terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Goiânia, a Cidade Símbolo do Projeto de Expansão Para o Oeste.


por Costa Melo.

A primeira filha da Revolução Brasileira de 1930. Em 24 de Outubro de 1933 é lançada pelo interventor Pedro Ludovico a pedra fundamental da cidade-símbolo da Marcha para o Oeste, a ocupação dos vazios populacionais do interior do Brasil. Seu simbolismo era a fundação de um Novo Brasil, livre das velhas oligarquias, enraizadas na velha capital, a Cidade e Comarca de Goyaz. Outrossim, a mudança pôde contribuir para a preservação do acervo arquitetônico colonial muito presente naquela urbe hoje quase tricentenária.

Goiânia, apesar dos traçados mais futurísticos, ainda aguarda muitas transformações necessárias.

No mapa abaixo, de 1943, logo após o batismo cultural, com a presença do então presidente Getúlio Vargas, traz algumas curiosidades que apontam o quanto foi modificado o projeto original:

A sede da Catedral Metropolitana era para ser na atual Praça do Cruzeiro, que domina o panorama do Setor Sul, cuja arquitetura residencial era bastante avançada, buscando harmonizar habitação e paisagismo com farta arborização (havia uma parte reservada para casas do programa de habitação dos famosos IAPIS de Vargas); vê-se também o investimento em áreas verdes no plano inicial do Setor Oeste, com o Lago das Rosas ainda compatível com o banho público.

O mais interessante é que além do prospecto urbanístico valorizar muito o verde e a circulação entre os bairros e vilas, o Setor Norte Ferroviário, cujo centro dominava a Estação Central da Estrada de Ferro Goyaz, todas as cercanias e partes do início da Avenida Goiás, além de destinada ao comércio e serviços, era destinada também a galpões de oficinas industriais, uma vez que o projeto era a ferrovia chegar a Mato Grosso e Norte do Brasil, com pontos de industrialização, sobretudo metalúrgica e agrícola, para apoiar a interiorização do país.

Goiânia, ao menos no princípio, era uma cidade revolucionária, em todos seus conceitos.

Apesar de preservar muitas áreas verdes, seus cursos d'água no perímetro urbano estão bastante degradados, causando inclusive falta de abastecimento, além da incompletude de redes de esgoto, isto porque a especulação imobiliária tomou conta dos poderes públicos com relação ao urbanismo; a cidade é feita e dominada por carros, com um transporte público desumano, apenas feito por ônibus. Até hoje é apenas um pálido sonho uma rede básica metroviária, isto porque a cidade jaz em terreno predominantemente plano. Enfim, esperamos um dia poder devolver muito de seus primeiros desideratos.


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