domingo, 16 de setembro de 2018

A V Geração Castilhista

"Uma plêiade de jovens idealistas radicalizados, Castilhistas, anti-liberais, anti-monarquistas, favoráveis a um Estado forte e autoritário, desfavoráveis ao Poder Legislativo (que nunca prosperou com o castilhismo), modernizadores burgueses, politizados e, apesar de militarizados, sempre, radicalmente civilistas. Entretanto, o traço fundamental, não só em sua doutrina, mas sobretudo da administração concreta dos militantes do PRR, foi seu marcado caráter anti-oligárquico e anti-patrimonialista dos seus governos de quase quatro décadas.."
Quando as sombras das trevas envolvem a pátria, quando seu povo vagueia sem rumo na escuridão, tomados pela fome, acometidos pelas chagas, saqueados por estrangeiros, e quando tudo parece perdido... os  heróis ressurgem, como astros a guiar o passo conduzindo em salvo pela jornada do destino, pois se lhes fora facultado nascerem em outras épocas.... mais amenas, renegariam! Pois é na noite mais escura que fulguram com maior brilho! E de nada valeria suas vidas se não quando mais a pátria deles necessita e com um sorriso nos lábios, ansiosamente, derramar o sangue por sua terra, e com seu sacrifício fertilizar os campos para que brotem gerações vindouras ainda mais potentes.

Volvendo os olhos para o passado, repousa o berço da nacionalidade, fonte perene de inspiração, em resgate dos valores perdidos, que uma vez renascidos, forjará uma geração capaz de realizar milagres. O renascimento do homine brasiliensis, tal como idealizou Maquiavel na sua busca do homem de "virtú" para salvar a Itália, ou o "ürbermensh" de Nietzsche. Todas tentativas de resgate do homem clássico ante a decadência da época. O brasileiro, que surge no Séc. XVI, ao contrário dessas transfigurações imaginárias é real. O brasileiro quinhentista é a materialização do homem renascentista.

É um anacronismo julgar tanto o português como o brasileiro quinhentista a luz do que se observou no restante da Europa. Portugal, como toda Ibéria, nunca experimentou o negror da idade-média, tendo sido àquele tempo a região mais próspera e culta da Europa. Disso decorreu o arcabouço tecnológico que propiciou as grandes navegações.

Para compreender aqueles homens tal qual eram e oque vieram a ser, é preciso mergulhar a luz do catolicismo, determinante na formação da mentalidade daquela gente. A Gallaecia cristã, aonde nasceu Portugal, que primeiro se bateu pela expulsão moura e cedo os repeliu, não sofreu o influxo do cristianismo romano. O norte, menos romanizado, conservou seu substrato celta sob uma aparência cristã. E assim, nunca caiu na decadência mórbida do cristianismo oficial.

São esses portugueses nortenhos, os mais numerosos, que virão a aportar no Brasil, em sua maioria aldeões, que conservaram sua ortopráxis religiosa de substrato celta, e por desiderato seu ethos. Nada sabiam dos costumes  bíblicos, e pouco compreendiam oque lhes falava nas missas rezadas em latim. Sua religiosidade se materializava nos ritos, peregrinações, rezas e agouros de suas crenças imemoriais, conservadas , pelo isolamento, nas populações aqui plantadas.

Os que se entregavam as letras, tinham por tutores os jesuítas, de formação humanista por excelência, e que será um traço característico na formação dos homens letrados do Brasil, e que exercerão sua influência ao longo dos dois primeiros séculos de nossa formação, findo o qual o Brasil já estava feito.

Temos assim, grosseiramente, a guisa de exemplo, dois seguimentos "intelectuais" em sentido lato, na formação do Brasil, um composto pela população rural iletrada, que conserva uma religiosidade com forte substrato pré-cristã e uma elite intelectual de formação humanista. Então, quando do contato entre esses portugueses, de natural espírito renascentista, e tupis, surge o brasileiro, que nasce livre da noção de pecado, ultra equinocialis non pecare, de hábitos arcaicos, verificável ainda hodiernamente, tanto em sua língua quanto em sua religiosidade, melhor conservada do que no outro lado do atlântico, o gosto pela fidalguia e suas inter-relações mais baseadas no sangue do que em convenções sociais. Isso tanto  pelo lado dos tupis quanto dos portugueses, ambas sociedades orgânicas, em que somente as relações de sangue firmava uma real aliança entre as partes. O "cunhandismo" foi um fenômeno natural na formação brasileira, conseqüente do encontro de duas sociedades com características tribais. Disso decorrendo sua estruturação social em clãs, como também se observa nas populações nortenhas de Portugal.

A expulsão dos jesuítas, concomitante ao parasitismo da metrópole já decaída pelo espírito mercantil, foi um golpe que retirou do Brasil esse corpo pensante, relegando a população ao abandono e a ignorância. Quadro agravado, com o não reconhecimento do Vaticano da dinastia dos Braganças ao fim da União Ibérica, e que fez cessar as nomeações de padres para o Brasil. Assim a ação eclesiástica em terras brasileiras teve um longo hiáto, no que pese ter corroborado para a preservação dessa religiosidade medieval pelos brasileiros.

O heroísmo que atirara a nação portuguesa ao mar se degrada em ambição grosseira de lucro, subverte a classe dirigente, que passam a viver do parasitismo mercantil das índias, as atividades produtivas do Reino são marginalizadas, decaem, e com ela a própria decência. As índias funcionaram como filtro que poupou o Brasil de espíritos rapaces, os que buscavam lucros imediatos, a colher riquezas feitas, se dirigiam para as índias, para o Brasil se foram os que buscavam fortuna estável, se fixando a terra. Os primeiros colonos, foram a melhor gente que Portugal pode nos legar, advindos da baixa aristocracia rural nortenha, com o intuito explícito de fundar uma nova pátria.

Perdida as índias, Portugal se volta para o Brasil como "sua vaca leiteira". Ainda ligado umbilicalmente a Portugal, não repele em definitivo oque se converte em explorador.

Foram as leis de Licurgo, profetizadas pela sacerdotisa de Delfos, que asseguraram a prosperidade de Esparta. Júlio de Castilhos, assim como Licurgo, é para nós brasileiros, o instituidor das leis que nos fará sair do paul em que nos encontramos. A ereção de um Estado forte, democrático e sobretudo soberano, garantidor da unidade e da prosperidade nacional.

A difusão de idéias de pluralidade religiosa, de Estados "multiculturais", visam a fragmentação da unidade nacional, promovida por seitas interessadas no enfraquecimento do Estado-Nação, em reação ao surgimento e fortalecimento dos Estados-Nacionais que despontam com os ideais renascentistas. O "iluminismo", embora comumente tido como um desdobramento do Renascimento, na verdade foi uma espécie de "contra-reforma".  Há dois elementos iluministas que deformam completamente os ideais renascentistas, o individualismo e o universalismo.

As sociedades clássicas, eram formações profundamente coletivistas, e anti-universalistas, marcadas pelo preponderância do interesse público sobre o privado. O interesse coletivo se sobrepunha a todo o mais e se fazia prevalecer por intermédio de suas instituições de caráter democrático. Ao mesmo tempo que os helênos, em especial, espartanos era reputados como povos "xenofobos", a conotação só toma contornos negativos, justamente com o iluminismo. Contudo não é particularidade dos gregos, mas de todos os outros povos de estrutura orgânica. Os visigodos, a guisa de exemplo, mesmo em contato permanente com romanos e outros povos em suas estadia nos balcãs, e posteriormente na Espanha, constava no Código Visigótico, a proibição de contrair matrimonio com outras gentes, se não somente entre eles.

As instituições políticas helênicas, celtas e mesmo germânicas, se caracterizavam por ter um caráter democrático. A guisa de exemplo, mesmo Esparta, tida como um modelo "aristocrático" guardava em seu bojo eleições para certas instituições bem como consultas diretas aos seus cidadãos, instituto caracterizador da democracia. As sociedades celtas e germânicas, embora tendo Reis, hereditários, ainda sim, passíveis de destituição, ou eleitos, cumpriam mais uma função de chefe militar, as questões de maior relevo eram submetidas em assembléia, se subordinando o Rei as suas decisões. Havia ainda um "senado"(de: senos/antigos), um conselho de anciões que deliberavam entre si, submetendo em seguida a apreciação popular.

A instituição democrática, pela sua própria natureza, é anti-pluralista, esmagando as minorias e fazendo prevalecer o interesse da maioria sobre a minoria. Que com o tempo acaba por homogenizar o corpo social.

É preciso frisar que "multiculturalismo" é a manutenção de diversidades étnicas dentro de uma mesma área geográfica. O processo natural, que ocorria ao longo de toda antiguidade, era que grupos minoritários que transmigravam, e que se assentassem em uma área já povoada, fossem naturalmente absorvidos. Se isso não ocorria, fica claramente caracterizado uma invasão, e mais das vezes, a instituição de uma oligarquia (governo de poucos) subjulgando a maioria. Exemplo disso, foram as invasões anglo-saxônicas nas ilhas britânicas, antes, um assentamento celta de tempos imemoriais.

Portanto, o multiculturalismo é incompatível com uma ideologia nacionalista. O multiculturalismo é essencialmente uma tática imperialista, de divisão e desfragmentação, para quebrar a unidade de um povo, de longa data empregada por impérios, indiferentes, e mesmo hostis a unidade de povos submetidos. Como são exemplos o império pérsa, egípcio e romano, dentre outros.  Contudo, a sua própria tática de dominação, leva ao seu enfraquecimento, quando confrontado por outros povos com maior unidade, tal como sucedeu aos persas diante dos gregos. Será a atual China, os antigos gregos, diante dos EUA no papel do antigo império persa? O tempo dirá....

Observe que guardadas as devidas complexidades do Estado moderno, esse é o modelo simplificado do Estado Castilhista, o chefe do executivo, auxiliado por um corpo técnico que delibera, ao passo que o executivo julgando conveniente ou não as proposituras do concelho, submete a apreciação popular.

Ver-se o acentuado caráter orgânico desse modelo institucional, e que caracteriza o Estado Castilhista, ao contrário dos Estados Liberais, em que os governados se vê-em excluídos das decisões políticas. E é esse modelo orgânico, e por desiderato democrático, que possibilita que as decisões políticas se subordinem ao interesse coletivo, a vontade popular ipso facto, impossibilitando o favorecimento de uma minoria sobre uma maioria.

A instituição de Estados pluralistas, universalistas e descentralizados é a receita da ruína. O exemplo da guerra do peloponeso deveria ser sempre uma imagem fresca na memória daqueles que propugnam por um modelo descentralizado de Estado. Igual exemplo vemos entre os celtas, sua grande fraqueza, residiu em estarem pulverizados, para maior facilidade da dominação romana. Pois não só impossibilita a reunião dos meios que poderia fortalece-los, como abre margem a intromissão de uma potência externa. Essa foi a tática romana, se aliando a tribos mais fracas para golpear outras mais fortes, dividi-los e por fim, sem oposição, instituir seu domínio sem contestação.

Os exemplos se repetem na história, nas Américas temos os Maias, que embora mais antigos e tecnologicamente mais avançados do que seus rivais, enfraquecidos pelas guerras civis, desaparecem soterrados pela ascensão Asteca de instituição política mais centralizada.

Na história moderna isso é dado início com a guerra de Flandres. Expulsos da Espanha, os judeus fomentam sub-levações nos domínios de Espanha. Primeiro em Flandres (atual Bélgica) fomentando a divisão entre católicos e protestantes (minoritários), e que resultará no surgimento da Holanda, e não por acaso a primeira constituição de caráter pluralista, e universalista. A tática segue, com o fomento do separatismo da Catalunha e de Portugal concomitantemente. A Espanha consegue debelar a insurreição na Catalunha, mas perde Portugal, resultando no fim da União Ibérica. O mesmo modus operandi ocorre no processo de falsa-independência dos países americanos, todos fomentados por casas bancárias inglesas de mãos dadas com as maçonarias locais, extensão dos seus interesses.

É repetido como mantra, que o Brasil seria um "país multicultural", não há mentira maior. O Brasil sempre se caracterizou como uma sólida unidade étnico-cultural, muito mais do que países europeus menores, e do que qualquer outro com suas dimensões. Todos os brasileiros tem uma descendência comum, com uma mesma língua, sem dialetos,  e sobretudo com uma forte unidade religiosa, do qual todos os brasileiros tem ascendentes desse mesmo credo.

A perda da unidade étnico-cultural de um povo leva a sua desfragmentação e o fim de sua existência. O nacionalismo surge como defesa ideológica da nacionalidade, de seus elementos caracterizadores e dos meios materiais que o sustentam. Cumpre inexoravelmente a um nacionalista protegê-los e preservá-los, ainda mais nesses tempos em que a nacionalidade é atacada, por inimigos internos e externos.
  1. A I Geração Castilhista, com Júlio de Castilhos, nos deu as bases institucionais sob o qual devemos fundar o Estado Nacional Brasileiro; 
  2. a II se deu com as teses de tecnificação do Estado; 
  3. a III se dar com sua instituição no plano nacional, com o Estado Novo, rejeitando mais claramente as teses universalistas. Simbolicamente isso é ilustrado na Constituição de 37 com a declaração do catolicismo como religião oficial do Estado, antes omitido na constituição de 34; 
  4. A IV é caracterizada pelo período pós-Getúlio, incluindo Pasqualini, Goulart e Brizola nesse período, marcado por uma adaptação do Castilhismo, ao Estado Liberal, por intermédio do Trabalhismo. Hodiernamente; 
  5. somos a V Geração Castilhista, legatários dos ideais de Júlio de Castilhos, Vargas, Pasqualini, Goulart e Brizola. Porque posteriores a eles, e ante um novo contexto político que nos apresenta, de ataques a existência dos brasileiros como entidade nacional, de separatismos, de destruição do próprio Estado-Nacional manietado por corporações privadas, e a subjulgação do Brasil a potências externas. Somos  legatários de todo um corpo de tradições e em memória daqueles que se bateram pelo Brasil, em plena afirmação de nacionalidade!
As vozes ancestrais ecoam, em súplica, para que nos levantemos e os heróis tomem seus postos, alçando ao alto o estandarte legado, renovando antigos juramentos, conclamando a defesa da pátria!

Somos o reflexo de nossos antepassados, ligados pela cadeia imemorial do veio antigo e comum inquebrantável que nos une. E que perdidos nas brumas do tempo, reclamam que nos juntemos a eles. Além do gelo, ao norte, na Hiperbórea? Na idílica Arcárdia? Não.... nós somos hespérios! Somos a transferência de uma civilização, que transpondo o abismo oceânico, seguindo o por-do-sol atlântico alcantilado, coloreado a cada dia e a cada ano pela vermelha ilha do solícito brilhante sol poente, rumo à paradisíaca rubra ilha Hy-Brasil, nos exilamos nas terras ocidentais do mundo, na realização profética de criação de uma nova raça de homens, predestinada pelos Deuses, a conquistar o mundo! A grei de Breogan!


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