sábado, 26 de julho de 2014

As Difamações Contra a Petrobrás - Caso da Refinaria Pasadena.


A Petrobrás comprou em 2006, 50% da refinaria Pasadena Refining System Inc., da Transcor Astra Group SA (um grupo Belga), no Texas-EUA por US$ 415,8 milhões, avaliada segundo o preço do barril processado na época em US$ 7.200 o barril. Em 2012, após divergências jurídicas iniciadas desde 2008 pelo não cumprimento de cláusulas pela Astra, a Petrobras acordou pagar à Astra US$ 820,5 milhões pelos outros 50% da refinaria, tendo ao final custado essa refinaria US$ 1.239 bilhões (415,8 + 820,5), oque teria sido um preço final bem acima do de mercado.

A compra da refinaria Pasadena na época foi um bom negócio, ocorre que o cenário do preço do petróleo se alteraram e principalmente 2 cláusulas contratuais cláusula Marlin e “put option” oneraram a Petrobrás. E no que pese essas cláusulas, hoje já volta a ser um bom negócio.


O Cenário do Mercado na Época da Compra da Refinaria Pasadena.

De 1998 a 2005 o mercado interno brasileiro de combustíveis permaneceu estagnado.

A produção interna de petróleo crescia pouco e era preciso incrementar o refino de petróleo pesado na produção total. (Atualmente, ainda, o Brasil não tem refinarias suficientes para o refino do petróleo demandado). E a compra de uma refinaria nos EUA que desde 1995 que vinham aumentando a importação de petróleo pesado e aonde os preços do petróleo cresciam menos do que o dos combustíveis, ofereciam uma margem de lucros na ordem de 14%, algo altíssimo para época e ainda hoje, bem como uma plataforma de expansão da Petrobrás a nível mundial.

Foi com esse cenário que em 2006, que a Petrobras adquiriu a refinaria Pasadena por US$ 7.200 o barril processado.

Houveram quatro refinarias adquiridas naquele ano nos Estados Unidos por outros grupos, respectivamente por US$ 6.470, US$ 13.801, US$ 13.913 e US$ 15.515 o barril.

Nesse sentido, a compra da Pasadena, por US$ 7.200, foi um preço bastante competitivo para aquele ano fatídico de 2006.

Um ponto a mencionar e que virá a gerar os atritos futuros entre a Petrobrás e a Astra. É que a refinaria de Pasadena processava essencialmente óleo leve. A Petrobrás comprou sabedora disso, e pretendia e acordou antes de efetivar a compra, um plano de negócios conjunto de investimentos para dobrar o processamento de óleo pesado.

Contudo a partir de 2007, os preços sofreram variações. No Brasil, houve as descobertas das enormes jazidas do pré-sal, a maioria constituída de óleo leve. O consumo de petróleo nos Estados Unidos caiu de um pico de 20,8 milhões de barris dia em 2005 para 18,6 milhões em 2012. O preço do petróleo passou a aumentar mais do que o de derivados. No golfo do México, as margens de lucro do refino despencaram de 4,3% em 2005, 3,9% em 2006 e 4,1% em 2007 para taxas negativas entre 2008 e 2010.


As Divergências Contratuais.

Em 2008 começaram as divergências entre a Petrobras e a Astra em relação aos investimentos previstos.

A Petrobras cobrou da Astra sua participação na modernização da planta da refinaria. A Astra se recusou alegando prejuízo, e ao mesmo tempo pois a venda seus 50% restantes de ações se apoiando na cláusula “put option”.

É aí que entra a cláusula “Marlin” e a “put option”.

Pela cláusula Márlin, a Petrobras teria que garantir à Astra, um retorno mínimo de 6,9%, mesmo que o negócio não registrasse resultado positivo.

Já a cláusula “put option” obriga um dos sócios a adquirir a parte do outro em caso de discordâncias na condução do negócio.

E com base nisso a Astra recorreu ao judiciário, alegando que a Petrobrás lhe devia um montante em cima dos 6,9% do faturamento da empresa, independente de lucro(cláusula Marlin) e o direito de vender a Petrobrás o restante de suas ações (cláusula “put option”).

A Petrobrás em contrapartida recorreu a arbitragem alegando, com razão, que a cláusula Marlin só se aplicaria aos investimentos que deveriam ser feitos na refinaria. Como não houve, a cláusula não deveria ser aplicada.

Em 2012, a Petrobrás e a Astra fizeram um acordo extra-judicial, acordando pagar pelos 50% das ações remanescentes da Astra US$ 492 milhões, ou US$ 4.920 o barril(Valor mais baixo do que os pagos pelos 50% iniciais: US$ 7.200), mais os 6,9% que alegava a Astra, concomitante ao pagamento das custas judiciais. Ou seja US$ 328,5 milhões, que ao final resultou nos US$ 820,5 milhões


As Cláusulas Marlin e “put option”.
Oque onerou o negócio da Petrobrás foram a combinação dessas duas cláusulas e os custos judiciais que teve que desembolsar por conta delas e claro a oscilação de preços do mercado.
A cláusula Marlin surgiu na época do governo FHC, é uma cláusula atípica, e ao que parece permaneceu veladamente nos contratos padrões da Petrobrás.
As Atas oriundas do conselho que decidiu pela compra da refinaria Pasadena comprovam que tanto a cláusula "Marlim" quanto a "Put Option" não constavam do sumário executivo submetido ao conselho de administração da Petrobras, em 2006, que sugeria a aprovação da compra de 50% da refinaria no Texas.
Ao passo que a cláusula “put option” é uma cláusula padrão nesse tipo de compra, contudo sua combinação com a cláusula Marlin, remanescente da tenebrosa época FHC levou a essas onerações contratuais.
Ainda que tenha havido custos a refinaria Pasadena pode ainda vir a ser um bom negócio tão logo melhore o cenário econômico como tem se mostrado esse ano de 2014, quando no primeiro semestre apresentou lucro de US$ 68 milhões.


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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Da Éra do Aço à Éra Atômica - Os Esforços de Atração de Mão-de-Obra Especializada e o Ingresso do Brasil na Éra Atômica.

O nível de desenvolvimento de uma civilização se mede segundo seu domínio sobre determinada tecnologia. Assim temos a éra do fogo, do bronze, do ferro, etc... . O Brasil se encontrava atrasado em mais de um século, era urgente adentrar na éra do aço, que Getúlio finalmente conseguiu com a CSN. Mas era preciso mais, o fim da segunda guerra, já deslumbrava um novo paradigma.... a Éra Atômica. E para isso, Getúlio, tentou trazer centrífugas de enriquecimento de urânio da Alemanha em 1954.

Ao fim da II Guerra, Vargas tentou atrair engenheiros, técnicos e operários especializados da Alemanha para o projeto de desenvolvimento nacional. Foi nesse esforço, que se deu a vinda de Heinrich Focke, engenheiro aeronauta alemão. (Ver: Heliconair HC-II Convertiplano - O Avião-Helicoptero de Vargas).

Não só o Brasil empreendeu esses esforços de atração de mão de obra especializada, EUA e URSS, foram os principais cooptadores, integrando ao seus quadros inclusive agentes nazistas. A exemplo de Wernher Von Braun que coordenou a criação, do que viria a ser no futuro, a NASA. Foi Wernher Von Braun que projetou os primeiros foguetes aeroespaciais para os EUA.

Também a CIA, criada em 1947 e que na época ainda se chamava OSS, recrutou seus agentes entre os integrantes do serviço secreto alemão, da Gestapo, inclusive o chefe do serviço secreto dos EUA na Alemanha, logo depois da guerra, era um ex-agente do tempo do nazismo. Todos os agentes secretos da CIA na Alemanha foram recrutados nessa base porque, quando previu que a luta ia ser contra a União Soviética, a CIA tratou de recrutar os nazistas. E muitos foram para os Estados Unidos. Também a URSS, através da Alemanha Oriental, aproveitou muitos militares do tempo do Nazismo. 

No caso do Brasil, não há nenhuma ligação entre a busca de mão-de-obra qualificada da Alemanha e a entrada de fugitivos nazistas ou agentes secretos.

Foi nesse esforço de atração de mão-de-obra especializada, que Vargas negociou com cientistas alemães a transferência da tecnologia de enriquecimento de urânio, por meio das últimas centrífugas de enriquecimento de urânio fabricadas clandestinamente na Alemanha. A CIA descobriu esse fato, e o Alto Comissariado Aliado impediu o embarque das ultracentrífugas para o Brasil, no porto de Hamburgo em 1954.

Foram esses esforços de desenvolvimento levados a efeito por Vargas, que o fizeram virar alvo dos EUA.  E que deu início das atividades da CIA dentro do Brasil, aliciando oficiais do exército e do meio político, inserindo "black propaganda" no meio castrense. E mais uma vez, lembremos Henry Kissinger, secretário de Estado dos EUA, tornaria público anos depois seus intuitos se referindo ao Brasil: "Não permitiremos um novo Japão ao sul do equador.", se referia ao Japão nacionalista da Éra Meiji, anterior a II guerra, nacionalista, que tornou o Japão uma potência.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Vargas e a Língua Brasílica como Fator de Identidade Nacional e Sua Perda.



Esse sim um "Policarpo Quaresma"

Por duas décadas os estudos tupinológicos reinaram soberanos nas universidades na década de 40. Tal foi a voga que, durante o segundo governo de Getúlio Vargas, de 1950 a 1954, tramitava no Congresso Nacional um projeto de lei que tornava obrigatória a criação da cadeira de língua tupi em todas as faculdades de Letras do Brasil. A repentina e trágica morte do Presidente, em 24 de agosto de 1954, não frustrou os entusiastas de tal projeto: em 3 de setembro daquele ano, poucos dias após o suicídio de Vargas, o presidente Café Filho, seu substituto naquele doloroso transe, assinava a lei n. 2.311, publicada no Diário Oficial da União em 9 de setembro daquele mesmo ano tornando obrigatório o ensino do Tupi nas faculdades de letras de todo o País.

Tal iniciativa de Café Filho tinha um sentido nacionalista evidente. Articulava-se, na verdade, com a forte tendência estatizante que o segundo governo de Vargas apresentava, um dos últimos ecos dos pactos nacionalistas que o capital internacional faria soçobrar em todo o Terceiro Mundo, representado, no Brasil, pelo golpe militar de 1964, pela queda de Perón na Argentina e pela de Ahmed Sukarno na Indonésia.

Coincidentemente, o Estruturalismo deita raízes na universidade e na intelligentsia brasileiras nesse momento de desnacionalização econômica e alinhamento político do Brasil com os Estados Unidos, mais forte e mais evidente durante o regime militar, que somente findou em 1985, mas já perceptível imediatamente após o término da Segunda Guerra Mundial.

Desde então, não só o ensino do tupi foi tirado de cena da vida acadêmica brasileira, bem como o latim e mesmo o francês, línguas que formaram nossa base cultural, foram substituídas pelo inglês. 


Texto baseado no do Profº. Eduardo Navarro.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Vargas e a FEB

Desde a deposição de Vargas, os golpistas usaram a FEB como arma de propaganda contra Getúlio. Criaram uma serie de mentiras a respeito da situação do exército, dos intuitos da FEB e do tratamento dado aos pracinhas quando de seu regresso.

Sobre a situação do exército na Éra Vargas.

Os estoques de armas do exército brasileiro, se encontravam abarrotados. O Brasil possuia estocado nos quartéis cerca de 400 mil fuzis provenientes das importações de 1894, 1908, 1922 e 1935 para reservistas em caso de mobilização. Sendo os Mausers M1935 de fabricação alemã e nacionalizados, fabricados pela Itajubá, o de uso padrão do exército. 

Hotchkiss 1914 de uso do exército brasileiro
Também como principal armamento do arsenal da infantaria, contava-se com a Hotchkiss M1914 de fabricação francesa, de emprego em trincheiras e alvos anti-aéreos. 

A cavalaria usava a Hotchkiss M1922, uma metralhadora leve. 

De modo que o exército ao menos até o início da II Guerra, se encontrava de posse de armas atualizadas e muito bem armado. 

Com o frenético desenvolvimento e melhorias de novas armas no curso da II Guerra sim poderíamos dizer terem ficado obsoletas. Contudo, na frente de combate na Itália, os brasileiros receberam e lutaram com armas defasadas, como a ultrapassada Springfield(da I Guerra). Somente já quase ao final de sua participação recebeu armas melhores, ainda sim inferiores as utilizadas pelos alemães.
Vargas prestigiando exercício militar
A guisa de comparação nenhuma fazia frente a metralhadora MG42 alemã (apelidada de "Lurdinha" pelos brasileiros), mesmo a M1919A6 estadunidense, entregue somente em fins de 1944 para 45 era de desempenho inferior e bem mais pesada, por isso só usada em trincheiras, imprestáveis para a guerra de movimento. Ou seja, se se acusa os brasileiros de terem armamentos defasados, esse quadro não se alterou muito na frente italiana e ainda sim foram capazes arrancar vitórias de uma experiente tropa alemã melhor armada.

Das Razões do Envio de Um corpo Expedicionário para a Itália.

A FEB  não foi para Itália lutar contra o nazismo, pela liberdade e a "democracia", como comumente fazem crer..... a maioria esmagadora dos pracinhas ignoravam por completo as razões políticas, e mesmo a cúpula das Forças Armadas, eram simpatizantes do nazi-fascismo. O envio de um corpo expedicionário, teve como objetivo principal a atualização da doutrina militar brasileira.
Poucos soldados, porém, faziam ideia dos motivos que os haviam levado a combater alemães, o que preocupava os comandos pela ausência de motivação adequada de luta” - César Ferraz.
A II Guerra inaugurou um novo tipo de guerra, dita Guerra de Movimento em contráste a defasada Guerra de Posições ou de Trincheira da doutrina militar francesa. 

Essa inovação alemã, de guerra de movimento, para qual nem franceses, nem ingleses e muito menos os ianques estavam preparados no início do conflito, os fez serem levados de roldão pelos alemães com derrotas militares aviltantes. Apenas depois de sofrerem enormes reveses conseguiram se adaptar a nova realidade. 

Inicialmente a unidade expedicionária a ser criada se destinava a ocupação da Guiana Holandesa, cogitou-se também a francesa, por estarem seus respectivos países (Holanda e França) sob ocupação nazista e o receio que se utilizassem, das até então colônias, como base de apoio para ulterior ataques a países americanos, notadamente EUA e Brasil. 

Vargas recusou a proposta, para que não houve-se dispersão da tropa. Com tropas estadunidenses atuando em território brasileiro seria temerário retirar efetivos para atuar em outro cenário bélico. Ademais, a grande preocupação de Vargas era com a Argentina e as colônias alemãs, italianas e japonesas no Brasil. Vargas sabia que o serviço secreto nazista estava infiltrado nas colônias de imigrantes, inclusive na Ação Integralista, oque motivou sua dissolução, com o próposito de sub-elevar a porção sul do Brasil com eventual apoio militar da Argentina que tinha interesses nos portos brasileiros do sul (Tubarão, Rio Grande) posto carecer de portos de alto-calado. Tudo isso já foi confirmado por documentos "secretos" vindos à tona.  

Não foi por acaso que Getúlio condicionou sua entrada na guerra, além da consecução da CSN a uma forte reestruturação militar, adquirindo 350 tanques de guerra M3 Stuart, logo deslocados para as fronteiras no sul do Brasil.

Tanque M3 Stuart. Não foi usado na Itália
 Assim, o envio de uma força expedicionária para Itália teve como condão a atualização da doutrina militar em um emprego prático. Sem se descuidar da defesa do País, o efetivo da FEB foi relativamente pequeno, adequado a uma unidade de treinamento, com recrutas que não desfalcassem o exército. seguiram desarmados para Itália por 3 razões:

  1. não desguarnecer as tropas locais; 
  2. porque em tese receberiam armamentos mais modernos(oque não ocorreu durante grande parte da campanha) e; 
  3. Por uma questão logística. Levar armas significaria um gasto e uma operação logistica muito maior.

Assim, sem se descuidar da defesa nacional, atualizando e equipando as forças Armadas com oque de havia de mais atual foi que se deveu o envio da FEB para a frente italiana. 

"Farda da FEB seria igual a dos nazistas" 

Farda, cinza, usada pela FEB.
Outra mentira propagada pelos liberais e marxistas. Sobre a farda da Força Expedicionária, apenas a cor, cinza, se assemelhava, e ainda sim não chegou a ser substituída, os soldados passaram a usar a Jaqueta M1, de cor Cáque, do exército dos EUA para diferenciar a longa distância e também por causa do inverno. Lembrando que o Brasil levou casacos de frio também, ao contrário do que se diz que o Brasil não teria levado roupas de inverno, apenas por serem os casacos também cinza não se usou na frente de batalha. Eis o uniforme usado pela FEB:

De mencionar ainda a completa desorganização logística das forças do EUA, que não proviram logisticamente a FEB, que era sua função. Atrasando remessas, quando entregues, fora de tempo, com materiais insuficientes e muitas vezes já usados..... quando não ultrapassados.


Combinação mais comum usado pelos pracinhas

A Desmobilização da FEB e a Queda de Vargas.

Com o retorno da Força Expedicionária ao Brasil, a cúpula militar que fora para Itália bem como a que havia ficado no Brasil foram aliciados pelos EUA com ordens de depor Getúlio Vargas. documentos da CIA revelam que com a morte de Roosevelt, ficou aberto o caminho para deposição de Vargas.

Getúlio era muito popular entre os pracinhas, e concomitante ao desembarque das tropas no Brasil e sua recepção pelo próprio Vargas em pessoa, ocorria a Campanha Queremista, que foi prontamente aderida pelos pracinhas.  Tendo inclusive muitos participado de comícios pró-Getúlio.

recepção aos pracinhas ainda com Vargas
Isso era um problema para a cúpula militar que já tinha em mente depor Vargas, temiam também que ocorrendo uma cisão, essa nova unidade "emergente", a FEB, tomasse seus postos já que se encontravam em franca conspiração golpista.
“Durante muito tempo acreditou-se que Vargas temia a volta dos soldados, que poderiam apressar o fim do seu regime. Mas as maiores desconfianças partiram das principais autoridades militares brasileiras, os generais Dutra e Góes Monteiro, e de setores políticos que teriam a perder com a livre expressão política dos febianos” - César Ferraz.
Outro que desmascara a farsa propagada pelos liberais é Dennison de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que trabalha o tema, entre outros, na pesquisa atual Reintegração social do ex-combatente no Brasil: o caso da Legião Paranaense do Expedicionário (1945-1980):
“A FEB não era bem-vinda por boa parte dos membros do Exército, os militares de carreira que conseguiram, de alguma forma, escapar da ida à guerra. O envio de expedicionários, os cidadãos-soldados, era motivo de piada nos quartéis. Quando eles voltaram com prestígio popular, muitos sentiram que poderiam ‘ficar para trás’ em suas carreiras e se iniciou uma conspiração surda da maioria que temia ser ultrapassada em suas promoções e cargos” - Dennison de Oliveira
“Havia temores políticos: a ameaça que representava para o ‘Exército de Caxias’ esse novo tipo de força militar, mais profissional, liberal e democrático; o medo de que os oficiais febianos pudessem se tornar o fiel da balança político-eleitoral e fossem cooptados pelos comunistas; acima de tudo, temia-se que os expedicionários, entre os quais Vargas tinha grande popularidade, pudessem apoiá-lo e empolgar a população para soluções diferentes daquelas do pacto conservador das elites políticas para a sucessão de Vargas” - César Ferraz.
Um exemplo desse medo foi o veto à distribuição de medalhas para todos os soldados pelos americanos. Afinal, poderia ser “fonte de vexação” para os militares de carreira que haviam ficado no Brasil e teriam que medir forças políticas e profissionais com militares moldados em combate.
“Havia uma flagrante má vontade para com a FEB por autoridade do governo e muitos militares temiam ser preteridos nas futuras promoções da carreira pelos oficiais e praças expedicionários que podiam exibir experiência de guerra” - César Ferraz.
Diante dessas suspeitas a FEB foi rapidamente desmobilizada, negado promoções, completamente postos na reserva relegados ao ostracismo, perdendo uma imensa oportunidade com soldados com experiência de guerra para modernização do exército objeto para qual Getúlio destinou a FEB. Pondere que deposto Getúlio nada foi feito pelos veteranos da FEB, mesmo após o Golpe de 64, somente com a constituição Federal de 88 foram reconhecidos direitos expressos aos veteranos da Campanha.

Em situação ainda pior e mais desesperadora, foram legados aos "soldados da borracha" que ficaram completamente abandonados no imenso vale amazônico em um ambiente mais mortífero do que as frentes de batalha no norte da Itália. Algo que deveria ter se desdobrado em uma magnífica ocupação racional das terras oestes do Amazônas, operando-se uma reforma agrária tal como feita na colônia agrícola de Ceres em Goiás, um dos mais exultosos modelos de ocupação do espaço territorial brasileiro. Mas, essa é outra história.... !


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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Posições do Castilhismo-Trabalhista.


CASTILHISMO

01. Capitalista anti-liberal, refratário ao liberalismo econômico.
02. A favor do Estado intervencionista e regulador da economia.
03. Democrático, a favor de mecanismos de participação direta como Plebiscitos e Referendos populares.
04. Contra o Sistema Representativo Liberal, anti-oligárquico.
05. Pela implantação do Estado Positivo, onde as decisções políticas são substituídas por decisões técnicas.
06. Meritocrático, os cargos públicos devem ser ocupado pelos mais competentes, os mais qualificados. Anti-corporativismo.
07. Pela defesa e apoio intransigente da indústria nacional.
08. Pela defesa dos direitos trabalhistas.
09. Promotor da ciência e tecnologia.
10. Defensor da cultura brasileira.
11. Militarista, norteado pelo princípio da não-intervenção e respeito a autonomia dos povos.
12. Federalista-Centralizado, tal como somos, um Estado federal com poderes concentrados na União.
13. Humanista, toda política de Estado gira em benefício da pessoa humana, do seu bem estar social e sua integridade físico e mental.
14. Desenvolvimentista, o desenvolvimento de uma civilização auto-sustentável.


Obs.: Não nos situamos nem à "esquerda" nem a "direita". Essas designações só fazem sentido dentro de um Estado Liberal, o qual deve ser abolido.

CASTILHISTAS
Júlio de Castilhos
Floriano Peixoto; Pinheiro Machado
Goulart, Vargas e Brizola.




domingo, 9 de fevereiro de 2014

Por uma Base Aero-Naval em Trindade



A descoberta dos campos petrolíferos brasileiros em seu pré-sal ativou a cobiça do eixo imperialista(EUA, Inglaterra) sobre o Brasil com a reativação da IV Frota. Mas não só o pré-sal esta na mira dos EUA/Inglaterra, o Golfo da Guiné também tem se convertido em um importante campo de extração petrolífera, bem como o litoral angolano e o leito submarino das ilhas sub-antárticas  já começam ser exploradas pela Inglaterra ao arrepio do Tratado Antártico. Sem mencionar que a posse dessas ditas ilhas sub-antárticas(Geórgia do Sul, Orcadas do Sul e ilhas Sandwich, além das Malvinas) dão o virtual controle à Inglaterra da passagem do Atlântico para o Pacífico.

Diante desse quadro a ilha da Trindade ganha especial relevância na defesa dos campos petrolíferos brasileiros, a instalação de uma base aero-naval na ilha se constituiria em um posto avançado de defesa e controle, capaz de manter à distância eventuais forças hostis. 

Não é de hoje que a Ilha da Trindade é cogitada para vir a ser uma base naval, em 1950 ela foi objeto de uma expedição científica com propósito de instalação de uma base aeronaval. Antes, no curso da II Guerra, pelo seu abandono, chegou a ser usada por submarinos alemães como base de reabastecimento. 

Em 1980, a ilha voltou a ser objeto de atenção. Com o envio de engenheiros de uma empreiteira brasileira encarregados de preparar o estudo de implantação da base aero-naval. Segundo notícia da época:

“O resultado esta contido em três volumes que traçam o perfil, em etapas de um poderoso centro de vigilância eletrônica e alerta avançado. Na primeira fase, a intenção é construir uma atracadouro capaz de receber navios de grande deslocamento (um porta-aviões, por exemplo, ou cargueiros), alojamentos, depósitos, instalações de detecção aérea e marítima de longo alcance (com raio de cobertura da ordem de 400 a 1000 Km) e uma pista para pousos e decolagem com 1500 metros, mas que deverá ter pelo menos 2800 quando concluído o terceiro estágio. Inicialmenteo aeroporto deverá poder receber aviões de carga, tipo Hércules C-130; mais tarde, provavelmente aeronaves de combate e, com certeza, de patrulha.”

Em 82 a ilha foi visitada por técnicos estadunidenses que teriam considerado o projeto brasileiro para aproveitamento militar da área como “perfeito”. Os EUA chegaram a oferecer financiamento para consecução da base, no valor de US$ 300 milhões(na época), com fito, velado, de descapitalizar o programa nuclear brasileiro, direcionando verbas para a construção da base ao passo que o programa nuclear ficaria em um 2º plano, sem verbas.

Recentemente a Marinha converteu Trindade em uma Estação Científica da ilha da Trindade(ECIT). A iniciativa é tímida.

 A Posição Diplomática Brasilera

A posição estratégica do Brasil sempre foi ter o Atlântico Sul como área desmilitarizada. Oque explica a cautela da Marinha em converter Trindade em "Estação científica". Contudo, com a conversão do atlântico sul em uma área petrolífera, a Inglaterra e os EUA cada vez mais militarizam a região: A Ilha de Ascenção, sob posse da Inglaterra, é uma base militar permanente de monitoramento do Atlântico e da América do Sul, foi desse posto que partiram as ações de espionagem dos EUA sobre o Brasil divulgadas pelo wikileaks. A IV Frota foi reativada e a Inglaterra tem militarizado as malvinas posicionando aviões de caça de forma permanente na ilha bem como despachando seus submarinos nucleares para região. 

Conjectura

Diante desse cenário, não há como permanecer com o mesmo discurso nem muito menos deixar desguarnecido nossas ilhas oceânicas que se constituem em naturais postos avançados de defesa. 
No caso da ilha da Trindade, ela se encontra a 1.200 Km da base aeronaval de São Pedro da Aldeia(RJ). Os caças Gripens a serem construídos no Brasil, cobrem um pouco mais dessa distância em combate(1.300 Km) de modo que essa conexão Base de São Pedro e Trindade se complementam de forma perfeita.

Trindade também é fundamental para operação conjunta com o porta aviões brasileiro. Um porta aviões é um vetor de ataque por excelência, porém, extremamente vulnerável, de modo que exige uma considerável força em seu entorno atuando em sua defesa. A base aeronaval da Trindade possibilitaria esse controle sobre toda área de atuação do porta aviões nos campos petrolíferos brasileiros cobrindo, inclusive, sua retaguarda quando esse atuasse mais além da ilha de trindade, possibilitando o virtual controle de ponta à ponta da costa africana à brasileira.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Bautista Vidal e o Trabalhismo.

“A Carta Testamento de Getúlio é energética e há nela citações ao papel da Petrobrás e da Eletrobrás. Getúlio foi o primeiro a valorizar o álcool como substituto da gasolina e, em 1931, teve a visão de criar o Instituto do Açúcar e do Álcool, o IAA, e botar na presidência dele o grande Barbosa Lima Sobrinho. A hora é agora e precisamos assumir o papel de Brizola”.

O papel do PDT é estratégico porque somos o único partido nacionalista. Nossa natureza é apoteótica, mas nos falta instrumental político e este é o grande papel que o PDT precisa desempenhar."

agora que não temos mais Brizola, temos que assumir a sua grandeza e valorizar cada vez mais a sua herança [....] e sua intransigente defesa do nacionalismo, do trabalhismo, e das instituições mais sagradas dos brasileiros”.
O Brasil é a grande nação energética do século XXI, mas a sua população não sabe disto. Por isso é fundamental um partido nacionalista para conduzir os brasileiros ao seu grande destino”. 

A única solução para a crise mundial é o Brasil, único país do mundo com capacidade de fornecer combustíveis renováveis e limpos para toda a humanidade”. Mas para que isto seja possível, “precisamos antes que o Brasil tenha um estado, um governo, e não esses abúlicos que estão em Brasília”.
Vivemos uma encruzilhada, no momento. “Todo mundo quer meter a mão no Brasil e precisamos dizer “Não” a eles. O PDT precisa ser o partido do “Não” aos entreguistas. Vivemos um momento crucial, sou professor de física há 40 anos e costumo dizer aos meus alunos que acredito plenamente que minha tese seja a correta. A não ser que consigam revogar as leis da termodinâmica e desloquem o Sol do Brasil para Nova Iorque
“Temos que ter a visão que Getúlio teve, temos que voltar as nossas origens”.
                                                                                            Bautista Vidal,  cientista e professor, físico brasileiro de renome internacional, ex-professor da Universidade de Brasília que, juntamente com Urbano Ernesto Stumpf (1916-1998), foi o idealizador do motor à álcool. Escritor talentoso, conferencista brilhante, Bautista Vidal foi autor de 12 livros, dentre eles se destacam: De Estado Servil à Nação Soberana; Civilização Solitária dos Trópicos; Soberania e Dignidade, Raízes da Sobrevivência; O Esfacelamento da Nação; A Reconquista do Brasil e  A Economia dos Trópicos.