogada ao aleo!

A indicação de Gilberto Gil se insere como parte da política identitária implementada pelos globalistas. Longe de nós menosprezar o talento musical de Gil, mais de uma vez, merecidamente, premiado no campo musical. Contudo, a ABL é uma seara voltada para as letras, não da música. E se fossemos julgar Gilberto Gil, apenas como "letrista", ficaria ainda mais diminuto em sua obra, como seria, e é, um deturpamento a que se destina a Academia. Mas, sua indicação, não se trata de reles e grosseira deturpação dos fins da ABL, antes fosse. A Academia Brasileira de Letras desde o fim da Éra Vargas se degradou a tal ponto, que é difícil falar dela, sem tapar o nariz, tamanha podridão que exala de seu interior. De instituição para a defesa da nossa língua e prestígio de seus cultores, passou a palanque de seus detratores!

Sob a escusa de representatividade, renega-se figuras mais qualificadas para postos em que deveriam figurar os melhores representantes da nacionalidade. É a negação da meritocracia, um dos pilares da civilização ocidental, e mais ainda do Castilhismo, para os favorecimentos pessoais por mera indicação, tão ao gosto dos liberais, oque dar márgem ao tráfico de influência, nepotismo, corrupção. Mas como já dito, a canalhice não se encerra nisso, oque já não é pouco, vai além.... ! A ABL se converteu em um covil de cobras, que mais do que desqualificados a usurpar postos daqueles que defenderiam nossa língua, se presta a fazer voto de silêncio quando a língua portuguesa é atacada, quando não é a própria que a ataca frontalmente.

Na ABL se encontram hoje figuras como Merval Pereira, Fernando Henrique Cardoso, Jô Soares, outrora Roberto Marinho, dentre outras figuras que se quer merecem menção, já basta as citadas, a que nos vemos forçados para terem ciência do estado putrefato em que se encontra.

Atacar Getúlio Vargas parece ser uma das senhas para ascender a ABL. Getúlio.... que foi um dos seus membros, um dos imortais. À época, quando convidado, recusou durante um longo período, não se julgando merecedor de tal comenda. Acabou aceitando por fim, por insistencia, de ninguém menos do que Gustavo Barroso, outro imortal, já quase exorcisado da ABL, e que era um dos seus principais quadros se não o principal. Gustavo Barroso ia para a ABL paramentado com a farda integralista, e intentou torná-la padrão na ABL. Monteiro Lobato se insurgiu contra a indicação de Getúlio. Getúlio no que pese não ser tão qualificado como escritor a ponto de ocupar um posto na Academia, ao menos foi um ferrenho defensor da língua portuguesa no Brasil, em um dos momentos históricos decisivos para nossa nacionalidade. Para décadas mais tarde, um desqualificado como o "Jô Soares" adentrar na ABL com um livreto, de quinta categoria, que tem como principal foco difamar Getúlio. Outros já haviam feito, apenas citamos tal figura para ilustrar o nível a que esta jogado a ABL. E oque diria Monteiro Lobato da indicação de Gilberto Gil? 

Ainda mais irônico é a entrada de um Gilberto Gil, ao passo que Lima Barreto nunca ter sido convidado para adentrar na Acadêmia. Monteiro Lobato quando, rejeitado por duas vezes, foi por fim convidado a integrar a ABL, renegou dizendo que não tinha tempo para pensar nisso.... o mesmo Monteiro Lobato, "cancelado" por esses identitários, esfregava na cara da ABL que Lima Barreto não era convidado porque era mulato. Temos severas críticas aos ataques de Lima Barreto ao Floriano Peixoto, porém é inegável a qualidade de Lima Barreto como escritor, é de se perguntar.... será, que um Gilberto Gil da vida, ao menos se aproxima do talento de Lima Barreto? 

É nesse diapasão que se servem os identitários para justificar a presença de Gilberto Gil, da reparação histórica.... hora! A ABL não é casa de caridade, não é parlamento corporativo de representação de determinados fenotipos, além de não ser minimamente crível, por uma pessoa com um mínimo de inteligência que o Gilberto Gil foi convidado por essa razão, mas sim pelo "lobby" identitário. 

Gerardo de Mello Mourão, já falecido, indubitavelmente, o maior poeta do século no Brasil, quiça do mundo! Por duas vezes se candidatou a vaga e nas duas foi preterido.... talvez por causa do seu passado integralista, mas, por certo Gilberto Gil é maior! Outros gigantes da nossa literatura foram igualmente desprezados pela ABL, tais como: Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Erico Verissimo, Luis Fernando Verissimo. 

É sempre bom lembrar que a Academia Brasileira de Letras é uma instituição privada, e que ante sua degeneração, nada representa nossa língua, posto que se desviou dos seus fins. Quando a Dilma Rousseff retirou a obrigatoriedade da literatura nos vestibulares das universidades federais. NENHUMA nota de repúdio! Agora ainda mais recente, com a retirada da matéria de literatura do currículo escolar, pelo Bolsonaro, igualmente, o mais tumbular silêncio! Estamos diante de um claro processo de desnacionalização, e as instituições que deveriam ser baluartes da defesa de nossa nacionalidade, se encontram infiltradas por nossos inimigos, inimigos do Brasil, inimigos dos brasileiros!  


sábado, 30 de outubro de 2021

A Pátria Acima dos Nossos Interesses Pessoais - Lições Para o Presente.

 O Juramento dos Horácios (1784), obra do pintor francês Jacques-Louis David. Os
três irmãos Horácios, fazendo a saudação "romana"/ibérica, jurando lutar pela República Romana, embora sua decisão traga sofrimento a sua família. A pintura simboliza o princípio segundo o qual o dever público, o sacrifício pessoal, o patriotismo e a defesa das convicções tomadas em consciência são valores superiores à própria segurança, ou seja, aos seus interesses.

Pelos anos de 670 a.C., durante o reinado de Túlio Hostílio, os romanos declararam guerra aos albanos, seus parentes próximos. Devido a proximidade desses laços, quando ambos exércitos se encontravam em campo aonde seria travada a batalha, o rei romano Túlio Hostílio e o rei de Alba Longa, pactuaram  pela realização de um único combate, afim de evitar a aniquilação de um ou outro lado. Ao saberem haver trigêmeos tanto do lado dos albanos, os irmãos Curiácios, como dos romanos, os Horácios, decidiram que as duas tríades lutariam por suas respectivas pátrias.  

Iniciado o combate, os três irmãos Curiácios foram feridos, ao custo da morte de dois dos irmãos Horácios. Restando Públio, o último Horácio vivo, tendo de lutar contra os três Curiácios. Públio, porém, não se encontrava ferido, ao passo que o três Curiácios já sangravam.

Públio ponderou que não conseguiria enfrentar os três ao mesmo tempo, então correu, se afastando dos três. Um dos Curiácios, menos ferido, conseguiu perseguir mais efetivamente Públio, ao passo que um outro dos irmãos Curiácios, ficou mais para trás, e o terceiro, mais gravemente ferido, já havia caído muito para trás. Com os três irmãos Curiácios separados, Públio voltou-se contra o Curácio que o havia perseguido e o matou. Então, ele encontrou o segundo irmão e também o matou sem dificuldade. O terceiro irmão, gravemente ferido, não era páreo para o saudável Públio. Ao encontrá-lo, Públio declarou que havia matado os dois primeiros para vingar a perda de seus próprios irmãos, e que agora o mataria por Roma, enterrando sua espada no pescoço do último dos Curácios.

Públio foi recebido em Roma com grande festa, porém, ao contrário de todos na cidade, Camila, sua irmã mais nova, chorava desconsoladamente. O regresso triunfal de seu irmão significava que todos os Curiácios estavam mortos. Camila, sem ninguém saber, em segredo, havia noivado com um dos Curiácios. Ao entender o que se passava, Públio desembainhou sua espada e transpassou o coração de sua irmã, silenciando as comemorações, ao que disse:

"Marche com seu amor a sem tempo para se reunir com seu noivo, já que esqueceste teus irmãos mortos e do que está vivo, como esqueceste tua pátria. Morra da mesma forma qualquer romano que chora um inimigo".

Públio foi preso, julgado, e condenado por assassinato e sentenciado à morte. Porém, seu pai, deu um passo à frente e suplicou pelo filho, dizendo que sua filha mereceu morrer, e que se não fosse seu filho, ele próprio a teria matado. Além disso, alegou que já havia perdido seus dois outros filhos, e que seria injusto privá-lo do terceiro. O povo, comovido pelas lágrimas do pai e dobrados pela valentia do jovem, lhe perdoou a vida. Entretanto, obrigou a família a purgar o crime com um sacrifício que se manteve durante séculos, que recebeu o nome de: “tigillum sororium”.

O episódio encerra vários ensinamentos....  os albanos Curácios, enquanto lutaram juntos, quase aniquilaram os irmãos romanos Horácios, quando lutaram dispersos, foram eles os aniquilados. Eis o simbolismo prático do fascio romano. A sentença propagada, repetidamente, por maçons e liberais, seus filhos diletos: "unidade na diversidade" é uma hedionda mentira! Quanto mais plural uma "sociedade" mais tênue são seus laços, e consequentemente, sem unidade, tornam-se presas fáceis de forasteiros, resultando, se não no seu extermínio, na sua subjulgação por uma nação mais forte, não por acaso, mais homogênea. Quando uma nação estrangeira subjulga a uma outra, há dois caminhos reservados a subjulgada, o seu extermínio, seja pela assimilação ou pela pura e simples completa destruição, ou é mantida dividida, para que assim não possam reajir eficazmente contra seus algozes. Assim ensina todo curso da história humana. 

A formação brasileira, ao contrário do que propaga a imprensa estrangeira aqui estabelecida, não ocorreu sob a base de uma sociedade multicultural, essa versão é promovida em todos os países em que as forças maçônicas se infiltram em suas instituições, de universidades, à imprensa, poderes políticos, etc... mas ante uma poderosa unidade nos legada pelos portugueses. Os normando-franceses antecederam os portugueses em 30 anos no Brasil, estavam melhor estabelecidos do que os portugueses, quando esses, alarmados, resolvem tomar posse definitiva da terra. Porém estavam os franceses fragmentados em questões religiosas, corroídos pelo protestantismo, além de tampouco terem unidade linguística, do qual padecem, mesmo na atualidade, e assim quando os portugueses levantam armas contra seus rivais, esses já se encontravam enfraquecidos por brigas internas. 

O imperialismo, por intermédio de uma oligarquia que saiu vencedora na segunda guerra, vem promovendo metodicamente essa política fragmentária. O processo de "descolonização" da África segue essa política, repetição das falsas independências dos países hispano-americanos. Como a difusão do islamismo na África austral, e das seitas neopetencostais na ibero-américa. Além de religiões minoritárias na Ásia. 

E eis a realidade ante seus olhos. A China vem promovendo abertamente em "sua" província de Xinjiang, de população uigure, que são tanto religiosamente, quanto racialmente e linguisticamente dispares dos chineses, políticas abortivas e de esterelização dessa população, além de uma política francamente assimilatória de imposição da língua e toda cultura chinesa, com o transplante de migrantes chineses de suas provincias orientais para a região. Alguma semelhança com oque se passa no ocidente.... ?

"Geração Identitária" movimento difundido por 
toda Europa que tem como bandeiras a
anti-imigração e o fomento de identidades locais,
com fins separatistas.
O método na atualidade é ainda mais sutil, embora não haja nada de novo. Ao fomentar a imigração ilegal, os próprios fomentadores, criam falsas "oposições", dirigidas, controladas por eles. Afim de evitar o fortalecimento do nacionalismo, que é o grande inimigo dos imperialistas. Tem-se fomentado o surgimento de minorias étnicas, separatistas.... na década de 40 já haviam feito algo similar com o apoio do strasserismo, segmento dissidente do Nacional-Socialismo, que defendia a fragmentação da Alemanha em suas respectivas etnias regionais, oque por óbvio levaria a dissolução da Alemanha. Otto Strasser foi financiado, no curso da guerra, em seu exílio pelos aliados, e mesmo após. A Rússia faz algo similar, via Aleksander Dugin, ex-fundador do Partido Nacional-Bolchevique, extinto pelo Putin, o "strasserismo russo". Partidos anti-imigração, mas, paradoxalmente liberais, surgem ao sabor do vento, eis o Vox na Espanha, a AfD - Alternativa para a Alemanha, Liga Norte na Itália, apenas para ilustrar.

Os que aderem ao credo do inimigo, que fomentam identidades locais, separando irmãos, renegam seus ancestrais, se dissociam de sua linhagem, e consciente ou inconscientemente são promotores da destruição da nacionalidade. Como no episódio romano, dos Horácios, em que a irmã se bandeou para o lado do inimigo, fica a lição de como traidores devem ser tratados. 

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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

A Farsa do Movimento Indigenista como Ardil para Secessão do Brasil

O chamado "movimento indígena" são ações capitaneadas por entidades estrangeiras que tem como fim último a secessão do Brasil, se não, já na prática, a perda de soberania brasileira com a ação impune de agentes externos dentro do nosso país. Oque por desiderato leva a todo um esquema de contrabando, de corrupção de agentes públicos, e tráfico internacional das mais diversas ordens, não só de entorpecentes. 

Somente no Estado de Roraima, atualmente, tem 46% de sua área, ocupada por reservas indígenas, aonde se localiza das terras mais ricas do Brasil e do mundo, chamadas "terras raras", por haver minerais dos mais preciosos.  O Estado virou campo aberto de ONGs internacionais, que são as maiores financiadoras dos ditos "movimentos indígenas". Estrangeiros se utilizando de indígenas para roubar terras dos brasileiros. Como são exemplos a Cafod, ligada à "Igreja Católica da Inglaterra" (que de católica só tem o nome e NADA tem haver com a Igreja Católica Apostólica Romana); a Fundação Tebtebba, que tem a frente a filipina Victoria Tauli - Corpuz, consultora da ONU para direitos indígenas; além de representações dos governos da Noruega, Alemanha e Estados Unidos; mais fundações, como a americana Ford, que atua no Brasil desde 1962, e a norueguesa Rainforest, presente no País desde 1989. O "rei" da Noruega em 2013, veio pessoalmente, ao encontro de um auto-intitulado "chefe" ianomâmi Davi Kopenawa, em claro desagravo a soberania brasileira. Chefes de Estado, devem ser recepcionados pelos respectivos corpo diplomático do país.

O antropólogo Edward Luz, ex-consultor da Funai, denuncia que as ONGs brasileiras e internacionais se beneficiam dos recursos de um "esquemão de demarcações", diz: "Há uma elite intelectual na antropologia brasileira que reza pela cartilha de uma política indigenista de fora [....] Qualquer crítica ao modelo dessa turma é tachada de argumento de direita". 

Esse teatro, de demarcação de terras indígenas, de forma indiscriminada, começou com o Collor que demarcou 26,4 milhões de hectares, com 112 homologações. No des-governo FHC foram 31,5 milhões, totalizando 145 terras homologadas!!!! 

E qual o propósito dessas demarcações? Se ilude, quem pensa que esses dois presidentes, notórios por jogar MILHÕES de brasileiros na pobreza, agiram por razões humanitárias, por piedade para com os indígenas.... não ligam a mínima! 

Note como são pródigos em doar terras para supostos indígenas, enquanto negam terras para reforma agrária, para brasileiros, oque resolveria instantaneamente o problema agrário, retirando imediatamente milhões da pobreza, enxugando as cidades das favelas, que hoje, não mais se restringem as capitais, como já se proliferam nas cidades interioranas também. Mais do que isso, seria um choque de capitalismo que incrementaria a produção no campo, surgindo milhões de novos consumidores, bem como efetivaria a ocupação dos desertos humanos na Amazônia. 

A hidrelétrica de Belo Monte, foi sabotada, paralisada, para impedir a ocupação brasileira na Amazônia, como tantas outras obras de integração e de infra-estrutura até hoje sabotadas. A época vieram atores hollywoodianos, em protesto pelos grupos indígenas..... !

Relatório da ABIN - Agência Brasileira de Inteligência, apontando a 
atuação de ONGs estrangeiras em Belo Monte com participação de atores
de Hollywood, junto a indígenas.

O real propósito, como já vinha sendo feito desde o golpe de 64, era impedir a ocupação da amazônia brasileira, pelos brasileiros, especialmente em áreas de grandes jazidas minerais. Eis a razão, que desde a derrubada de Goulart, e mesmo de Getúlio, NENHUM outro governo se prestou a realizar tal intento.

TODO atual movimento indígena, e quem os apoia, são movimentos financiados externamente. Algum desavisado, inocente útil, que inadivertidamente apoia, esta sendo usado como massa de manobra. São movimentos anti-nacionais, que visam, a secessão da Pátria Brasileira, da sagrada terra do Brasil!  


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quinta-feira, 8 de julho de 2021

O "great reset", Pandemia de COVID, e o Roubo pelo Sistema Financeiro do Aparato Produtivo.

Nos venderam a história de que a finança nasceu como propulsora e sustentadora da produção e está mais do que provado que a função da finança surgiu desde o início como um plano para assumir o controle de todas as empresas de produção do planeta.

Há muita especulação e debate sobre como esse sistema funciona. Hoje se fala em um “reset” das finanças ou da economia, quando na realidade o que se busca com a crise atual, como em todas as crises anteriores, é a tomada de empresas produtivas em favor de atores financeiros internacionais, que não são outros, se não os proprietários de bancos internacionais que criaram o sistema monetário internacional.

As Finanças, ou melhor, o “Estado” financeiro internacional, que é um Estado sem base territorial mas com alcance universal, está mais forte do que nunca.

Acreditem e não se enganem, é sempre igual, trata-se sempre da alienação da riqueza real que surge dos processos de produção e extração de bens, para concentrar nas mãos dos criadores do sistema financeiro internacional, o que muitos chamam de: "Estado Financeiro Internacional".

Durante o funcionamento do padrão OURO, eles se apropriaram das reservas de ouro das nações do mundo e de particulares, com as guerras na Europa e no mundo e as ditaduras que se infiltraram nas nações da América do Sul, as endividaram e assim privatizaram, e se apropriaram de suas empresas estatais e depósitos daquelas nações. E agora, eles querem o resto, as empresas e posses dos indivíduos independentes, POR ISSO PARARAM O MUNDO COM UMA DESCULPA ARTIFICIAL, (A PANDEMIA DE COVID)

A ideia é se apoderar das pequenas e médias empresas pertencentes a particulares individuais, seja levando-as a falência, ou forçando que esses particulares as vendam. Assim essa pequena burguesia que  entrou no negócio financeiro, serão e são vítimas do que ajudaram a construir, como foram os bancos pequenos e independentes em crises anteriores. E que foram comprados pelos grandes bancos. Desse modo, um ex-empresário é levado, a se desfazer de sua empresa, e aplicar seu capital no sistema financeiro, que diante de uma crise financeira engendrada pelos próprios, ficará esse ex-empresário, e agora ex-investidor, sem NADA! 

Quando a bolha financeira se expande, todos comemoram, mas quando ela estoura, aqueles que caem são os participantes, satélites, e até mesmo importantes empresas financeiras, mas nunca os fundadores do sistema "big ursers". (AS EMPRESAS FINANCEIRAS CAEM, MAS NÃO SEUS PROPRIETÁRIOS)

Esse é o dano direto que o financiamento causa no melhor e mais saudável dos casos e, nos casos mais insanos, ele causa A GUERRA.

É um processo muito bem articulado e o objetivo é garantir que os donos da situação financeira acabem sendo os únicos donos do mundo produtivo a serem estes, os únicos empregadores e geradores de empregos.

E, claro, isso tira tudo o que é um fardo para a produção, o fardo que a previdência social carrega hoje.

Se funcionar, funcionará e se não morrer.

É por isso que sempre volto para a mesma coisa.

NÃO QUEREM O CAPITAL MONETÁRIO DE VOLTA, ELES O FABRICAM, O QUE QUEREM É A RIQUEZA REAL PRODUZIDA PELOS CIDADÕES DO MUNDO.

A única maneira de parar e reverter esse processo é quebrando a escravidão dos juros monetários.

Não há outra maneira de fazer isso de forma eficaz.

Eles criaram o sistema baseado no empréstimo com juros, e a solução é a proibição do empréstimo com juros.   Ao mesmo tempo, contabilizar como pagamento de dívida de capital tudo o que for pago a título de juros, tanto de dívidas privadas quanto estatais. (ISTO É SOBRE QUEBRAR O SERVIÇO DE JUROS DE DINHEIRO)

Isso   por si só obriga o Estado que o realiza, a ser o único com curso legal de ser a única entidade de crédito do país a conceder empréstimos sem juros, subordinando os bancos PRIVADOS à condição de AGENTES PARA FORNECER SERVIÇOS BANCÁRIOS, INCLUINDO CRÉDITO SEM JUROS APENAS COBRANDO UMA TAXA OU COMISSÃO PELOS SERVIÇOS AO CLIENTE.

Não pense que a cúpula política dos países ocidentais, aliciados por intermédio da maçonaria, e mesmo do restante do mundo, não tem consciência do que esta se passando. Todos aqueles que encampam idéias identitárias como os que propagam a narrativa da Pandemia como justificação para quarentenas e "lockdowns", são agentes do sistema financeiro, seus longa manus. Inocentes úteis, são as vítimas dessa armação, que compram o discurso de seus algozes, os trouxas! 

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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Estoicismo e a Virtus Romana, Perda e Queda

“Não sei afinar uma lira ou tocar harpa, mas sei como alçar uma pequena e insignificante cidade para a glória e a grandeza. ” - Temístocles

Como uma pequena tribo de pastores no Lácio, ascendeu como potência, em meio a outras civilizações muito mais antigas e avançadas?  E como essa mesma, civilização após atingir seu auge, decaiu? Se observa, com Roma, os mesmos fatores que fizeram outras civilizações ascender, e os mesmos vícios que as levaram a decadência.

Em sua marcha histórica, os romanos, sempre se destacaram por ser um povo disciplinado, austeros e mais do que qualquer outro, em sua época, moralizadores. Os valores do romano, desde as suas origens, é a virtude ou virtus, que deriva sua grandeza desde Rômulo, do qual todos os Romanos, de alguma forma, descendem, deste pastor divinizado, filho de Marte, fundador da nação romana. Portanto o Virtus, é um valor essencial para o Romano. La Fides, a "fidelidade" aos compromissos, tanto com os cidadãos como com os Deuses, é um valor essencial, como virtus, para a boa conformação de uma moral; Isso fica evidente quando o rei Numa (período da monarquia em Roma no século VI a.C.) funda as bases da religião e da fides do cidadão, a fé nos Deuses. E em terceiro lugar, as Pietas, que se referem a "uma justiça", uma justiça imaterial entre os homens e os Deuses, por exemplo, o dever de um filho é respeitar seus pais (pater familli), se o filho mata seu pai, deixa de pertencer ao mundo terreno, e tornou-se Sacer (foi-lhe sacrificado), e os Deuses o julgam, a fim de acalmar a sua ira e restabelecer o equilíbrio no mundo da civitas (cidade).

Assim, a virtus, a fides e a pietas romana coincidem com aspectos do estoicismo, coragem (virtus), justiça (pietas), autocontrole (fides e virtus) e sabedoria, dando assim, a passagem e a boa recepção, pelos circulos intelectuais, desta corrente filosófica em Roma no século III a.C.. Os estóicos e a filosofia estóica se tornarão "a base e o alicerce" da religião oficial em Roma. A assinalar, que a influência helenística, compreendida como os aspectos dominantes na Grécia na época do contato com Roma, foi em todos os sentidos, criticada, como uma sociedade ligada aos vícios, como na sátira de Lucílio e na poesia de Lucrécio (Epicurista).

Mesmo Cícero, grande admirador da cultura grega, via a Grécia doente e em plena decadência. Aconselha ao seu irmão que não se fiasse nos gregos senão em poucos e muito bem selecionados, que fossem dignos da antiga Grécia. Chega a dizer que os romanos eram superiores aos gregos: seus costumes e instituições, tanto na vida particular como na pública, eram incomparàvelmente melhores, e tudo o que tomaram emprestado da Grécia foi levado por eles a tal ponto de perfeição que os gregos nunca souberam atingir.

E Virgílio, que tanto deve a Homero e aos poetas gregos da época alexandrina, um espírito tão profundamente imbuído de idéias helênicas, uma alma tão sensível à beleza das perfeitas formas clássicas, mostra, Virgílio, a mesma reserva em relação aos gregos. Não só pelo fato de serem os troianos as vítimas de uma guerra com os gregos. Percebe-se, na obra virgiliana, uma incompatibilidade psicológica e moral com o gênio grego. Sinão é o protótipo da perfídia grega: et crimine ab uno diste omnes; também Ulisses, o herói versátil e inventivo de Homero, não encontra graça aos olhos do poeta romano: é ardiloso, vingativo, sem nenhum escrúpulo de ordem moral. O pius Aeneas, apesar do pouco jeito, apesar da pouca individualidade em comparação com os heróis homéricos, é um herói piedoso, justo, fiel, pudico e casto, um herói que encara sua existência em função de um ideal coletivo, sacrificando seus interesses pessoais em proveito do interesse público, nacional. Esse Enéias é o grande modelo romano, que Virgílio apresenta aos seus contemporâneos, Timeo Danaos et dona ferentes

A História mostra que povos atrasados, quando postos em contato com uma civilização mais avançada, em um primeiro momento, não adotam suas grandes conquistas culturais, e sim seus vícios e defeitos. Não resistem à fascinação que emana de uma civilização superior: o luxo, os prazeres, os requintes. A assimilação dos valores culturais mais nobres, segue-se muito tempo depois. Se é, que venha ocorrer algum dia. O que se verifica, é uma degeneração dos antigos costumes, uma degeneração rápida e chocante, que não deixa aos contemporâneos a possibilidade de ver o desabrochamento de uma nova e perniciosa moral.

O helenismo estava infectado pelo individualismo desenfreado, o abandono da antiga fides, da pietás, da verecundiá e de tantas outras virtudes nacionais; significava conforto material, luxo e voluptuosidade. Também não devemos esquecer que um dos ingredientes da humanitas romana, a paidéia, naquela fase da cultura clássica apresentava vários defeitos graves: enciclopedismo, epigonismo, verbalismo, ceticismo, além de desconhecer quase totalmente a necessidade de progredir. Foi uma circunstância trágica que, quando Roma entrou em contato com o mundo helenístico, este mundo já estava em plena decadência, apresentando muitos sintomas de cansaço e havendo de rejuvenescer só alguns séculos depois. 

O epicurismo, não atingiu o auge na República de Roma, devido aos seus postulados, “contrários à ideia dos Cives romanos (cidadão)”. O epicurismo é o Otium, ou seja, o lazer, que faz as pessoas se afastarem de seus deveres cívicos.

Ao contrário, o estoicismo insistia na necessidade do ascetismo para resistir às tendências que conduzem todos os seres ao prazer. Entre as virtudes cardeais: a Coragem (especialmente honrada pelos Romanos, para quem o serviço do soldado é o mais alto in dignitas, dentro do Estado), Justiça (todo magistrado romano, é um bom juiz depois) e Domínio de si mesmo (evitando prazer e lazer), enfim a Sabedoria que se realiza por meio do virtuosismo (virtus) ”.

É evidente que, uma corrente filosófica baseada no prazer, como o epicurismo, não iria atingir um desenvolvimento ótimo dentro de Roma, uma vez que os valores romanos não se baseavam no prazer, mas na ordem da alma: “Os valores e a moral dos romanos são virtus, fides e pietas”, o que significa que o prazer não tem lugar na vida de um “bom romano tradicional”.    

Agora, não há dúvida de que o declínio dos costumes em Roma, a partir do século II aC. É resultado da distorção dos costumes "do bom romano" e das novas influências externas, especialmente, do helenismo e seus maus hábitos relacionados ao lazer, são as causas da queda da República. É evidente que, à medida que os costumes decaem, as magistraturas e imperativos serão a expressão disso, dando origem a guerras civis que se encerrariam pelo caminho, com a República em 31, com a vitória de Octavio, e a instauração dele como Princeps em 27 A.C.

Já em tempos do império, o estoicismo não tem o mesmo brilho de antigamente, mas sim, eles são em parte a justificativa do poder imperial. É a justificativa do poder de Augusto (Octavio, filho adotivo de César) já que o estoicismo em uma de suas arestas “defende que um bom governo pode ser liderado por um só homem, já que, em uma sociedade, há homens melhores que os outros, para levar o destino de uma nação. Como Augusto não seria um estóico levando em conta esse postulado para se justificar no poder? É claro que, como o estoicismo, já se fundiu com o Estado romano, tornando-se a "filosofia oficial do Império de Augusto.

Nesse período imperial, respondem a um período do Império Romano, onde os costumes tradicionais (virtus, fides e pietas) foram esquecidos, de alguma forma, e foram dados a vícios dentro da cidade (festas, bacanais, luxos, etc). Sêneca, filósofo estóico,  questor, pretor, senador do Império Romano durante os governos de Tibério, Calígula, Cláudio e Nero, além de ministro, tutor e conselheiro do imperador Nero. Tenta influir, com suas obras moralizadoras, uma vida política correta ao cursus Honorum (curso correto nas magistraturas políticas em Roma). O bom romano e o cives (cidadão) não devem se dar ao luxo, pois o luxo é a base do otium, do qual derivam todos os vícios e, portanto, é um mal para o Império, assim diziam os estóicos na República. 

Os fundamentos do estoicismo,  são os mesmos de "um bom romano", e que Séneca, sem ser romano de nascimento, sabia aproveitar, levando em consideração outros aspectos, como justiça, sabedoria, autocontrole e os fundamentos da política estóica, para defender a formação de um Império. 

Das obras de Sêneca, mais do que as referentes à política, as mais importantes são aquelas voltadas para a "Moral" e os bons costumes.

Não é necessário recorrer a todas as suas obras, já que em todas se pode apreciar o seu estoicismo, que emergiu ao escrever, como mostra a sua obra "Tratados Morais" escrita e dedicada a seu filho Lucílio:

“Coisas prósperas acontecem com a plebe e os dispositivos vis: e, pelo contrário, calamidades e terrores, e a escravidão dos mortais, são características do grande homem. Viver sempre feliz e passar a vida sem remorsos de espírito é ignorar uma parte da natureza. Você é um grande homem? Onde posso saber se a sorte não lhe deu a oportunidade de exibir sua virtude? Você veio para as Olimpíadas e nelas não tinha competidor: você vai usar a coroa olímpica, mas não a vitória. Não o felicito como homem forte: escolha-o como aquele que chegou ao consulado ou à aldeia com a qual está crescido. Posso dizer o mesmo ao bom homem, se algum caso difícil não lhe deu a oportunidade de demonstrar a coragem de seu espírito. Julga-te infeliz se nunca exististe: passaste a tua vida sem ter o contrário; ninguém (nem mesmo você) saberá até onde chega a sua força; porque para se conhecer é necessária alguma prova, pois ninguém consegue saber o que pode senão prová-lo. Por isso houve alguns que voluntariamente se ofereceram aos males que não os atacavam, e buscaram uma oportunidade para que brilhasse a virtude que estava escondida ”.

Fica mais do que evidente como o estoicismo de Sêneca brota em sua obra, destacando em certos aspectos os fundamentos do estoicismo, e seu ataque ao Oriente, que em certos aspectos enchia a vida do romano, com luxo e coisas vãs, vão contra os romanos, e eles são prejudiciais ao Império. A grandeza desse estoico está em seu papel de político, mais do que de escritor, suas obras foram em grande parte preservadas no bom sentido, outras se perderam, preservando apenas alguns aspectos. Sua participação durante a administração do Imperador Cláudio e Nero, o ratifica como um bom cives. Apesar de seu exílio, que durou 8 anos na Córsega, pode-se ver as bases de um estoico, daquela escola que Zenão fincou as fundações, para responder à pergunta O que era a felicidade e como ela foi alcançada? Sêneca coloca em prática sua filosofia, ao plano político, tornando-se assim um grande cives.

Políbio, historiador e geógrafo grego, radicado em Roma, protegido por Scipião. Era um d´aqueles poucos gregos, ainda remanescentes, que honravam a antiga Grécia. Como racionalista, na busca para explicar o processo histórico, procura leis e causas determinantes, ao alcance do espírito humano. A grandeza de Roma explica-se por certos fatores físicos, tais como a situação geográfica, o clima, a densidade da população, etc., mas muito mais ainda por  fatores morais e culturais, tais como a prudente organização política (uma mistura de elementos monárquicos, aristocráticos e democráticos) e, sobretudo, sua excelente organização militar. Graças a esses fatores, Roma liqüidou o poder de Cartago e conseguiu a hegemonia sobre o mundo mediterrâneo. Contudo, como todas as coisas humanas, o Império Romano, está sujeito à lei universal da corrupção. Como na própria Grécia, e no Império alexandrino, o afluxo de povos conquistados para os seus centros, perverte os valores dos conquistadores, a cives romana. Assim, a antiga nação romana é sufocada, perde seu brilho, sua virtus, suplantada por uma massa de bárbaros, que os romanos denominavam plebe, um povo, mas um povo sem identidade, e portanto, sem unidade, que não raro descamba para guerras civis, e muito menos com valor necessário de sustentar sua existência. Oque a acabará por sucumbir ante outra civilização mais coesa e virtuosa. Assim, Políbio julga-se capaz de predizer as catástrofes internas que ameaçam a cidade. Torna-o melancólico a contemplação das vicissitudes humanas: também Roma está fadada a ouvir, um dia, a sentença de maldição proferida contra ela por um soberbo vencedor.


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domingo, 9 de maio de 2021

Os Sertões - O Homem e a Terra.

"O sertão é a pedra e sobre essa rocha ardente o sertanejo ergueu a sua verdade e a sua fé, silenciosas e duras, a verdade dos fortes, a fé dos impassíveis, triste, serena, orgulhosa." - Nertan Macedo.

Por "sertão", ou como lhe era mais próprio dizer "sertan", compreende-se as terras desabitadas, ou de população rarefeita. O termo, quanto a origém do étmo, ainda hoje, é objeto de querelas filológicas. Sem nos alongarmos na questão, "sertão" é uma contração de "deserto", no aumentativo, tão comum na língua portuguesa, em alusão aos desertos humanos. "Deserto", etimológicamente não significa necessariamente áreas secas, como comumente, na atualidade, é mais correlacionado, mas sim, as áreas desabitadas. Algumas traduções para o inglês e alemão traduzem como hinterland, terras interiores. Oque é uma impropriedade. O caso, é que, as terras semi-áridas, e interiores, no Brasil, eram áreas desabitadas. As tribos indígenas, pela abundância de caça, bem como de chuvas para suas incipientes lavouras de mandioca, preferiam zonas mais chuvosas, florestais, que corresponde a mata-atlântica, ao longo da costa. Ao passo, que as áreas de cerrado, como de caatinga, eram despovoadas. As poucas tribos estabelecidas nessas zonas, se fixavam nos sopés das serras úmidas, ilhas perdidas em meio a imensidão do sertão, ou a márgem dos poucos rios perenes da região. Assim, é que, a vila de São Paulo de Piratininga, mesmo se situando no interior da Capitania de São Vicente, não é reportada como "sertão", mas como tal, as terras d 'além do Jaraguá. Do mesmo modo, o litoral cearense, era tido como sertão, mesmo se situando a beira-mar, isso por ser quase toda costa despovoada, ante sua peculiar aridez.

Passado esse brevíssimo introito, porém, necessário, pela corrupção do termo. Passaremos a tratar dos Sertões do norte, que tem a caatinga como fronteira. O semiárido brasileiro cobre uma área de 969.589 km, conhecido como polígono das secas, que inclui os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, a maior parte da Paraíba e Pernambuco, Sudeste do Piauí, Oeste de Alagoas e Sergipe, região central da Bahia e norte de Minas Gerais, o vale do Jequitinhonha. Entre todas as zonas secas do mundo, o semiárido brasileiro, tem três peculiaridades, 1º é o que tem a cobertura vegetal, bioma, mais rico, entre 3 à 4 mil espécies. 2º é a que tem a maior média de chuva, embora muito irregular, oscilando precipitações de 2 mil à 200 milimetros a depender do ano . E 3ª, é que até hoje, possui a maior densidade populacional do mundo. 



A semi-aridez ao nordeste do Brasil é uma anomalia dentro do macroclima equatorial. É a única região brasileira que tem duas frentes para o mar, oque deveria evitar a nossa escassez d’água. O saliente nordestino, deveria ser a continuação do clima e da ecologia amazônica, ou no mínimo do tipo Tropical, com duas estações: uma chuvosa e a outra seca bem definidas, mas tal não acontece, ou pelo menos do Tipo Sub-equatorial, com duas estações chuvosas e duas estações secas. 

O fenômeno da seca não é a falta d’água, mas sim a má distribuição da chuva no tempo e no espaço, a guisa de comparação, na Alemanha a média pluviométrica é de 690 mm, e lá, não ocorre a fenomenologia da seca. 

No Ceará, sob ponto de vista climático, existem contrastes violentos, pois, apesar de apresentar um clima semi-árido, o regime pluviométrico é do tipo torrencial. Existe uma semelhança entre o seridó e as estepes sahelianas do ponto de vista floristico. No NE o Seridó é a última forma biofísica antes do deserto.

A Terra - Barbaramente estéreis; maravilhosamente exuberantes... !















Os padres Antonio Vieira e João Figueiras, quando de sua expedição a Ibiapaba no Ceará, em meados do Séc. XVII, que chegaram rasgando pelo sertão adentro, após penosíssima viagem, sobre àquelas terras, relatam a impressão de um imenso cemitério de tão ermo e silencioso.
"Aquela solidão dardejante, aquele mar de quietude e cinza, onde se escutam, por vezes, vagos sons cavos e monocórdios. É, pois, reino de numeroso silêncio, intransfigurado reino em que as horas se sucedem monótonas e só elas renovam, nas cores do dia abrasador e da noite que chega abruptamente, enregelada, a imutabilidade do céu e da terra. Geografia de fulgurações. As mesmas fronteiras da seca e do cangaço. É de estarrecer... É o mundo brasileiro das ardências recurvas, côncavo, convexo, de puríssimas poalhas em escarlate azul! Ali, naquele deserto, onde até o ar é absolutamente seco, não se conhece, senão no tempo das chuvas, o murmúrio das águas."

Ao sobrevir das chuvas, a terra transfigura-se em mutações fantásticas, contrastando com a desolação anterior. Os vales secos fazem-se rios. Insulam-se os cômoros escalvados, repentinamente verdejantes.

A vegetação recama de flores, cobrindo-os, os grotões escancelados, e disfarça a dureza das barrancas, e arredonda em colinas os acervos de blocos disjungido, de sorte que as chapadas grandes, intermeadas de convales, se ligam em curvas mais suaves aos tabuleiros altos. Cai a temperatura. Com o desaparecer das soalheiras anula-se a secura anormal dos ares. Novos tons na paisagem: a transparência do espaço salienta as linhas mais ligeiras, em todas as variantes da forma e da cor.

Dilatam-se os horizontes. O firmamento sem o azul carregado dos desertos alteia-se, mais profundo, ante o expandir revivescente da terra.

E o sertão é um vale fértil. É um pomar vastíssimo, sem dono. 


Na Caatinga existem aproximadamente 5.311 espécies de plantas, destas no mínimo 1.547 são endêmicas. A Caatinga não é homogênea, possui uma variedade de vegetações classificadas como fitofisionomias (fito = planta e fisionomia = aparência, significa o aspecto visual da vegetação). São caracterizadas, em geral por serem, xerofitas, ou seja, com a perda de folhas no períodos secos. Exceção de algumas variedades como o Juazeiro, que se mantem verde, mesmo nas mais severas estiagens. 

Caatinga arbórea: florestas altas com árvores que chegam a 20 metros de altura, que na estação chuvosa formam uma copa contínua e uma mata sombreada em seu interior.

Caatinga arbustiva: Ocorre em áreas mais baixas e planas, com árvores de menor porte de até 8 m de altura, associadas a cactáceas como o xique-xique, o faxeiro e bromélias como a macambira e o croatá.

Mata seca: Floresta que ocorre nas encostas e topos das serras e chapadas. As árvores dessa mata perdem as folhas em menor proporção durante a seca.

Carrasco: com ocorrência no oeste da Chapada da Ibiapaba e ao sul da Chapada do Araripe, com arbustos de caules finos, tortuosos e emaranhados, difíceis de penetrar.


O Homem: "antes de tudo um forte".

Durante três séculos, o sertanejo, num abandono completo, sem sofrer influxos externos, se caldeando endogamicamente, diferente das populações do litoral, cosmopolitas, resguardaram intactas, as tradições do passado. De sorte que. hoje: 

" [....] quem atravessa aqueles lugares observa uma uniformidade notável entre os que os povoam: feições e estaturas variando ligeiramente em torno de um modelo único, dando a impressão de um tipo antropológico invariável, logo ao primeiro lance de vistas distinto do mestiço proteiforme do litoral. Porque enquanto este patenteia todos os cambiantes da cor e se erige ainda indefinido, segundo o predomínio variável dos seus agentes formadores, e homem do sertão parece feito por um molde único, revelando quase os mesmos caracteres físicos, a mesma tez, variando brevemente do mamaluco bronzeado ao cafuz trigueiro; cabelo corredio e duro ou levemente ondeado; a mesma envergadura atlética e os mesmos caracteres morais traduzindo-se nas mesmas superstições, nos mesmos vícios, e nas mesmas virtudes."

Na resplandecência azul dos espaços e tempos, os sertanejos vivem, em geral, em casas de taipa, cobertas de telha vã; usam fogão de trempe de pedra, alimentado de lenha, graveto e maravalha; repousam em zidoras – cama de varas - ou no chão forrado de esteiras de piriri, talos de bananeira ou palha de carnaúba. O meio quase único do trabalhador se locomover, por conta própria, sem estar a serviço, são os próprios pés, exceto nos casos em que usam o animal do patrão. Aliás, os sertanejos são resistentes e velozes andarilhos. Mesmo nos curtidos da fome, nos flagelos das secas, é a pé que eles emigram, cambaleantes, pelos caminhos sem-fim, com a poeira frouxa levantando-se do chão pedregulhento e urente.

O espírito religioso do sertanejo é acentuado pelo temor a Deus. Todo mal é castigo do pecado. E o pior de todos os castigos é a seca. Tirado o pecado – impossível porque entranhado na natureza humana – a seca desapareceria, o sertão viraria mar e, então, se concretizaria a sonhada miragem verde da abundância e da felicidade! A mística da seca é temática da vida e do eixo de giro de toda a religiosidade sertaneja. Mística sistematizada em doutrina através das pregações terrificantes, das procissões penitenciais de esconjuro da seca – o mau destino! - e de clemência por chuvas, a maior benção do céu! O sertanejo não maldiz nunca a chuva, mesmo arrasadora. Mãos estendidas, apara, de joelhos, até os poucos pingos que caem, beijando-os sofregamente, devotamente. A chuva é a esperança e a salvação. A água é bênção divina que molha os corações de esperança e enche as terras de verde e de fartura. Maldição são as prolongadas estiagens, as secas sem fim, que acontecem muitos anos, aniquilando tudo o que significa vida.

Nessas épocas não há trabalho, nem o que comer. Sai o pobre sertanejo, sem tino nem destino, em retirada, como ave de arribação, estrada a fora: é o retirante. Bênçãos, lágrimas, olhos arregalados e parados na despedida que, todos sabem, pode ser definitiva. O mistério das coisas da vida e da morte aderem, feito acréscimos, a esse misticismo. O mistério em tudo, influindo e atemorizando, fatalizando e fanatizando. Dentro de um clima tropical semi-árido, a canícula arde impiedosa, o céu é incandescente e o sol, de rachar: é a seca influenciando a vida e condicionando o homem, um homem diferente, o homem sertanejo. Constituído em geral de grande resistência física e moral, define-se no misticismo dos beatos e penitentes, nos arremetimentos audazes das vaquejadas, na música telúrica do baião e no ritmo do côco, na resistência teimosa contra as inclemências da região agressiva e nas aberturas das brigas – pelo sim pelo não – em cenas sangrentas do cangaço sob a vibração épica do xaxádo.

Os sertões era um imenso deserto humano, de população rarefeita, mesmo indígena. Em meados do Séc. XVII, o paulista Jorge Velho, já desbravava e se estabelecia com fazendas de criação no Piauí. Afonso Sertão, pernambucano, também já devassava os sertões de Pernambuco e do Ceará, e ouve notícias por índios locais de Jorge Velho, com quem irá se encontrar. Desse encontro, deve-se o convite para que Jorge Velho fosse a Pernambuco debelar o quilombo dos Palmares. 

São em parte com tropas de paulistas, que se combatem nos sertões do Ceará e do Rio Grande do Norte  Paiacus, Janduís, Icós, nas ribeiras do Açu e do Jaguaribe. Sobrevem a expedição a Palmares tendo a frente Bernardo Vieira de Melo e Jorge Velho.  Ficando assim livre todo o território entre as matas do cabo de Santo Agostinho e Porto Calvo. Muitos dos paulistas empregados nas guerras do Norte não tornaram mais a São Paulo, e preferiram a vida de grandes proprietários nas terras adquiridas por suas armas, formando estabelecimentos fixos. 

Rocha Pita, que moço conhecera alguns veteranos da conquista e defesa da costa leste-oeste. Na sua Historia escreve: 

"O Ceará é a mais áspera e inútil das províncias do Brazil", pois só dispunha de algumas salinas, pau violeta e "ambar gris" de melhor qualidade que o comum das costas brasileiras, a representar porém insignificante comércio que era feito a poder de resgates com índios, resumidas as mercadorias dos portugueses em "qualquer droga". 

A sêca, que periodicamente assolava a zona pelo sertão a dentro, reforçava a descrença sobre as possibilidades da indústria pastoríl. Equivocado estava Rocha Pita, é no rastro do gado que segue o povoamento dos sertões e em que residirá sua grande riqueza. A propósito, descrevia dois séculos depois um ministro de D. João VI, o financeiro Targini, curiosos hábitos do gado produzidos pela estiagem: 

"O sertan da Capitania do Siará, que decorre de 3 a 5 graos de latitude austral e 153 á 364 graos de longitude, he povoado, como o das outras Capitanias do Brazil, de Fazendas de crear gados vacum, lanigero, e cavallar, e he hum terreno sugeito a repetidas secas: O gado que durante o estio está magro pastando nos seus campos huma herva tisnada pelo intenso ardor do sol, poêm a mira na estaçon das aguas, que alli principia regularmente em Dezembro ou Janeiro, tornando-se rapidamente verde e frondoso tudo quanto está seco e torrado. Apenas as manadas veém dos seus sitios exhaustos relampejar n'um horizonte opposto, certas de que as primeiras aguas costumam sahir entre os raios e trovões, poeni-se em marcha para aquella parte onde fuzilou: Atravessam serras, rios, e desertos para irem utilizar-se do pasto succulento que sabem que vã encontrar indo para aquella estancia: Desfrutam pois as primícias do novo pasto, porem logo que vêem brilhar tambem o raio no horisonte dos seus campos natalícios, tornam a vir beber das correntes e a pastar nos terrenos onde viram a primeira luz matutina; fazendo assim viagens de sessenta, oitenta, e muitas vezes de cem leguas sem conductor nem bussola".

É assim que, com o declínio da cultura canavieira, e a proibição da pecuária no litoral, se inicia o povoamento dos sertões. Nas ribeiras do rio das Velhas e do São Francisco, atual Minas Gerais, antes da descoberta das minas (1695), havia mais de cem famílias paulistas, entregues à criação de gado. É desse núcleo, que decorre o povoamento incialmente do Sertão, singrando pelas márgens do São Francisco, sertão adentro, que posteriormente se entronca com outro núcleo, vindo do leste, de São Salvador, sesmeiros da Casa de Garcia d'Ávila. Desse núcleo, surge a civilização do couro, que caracterizará a população sertaneja. 

"Pode-se apanhar muitos fatos da vida daqueles sertanejos dizendo que atravessaram a época do couro. De couro era a porta das cabanas, o rude leito aplicado ao chão duro, e mais tarde a cama para os partos; de couro todas as cordas, a borracha para carregar água, o mocó ou alforge para levar comida, a maca para guardar roupa, a mochila para milhar cavalo, a peia para prendê-lo em viagem, as bainhas de faca, as broacas e surrões, a roupa de entrar no mato, os banguês para  cortume ou para apurar sal; para os açudes, o material de aterro era levado em couros puxados por juntas de bois que calcavam a terra com seu peso; em couro pisava-se tabaco para o nariz." 

Uma terceira corrente se destaca no povoamento dos sertões mais setentrionais: Pernambuco, Paraiba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, oriundos de Goiana-PE, que é como que o último posto civilizatório do qual partem sesmeiros em busca de novos pastos. Se registra que em Goiana, à época holandesa, era uma das localidades com maior presença desses. Quase todas, tradicionais famílias sertanejas, do sertão setentrional, tem ancestralidade em Goiana. Parece ser a razão da ocorrência de uma substancial presença de genes "holandeses" entre a população sertaneja. 

É nesse período também que ocorre uma intensa imigração de portugueses provindos da província do Minho, ante uma explosão demográfica n'aquela região. As famílias sertanejas, são em geral constituídas por antigas matrizes da aristocracia canavieira, que se ligam a sesmeiros nortenhos, que conseguem mercês pelo favorecimento de patrícios que ocupam os cargos de governança, ou após conseguirem vultosas somas no ofício de mascates. Assim, se estabelecem, casam com moças de Casas nobres, e se fazem senhores de terra, gado, e gente.    

A vinda desses minhotos, grava nos sertões tradições nortenhas, renovando, da sua língua, a um catolicismo medieval, a cultura arcaizante d'aquela primeira nobreza da terra. O sertanejo arcaico, desgosta de tudo que não cheira a paços e castelos. E povoa no imaginário, contos de santos, cavaleiros, reis e princesas, entremeados por cenários nevados em plena caatinga. 

As famílias sertanejas tradicionais, ao contrário do que se veicula, é marcadamente matriarcal, como no norte-português, com funções bem divididas entre o marido e a esposa. A esposa é a Rainha do Lar, é dela a palavra final no que toca a todas as decisões pertinentes a casa e a criação dos filhos. Da porta da casa pra fora, o marido é o chefe da família, responsável e senhor absoluto nas relações públicas e civis. Na morte do marido, a esposa toma seu lugar, e torna-se a Matrona da cabeça do clã, reverenciada e obedecida por todos os filhos, netos e parentes. O contrário não ocorre, entre as famílias mais humildes, e mesmo n'aquelas mais abastadas, com maior mescla indígena, aonde se configura, predominantemente, um regime familiar patriarcal, em todos os aspectos.

A estrutura de clãs, tão forte ao longo dos dois primeiros séculos de formação do Brasil, perde força no Séc. XVIII, no litoral, mas perviverá nos sertões. Os sesmeiros, quase sempre se fixavam com sua parentela e agregados ao tomar posse de suas terras. O isolamento geográfico e social, n'aqueles desertos humanos, como a escasseis de mulheres, favorecia a endogamia, além do desejo de manter as terras no seio familiar.  

A figura do jagunço é quase sempre a de um agregado do clã, afilhado de batismo do patrão, morador de suas terras, e não raro, homiziados acoutados, em troca de seus serviços. Eis a figura armada nas guerras de clãs que ensanguentaram as terras sertanejas até pouco tempo. "Quem não tiver avós que matassem ou fossem mortos, que levante o dedo!" eis a sentença que encerra João Brígido, ao tratar sobre aqueles tempos. 

A alcunha de "cangaceiro", no final do século XIX, confunde-se com a do "jagunço", mas toma conotação diversa. Cangaceiros eram os do sul da bacia do São Francisco, no que hoje é a Bahia, "jagunço", os do norte, de Pernambuco ao Ceará. Euclides da Cunha diz que os cangaceiros tinham como predileção de arma, punhais longos, chamados "parnaiba", os jagunços preferiam clavinotes boca de sino. Os termos se confundem com a guerra de Canudos, quando aflue gente das duas regiões. 

Contudo, a figura do "cangaceiro" divirgirá do seu original. O fenômeno do "Cangaço", ocorrido no Séc. XX, é diferente do que foi no Séc. XIX. Em fins, do Séc. XIX, o sertão deixa de ser sertão, ou seja, se torna povoado. Assim também, começa o flagelo social ocasionado pelas secas. Quando surgem bandos independentes, formados por "flagelados" que se alistam nos bandos, a viver do roubo, como meio de vida. Esses dois elementos: bandos independentes, e objetivo de roubo, eram inexistentes no Séc. XIX. As conflagrações no Séc. XIX ocorriam quase sempre por rixas políticas, delimitações de terras, ou questões de honra. E sempre sobre o mando de um chefe, nunca com fins de roubo. 

A guisa de comparação, a seca de 1777, quando a população sertaneja ainda era rarefeita, dizimou a pecuária no Ceará, oportunidade em que se teve que recorrer ao Piauí para refazer as criações de gado vacum no Ceará, daí o afamado mote: "O meu boi morreu, oque será de mim? Manda buscar outro maninha lá no Piauí", mas não afetou de forma tão trágica a população como virá a ser a de 1877. Essa grande seca de 1777, acabará com a próspera indústria do charque no Ceará, e levará a migração de cearenses para o Rio Grande do Sul, aonde fundam as primeiras charqueadas em Pelotas e Vacarias (parte atual da região metropolitana de Porto Alegre). E que virá a ser o charque (também dito: carne de sol, ou carne do Ceará), o grande motor da economia do Prata. 

A grande e trágica seca de 1877, em que se registra, dentre outras situações calamitosas, casos, desesperadores de antropofagia, matará 500 mil brasileiros de fome e sede. A tragédia da seca de 1877-79, é resultado de um "sertão" povoado, com uma população vunerável e sujeita a secas periódicas. Nesse período, 120 mil sertanejos migram para o imenso e desabitado vale amazônico, oportunidade em que tomarão parte na ocupação das terras do Acre, povoando e dilatando as fronteiras da Pátria. Chegaram a 15 léguas do Pacífico, adentrando pelo rio Maranhão, no oque hoje são terras peruanas. Chegando a se baterem com peruanos, incapazes de os conterem. E teriam chegado as praias, não fosse a Guerra do Paraguai, que faz cessar o fluxo.  

Afora os 500 mil mortos, 120 mil emigrados para a Amazônia, soma-se 68 mil emigrantes para outras partes do Brasil, o sertão, antes com uma população estimada em 800 mil pessoas, reduz-se a 112 mil almas.... pouco mais de 1/8 do que era antes. E assim, o "sertão", voltou a ser Sertão. 




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