sexta-feira, 20 de maio de 2016

Os Valores Clássicos Nas Personagens Femininas do Filme Tropas Estrelares.

Robert A. Heinlein, foi um autor de ficção científica da década de 50, que  em 1959 escreveu Starship Troopers. Obra na qual foi baseado o filme Tropas Estrelares (1997). O filme é uma caricatura de uma cultura militarista/espartana direcionado ao público adolescente. Razão pela qual, não se deve esperar maior qualidade da obra. Mas que por resquício, acaba mostrando alguns valores espartanos, ainda que caricato. 

A versão cinematográfica fica aquém da obra literária de Robert A. Heinlein. Heinlein entra com muito mais profundidade e discussão no mundo fictício, sobre política e filosofia. O livro é muitas vezes mais ousado do que o filme examinando mais cuidadosamente os conceitos dos valores potenciais do militarismo (em vez de apenas difama-lo). Toca a superfície, mas não mergulha verdadeiramente nos valores clássicos. 

Ilustrativamente, em uma cena, o personagem "Rico" é punido administrativamente com 10 chicotadas em público perante seus camaradas (tal como sucedia em Esparta), por ter agido com negligencia, ao permitir que um de seus comandados em um campo de treinamento, retira-se o capacete, tendo sido atingido e resultado em sua morte. Oque também põe em relevo que os superiores são responsáveis pelo bem estar de seus comandados. O inato espírito de camaradagem que deve existir em qualquer agrupamento humano, sendo um responsável pelos outros mutuamente.



Um dos pontos suscitados em sua obra, e posto com maior relevo no filme é o papel de gênero. As personagens femininas são dotadas de valores superiores, próprias de uma sociedade espartana, céltica, se equiparando aos homens, mesmo superando os débeis.  No início do filme, é apresentado um pelotão composto indistintamente por mulheres e homens

Na obra ficcional, só se atinge a cidadania plena, com o serviço militar, tal como era em Esparta.  As regras oficiais são apresentadas pelo Sargento Ho no momento do recrutamento do personagem "Rico":
"- Mas se você quer servir e eu não posso falar com você sobre isso, então nós temos que levá-lo, porque esse é o seu direito constitucional.
- Ele diz que todos, homem ou mulher, deve ter o seu direito de pagar com seu serviço e assumir a plena cidadania."
Além disso, uma das principais personagens (Carmem), disputa o posto de capitão da tropa, e disputa em igualdade e até com mais valor outros pretendentes. A cena do vestuário evidencia bem essa igualdade de gênero, bem como a mentalidade naturalista do espírito clássico, não havendo nenhuma separação entre homens e mulheres no vestiário.


No livro, como por reflexo no filme, não existe nenhum impedimento as mulheres. Podendo assumirem indistintamente qualquer posto, desde que sejam qualificadas. É o apreço a meritocracia como valor mais alto.

Na obra ficcional, as mulheres servem mais na marinha, como capitães de naves Troop ( ex Yvette Deladrier comandando "Roger Young"). As mulheres estão concentradas mais na Marinha, especialmente como pilotos, devido ao tamanho menor, melhor tolerância para altas Gs e reflexos mais rápidos. A maioria dos pilotos e capitães de naves eram mulheres por essas razões.

Outra cena que evidencia esses valores, é quando o Capitão Jorgensen tutor de "Rico" em matemática, durante sua visita oficial. Vendo que as notas de Carmem eram muito melhores do que a de Rico não esboça qualquer hesitação em coloca-la no comando de uma nave estelar, em detrimento de Rico. Mais uma vez, vemos triunfar a meritocracia e a ausência de corporativismo. Posto que meritocracia e o corporativismo são incompatíveis.

Em suma, o filme Tropas Estrelares, desde que sob um olhar crítico, é um filme a ser assistido, de modo a se observar esses valores clássicos, ainda que por reflexo. A se notar que na obra, as mulheres portam esses valores, algo completamente ausente na atual psiquê feminina e mesmo masculina. E são sob esses valores, que a tornam capazes com justo mérito e orgulho, ascender a posições mais altas. 


Ver também:

1. Mulher Cidadã.
2.Getúlio Não Tomou Parte na Deportação da Olga.
3. A CIA Como Promotora do Feminismo No Pós Guerra.
4. Educação e Formação da Mulher Castilhista

O Castilhismo como Herdeiro dos Valores Clássicos:
http://ressurreicaonacionalista.blogspot.com.br/2016/03/o-castilhismo-como-herdeiro-dos-valores.html

Uma Grécia nas Ribeiras do Atlântico Sul.
http://ressurreicaonacionalista.blogspot.com/2009/08/uma-grecia-nas-ribeiras-do-atlantico.html

Por um Novo Século de Péricles.
http://ressurreicaonacionalista.blogspot.com/2009/08/por-um-novo-seculo-de-pericles.html

Uma Esparta ao Sul do Brasil
http://ressurreicaonacionalista.blogspot.com.br/2016/03/castilhismo-um-estado-espartano-ao-sul.html


16 comentários:

  1. Parabéns pelo blog. Sou monarquista, mas admiro e reconheço que Getúlio Vargas foi o ÚNICO presidente que realmente fez de tudo para desenvolver o Brasil. Depois de D. Pedro II, Vargas é o maior brasileiro de todos os tempos.

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    1. Grato por prestigiar nosso blog, agora, deves estudar melhor o período da regência de D. Pedro II, ele era liberal. E foi essa política, desastrosa, que legou o atraso industrial do Brasil em mais de um século.

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  2. Quem deve ser condenado pelas políticas econômicas não é D. Pedro II, e sim o presidente do Conselho de ministros, pois era ele o ministro da Fazenda. Um dos mitos mais difundidos era que o imperador teria falido Mauá, mas isso é pura fantasia. Um descendente de Mauá desmentiu isso já.

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  3. Poder Moderador é aquela instância suprema que paira acima das disputas de partidos, grupos, seitas, idéias e indivíduos. Tivemos um na pessoa do Imperador. Pedro II não era liberal nem conservador, nem progressista nem reacionário. Era o molde pelo qual se recortava a sociedade, tanto nos seus limites externos quanto nas suas diferenciações internas. Era o ponto arquimédico da coincidentia oppositorum , a medida de todas as coisas, o primeiro motor imóvel do microcosmo nacional.

    Destronado, foi substituído por uma oligarquia que tentou copiar sua imobilidade olímpica mas fracassou pela impotência de controlar seus conflitos internos.

    Getúlio Vargas, que a derrubou, soube assumir o lugar de Pedro II, apenas variando o método. Onde o Imperador se mantivera como eixo da roda por meio de um distanciamento aristocrático que raiava a indiferença, Getúlio se conservava no centro pela sua habilidade de ir simultaneamente em todas as direções, de se meter em tudo sem se comprometer com nada, chegando a criar ao mesmo tempo um partido trabalhista e um conservador, e fazendo enfim, como notou José Ortega y Gasset, “política de esquerda com a mão direita e política de direita com a mão esquerda”.
    Olavo de Carvalho

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    1. Não se trata de Mauá, mais um ou menos um empresário (ainda que com o brilhantismo de Mauá) não seria, nem é a causa do subdesenvolvimento do período.

      Como poder moderador, D. Pedro II que governava em um regime mais centralizado do que as atuais monarquias parlamentaristas,nunca exerceu seu poder moderador para evitar essa política suicida. E não fez, porque compactuava.

      Assim, é que o próprio D. Pedro II, quando de seu exílio, confessa em carta à Afonso Celso seu erro pela adoção do liberalismo:

      "Já não estou tão livre-cambista como dantes; a tendência da época manifesta-se visivelmente protecionista. Não há remédio se não atendê-la". - D. Pedro II.

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  4. E o Floriano Peixoto? O mesmo sujeito que pediu ajuda pros EUA durante a revolta da Armada? O mesmo que comemorou a independência dos EUA? O mesmo que foi amiguinho de Percival Farquhar? A República foi um atrasado memorável pro Brasil nas relações internacionais/geopolítica. Sob o Império éramos conhecidos como uma potência agressiva (veja os escritos de Domingo Sarmiento). Fora que o Brasil Império "colocou" no poder Venâncio Flores no Uruguai, Bernardino Caballero no Paraguai, Urquiza e Mitre na Argentina. Abaixo a República! Ave Império!

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    1. Percyval Farquart não tem nenhuma ligação com Floriano, seu governo é anterior, e ele Floriano, vem a falecer em 1895..... ou seja, NENHUMA conexão com Farquat.

      Antes.... Floriano revogou o decreto de Deodoro de arrendamento da estrada de Ferro Central do Brasil, isso no mesmo dia em que assumiu(23/11), além da incorporação das ações da companhia da Estrada de Ferro.

      A Revolta da Armada contou com apoio ingles, e português. Tendo inclusive os ingleses se negado a vender navios de guerra ao Brasil. Sem marinha de Guerra, Floriano tentou recorrer a Argentina que se negou a locar navios de guerra para o Brasil, receosos que a guerra se alastra-se para o seu território, a guerra federalista já eclodira no sul. E diante dessas contingencias, na época, os EUA foi o único país que se propois vender belonaves ao Brasil.

      E a propósito os acontecimentos ocorridos na Guanabara, demonstram a fragilidade da "portentosa marinha imperial", com apenas 2 tiros, de apenas 2 buques americanos, os navios de guerra da marinha se renderam e se refugiaram em navios portugueses. Oque joga por terra, ou seria por mar!? O delírio monarquista da "poderosa" marinha imperial....

      Os episódios do prata, nada tem haver com Floriano, as circunstancias são outras.

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  5. Tanto os EUA quanto os Confederados, durante a guerra civil americana, pediram apoio dos políticos tradicionais do Brasil Império. Um líder conferederado, que não me lembro o nome, insistiu para que o Brasil invadisse os EUA e até mesmo anexasse a área controlada pelos Confederados! Uma pena que não intervimos nesse conflito, pois o cenário de hoje seria diferente para os EUA.

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  6. O Império, juntamente com República, atrasaram a organização do país. Tinham uma política ultracentralizadora, que vieram a desrespeitar as diferenças culturais das regiões. Sou paulista, bandeirante, prudentista e diferente dos gaúchos que carregam o chimarrão e general Osório como inspirações. Melhor coisa pro Brasil é o Federalismo pleno ou um conjunto de confederações. Os heróis de 9 de julho não serão esquecidos. Abaixo o centralismo de Pedro I e de Getúlio Vargas!

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    1. Ao contrário..... a República Velha houve uma descentralização abissal, São Paulo, em sua constituição chegava-se ao cúmulo de auto-proclamar-se "soberano"! E basta ver os anos de atraso econômico da República Velha ressalvado o governo de Floriano Peixoto e Afonso Pena.

      Em contráste o Rio Grande do Sul sob égide da Constituição Castilhista, vislumbrou durante quatro décadas uma desenvolvimento vertiginoso, enquanto todos os demais Estados dominados por políticas liberais se encontravam no mais obscuro atraso.

      "laicismo, fim do senado vitalício, ensino científico, federalismo" Mais do que bandeia dos Castilhista foram pressupostos implementados nos governos castilhistas. Quando da Assembleia constituinte, que implementou a constituição federal de 1891, a 1ª constituição Republicana, o projeto positivista que previa o fim do Senado, foi rejeitado pelos liberais do qual fazia parte Silveira Martins. Quanto essa tolice de "diferenças culturais" é pura invenção.... no Brasil inteiro habita uma mesma nação, o federalismo é defendido por uma questão administrativa, não por questão legislativa..... e mais uma vez, basta comparar o Rio Grande do Sul sob a Constituição Castilhista vigente por 4 décadas, no mesmo período, com São Paulo de constituição liberal, para contrastar a inferioridade das constituições liberais.

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    2. Chile e Austrália são exemplos de constituições liberais "inferiores". O nacionalismo brasileiro é um grande problema, pois se resume, em geral, em bens, posses e propriedades: "Petróleo é nosso", "Amazônia é nossa", e etc...

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    3. Com o atual caos político, digo que sou paulista e não brasileiro. Meu Estado puxa o Brasil todo e sofre com a péssima distribuição feita pela União. Cada estado deve ter leis próprias, legislações trabalhistas únicas e etc... A tendência é essa. Se houvesse uma guerra em que o Brasil estivesse envolvido, eu não estaria muito motivado a lutar. A única instituição que eu tenho respeito hoje e desde sempre é a marinha. O exército brasileiro não é mais o exército de Caxias e sim de Deodoro. Arriscaria minha vida pelo Império e pela República velha. Apoio um governo em que pessoas dotadas de sapiência tomam decisões do rumo país (sofocracia). Foi assim com o 2 Reinado e foi assim com a República velha. Bons tempos quando barão de Rio Branco e marquês de Olinda batiam o martelo nesse país...

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    4. Seu blog é tão nacionalista que até hoje eu não vi uma postagem sobre a batalha de Riachuelo, a maior batalha e a maior vitória da história do Brasil. Nem ao mesmo vi um artigo sobre a batalha de Tuiuti. Talvez seu nacionalismo seja apenas um nacionalismo econômico...

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    5. Depois de divagar tanto termina de forma melancolica.... "Arriscaria minha vida pelo Império e pela República velha", é de se pensar que sua vida não vale muito. São Paulo apenas por uma questão circunstancial tende a ser sede de empresas multinacionais e mesmo de empresas brasileiras, que embora com sede em são paulo, visam todo o mercado brasileiro. Se a época da industrialização a população estive-se concentrada em Goias (a titulo hipotético) teria sido lá (ou em qualquer outro nesse contexto) que o parque industrial e outros setores da economia do país teria se desenvolvido.

      Conhece-se a Austrália, saberia que o desenvolvimento australiano se deu sob o partido trabalhista australiano de feição nacionalista, com um programa muito similar ao do Trabalhismo de Vargas, herdeiro direto da doutrina castilhista. O Chile é um reles exportador de matéria prima, cobre e vinho notadamente..... e gravemente afetado por falta de uma matriz energética própria, depende de importação de energia da Argentina.

      Sobre nossa abordagem histórica, mais uma vez mostra desconhecimento, talvez sejamos um dos poucos se não únicos, que abordamos um teor histórico do Brasil. Se caso se surpreende com a batalha do Riachuelo devia antes mencionar a batalha de Salvador quando da tentativa de invasão holandesa, que foi uma das maiores batalhas navais da história mundial. Bem como as referencias que fazemos a Guerra contra os franceses, ingleses, holandeses e castelhanos, se ainda não enfocamos a guerra do paraguai se deve apenas por uma questão de tempo..... embora enfatizemos o contexto de histórico da nossa formação nacional.

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  8. No que referi fraco - leia-se fraco economicamente.

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