sábado, 28 de novembro de 2020

A Imigração Portuguesa para o Brasil

"Esse País ainda há de cumprir seu ideal,
há de tornar-se um imenso Portugal!"

Os portugueses são o principal tronco formador do Brasil, em um processo assimilatório da população nativa, e mesmo de escravos, ao longo de toda época colonial, que resultará na nação brasileira. Os portugueses passam a ser computados como imigrantes, após a independência, em 1822, a que, posteriormente, se soma outras correntes imigratórias, sendo a maior, e mais estável, totalizando 1.6 milhões de portugueses. Se outros contingentes imigrantes, apresentam períodos de maior vulto, e por vezes muito localizados, a portuguesa é contínua, tem picos, mas nas suas baixas, seu fluxo se mostra substancial a outras que cessam, além de se fazerem presentes por todo o País, mesmo havendo determinados centros com um maior afluxo. 

A Colonização Portuguesa

Na fase colonial, três períodos de intensa colonização, são bem caracterizadas, uma primeira, que se inicia em 1530, com a criação das capitanias hereditárias, com a vinda de nobres, levada a cabo pela baixa aristocracia rural do norte de Portugal, em especial, oriundos da região do Minho, e que será a semente formadora do Brasil. Uma segunda fase ocorrida no Séc. XVII, quando adentram cerca de 600 mil portugueses no Brasil entre 1701 à 1760. É nesse período que ocorre uma explosão demográfica no Minho, a descoberta das minas, bem como a expansão pecuária para o sertão. E por assim dizer, nesse período, o Brasil se “lusitanisou“, a língua geral, língua franca falada pela população nos dois primeiros séculos, é substituída, em definitivo, pelo português, surge os centros urbanos mineiros nas Minas Gerais e a fundação de novos núcleos urbanos nos sertões. A terceira e última fase da colonização portuguesa, ocorre no começo do Séc. XIX, com a vinda da família real portuguesa, junto com toda a corte, cerca de 15 mil.  

De colonizadores a imigrantes, a imigração portuguesa pós Brasil independente (1822 - 1850):

Há um hiáto estatistico na imigração portuguesa entre 1822 à 1850. O IBGE registra meros 2.633 imigrantes portugueses nesse período. Oque não reflete a realidade. Dados esparsos, revelam que, somente no Rio de Janeiro, principal destino da imigração portuguesa nessa época, aportaram 33.362 portugueses. A considerar que esses números se referem somente a imigrantes registrados, e ainda sim, dados incompletos, com a lacuna de vários anos, além dos números de imigrantes sem registros, serem muito maior. Para mensurar, dos 198 estrangeiros entrados na cidade do Rio de Janeiro, entre 25 de abril a 20 de junho de 1831, somente 69 se registraram.

Estima-se que o Rio de Janeiro absorveu entre 60 a 86% da imigração portuguesa entre 1836 à 1850. Podemos estimar de forma conservadora, tomando os 33.362 registrados no Rio de Janeiro, que os imigrantes portugueses no restante do Brasil, com base nos 14% remanescentes, seriam algo em torno de 4.670. Totalizando 38.032 imigrantes portugueses em todo o Brasil. Se considerássemos, como 40% os portugueses fora do Rio de Janeiro, teriamos 13.344 imigrantes portugueses no restante do Brasil, oque totalizaria 46.706 em todo o Brasil. Em qualquer caso, excluindo, mais uma vez, os clandestinos, que por certo deveriam representar um número significativo.

Em 1826 o consul português no Rio de Janeiro, Carlos Mathias Pereira, dava conta ao ministro dos negócios estrangeiros de Portugal, o conde de Porto Santo, dizendo que todos os navios vindos de Portugal, particularmente do Porto, chegavam no Rio de Janeiro cheio de pessoas, fugindo da pobreza. Dados de 1831 à 1842, listados nos registros de passaportes, no Rio de Janeiro, corrobora que a maioria eram de origem nortenha, especialmente de entre Douro e Minho. 

Oque já era observado desde a década de 1820 na descrição do típico português que imigrava: “ao desembarcar nos portos brasileiros, vestia polaina de saragoça, [...] e calção, colete de baetão encarnado com seus corações e meia [...]; geralmente desembarcavam dos navios com um pau às costas, duas réstia de cebolas, e outras tantas de alhos... e ... uma trouxinha de pano de linho debaixo do braço. Eram minhotos que, para sobreviver, dormiam na rua e procuravam ajuda de instituições de caridade.”.

O cultivo do milho em Portugal, provocou uma revolução agrícola e, com isso, uma enorme melhoria na alimentação básica do minhoto, oque resultou numa alta densidade demográfica na região: em 1801, enquanto no resto de Portugal registrava, em média, 33 habitantes por Km², no Minho a densidade populacional atingia 96 habitantes por Km². Oque influiu determinantemente para uma maior presença minhota no Brasil.

Nesse período, até 1840, no Rio de Janeiro, a maioria dos portugueses trabalhavam no comércio, empregados por patrícios já estabelecidos. Os mais letrados eram caixeiros, auxiliares, etc... os analfabetos, a imensa maioria, se entregavam ao trabalho braçal, como estivadores nos portos, armazens, e toda sorte de trabalho bruto, em condições muitas vezes sub-humanas. 

Esta tradição dos imigrantes portugueses do Norte, que sabiam ler e escrever se dedicarem no Brasil, preferencialmente, ao comércio, vai manter-se ao longo do século XIX. Por 1870-1872, no Pará, na Bahía, no Maranhão, no Ceará, predominavam os caixeiros e negociantes. O mesmo acontecia em Pernambuco, onde 60% dos que chegaram, entre 1862-1872, eram menores, trabalhando como caixeiros e feitores. 

Havia ainda os que exerciam ofícios mecânicos: pedreiros, carpinteiros, ferreiros etc., saídos do Norte de Portugal, com expressão significativa a partir da década de 1840, seguindo-se, posteriormente, os alfaiates e sapateiros. Todos locados nos centros urbanos, livremente ou a contrato, com horários aceitáveis e remunerações consideráveis. Todos eles encontravam emprego imediato, com soldadas e jornais muito vantajosos.


A imigração em massa (1851-1900)

imigrante portuguesa minhota

A imigração portuguesa aumenta substancialmente com o fim do tráfico negreiro em 1850, e de prósperos aristocratas nos primeiros séculos de colonização, em meados do Séc. XIX, passou-se a um fluxo crescente de imigrantes pobres. 

Esses imigrantes, tidos como rudes, campesinos, quase sempre saídos das aldeias do norte de Portugal, contribuíram para a formação da imagem negativa do imigrante português, estigmatizando-os como pessoas pouco qualificadas intelectualmente. As mulheres passaram a representar parcelas cada vez maiores nos grupos imigrantes, e as crianças menores de 14 anos, pobres, órfãs ou abandonadas, chegaram a representar 20% do total dos imigrados.

De uma população em torno de 5 milhões de habitantes no final do século XIX (1881-1900), Portugal nos enviou mais de 300 mil trabalhadores,  6% de sua população total. 

No Maranhão, muitos dos menores que chegavam não sabiam ler. Porém, a maior parte dos que chegavam, dedicavam-se ao comércio, não havendo imigração clandestina. 

No Ceará, os imigrantes contratados, na década de 1860, caíram significativamente, menos de 50% dos  que tinham entrado. 

Em Pernambuco, onde a imigração clandestina era insignificante, 60% dos que entravam, vindos sobretudo do Minho, eram menores, destinando-se a caixeiros e feitores. Comentava o cônsul aí instalado que estes rapidamente tomavam "amor ao Brasil" e quem tinha algum dinheiro casava com brasileiras. 

Em Salvador na Bahía - refere Tania Gandon -, na segunda metade do século XIX, os lusos dedicavam-se fundamentalmente à atividade marítima e comercial, ou seja, "a esmagadora maioria" eram caixeiros, oriundos, sobretudo, do Porto e do Norte de Portugal.

Dos portos de desembarque, podemos mensurar o destino da imigração portuguesa com base no relatório de 1860, ainda que incompleto:

Rio de Janeiro permanecia recebendo a maioria dos que migravam, na ordem de 55,24% do total. 

O porto de Santos, representando 39,40% do total. 

Com relação aos demais portos, as entradas alcançavam o total de 4· 856 indivíduos, sendo de destacar-se a projeção de portos do norte e do nordeste, como Belém e Recife sobre portos do sul do país, excetuando-se o Rio Grande. 


A Origem Regional dos Imigrantes Portugueses:

No período de 1881 à 1900, a maioria dos imigrantes portugueses para o Brasil vieram das regiões onde os setores de produção mais importantes eram o comércio exportador e a pequena agricultura. Da Beira Litoral, Beira Alta, Douro Litoral, Trás-os-Montes, Minho e Estremadura vieram 98,7% dos imigrantes portugueses para o Brasil. Em seguida, das regiões do Baixo Tejo, do Ribatejo, Beira Baixa, Algarve e Alto Alentejo, vieram 2,1 % de emigrantes para o Brasil no mesmo período. O que demonstra ser insignificante a contribuição do sul de Portugal na imigração brasileira. 

A partir de 1930, houve uma diminuição da imigração portuguesa para o Brasil em todas as regiões. Somente a região de Trás-os-Montes mantém sua contribuição com 87,3%. As demais, Beira Alta e Beira Litoral permanecem também acima de 80%. Entre 50% e 80% de emigrantes portugueses para o Brasil, situam-se às regiões do Minho e Douro Litoral. Nas regiões meridionais houve maior declínio da imigração, sobretudo, no Alto Alentejo e no Algarve. 

De maneira geral, desde o final do séc. XIX até 1960, a maior parte dos imigrantes portugueses no Brasil são oriundos das regiões do norte de Portugal, sobretudo, Beira Alta (Viseu), Beira Litoral (Aveiro e Coimbra) e Trás-os-Montes (Bragança e Vila Real).

A região de Trás-os-Montes vieram 14,5% de emigrantes de Bragança e Vila Real. 

Do Minho, vieram 13% de imigrantes das cidades de Viana do Castelo e Braga. 

Em torno da cidade do Porto, a região do Douro Litoral, partiram 17%. 

Da região de Beira Litoral, deixaram as cidades de Aveiro e Coimbra, 25% de emigrantes. 

Em seguida, da região de Beira Alta, que atinge as cidades de Viseu e Guarda, tivemos 22,6% da imigração. 

Da cidade de Castelo Branco saíram 0,5% de trabalhadores da região de Beira Baixa. Do litoral, das cidades de Leiria e Lisboa, vieram 6,3% de emigrantes para o Brasil. No interior, da cidade de Santarém, na região de Ribatejo, partiram 0,5%. Da região do Alto Alentejo, as cidades de Portalegre e de Évora, nos enviaram 0,1%.

Finalmente, no sul, das regiões do Baixo Tejo e do Algarve, partiram 0,6% da cidade de Beja, enquanto que de Faro saíram 0,4% de trabalhadores, respectivamente. 

 

Séc. XIX (1881-1899)

1900-1960

Entre Douro e Minho (Viana, Braga, Porto)

30%

20,7%

Trás-os-Montes (Vila Real, Bragança)

14,77%

12,2%

Beira Litoral (Aveiro, Coimbra)

25%

17,85%

Beira Alta (Viseu, Guarda)

22,6%

11,08%

Beira Baixa  (Castelo Branco)

0,5%

3,7%

Estremadura (Lisboa, Leiria)

6,3%

8,32%

Alto Alentejo (Beja)

0,1%

0,3%

 

 

 

regiões de orígem dos imigrantes portugueses.


A Herança Genética Portuguesa nos Brasileiros:

filho de pais imigrantes 
portugueses.
Os portugueses se fazem presentes no Brasil, há 500 anos, das nações colonizadoras que se expandiram com as grandes navegações: Espanha, França, e uma tardia Inglaterra, e Holanda, é da colonização portuguesa e espanhola, que provem as mais antigas famílias do novo mundo de origem européia, e não só, como em África e Ásia. Qualquer brasileiro que buscar suas raízes genealógicas irá encontrar facilmente 11, 14 gerações passadas até os primórdios de 1500, ao passo, que um anglo-saxão nos EUA ou Canadá, quando muito, irá encontrar de 6 a 7 gerações, quando se estabelecem as primeiras levas colonizadoras inglesas, diminutas, já no avançado Séc. XVII. Os holandeses igualmente, nunca se prestaram a colonizar as terras que roubaram de Espanha, três séculos de domínio incontestável na Indonésia, e Suriname (antiga Guiana Holandesa) e não se vê uma população batava integrante na vida nacional. Tal como os ingleses, seu sistema de feitorias, tomavam essas "colonias" como simples entrepostos comerciais exclusivos, para o monopólio de suas funestas "companhias". O efetivo povoamento dessas "colonias" só se operam efetivamente findo o Séc. XIX, ainda sim de forma timida, e somente após a II Guerra, essas populações tomam vulto. Isso tudo apenas para lembrar e mostrar, o quão profundo esta enraizado a presença portuguesa no Brasil, em contráste aos imbecis que falam dos portugueses como um corpo alheio, como se não fossem eles próprios descendentes dos antigos colonizadores. Não existiria Brasil sem os portugueses, não existiríamos sem os portugueses, septavós de nossos septavós.... o Brasil é um desdobramento direto dos portugueses, em especial, claro, dos que aqui vieram fazer pátria, deles descendemos, são desses primeiros povoadores e oque lhes sucederam que fincaram suas carnes no Brasil dando-lhe seu sangue, e nós somos seus frutos, desses bagos, viemos. 

E não só a genealogia comprova como a genética, os brasileiros, pela magnitude populacional, são os maiores portadores de cromossomos Y de origem portuguesa, em um número muito superior a toda população portuguesa. E isso não só se reflete em números absolutos como proporcionalmente, na similaridade proporcional de marcadores genéticos entre ambas as populações dos países. Fruto desse processo assimilatório das populações indígenas e africanas pelos portugueses ocorrido ao longo da História do Brasil. 

Mesmo entre os brasileiros de fenótipo negro, esses tem em média metade de genes europeus (portugueses majoritariamente), entre pardos (mulatos, cafusos, caboclos) esse percentual sobe para 70%! Em suma, a verdade incontestável, é que o brasileiro, tem muito mais vínculo consanguíneo com os portugueses, do que com qualquer outro grupo africano ou mesmo indígena. É dizer, os portugueses são nossa principal e mais forte matriz formadora, e isso em TODOS os quadrantes do Brasil! 





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