segunda-feira, 11 de abril de 2011

O "Socialismo Moreno" de Brizola.


“Eles gostam de assustar o povo brasileiro com o fantasma do comunismo, elevando-o à categoria de ´bicho-papão´. Ora – não temos medo de bicho-papão: confiamos no povo brasileiro! É um povo que sabe o que quer e sabe o que não quer. E o que este não quer são os figurinos de importações, quer de Moscou, quer de Nova Iorque.” – BRIZOLA.


Difamado, injuriado, caluniado.... Brizola juntamente com Vargas e Goulart, foi um dos personagens mais injustiçados na história recente do Brasil, sempre vilipendiado por uma imprensa venal aliciada pelo capital internacional, a servir de carrasco contra aqueles que se levantam em favor do Brasil e dos brasileiros.
Portanto, sempre oportuno expressar quem era e oque pensava esse homem que dedicou toda sua vida pelo Brasil.

Mangabeira Unger, conta que ao presentear o Brizola com alguns dos seus livros, Brizola teria ido a uma estante e voltou com um livro que resumia o ideário de Castilhos, dizendo:

" - Vamos fazer uma coisa: eu leio os seus e você lê o meu".

João Carlos Guaragna, antigo colaborador, é outro que também conta que:

''No exílio, ele andava sempre com um manifesto de Júlio de Castilhos no bolso".

Brizola foi um fiel seguidor das idéias de Júlio de Castilhos, sua constante preocupação com a educação pública, gratuita e de qualidade advém com as teses castilhistas de progresso humano pela ciência, bem como a tecnificação do Estado administrado por parâmetros científicos, a meritocracia dentro da Administração Pública, o absoluto respeito e probidade a coisa pública, marcas profundas de seu governo.
Isso posto, o Trabalhismo Brasileiro se assenta sob essa base Castilhista, se não é o próprio Castilhismo moldado e adaptado em suas circunstâncias a época, é nesses termos que Brizola define o nosso Trabalhismo:

"A história do Trabalhismo Brasileiro é muito rica e isto garante sua identidade. Contudo, nossas preocupações são com o futuro e não com as recordações. Naturalmente, para a reconstrução da Pátria, devemos nos valer das lições recebidas no passado, especialmente aquelas do grande presidente Getúlio Vargas.

A história criou as alternativas de esquerda e direita que envolveu as ideologias políticas. Contudo, para um prefeito, tapar um buraco na rua não é uma questão de esquerda ou de direita é o sentido de dever do homem público, do amor pela sua cidade. Por igual, a falta de escola em uma comunidade, a falta de ensino para as crianças, também não é um problema de esquerda ou de direita e sim a indiferença do governante para com as crianças.(vê-se nesse trecho do pronunciamento, o forte caráter castilhista)

...Getúlio nunca se declarou da esquerda ou da direita e que seu desejo era a construção de um Ambiente Nacional de Desenvolvimento e Igualdade Social. Por isto, apesar de sermos muitas vezes considerados da esquerda clássica, nunca nos identificamos como tal. Em certos momentos, necessários e adequados, emprestamos solidariedade à esquerda brasileira, pois nossos objetivos eram semelhantes, apesar dos nossos meios serem diferentes e, especialmente nisto, o Trabalhismo Brasileiro se distingue da esquerda.

Como dizia Alberto Pasqualini: nem Nova Iorque nem Moscou. Na Internacional-Socialista onde estão os socialistas, os sociais-democratas e os Trabalhistas Britânicos (da linha libor-britânicos, australiana e canadense) não nos identificamos com estas correntes, nós representamos um outro movimento social:
[...]o Trabalhismo Brasileiro, diferente do Trabalhismo Inglês porque somos do terceiro mundo. Nós temos uma identidade própria, não somos o resultado de um transplante dos socialistas-teóricos, dos socialistas fabiano e outras correntes socialistas. As idéias, as teorias e a experiência externa, não nos serviram de modelo. Trabalhismo Brasileiro é autóctone e autenticamente brasileiro, é crioulo. [...] na América Latina, também não há nada igual ao nosso trabalhismo.

O Trabalhismo Brasileiro formou sua base na realidade nacional, e se ergueu tratando nossos problemas de uma forma própria e com sucesso, sem precisar dos fundamentos da esquerda ou da direita.
...é bom que se reafirme em alto e bom som: nós não excluímos o capital. Consideramos o capital como trabalho economizado e necessário para a produção. O nosso trabalhismo considera que o erro do capitalismo está na má distribuição da renda e sua transformação em instrumento de exploração e opressão do ser humano. É nisso que se afirma o Trabalhismo Brasileiro. Também nos identificamos pelos compromissos sociais e nossa ação é para que não falte o essencial ao desenvolvimento do brasileiro. Queremos construir isto através da fonte geradora do próprio capital: o Trabalho. Com oportunidade e trabalho podemos construir uma grande nação.

Em lugar de nos submetermos de maneira obcecada ao Capital devemos buscar, pelo trabalho, a solução dos nossos problemas. Nós não eliminamos a busca de recursos, inclusive externos, para aliar ao trabalho e assim realizar o progresso, mas, não colocamos o Capital à frente do Trabalho."

“É por isto, meus amigos, que o PDT é a força brasileira. É o partido trabalhista de Vargas, o verdadeiro partido trabalhista brasileiro o dos trabalhadores. E não o desses politiqueiros que andam por aí vendendo a nossa legenda. E só seremos verdadeiros como partido se tivermos os sindicatos aqui ombro a ombro conosco.

Se tivermos os trabalhadores de todas as categorias porque não excluímos os empresários que tenham o mesmo pensamento social que cultivamos. Ao contrário, precisamos da experiências deles, da oportunidade que eles tiveram de aprender que muitos trabalhadores não tiveram. Essa união fraterna se chama Trabalhismo. Na verdade, todas as doutrinas que estão aí, inclusive algumas que se apresentam como socialistas, não passam de transplantes vindos de fora. Pegaram mudas de algumas árvores e plantaram aqui. O trabalhismo, não, ele é autóctone, ele nasceu aqui no Brasil”.

Quanto a propriedade privada, e a demonização por aqueles contrários a reforma agrária, Brizola é ainda mais enfático:

"(...)quem apologiza o problema das transformações no campo: " - é agitação!", "- é pressão política!", "- é comunismo!".... isto aí são as classes privilegiadas. Nós defendemos o direito de propriedade, achamos que um país como o nosso concede a ocupação da terra através da propriedade. Porque achamos que é uma coisa tão boa que queremos para todos.". - Brizola.

Desse modo, a pergunta que se poderia fazer é: se o Brizola não era comunista, oque seria o "Socialismo Moreno" do qual falava?

Esse Socialismo Moreno tem justamente uma conotação de diferenciação doque seria propriamente o "socialismo". Para Brizola "socializar" significava democratizar os meios de produção, tornar acessível a todos:

"Democratizar, portanto, não é só proclamar, abstratamente, a igualdade jurídica, que todos são iguais perante as leis, mas abolir privilégios econômicos, sociais e políticos, que terminam por negar a própria democracia e sufocar a liberdade. Socializar, por outro lado, não é transferir pura e simplesmente para o Estado o monopólio dos meios de produção. É democratizá-los, mediante o controle social de sua utilização e dos valores que gerar, o que só o exercício das liberdades políticas assegura, corrigindo distorções, que terminam por comprometer a própria socialização." - Leonel Brizola; em estrevista concedida a Moniz Bandeira, em 1978.

É nesse sentido que Brizola, ao regressar do exílio, fala em "Socialismo Moreno".















2 comentários:

  1. Acompanho seu blog há um certo tempo. Poderíamos contactar? Escreva para meu mail: vontadeluta@hotmail.com! Saudações patrióticas!

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  2. Leonel de Moura Brizola é inspiração histórica, política e ideológica para os verdadeiros patriotas. Pena que eu não acredito no Brasil. Rio de Janeiro Independente! Mas Brizola é meu líder eterno! Viva, Brizola!

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