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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O Nacionalismo Brasileiro como Promoção e Defesa da Tradição

Só os ricos podem se dar ao luxo de não terem pátria.
Ramiro Ledesma Ramos.

O nacionalismo brasileiro apresenta-se como uma doutrina que transcende a mera exaltação patriótica e o simples programa de defesa econômica. Seu ponto de partida é a distinção entre nação e nacionalismo: a nação constitui uma realidade histórica, enquanto o nacionalismo representa a consciência dessa realidade e a disposição política de preservá-la e defendê-la!

Nessa perspectiva, a nação não nasce necessariamente com a constituição formal de um Estado independente. Pode antecedê-lo, antes de alcançar sua plena autonomia política. O nacionalismo, portanto, não cria a nação; reconhece-a, toma consciência de sua existência e busca assegurar sua continuidade. No caso brasileiro, o Brasil já se constitui como uma entidade nacional desde o período colonial, anterior a sua Independência em 1822.

A origem comum é a base histórica da nação; a consciência nacional transforma essa comunidade em sujeito consciente de sua própria existência; e a unidade política dá expressão estatal a essa realidade. O nacionalismo surge posteriormente como a manifestação consciente da nacionalidade. Seu objetivo é defender aquilo que constitui a existência nacional, tanto em seus aspectos materiais quanto existenciais.

Os aspectos materiais abrangem o território, a soberania, o Estado, os recursos naturais, a economia, a indústria, a infraestrutura e a capacidade tecnológica. Uma nação que não disponha dos meios materiais necessários para sua subsistência encontra-se sujeita à dependência externa.

Os aspectos existenciais dizem respeito àquilo que faz uma determinada nação ser reconhecida como ela mesma: ancestralidade, língua, religião, costumes, memória histórica, e formas culturais. O nacionalismo, assim, não se limita à defesa do território ou da economia. Defender a nação é defender também sua continuidade histórica.

A formação territorial desempenhou papel central no processo da formação nacional. A ocupação do território, as expedições bandeirantes, os conflitos contra invasores estrangeiros e a progressiva expansão das fronteiras criaram experiências históricas compartilhadas entre populações estabelecidas em diferentes regiões do país. As guerras contra franceses e holandeses possuem importância especial, gerando uma consciência de pertencimento comum. A defesa da terra desde o início deixou de ser apenas uma defesa dos interesses portugueses e adquiriu um sentido brasileiro que forjou a nacionalidade brasileira. A posterior consolidação diplomática de nossas fronteiras, particularmente com o Tratado de Madri, completam esse processo. O território é mais do que o espaço físico onde a nação se instalou; é também um dos instrumentos através dos quais floresceu a consciência nacional. Nesse sentido, a Independência representa a transformação de uma nacionalidade historicamente já existente em nação politicamente soberana. A tradição nacionalista sustenta que a autonomia política seria a consequência necessária dessa nacionalidade previamente formada.

O elemento que mais distingue essa concepção de um nacionalismo meramente político é seu caráter orgânico. Diferente das teses liberais a nação não é vista apenas como um contrato entre indivíduos que, em determinado momento, decidiram constituir um Estado, mas como uma nação histórica formada por gerações sucessivas. O indivíduo nasce dentro de uma realidade que não criou: recebe uma língua, uma memória, uma tradição religiosa, costumes, instituições e símbolos advindos de um ambiente pré-existente a si, relacionado ao território e ao povo no qual habita. A nacionalidade, portanto, possui uma dimensão de herança, não apenas econômica, mas também espiritual e cultural.

Daí a importância da tradição, através da qual uma comunidade permanece sendo ela mesma ao longo do tempo. O nacionalismo passa, consequentemente, a ter uma função conservadora num sentido específico: não necessariamente conservar todas as instituições existentes, mas conservar a continuidade nacional através das transformações históricas. O nacionalista pode admitir mudanças políticas, econômicas e tecnológicas; o que não pode aceitar, nessa concepção, é que a mudança resulte na dissolução da identidade histórica nacional.

É nesse contexto que surge a fórmula Sangue, Língua e Credo, correspondente ao antigo ethnos, que identifica os elementos de um agrupamento humano com identidade comum. A nacionalidade brasileira se caracteriza então por três dimensões fundamentais: ancestralidade, língua e religião. O “sangue” diz respeito a uma ancestralidade comum e não a um padrão racial. A formação brasileira resulta, especialmente no primeiro século, do entrelaçamento entre portugueses e normando-tupis, constituindo essa proto-célula a base da nacionalidade brasileira. Assim, a ideia de ancestralidade não exige uniformidade racial: o que importa é a existência de uma genealogia histórica compartilhada. O conceito de “sangue” designa uma continuidade genealógica, e não necessariamente uma uniformidade fenotípica. O brasileiro é, portanto, produto de uma formação histórica específica, herança que não pode ser simplesmente substituída sem que se altere a própria identidade nacional.

A segunda dimensão é linguística. A língua portuguesa é parte da nacionalidade brasileira por ter se incorporado organicamente à formação nacional e por ser atualmente o idioma utilizado pelo Estado e pela maioria esmagadora da população. Sua relação com o Brasil é diferente da de uma língua imposta por uma potência estrangeira: o português nos é legítimo porque foi herdado, legado pelos portugueses aos seus descendentes e transmitido pelas gerações nascidas no Brasil, tornando-se o idioma da nova nacionalidade. Isso não significa negar a existência histórica de outras línguas, em especial o tupi ou brasílico, mas reconhecer que o português se consolidou como a língua comum dos brasileiros, um dos elementos de sua unidade.

O catolicismo é o terceiro elemento mais distintivo. A religião católica é parte da própria formação existencial da nacionalidade brasileira. Consequentemente, preservar o catolicismo tradicional é preservar uma dimensão da própria continuidade nacional. Isso produz uma diferença fundamental em relação a um nacionalismo secular. Para o nacionalismo, a religião não pertence exclusivamente à esfera privada da consciência individual. Ela possui uma dimensão civilizacional e nacional, porque participa da formação histórica do povo. Por isso a importância do catolicismo popular, do seu conjunto de devoções, festas, símbolos, práticas, costumes e manifestações religiosas transmitidos pelas gerações brasileiras. O catolicismo brasileiro, é sobretudo um catolicismo tradicional, encarnado em sua cultura popular.

A consequência lógica é uma ideia particularmente forte de autenticidade: não basta que uma manifestação cultural exista no território brasileiro para ser expressão autêntica da nacionalidade; é necessário que possua vínculo com a tradição histórica da formação nacional. Esse princípio aplica-se à religião, música, literatura, arquitetura, vestuário, costumes e todas as demais manifestações culturais. Assim, o nacionalismo, mais do que um programa político, torna-se intrínseco à sua cultura.

A cultura nacional é resultado de uma sedimentação histórica: d'aquilo que uma comunidade recebeu das gerações anteriores, transformou por sua própria experiência e transmitiu às gerações seguintes. Não se trata, porém, de conceber a cultura ou a tradição como algo estanque e imutável, como costumam acusar certas vozes contraculturais, mas reconhecer que a mudança é legítima quando ocorre mediante influxos culturais próprios, recebidos e transformados pelos nacionais. Em áreas de fronteira, o intercâmbio cultural é algo frequente e legítimo, pois há trocas e não imposição. Já no imperialismo cultural a transmissão é sempre unilateral: impõe-se, não há reciprocidade, e a cultura nacional é progressivamente esmagada até a extinção. Por isso a tradição ocupa posição central: pois é o passado tornado presente pela transmissão.

Essa concepção também produz uma distinção entre elementos orgânicos e exógenos. Orgânico é o que surge ou se incorpora profundamente na formação histórica da nação; exógeno, o que não possui vínculo significativo com ela e pode, por isso, representar ruptura com a continuidade nacional. Essa distinção legitima ou não diferentes manifestações religiosas e culturais, permitindo considerar algumas não apenas estrangeiras, mas descaracterizadoras da nacionalidade. Portanto, uma prática, ainda que realizada no Brasil, pode permanecer exógena quando não guarda continuidade com a formação histórica da nacionalidade tanto quanto genealógica.

Essa característica permite distinguir o nacionalismo do simples assimilacionismo. Este afirma, em termos gerais, que diferentes grupos podem tornar-se membros da nação mediante sua integração à sociedade nacional. O nacionalismo vai além: exige que essa integração ocorra pela participação na continuidade histórica da nação.

A pergunta deixa de ser apenas “esse indivíduo ou grupo está integrado à sociedade brasileira?” e passa a ser “esse indivíduo ou grupo participa da tradição histórica através da qual a nacionalidade brasileira se reproduz?”. A integração nacional, portanto, não significa simplesmente viver no território, possuir cidadania ou compartilhar instituições, mas participar de uma herança histórica comum. Isso explica por que essa concepção pode ser simultaneamente assimilacionista em certos aspectos e fortemente tradicionalista em outros: aceita a incorporação de elementos e pessoas, mas exige que essa incorporação produza continuidade, e não substituição da tradição.

Embora a dimensão cultural e tradicional seja particularmente acentuada, o nacionalismo não se reduz a ela. A defesa da continuidade histórica exige, ao mesmo tempo, a preservação das condições materiais da independência nacional: território, soberania, Estado, recursos naturais, indústria, tecnologia e desenvolvimento econômico autônomo. O nacionalismo econômico surge, assim, como desdobramento necessário da defesa da existência nacional. Uma nação estruturalmente dependente de potências externas não possui verdadeira autonomia. Por isso o nacionalismo brasileiro reivindica um Estado Nacional capaz de defender seus interesses e de assegurar a soberania sobre os meios materiais de sua sobrevivência, aproximando-se, nesse ponto, de determinadas correntes do nacionalismo econômico brasileiro.

Tiradentes, Floriano Peixoto
e Getúlio Vargas

Outro aspecto importante é a associação do nacionalismo brasileiro com o republicanismo. Existe uma tradição política brasileira que antecede a Guerra dos Mascates, a Revolta de Vila Rica, a Revolução Pernambucana, a Inconfidência Mineira, dentre outras de matiz republicana, em que a República se apresenta como a forma política correspondente à essa aspiração de autonomia nacional. É dessa tradição republicana, que aproxima o nacionalismo do positivismo e do castilhismo. O castilhismo surge como uma forma política autóctone, ajustada à realidade brasileira, pautada pela centralidade do Estado, pela coesão institucional, pela Democracia e pelo ideal de desenvolvimento nacional soberano. É nesse diapasão que figuras como Tiradentes, Floriano Peixoto e Getúlio Vargas são compreendidos como momentos de maturação dessa tradição. O nacionalismo, portanto, longe de restringir-se à preservação cultural, exige uma organização política eficaz para a defesa dos interesses nacionais.

Há, nesse ponto, uma aparente contradição que é importante compreender. O nacionalismo é tradicionalista, mas não antimoderno. Ele defende a industrialização, desenvolvimento tecnológico, infraestrutura, organização administrativa e fortalecimento do Estado sem tê-las como incompatíveis com a tradição.

A modernização se distingue da desnacionalização. Modernizar é ampliar a capacidade material da nação; desnacionalizar, é substituir ou romper os elementos que constituem sua identidade étnico-histórica. É possível e desejável defender indústria moderna, administração eficiente e avanços tecnológicos sem abrir mão da língua, da religião, da memória e das tradições nacionais. O desenvolvimento deve servir ao fortalecimento da continuidade nacional, e não à sua substituição.

O nacionalismo é tradicionalista, porque considera a continuidade da herança recebida das gerações anteriores condição da identidade nacional; orgânico, porque entende a nação como comunidade histórica anterior ao indivíduo, e não como simples associação voluntária de cidadãos; genealógico, porque atribui importância fundamental à ancestralidade e à transmissão entre gerações; cultural, porque vê língua, religião, costumes e memória como partes constitutivas da nacionalidade; territorial, político e econômico-soberanista, porque a formação e defesa do território, a soberania estatal e uma base material autônoma são indispensáveis à independência nacional. Buscando assim assegurar a continuidade histórica da nacionalidade, que faz dos brasileiros mais do que um povo, uma etnia, unificados politicamente desde o início de sua formação pelo Estado português, ostentando o status de nação, a mais antiga das Américas, a qual antecede a própria Independência. Quando a partir de então, já dotada de um Estado autônomo, se constitui como um Estado-Nação Uniétnico.

É precisamente nesse ponto que a tradição assume importância central. A nação é concebida como uma cadeia de gerações: os vivos recebem uma herança dos mortos e têm a responsabilidade de transmiti-la aos que ainda nascerão. Ser nacionalista significa, portanto, defender não apenas o Brasil que existe, mas a continuidade histórica daquilo que fez o Brasil ser Brasil, continuidade que se expressa na ancestralidade comum, na língua portuguesa, na tradição católica, na transmissão cultural, na pátria, no Estado e na capacidade de desenvolvimento autônomo e soberano. É dessa combinação que resulta o caráter próprio do nacionalismo brasileiro: orgânico e tradicionalista em sua concepção da nação, católico em sua dimensão espiritual, republicano em sua forma política e soberanista e desenvolvimentista na defesa da independência e da capacidade material do país. Por isso, ele se distancia tanto de um nacionalismo puramente cívico, fundado apenas na cidadania, quanto de concepções que reduzem a questão nacional exclusivamente à economia ou à cultura.



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sábado, 25 de maio de 2019

O Fomento dos Movimentos Negros, do Regionalismo e Identitários como Ardil Imperialista

César Benjamin, ex-secretário da Educação.
" - Temos 15 milhões de dólares e vamos provar que o Brasil é racista."

A frase é de um executivo da Fundação Ford, dita em uma reunião realizada na sede da Fundação na praia do flamengo, relatado por Cesar Benjamin, ex-secretário da Educação do Estado do RJ, quando buscava financiamento para projetos de educação em áreas rurais:
" - Fiquei chocado com o que vi. Os funcionários da fundação disseram abertamente que só financiariam projetos que destacassem a questão racial no Brasil. Exigiram que eles mudassem todo o projeto que levaram."
Cesar Benjamin afirma categoricamente que o processo de promoção de movimentos negros, polemização de temáticas raciais, etc...  são um projeto do Departamento de Estado dos EUA.
"A Fundação Ford, que é um braço do Departamento de Estado, mirou no coração do nosso software, o conceito de povo brasileiro. Acertou em cheio. Se não há povo brasileiro, o Brasil não vale a pena. Isso é parte importante da grande crise civilizatória que se abateu sobre nós e nos paralisa."
Não basta-se a intensão desfragmentadora, anti-nacional, desses organismos internacionais, que não se resume a Fundação Ford, outras ONGs como as do George Soros que atuam livremente no Brasil, promovendo e cooptando inocente úteis para quebrar a unidade nacional dos brasileiros. Mentem e distorcem a História do Brasil fazendo crer, para a atual geração, uma relação escravocrata, no passado, que nunca houve no Brasil!

A escravidão no Brasil foi menos dolorosa do que em qualquer das outras colônias modernas, inclusive a América inglesa. É um testemunho universal, repetido até pelos anglo-saxões. No Brasil a vida geral se fazia com uma relativa aproximação de senhores e escravos, e havia para estes mais humanidade. Por isso, o reflexo do mal teve outros tons. Se é possível apontar algumas relativas cruezas nos quadrados de senzalas dependentes dos cafezais, pelo resto do Brasil era uma inocente escravidão rural ou doméstica. Inocente porque, dadas as condições de cultura dos escravos, as formas de vida tinham piores efeitos para os próprios senhores do que para aqueles, humanamente tratados. Uma coisa é o efeito de massas de cativos, quase isolados, jungidos ao trabalho da mina, ou nos ergástulos dos latifúndios, outra é a ação de escravos misturados ao viver da família: dezenas de negros e mulatos, no recesso das cozinhas, no segredo das alcovas. De tudo isso já se tem tratado muito; e, a mais de um propósito, admite-se que da escravidão derivou mal para a vida moral.


No mesmo leito, viam-se, frequentemente, os filhos do casal, ao lado de quatro ou cinco escravos, distinguindo-se, apenas, na cor. Nesse cativeiro, a alma do negro não se sentia intransigentemente amesquinhada; havia relativa expansão, uma qual liberdade, e sombras de felicidade. E porque assim se fez o cativeiro dos pretos, nunca houve, aqui, daquelas sangrentas reações de escravos, como se encontram na história de outras partes da América. Afora casos individuais, contra um ou outro senhor mais desumano, as revoltas se limitavam aos quilombos de negros fugidos, e que não eram caçados a dente de cães de sangue... O próprio desenvolvimento dos Palmares, e outros grandes quilombos, mostra que os pretos escravos tinham, no Brasil, possibilidades que não existiam noutras colônias. Palmares foi uma organização política, e não um reduto de ódios. 

A nobreza de então, que deu grande parte do heroísmo do primeiro Brasil, forma uma bela aristocracia rural, vivendo do escravo, sim, mas, tão humana, que não tem par em todos os outros países coloniais da época. O cronista inglês Henry Koster, que viveu na região de mais desenvolvido trabalho agrícola do seu tempo no Brasil, mostra-nos uma escravidão com senhores – “que não tiram da terra todo o proveito possível, tal é sua bondade para com os escravos”. Nas grandes famílias, a tradição é de que “Não se vendem as crias da casa”. Em Pernambuco, atesta ele noutra parte, “os escravos são sempre decentemente vestidos”. Singelos, quase ingênuos aristocratas, eles têm, apenas, a fidalguia de ânimo, essência que pela idade se apura. 

E se esse que vos fala lhes parecer de excessivo apresso verifique oque diz Jean Louis Rodolphe Agassiz, um dos maiores promotores e dos principais defensores das teses racialistas do século XIX, quando de sua estadia no Brasil:
"- Era grande a variedade de toaletes; sedas e cetins roçavam-se com lãs e musselinas, e os rostos mostravam todas as tonalidades, do negro ao branco, sem contar as cores acobreadas dos índios e dos mestiços.
Não há aqui, com efeito, o menor preconceito de raça. Uma mulher preta — admitindo-se, já se vê, que seja livre — é tratada com tanta consideração e obtém tanta atenção quanto uma branca.
"
Ainda no Rio de Janeiro, sua esposa, Elizabeth, escrevera à sua família, constatando que:
“não há aqui o sentimento de inferioridade do preto que existe entre nós.”
Essa democracia racial observada pelos Agassiz, em seus juízos, seria prejudicial no sentido de que a mestiçagem produz uma população fraca e depauperada, composta por seres “vagos, sem caráter nem expressão”. Segundo Elizabeth, que lamenta:
o fato, tão honroso para o Brasil, de ter o negro pleno e inteiro acesso a todos os privilégios do cidadão tende a aumentar, antes que a diminuir, sua importância numérica.
Na Africa do Sul, quando do estabelecimento das primeiras colonias holandesas na cidade do Cabo, antes possessão portuguesa. Nos dez anos em que viveu no Cabo, Jan van Riebeck jamais teve contato pessoal com a população negra. Nunca tentou aprender os idiomas locais. Muito pelo contrário, ordenou, em 1660, a implantação de uma cerca para isolar a si e a todos os colonizadores. Os nativos eram chamados por ele de "cães negros, imbecis e fedorentos".

Há quem especule que, se os portugueses tivessem tomado posse do Cabo da Boa Esperança, a história da África do Sul teria seguido rumo bem diferente. O jornalista sul-africano Allister Sparks é um dos que acreditam nisto. Em seu livro The Rise and Fall of Apartheid in South Africa, Sparks escreveu:
"A história girou com o vento. Tivessem os portugueses ficado no Cabo, jamais teria havido o povo dos africânderes (ou bôeres) e sua ideologia do apartheid. Talvez uma República da Boa Esperança, rica em minérios, teria se desenvolvido num segundo Brasil, numa sociedade conhecida por integrar diversas raças e não como símbolo mundial da segregação racial."
O fomento, na atualidade, dos ditos "movimentos identitários", de negarem a nacionalidade, o fomento de regionalismos, de supostos quistos étnicos dissonantes do corpo nacional, que são difundidos, não só no Brasil, como em todo o mundo! São ardis imperialistas para quebrar a unidade nacional com fim de enfraquecer os Estados-Nacionais. O aspecto "novo", e que merece um maior aprofundamento posterior, é que esse imperialismo, não mais se restringe a um país "A" contra um país "B", mas sim de uma casta oligárca contra TODAS as nações do planeta. A tática é muito mais sofisticada e sutil como jamais houve!


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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Os Brasilaicos - A Raíz Identitária do Braʃil

“O Braʃil não é uma reprodução de Portugal, nem 
deve pretender sê-lo, mas é uma derivação dele”.


A identidade nacional, é um tema recorrente em países “novos” tal como os países americanos, do sul ao norte: EUA, Canadá, Braʃil, Argentina, Uruguai, México.... todos eles apresentam essa questão. No Braʃil, como em outros países ibero-americanos, o tema, sem razão, é mais problematizado do que se deveria ante uma clara política imperialista de des-nacionalização, de negação da nacionalidade e seu fracionamento.

Já tratamos em artigo anterior “Nacionalismo e Nacionalidade”, sobre o conceito de nacionalidade. Em suma, a nacionalidade envolve a concepção de uma origem comum, consciência e unidade política. Que faz do Braʃil, a formação nacional mais antiga das Américas. Porém a questão da identidade nacional envolve outros aspectos, que envolvem seus elementos caracterizadores: língua, credo, estrutura social e política, arquitetura, organização urbana, etc... . Algo até óbvio na formação brasileira, porém, problematizada, como já dissemos, por razões imperialistas. O Braʃil é uma nação derivada diretamente da civilização lusitana adaptada aos trópicos. No caso do Braʃil, mais especificamente “galaica”, em referência a população nortenha de Portugal, ante sua numerosa e majoritária preponderância no povoamento do Braʃil ao longo da nossa colonização.

Na antiguidade, no período pré-romano, os termos “lusitanos” e “galaicos" eram equivalentes, não havia distinção. Com a criação da província da Lusitânia ao sul e a criação da Gallaecia ao norte, a nomenclatura, passou a designar, com o tempo, os do norte como “galaicos” e os do sul como “lusitanos”, embora tratem-se de uma mesma população. Porém por uma maior influência romana ao sul, na Lusitânia, e que se fez menos presente no norte, a Gallaecia conservou melhor seu substrato céltico originário.

Assim, adotamos o termo “brasilaico” para melhor designar essa influencia nortenha na formação brasileira. Termo antes já empregado por cronistas e historiadores da época quinhentista. O sufixo –aico é um fóssil lingüístico, remanescente da antiga e esquecida língua lusitana, anterior a invasão romana, que remete a uma coletividade de indivíduos.

Isso posto, passaremos a tratar sobre o povoamento do Braʃil, e seus desdobramentos caracterizadores da identidade brasileira.


O Elemento Nortenho no Povoamento do Braʃil.

Província de Entre Douro e Minho

A gente desta terra he toda alva; os homês mui bem dispostos, e as molheres mui fermosas, que nam ham nenhúa inveja às da rua Nova Lixboa”. Assim retrata Pero Lopes de Souza a população quinhentista de Salvador. A surpresa de Pero Lopes de Sousa, se explica pela relação entre normandos e tupis, que antecederam, em 30 anos, a colonização portuguesa no Braʃil e que se prolongará ao longo de todo o primeiro século de formação na guerra de expulsão dos franceses. Assim, é que os primeiros colonos portugueses a virem para o Braʃil, se ligarão a essas mulheres fruto dessas relações normando-tupis, bem como na relação direta entre portugueses e tupis. Capistrano de Abreu, tratando da guerra contra os franceses do Rio Grande do Norte a Itamaracá reporta que:

“Muitos franceses mestiçaram com as mulheres indígenas, muitos filhos de cunhãs se encontravam já de cabelo louro: ainda hoje resta um vestígio da ascendência e da persistência dos antigos rivais dos portugueses na cabeleira de gente encontrada naquela e nos vizinhos sertões de Paraíba e Ceará”.

Os dados genéticos corroboram as fontes históricas. Análises genéticas colhidas na população, no nordeste do Braʃil, revelam que 19% dos genes oriundos da linhagem paterna são genes nórdicos É um percentual maior do que o observado na população portuguesa, 13%. Esse percentual por vezes é atribuído a presença holandesa, é um equivoco, pois tanto a presença normanda foi maior, ao longo de todo século XVI, como a relação entre indígenas e normandos foi muito mais intensa. Os holandeses, além de tardios, ficaram reclusos nos fortes do Recife, “d´onde nunca se apartaram mais do que 12 léguas” e ainda permaneceram brevíssimo tempo até serem expulsos.

Os primeiros colonos portugueses que aportam no Braʃil, são gente ligada em torno dos donatários, advindos da baixa aristocracia rural do norte de Portugal, no dizer da época: “gente de nome e brasão”. Como relata, por exemplo, Frei Vicente a colonização de Santos e São Vicente:

“Na ilha de dentro há duas povoações, uma chamada de Santos, outra de São Vicente como o rio, a qual veio edificar Martim Afonso de Souza em pessoa, e a povoou de mui nobre gente, que consigo trouxe, e assim floresceu em mui breve tempo.”

Em Pernambuco, Duarte Coelho trouxe consigo colonos de Viana do Castelo, a tal ponto numerosos que ao se insugirem contra emissários de Lisboa diziam: “aqui não Del Rey mas, de Viana!”. 

Na capitania de Porto Seguro seu donatário Campo Tourinho em menos de 3 anos construiu 7 vilas onde distribuiu alguns colonos que o acompanhavam a maior parte provinha de família de pescadores de Viana do Castelo. Após a morte de Pero Tourinho a capitania entrou em decadência, embora a Vila de Porto Seguro tenha se mantido habitada, assim como os outros povoados fundado por Pero de Campo Tourinho entre eles Santa Cruz, Santo Amaro e Comagi.

Nas demais capitanias em que seus respectivos donatários vieram a tomar posse, o processo é o mesmo. Do Minho afluem as matrizes que virão colonizar o Braʃil. A guisa de parâmetro, dos portugueses processados pela Inquisição em Pernambuco e na Bahia metade eram originários do Minho, cabendo um longínquo segundo lugar, 15%, aos de Lisboa.

Dados de São Paulo, em 1801, revelam que 45% dos homens portugueses provinham do Minho, 20% dos Açores e 16% de Lisboa.

A historiadora Júnia Furtado, analisando a origem dos comerciantes portugueses radicados em Minas Gerais no século XVIII, constatou que 74,4% eram oriundos do Norte português. Em Vila Rica, Iraci del Nero, ao levantar dados sobre a população portuguesa radicada, constatou que 68,1% provinha do Norte de Portugal. Entre o período de 1750 e 1779, ainda em Minas, Carla Almeida desvela que 89% dos homens portugueses eram naturais das províncias do norte e 11% provenientes da região central do país e nenhum do sul. Além dos nortenhos, um fluxo notável de colonos provinham das ilhas atlânticas da Madeira e dos Açores.

No Ceará, estima-se que entre 1750 a 1850, mais de 55% dos portugueses que se estabeleceram na província, eram provenientes do Norte de Portugal.

Essa predominância de nortenhos se explica, além do norte português ser a região mais densamente povoada de Portugal, ainda na atualidade, mas sobretudo pela estrutura familiar minhota, em que somente os primogênitos herdavam terras. Assim os demais filhos, deserdados, preferiam imigrar para o Braʃil e se fazerem senhores de terra, “Dominus Brasilia”, e nisso acabavam reproduzindo seu sistema feudal adaptado aos trópicos.

Foi sob esse influxo que se gerou a “nobreza da terra”, sob a qual se estruturou a sociedade colonial que aqui se firmava. É essa nobreza, brasilaica, que levará a cabo a conquista a terra, ganhar e absorver o gentio, iniciar as culturas, fazer as povoações, resistir ao estrangeiro. Trabalharem como obreiros e combatentes, edificavam lutando. Toda a primeira formação foi assim: na boa luta, a que enraíza na terra, e fortifica o patriotismo, porque é dessa nobreza, que advém a consciência de existência nacional e que incita a resistência ao invasor.

“Nos primeiros colonizadores do Braʃil encontravam-se as virtudes essenciais do pioneiro português: — solidariedade na compreensão nítida de existência nacional, hábito de atividade disciplinada e, com isto, o sentimento de trazerem consigo uma pátria, no intuito explícito de fazerem um novo país, pelo desenvolvimento das tradições nacionais.” – Manoel Bomfim.

Mais de um século e meio depois, no início do século XX, a imigração portuguesa para o Braʃil continuará predominantemente oriunda do Norte português e adjacências, nomeadamente: Trás-os-Montes, Minho, Douro Litoral, Beira Alta, Beira Litoral e Estremadura, com oscilações de predominância entre estas regiões ao longo do tempo.


A imigração estrangeira para o Braʃil e seu impacto na nacionalidade.

A imigração estrangeira, tende a ser superdimensionada. A imigração portuguesa, no que pese ter sido a maior, estranhamente é relegada ao esquecimento, apenas se falando marginalmente. Ao passo que outras, infimamente minoritárias, são postos a relevo para fazer crer numa suposta heterogeneidade.

Após a independência em 1822, os portugueses que afluem para o Braʃil passam a serem computados como estrangeiros e a eles se somarão contigentes imigratórios de outras nacionalidades. Contudo, os portugueses serão o maior corpo imigratório no Braʃil. E não ocorrerá aqui oque sucedeu em outros países, como: EUA, Canadá, Argentina e Uruguai, em que suas populações originais foram suplantadas por essa massa de imigrantes. A ponto de se dizer na Argentina, que os descendentes dos seus heróis de dezessete, foram substituídos. Darcy Ribeiro chamou a esse fenômeno de “povos transplantados”. No Braʃil isso não ocorreu, em nenhuma região do Braʃil, mesmo ao sul.

O sul do Braʃil, foi colonizado por paulistas do planalto de Piratininga. Posteriormente em 1748 sobreveio a imigração açoriana, inicialmente em Santa Catarina e posteriormente no Rio Grande do Sul, feita por casais, oque regra geral dissociou do restante do país, feito majoritariamente por homens solteiros que se ligavam as mulheres da terra. Foi esse fator que deu a essa população meridional brasileira um aspecto mais branca do que no resto do país, isso já observado pelos cronistas da época e que hodiernamente, é falsamente atribuído a imigração estrangeira operada no Séc. XX. Em 1780,  55% da população do Rio Grande do Sul, eram açorianos. Também de se assinalar que, embora os dados disponíveis não sejam tão precisos, mas um levantamento quanto a origem dos povoadores iniciais nas ilhas dos Açores, revelam que a maioria eram oriundos do norte de Portugal.

De modo que, ainda que levemos em conta a imigraçãoportuguesa, juntamente com outros contingentes, esse número não chega a suplantar a população original. E ainda em comparação com outros países essas cifras verificadas no Braʃil são bem menores. A guisa de comparação, a imigração italiana, foi a segunda mais numerosa no Braʃil contabilizando 1 milhão e 500 mil. Somente na Argentina, que a época apresentava uma população menor do que a do Braʃil, adentraram 3 milhões! O dobro! E se compararmos a operada nos EUA, ai vemos a insignificância, 15 milhões!!!!

Outro aspecto que costuma passar batido, é que o terceiro maior contingente imigratório para o Braʃil, foi a imigração espanhola, contabilizando 750 mil indivíduos. E o aspecto a se ressaltar é que 80% desses “espanhóis” eram galegos, a mesma cepa nacional portuguesa. Daí terem passado tão desapercebidos, ainda que sendo o terceiro maior contingente imigratório, posto falarem galaico-português , e assim se integrarem a sociedade brasileira rapidamente.

A imigração alemã, por vezes tão propalada por alguns, foi bem menor do que as três primeiras, orbitando em torno de 300 mil imigrantes. Note.... duas vezes menor do que a espanhola. E logo na primeira geração, ocorre um processo de assimilação. Como parâmetro estatístico temos dados do censo do Rio Grande do Sul de 1918, que revelam que 74% de homens alemães se casaram com brasileiras, ao passo que 26% com alemãs. Note que esse processo de assimilação ocorre muito cedo. Não havendo razões que justifiquem falar, mesmo na época e muito menos na atualidade, passado mais de três gerações, em uma suposta "identidade alemã".

Os japoneses formam o 5º maior grupo imigratório, e juntamente com os alemães são os que mais tiveram dificuldade de integração, em virtude da língua, credo, de terem vindo em boa parte em casais, oque por esse isolamento, acabavam privilegiando casamentos entre si. Porém, pela pouca quantidade, e com o tempo acabam se integrando sem maiores sobressaltos.

Os franceses além de constituirem uma das bases formadoras do Braʃil, especialmente normandos e bretões (A Presença Nornando-Bretã na Formação do Brasil), quando do nosso primeiro século de formação. Já no período pós-independencia,  a imigração francesa, é igualmente ocultada. A imigração francesa figura junto com a alemã e a portuguesa dentre das mais antigas, e até o início do século XX foi a terceira maior em numeros absolutos, somente atrás dos imigrantes portugueses e italianos. Tendo imigrado cerca de 150 mil franceses para o Braʃil. 

Há ainda um pequeno contingente sírio-libanes, dito: turcos, por estarem na época sob controle do império otomano (Turquia). Também de pequeno vulto, operada quase em sua totalidade por homens solteiros e ao contrário do que vulgo se pensa, em sua maior parte cristãos, adeptos da igreja ortodoxa sírio-libanesa (ramo católico porem de administração independente), os de credo mulçumano foram quase inexistentes.

Disso ainda se deve ponderar, que ao se falar de imigração “italiana”, “alemã”, e mesmo sírio-libanesa, não estamos falando de uma mesma nacionalidade. Itália e Alemanha são países de nacionalidade artificiais que abrigam povos distintos, com diferentes dialetos. Um Veneziano não se identifica com um romano nem muito menos com um siciliano. Os três falam dialetos diferentes e são de origens diversas. Então é ridículo falar em uma identidade “italiana” simplesmente porque não existe tal identidade. O caso dos imigrantes alemães é similar, mesmo dentro da Alemanha, há diversos dialetos, e eles se acentuam conforme se vá ao norte ou para o sul, sendo o sul majoritariamente católico ao passo que o norte é majoritariamente protestante, e sendo racialmente também distintos: o norte saxão e o sul alpino. E a considerar ainda que na imigração alemã, computa-se como tal austríacos e suíços, bem como um ramo mais concentrado no Espírito Santo chamado pomeranos, que são bálticos e não germânicos. Então, como falar de uma identidade alemã? 

De todo esse apanhado oque se depreende é que o contingente português por si só foi majoritário, e tanto mais antigo, a ele se soma a imigração galega que compartilha a mesma origem nacional. Assim se somarmos ambas, temos 2 milhões e 200 mil oque é um contingente superior a soma de todos as outras correntes. E repita-se..... ainda juntando todas, não suplanta a população brasileira original, ao contrário, fica bem aquém, sem maiores impactos.  


A política imigratória Getulista:

Na Era Vargas, houve uma restrição na imigração. Foi limitada a entrada de estrangeiros de todas as nacionalidades no Braʃil com a Lei de Cotas de Imigração, exceto para os portugueses em 38. A isso se deve uma maior racionalização na política imigratória, pois tanto o Braʃil já não precisava de mão de obra, pois os nacionais já supriam a demanda, como tratava de excluir contingentes com dificuldades de integração e assim "garantir o fortalecimento étnico da nação" através do elemento português. Getúlio fora bem influenciado por Oliveira Viana, Gustavo Barroso e Roquette Pinto, seu ministro, que envergavam essas idéias.

Após a II Guerra, o antropólogo Gilberto Freyre e um grupo de deputados defenderam que os portugueses não deveriam ser considerados estrangeiros no Braʃil. Ainda hoje, os portugueses têm tratamento especial dado pela legislação brasileira. Este dispositivo que dar privilégios a uma nacionalidade estrangeira é raro no mundo. Por exemplo, na legislação da Argentina não existe nenhum dispositivo que dê tratamento diferenciado aos espanhóis, tão pouco a lei dos Estados Unidos beneficia os britânicos. Na América do Sul, apenas na Venezuela há algo semelhante.

Após a II Guerra Mundial, os portugueses foram os únicos que continuaram a chegar em grande número ao Brasil. Entre 1945 e 1959, ainda chegaram ao Braʃil cerca de 250 mil portugueses.


Os Elementos Característicos da Identidade Brasilaica.

Como dissemos no início a identidade nacional envolve aspectos caracterizadores da nacionalidade: língua, credo, estrutura social e política, arquitetura, organização urbana, etc.... é um tema demasiado abrangente, que não comporta nessa breve exposição que já vai longe. Elencaremos apenas os principais que entendemos ser suficientes para explicitar essa identidade portuguesa em todo o Braʃil. 

O Braʃil durante sua formação sempre deteve uma unidade linguística única em um país continental, que nem os EUA, Canadá, Rússia, China detém, e por vezes países muito menores como Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e outros.... e um aspecto interessante a ressalta é que isso ocorreu organicamente, justamente por ocasião desse contínuo afluxo português para o Braʃil, que assimilava os naturais transmitindo o português aos seus descendentes. Assim se inicialmente tivemos o tupi como língua dominante, a língua portuguesa se impois por um natural processo de assimilação dos contingentes integrados a civilização brasileira.

É conhecido e repetido verborragicamente, que o tupi deixou de ser falado por uma determinação administrativa de Pombal, como se os falantes aprendessem tupi em escolas públicas.... se quer existiam! O tupi foi sendo marginalizado em um processo gradual a medida que essa civilização brasilaica avançava. E embora continua, a imigração portuguesa para o Braʃil apresenta picos. O primeiro com os colonos no primeiro século de colonização, uma segunda onda aflui com a descoberta das minas, concomitante a uma explosão demográfica no Minho, que levará  a um dos maiores processos imigratórios da história mundial, com a vinda de minhotos para o Braʃil, nesse momento, especificamente para Minas Gerais. Também nesse momento ocorrerá a ocupação dos sertões, e do Mato Grosso embalados por esse fluxo nortenho. É dessa forma que o tupi perde importância e espaço, deixando de ser falado nos grandes centros, se tornando uma língua secundária. 

Esse processo se repete em todo o Braʃil, mesmo entre as correntes imigratórias recentes, que assimiladas, repassam a língua portuguesa aos seus descendentes, já brasileiros. 

Interessante mencionar a observação do historiador galego Júlio Cesar Barreto Rocha, citando Lindley Cintra sobre o português do Braʃil se assemelhar mais galego do que ao atual português de Portugal, por ter se mantido mais conservado:
"Lindley Cintra, apoiado em Leite de Vasconcelos, alude, por exemplo, à "influência de hábitos articulatórios de um substrato étnico" de celtas, que, sabe-se, deslocaram-se desde o Norte, "cuja presença Estrabão e Plínio assinalam nas margens do Tejo". Desta forma, o próprio filólogo português explicita que o sistema vocálico luso teria sofrido influxos desde o Norte galego. A presença das vogais mais escandidas no galego atual, que possui menos força ao Sul, em Portugal (cujos falantes obscurecem as ocorrências destes sons, como em "m'nino" ou em "p'ssoa"), permanece mais integral no território brasileiro, cuja população, em sua quase absoluta totalidade, encontra parâmetro distintivo do falante português justamente nesta vocalização mais "perfeita" nossa, por assim dizer, igualando-se ao falante galego --que inegavelmente mantém também mais acesa esta "característica celta". A língua falada na Galiza, que é a real Pátria da Língua, que instituiu o sistema vocálico e a musicalidade do galego, faz-se presente no Braʃil."
Outro fator característico na formação brasileira é a sua unidade religiosa, católica. A crença católica brasileira ao contrário do que possa parecer, não foi propriamente uma imposição do Estado, que ao longo da vida colonial se fez muito pouco presente, quase inexistente no seio da população. Isso foi agravado com o não reconhecimento por Roma, da restauração de Portugal, ao fim da união ibérica, quando Roma não reconheceu a nomeação de padres e bispos pela nova dinastia (Braganças) e que só virá a reconhecer em fins do Séc. XVIII. Durante todo esse período o catolicismo no Braʃil se desenvolve organicamente, as populações a professam por pura tradição, porque descendem de católicos, a fé de sua linhagem. E disso vai resultar o catolicismo popular brasileiro de forte cunho medieval e que guarda substratos da antiga fé céltica ("pagã"). Veja que isso não ocorre nas colonias hispânicas, posto uma ostensiva e atuante doutrinação romana.

Outro aspecto a ilustrar, é a estrutura social e seus tipos humanos. Tema também demasiado abrangente e que nem de longe pretendemos esgotar. Apenas pontuamos que em grande parte, a estrutura social minhota se conserva no Braʃil, sua estrutura familiar, as relações sociais, política, guardam uma proximidade muito grande com a observada no norte português. No Braʃil as relações sanguinias eram bastante valoradas, revelando uma estrutura de clãs e uma rede de clientelia em torno de um chefe. Há ainda um rico arcabouço de tipos humanos, o padre que encarnava a figura de juiz de paz, intermediando conflitos e sendo guia espiritual da comunidade, e muitas vezes a figura mais letrada da comunidade. Vários antropólogos e historiadores traçam um paralelo a figura dos padres as funções dos druidas, oque seria uma adaptação dessa estrutura sob uma roupagem cristã. A figura dos menestréis (antigos bardos celtas), na figura de cantadores, ainda presentes tanto nos sertões setentrionais do Braʃil quanto ao sul. Em fim, são rápidas pinceladas que ilustram essa reprodução da vida nortenha no Braʃil com as devidas adaptações a vida nos trópicos.

Oliveira Viana, faz uma interessante análise da estrutura urbana das cidades coloniais brasileiras, eis oque diz:

"desta transplantação de cultura que o português realizou no Braʃil, trouxeram eles o tipo de construção e povoados, vilas ou cidades, implantando entre nós a mesma disposição na colocação dos edifícios, das ruas, das praças, das casas. Do mesmo tipo de aldeia ou cidade portuguesa é que se fez o povoado ou vila brasileira.: "os habitantes amontoados em ruas sinuosas e estreitas garimpando o dorso dos montes a procura de alcançar a torre. Pouco afastada a igreja matriz, geralmente no mesmo largo dominado pelas paços do conselho, e entre os dois edifícios o pelourinho, onde a justiça por vezes tão cruel fazia pública a sua autoridade." O desenho é de afonso Arinos de Melo e Franco, que acrescenta: "retirando o elemento descaracterístico da torre feudal, o quadro se aplica a uma tipica cidade colonial brasileira".

Na arquitetura há também um paralelo fortíssimo entre a arquitetura nortenha e brasileira, também presente em todo território nacional, do Oiapoque ao Chuí e mesmo ao Prata em Colonia do Sacramento. E que se acentua nas cidades históricas brasileiras.


Penso que esses elementos já são bastantes, ainda que sem adentrar em profundidade, oque poderemos tratar em outra oportunidade trazendo aspectos bem mais interessantes e reveladores de nossa identidade brasileira, brasilaica. O elemento fundamental na nacionalidade reside na descendência comum, sanguínea, e que uma vez conscientes, se unem politicamente, nisso resulta a nacionalidade. Os brasileiros mais do que serem uma nacionalidade, oque não é pouca coisa, apresentam uma identidade nacional muito bem consolidada, apesar de tantos quantos, a serviço do imperialismo queiram negá-la.
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