Resenha do artigo "O Farroupilha Leonel Brizola" de Júlio Ambrozio, encontrado em:
O grande objetivo de Leonel Brizola foi conduzir o país à união nacional originada em 1930: povo, exército e indústria - a aliança da classe média com o povo. Essa luta pela formação da Civilização Brasileira, visando a união nacional, mantêm-se urgente e atual.
Tanto isso é verdade que a grande mídia só agora quis saber de Leonel de Moura Brizola, quando desce às catacumbas; com ele, descem também a compreensão e o sentimento fronteiriços de nacionalidade, originados nos conflitos entre espanhóis e o mundo luso-brasileiro, em constituição no antigo continente de São Pedro do Rio Grande no período colonial.
Quem se debruçar sobre a literatura guasca, sem dúvida, irá encontrar em Brizola, com a Cadeia da Legalidade e com a tentativa de resistência ao golpe imperialista de 1964, a descendência de Mestres-de-Campo, tais como Francisco Pinto Bandeira e Rafael Pinto Bandeira, ou mesmo a herança de José Borges do Canto e Manoel dos Santos - responsáveis estes dois pelo embate que pacificou as fronteiras de tensão do Rio Grande do Sul em 1802: a definitiva conquista da região das Missões.
O leitor que procurar a Farroupilha e o Positivismo irá encontrar as origens republicanas de Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola: o fortalecimento do Estado como veículo do Federalismo meridional; o guarnecimento do Estado, já agora com Getúlio Vargas, como garantia da nacionalidade. O Positivismo gaúcho possibilitou transferir o respeito, a disciplina e a solidariedade dos clãs de fronteira para o Estado. O campo gauchesco-brasileiro, pois, expandindo-se para o Brasil com a Revolução de 1930, resultou na luta pela democracia social, acoplada à descolonização do país, ao fortalecer o Estado brasileiro.
Eis o brasileiro Estado de bem estar social: a Era Vargas, saída dos campos raianos do Rio Grande do Sul, em 1930, envolveu o país com um projeto de Brasil em defesa dos brasileiros, incorporando a projeção da Civilização Brasileira encontrada em autores como Euclides da Cunha, Alberto Torres, Oliveira Viana e outros que deram as bases, bem antes de sua fundação, do Partido Trabalhista Brasileiro criado em 1945. Se o cosmo deste período - 1930-1964 - existia em transe, isso somente significa que o povo brasileiro exercia a sua pulsão energética, criativa e de resistência, desse modo, afirmando que a sua Civilização não se construiria à imagem da antiga URSS e à dos EUA, mas como brasilidade popular e soberana.
Contudo, 1964 foi um duro golpe. Quando, 15 anos depois, a anistia traz Brizola de volta, retorna como legítimo e único herdeiro do Trabalhismo. As dificuldades deste período podem ser ilustradas através da perda da legenda PTB para Ivete Vargas-Golbery do Couto e Silva e das sistemáticas traições de personagens saídos do PDT. Trânsfugas municipais, estaduais e federais. Além de outras traições. É verdade que tais deslealdades foram antes ao Trabalhismo do que propriamente a Brizola, pois 1964 configurou-se como fratura dorsal desse movimento, dando asas para personagens que, na antiga circunstância pré-64, não teriam interesse ou coragem de praticá-las.
Em contrapelo, sem consciência, aquilo que falaram alguns políticos - elogiando a coerência e pertinácia de Leonel Brizola - , na verdade, foi o seu admirável senso de responsabilidade pública com a sua terra, o seu mundo, a sua tradição e história.
Leonel de Moura Brizola - talvez mais do que Jango - está ao lado de Getúlio Vargas.
Em tempo.... Brizola, quase ia dizendo, o Trabalhismo campeiro, vagou por esses anos pós-exílio em busca de herdeiro(s).
É chegado a hora de tomarmos posse!
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