segunda-feira, 24 de junho de 2019

A Imigração Basca para o Brasil nos Primeiros Séculos de Colonização.


Esse é um artigo parcial, que tende a ser acrescido no futuro, como parte complementar sobre a Imigração Espanhola para o Brasil. Abordando a presença de famílias bascas nos primeiros séculos de colonização. Não abordaremos a presença de bascos que vieram no bojo da imigração em massa, ocorrido entre fins do Séc. XIX e começo de XX, somente os dois primeiros séculos, quando da formação do Brasil.Trata-se de um tema pouco abordado e mesmo de difícil levantamento, seja na questão da influência espanhola durante a União Ibérica, seja ainda mais, relativo aos bascos. Contudo, nos propomos a esboçar alguns apontamentos esparsos, que aproveitamos para nesse espaço condensá-los e somar para uma melhor visão sobre o influxo da presença basca, e por conseguinte, espanhola no Brasil.  

Pesquisas genéticas recentes, nos países hispânicos, tem revelado uma maior contribuição basca do que se supunha até então. No Brasil, algo similar parece ter se processado, e o indício disso é uma significativa ocorrencia do fator Rh- negativo, entre os brasileiros, 18%. Nos países europeus, essa média raramente ultrapassa 9%, incluso Portugal, o pico de ocorrencia de fator Rh negativo ocorre na Euskádia (país Basco) com 36%, outros países com Rh negativo significativos, são: Escócia, Irlanda, EUA e Austrália em torno de 15%. (O Sangue dos Deuses entre os Brasileiros)
Mendonça

Saraiva
Uma das hipóteses que levantamos para esse alto índice entre os brasileiros é a ocorrencia de uma propagação de forma endogâmica em meio a uma população ainda rarefeita.  Analisando algumas famílias de origem biscainha, verificamos justamente oque avessamos.  É o caso ilustrativo da Família Mendonça Saraiva em Pernambuco, que "desceram de Viszcaya, das montanhas...", e que foram das primeiras famílias a aportarem em Pernambuco, nos idos de 1540. Um casal de irmãos, casaram com outro casal de irmãos. Mantendo os dois sobrenomes, ambos de origem basca: Mendonça e Saraiva.  

Uchoa
Urrea
Ainda em Pernambuco, temos os Noballas y Urrea, que se entrelaçam com os Mello(s). Consta ainda em Pernambuco os Uchoa (Otxoa), também de origem basca. Os Oroscos que se entrelaçam com os Veigas.

Kaspar van Mere, holandês, em Pernambuco, casado com Isabel Peradas/Peredas, de origem basca, e com ramificação na Bahia.

O capitão holandês Albert Gerritsz Wedda se casa com Isabel de Acha (Atxa), pernambucana de procedência basca, com descendência. 

Garro
Com a união ibérica várias famílias de origem espanhola, dentre os quais, bascos, são desginados para ocupar no Brasil cargos de Administração e militar. Por exemplo é o caso do Capitão-Mor da Parahyba Lopo Curado Garro, de origem basca, designado para comandar as tropas da Parahyba contra os holandeses. Disso resultará sua ligação com a família Vidal de Negreiros. 

Na defesa da cidade de Filipéia, quando da invasão holandesa, atual João Pessoa - PB, se registra na resistência, o nome do capitão Domingo Arriaga,  que seria "gente de la ciudad", ou seja morador local, e que viria a ser morto no curso da invasão.

No Rio Grande do Norte temos o Capitão-mór João Lostau Navarro, basco do lado ocupado atualmente pela França, um dos mártires chacinado no Engenho Cunhaú, que era casado com Luzia da Mota, tendo uma de suas filhas casada com o oficial holandês Jore Garstman.
Clã da Família Aguirre

Na Bahia o mesmo ocorrre com o capitão Pedro Aires de Aguirre, designado para defesa do forte Monserrat, tomando parte na expulsão dos holandeses em 1626, e mesmo nos episódios da tentativa de invasão em 1636. Vindo posteriormente a ser Senhor de engenho na Bahia, se unindo aos Meneses. Um irmão de Pedro Aires de Aguirre, Diogo Aires de Aguirre, se estabelece em São Paulo. Na Bahia esse ramo se liga aos Quaresmas, Pereiras e Gonçalves Laço.

Um dos mais antigos registros de bascos no Brasil, e por desiderato, na Bahia, é o de Diogo de Zorrilla que teve uma filha, Antônia Fogaça (n. 1563), que se casa com o célebre sertanista Antonio Dias Adorno.

Em 1676 João Cardoso Pizarro casa com sua prima Maria Luiza Vargas na Bahia, com descendência.  

Em Salvador ainda se registra um casal espanhol Escobar Aguirre, que tem filhos na terra e que se unem aos Teles e Carvalho Pinheiro.

Na Bahia, temos ainda os Peradas/Peredas também de origem basca, que se uniu aos Siqueira Cabral e sua descendência aos Melo de Vasconcelos.

Consta ainda os Uguí que se entronca com os Adornos, depois com os Souza, França, Campos, assim sucessivamente. 

Ainda na Bahia, há os Uzêda Ayala, uma das primeiras famílias a se estabelecer no Brasil, nos primórdios da sua colonização na ilha de Cayru, se unindo aos Góes e Saraivas. 

Na capitania de Ilhéus, parte atual da Bahia, temos os Espina que se entrelaçam com os d'Eças. Os Garcez, com os Barros, e seus descendentes com os d'Eças e Barbosas.

Ortiz
No Espírito Santo, temos o registro da heroina Maria Ortiz, que desencadiou a reação contra a invasão holandesa em Vila Velha-ES. Seus pais eram provenientes diretamente de Vizcaya.

Em São Paulo, tem-se notícia de Diogo Unhates (Oñati), que da Bahia se estabelecera em São Vicente e que posteriormente viria a ser um dos fundadores da cidade de Paranaguá, no Paraná, se ligando aos Nunes.  

É documentado no início de 1600 a vinda de Pedro de Urrecha à Bahia, que introduziu a indústria da pesca das baleias, e que trouxe consigo gente de Viscaia. Talvez, esse episódio, justifique uma maior incidência de nomes bascos provenientes da Bahia.

De São Paulo temos ainda os Camargo, dos mais poderosos clãs da capitania  e mesmo do Brasil no período colonial. Os Camargo são originários do vale de Camargo (Santander, País Basco), de onde se espalharam por Santillana (Santander), Castrojeriz e Roa (Burgos), Agreda (Soria), Pozal de Gallinas (Valladolid), Placencia (Cáceres) e Guadalajara. Registra-se como cabeça de clã: Jusepe Ortiz de Camargo ("José Ortiz de Camargo"),  natural de Burgos, que veio a S. Paulo na última parte do século 16.º, f.º de Francisco de Camargo e de Gabriela Ortiz, n. p. de Luiz Dias de Camargo e de Beatriz de la Peña. Em S. Paulo casou com Leonor Domingues, falecida com testamento em 1630 na mesma vila no estado de viúva de seu marido, f.ª de Domingos Luiz - o Carvoeiro - cavaleiro fidalgo, e de Anna Camacho.

Consta ainda em São Paulo, em 1590, Sebastiana Unhatte casada com Jorge Dias Velho, com descendência em São Paulo e Minas Gerais.

Registra-se em São Paulo, em Itu, Antonio Borges, sendo seus pais: Antonio Bicudo e Angela Costa, naturais de Biscaia, tendo passado a Évora em Portugal e daí para o Brasil. Antonio Borges foi casado com Joana Almeida em Itu-SP, em 1707.

Ainda em São Paulo, os Barojas que se entroncam com os Ribeiros e posteriormente com os Lemes. 

Soma-se os Carracos, que em São Paulo se ligam aos Fernandes e Paes, em Pernambuco também se registra outra estirpe dos "Carrasco".

No Rio de Janeiro temos Salvador Correa de Sá e Benevides que se casa com D. Juana Catalina Ramirez de Ugarte y Velasco. 

Por hora correlacionamos essas 26(vinte e seis) famílias de origem bascas, registradas nos primeiros séculos de colonização. Nosso levantamento é ainda incipiente, a que futuramente aditaremos outras, devendo haver registros paroquiais Brasil afora, que a quem por ventura tiver, e puder fornecer-nos informações, agradecemos de ante-mão a contribuição.


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terça-feira, 11 de junho de 2019

O Castilhismo como Materialização do Período dos "Cinco Bons Imperadores"

"Do estudo da história podemos também aprender como um bom governo deve ser fundado; pois enquanto todos os imperadores que acederam ao trono por nascimento, exceto Tito, foram ruins, todos que acederam por adoção foram bons, como foi o caso dos cinco de Nerva até Marco. Mas tão logo o império caiu novamente nas mãos dos herdeiros por nascimento, sua ruína recomeçou".
Niccolo Maquiavelli

Maquiavel se reporta ao período de 138 à 192 D.C., conhecido como 'os cinco bons imperadores', quando cinco imperadores romanos: Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio/Lúcio Vero, se sucederam por indicação (adoção) e não por hereditariedade. Um repúdio consciente do princípio da herança dinástica e considerado como um dos fatores para a prosperidade do período.

Esse período tem início após o assassinato de Domiciano, quando então o senado nomeia Nerva como imperador romano. No que pese sua meia idade e não ter descendentes, Nerva era considerado um homem capaz, quer do ponto de vista militar quer administrativo, mas sobretudo racional e confiável. A falta de filhos se revelou uma vantagem, pois a sua sucessão foi determinada pela virtude do candidato e não por critérios familiares, embora Trajano tenha sido formalmente adotado por Nerva. Assim, os imperadores que o sucederam: Trajano, Adriano e Antonino Pio seguiram a mesma política de nomear o sucessor mais apto, o que resultou num período de estabilidade conhecido como os cinco bons imperadores. 

1. Nerva; 2. Trajano; 3. Adriano; 4. Antonino Pio; e 5. Marco Aurélio/Lúcio Vero
Durante o reinado destes cinco homens, Roma prosperou e atingiu o seu auge civilizacional. Trajano foi o responsável pela extensão máxima do Império em 117, ao estender a fronteira oriental até incluir a Mesopotâmia na alçada de Roma. O seu sucessor, Adriano, soube manter o vasto império e reconhecer que não valia a pena estendê-lo mais. Dando as conquistas por encerradas e construiu a 'muralha de Adriano' no norte de Bretanha como símbolo do fim do Império. Este período de manutenção, por oposição à conquista, ficou conhecido como Pax Romana.
"Se um homem fosse convocado escolher um período da história do mundo durante o qual a condição da raça humana foi mais feliz e próspera, ele iria, sem hesitar, escolher o que se passou entre a morte de Domiciano e a ascensão de Cômodo. A vasta extensão do Império Romano era governada pelo poder absoluto guiado pela virtude e pela sabedoria. Os exércitos eram contidos pela firme, mas gentil, mão de quatro sucessivos imperadores cuja personalidade e autoridade comandavam respeito. As formas da administração civil foram cuidadosamente preservadas por Nerva, Trajano, Adriano e os antoninos, que se deleitavam com a imagem da liberdade e gostavam de se ver como ministros responsáveis pelas leis. Tais príncipes mereceriam a honra de restaurar a república se os romanos da época fossem capazes de gozar uma liberdade racional." -  Edward Gibbon.
O ciclo de prosperidade terminou quando Marco Aurélio designou, para sucessor, não o homem mais apto, mas o seu filho Cómodo, que se sabia pouco à altura do pai e seus antecessores. Como na dinastia Julio-Claudiana (Nero) e Flaviana (Domiciano), um período de prosperidade chegou ao fim, seguido por uma governação errática por um homem paranóico, Cómodo, que incentivaria a revolta dos seus súditos. Cómodo foi assassinado em 192, mas o Império caiu numa grave crise dinástica e social.

A sucessão por indicação (adoção) e não por hereditariedade não era em si uma novidade, imperadores romanos adotaram herdeiros no passado: o imperador Augusto adotou Tibério e Cláudio adotou Nero. Júlio César, que se auto-proclamou dictator e que pois fim a República, adotou Otaviano, que seria conhecido como Augusto, o primeiro imperador de Roma, mesmo tendo, um filho ilegítimo, Cesarião, com Cleópatra. A "novidade" que marcou esse período esta no critério de escolha do sucessor, além da não-hereditariedade. Ao passo que nos episódios passados, a sucessão era algo circunstancial e principalmente, sem maior critério, exceto o da afinidade pessoal entre o imperador e seu sucessor, com Nerva passa a influir de modo decisivo a capacidade de governança do sucessor. Havia nessa escolha um critério ideológico, de escolher o homem mais apto ao cargo, que fosse sábio e racional, e assim, impinge-se essa marca ao seu governo. 

Outros episódios históricos, podem ser aludidos, como paralelos, embora mais sirvam como diferenciação, como é o caso do Reinado Visigótico na Hispania. A sucessão dos Reis Visigodos, não ocorriam por hereditariedade, mas por eleição por uma casta visigoda. E por assaz, não raro, se dividiam em facções, e raro era um Rei Visigodo que terminava seu reinado de morte morrida e não matada. Além, claro, de não haver nenhum critério ideológico em sua escolha, se não, o atendimento de interesses da facção a que era ligado. E eis aí uma grande virtude que distingue o período dos '5 bons imperadores' do regime visigótico. Como o Imperador romano não se submetia ao senado, ou a qualquer outro órgão de consulta para sua escolha, isso não fomentava facções, ao mesmo tempo que lhe dava liberdade de escolha, e sobretudo, independência para governar em favor do bem comum e não em atendimento aos interesses de uma oligarquia.

Observe o paralelo entre o período dos '5 bons imperadores romanos' com o Regime Castilhista instituído no Rio Grande do Sul - RS entre 1891 à 1937. Seria fruto do acaso, a prosperidade que gozou o Rio Grande do Sul nesse período? Quando se sucedem na presidência do Estado, governantes como: Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros e Getúlio Vargas..... não se trata de capricho do destino! O Partido Republicano Riograndense - PRR, funcionava como escola de formação ideológica dos seus quadros partidários. O PRR nunca foi uma legenda eleitoreira, como crassa hodiernamente no cenário político, e como poucas vezes houve no Brasil, se não é caso único, mas, sobretudo, tinha um forte viés ideológico, em que se destaca o espírito anti-patrimonialista, a racionalização da administração pública, a absoluta probidade e respeito a coisa pública. É desse terreno fecundo que rendia e rendeu valorosos frutos, em que o Chefe partidário, de forma isenta e sem se submeter ao próprio partido, escolhia seu sucessor entre aqueles mais competentes e aptos a governar. E foi assim que Borges de Medeiros sucedeu a Júlio de Castilhos e Vargas a Borges de Medeiros. 
1. Júlio de Castilhos; 2. Borges de Medeiros; 3. Getúlio Vargas.
Esse sistema se complementava com o princípio da continuidade administrativa, consagrada na Constituição Castilhista de 1891, materializada com o instituto da reeleição ilimitada. Que permitia ao Presidente (atual governador) se reeleger mediante quorum qualificado.

A constituição Castilhista, ainda propiciava independência ao Executivo, ao retirar do parlamento o poder de legislar, outorgando esse poder ao Executivo, compreendendo que se trata de um poder a ser exercido por técnicos e não por incompetentes ineptos para tal função (parlamento). Com isso o Executivo não se submetia aos interesses oligárquicos, e se estabelecia uma relação direta com o povo, fazendo prevalecer o interesse público sobre os mesquinhos interesses privados.

As instituições castilhistas guardavam esse traçado por influência de August Commte, que por certo conhecia a fórmula de Maquiavel, que mais longinquamente também era a traçada por Platão. Em verdade, há muito é sabido os tipos de instituições políticas viáveis e exitosas. Se não são postas em prática, a razão simples se dar porque esse tipo de fórmula não atende aos interesses das oligarquias dominantes, que preferem instituições corporativas ou representativas, do qual são derivações o regime parlamentarista seja presidencialista, seja monárquico. Se o regime absolutista de origem monárquico por si só estava longe do ideal, como aponta o próprio Maquiavel, as atuais monarquias parlamentaristas são ainda piores. E mesmo os regimes presidencialistas representativos, são essencialmente regimes oligárquicos que privilegiam a eleição dos cargos públicos mediante o financiamento de campanhas inacessíveis ao cidadão comum, se não, a fantoches de uma plutocracia dominante e do qual mais das vezes quando o poder executivo não é um fantoche dessa plutocracia, se torna refém dela, mediante quase sempre um congresso eleito pela sua mão. No caso dos países sub-desenvolvidos, o caso é mais grave, porque esse poder plutocrático é estrangeiro, ditando políticas contrárias ao interesse nacional.  

E em meio a esses sistemas já comprovadamente falidos, o Castilhismo ainda é a vanguarda política do mundo!  O farol que alumia e guia em meio as trevas! Um sopro atávico que revivifica a alma!



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quinta-feira, 6 de junho de 2019

1139 - O Surgimento do Estado Nacional


Alguns marxistas e mesmo liberais, pretendem fazer crer que o surgimento dos Estados Nacionais seriam frutos das revoluções burguesas ou mesmo "iluministas" ocorridas no Séc. XVIII. Oque é um completo absurdo! Basta mencionar, que a obra de Niccolo Machiavelli, "Il Principe", que trata sobre a formação dos Estados Nacionais, data de 1532! Muito anterior, portanto, ao que se denominou de "iluminismo" ou mesmo de qualquer 'revolução liberal' posterior. E uma obra, política, de natureza empírica como 'O Príncipe', é sempre posterior aos eventos históricos já sedimentados que lhe servem de subsídio. Nela, Maquiavel lamenta a situação da Itália, ainda fragmentada em dezenas de pequenas Cidades-Estados, em contraste a outros Estados, já unificados.... nacionais! Como eram exemplos Portugal, Espanha, França, etc... e que por essa razão, explica a miserável situação italiana, subjugada por potencias externas, clamando por um Rei capaz de a unificar e a libertar do julgo estrangeiro. 

Portugal é a formação política mais prodigiosa do Ocidente.  Nos deu o primeiro exemplo da monarquia administrativa, e fez valer o direito da coletividade, representada na dinastia, contra as pretensões da aristocracia (ação de João das Regras). 

A formação de Portugal se caracteriza por uma precocidade política tal, que o pequeno reino nos aparece como a primeira nação completa, na Europa já no século XIV. E não por acaso, suas fronteiras são as mais antigas de toda a Europa. Tudo mais ainda está em turbações e dificuldades de gestação, quando o Aviz já conduzia o Estado de uma nação inteiramente organizada na sua vida política. A ambição de um príncipe, explorando as tendências surdas das populações, guiando-lhes a vitalidade portentosa, pode fazer de metade da Galiza, com os remanescentes de lusitanos, e um rebotalho de sarracenos, a mais perfeita unidade nacional em manifestação ativa sobre o mundo de então, onde, conselhos e nobreza querem, solidariamente, a unidade nacional que lhes é revelada.

Espada de Afonso Henriques
Quando os portugueses batem os castelhanos nos campos de Ouriques, a pátria francesa ainda é frangalho inconsistente, irreconhecível, nas míseras campanhas que são Poitiers, Azincourt, Abranches... O reino dos Avizes prossegue a sua gloriosa ascensão – domínios, poder, riqueza, prestígio... e a futura grande França ainda espera Colbert e Turenne, para ser contada entre as grandes potências. A fortuna de Portugal já produzira os delirantes desatinos de D. Sebastião, quando o reino governado por Richelieu se apresenta naquele estado de que nos dá conta Voltaire: “...enquanto os portugueses descobriam mundos a Leste e a Oeste, fazíamos torneios... o erário real era de 85 milhões de francos... Ao subir para o trono, Luiz XIII não tinha um navio, sequer... Paris não possuía quatro belos edifícios para decorar-se... as outras cidades do reino assemelhavam-se a esses burgos de para lá do Loire... A nação francesa mergulhada na ignorância, sem exceção dos que se consideravam não ser povo”. E, desabusado, o grande francês fecha o quadro em que se amesquinhava a sua pátria – ignorância, ociosidade, desordem... “le peuple croupissant dans sa misère...”.

Em contraste com o resto da Espanha, Portugal afirma a sua unidade nacional, e a impõe definitivamente em Aljubarrota. Já rastreiam nas consciências novos intuitos patrióticos, e, tão depressa domina os fados dispersivos da Ibéria, parte Portugal para outros destinos: dominar o oceano, que ainda isola os núcleos humanos, e integralizar a humanidade na posse do planeta. Com, isto, o povo português patenteou vitalidade, gênio político e capacidade de socialização, acima de qualquer das outras nações do momento, e, num maravilhoso ímpeto político, elevou-se na ambiência civilizada em que vivia.


O grande esforço político dos Estados dominantes na Europa medieval consistiu em exercer o Império; mas nenhum deles foi além do absurdo – de pretenderem refazer, fora de Roma e fora de tempo, o Império Romano. Portugal, sim, achou a fórmula do Império possível no mundo moderno. Fernando, ao realizar a unidade de Espanha, ainda trata o reino como propriedade sua; quase um século antes, o Mestre de Aviz é caracterizadamente o rei de uma nação. É no tempo em que a maior parte da França ainda se considera feudo do príncipe normando. Carlos V, apesar da sua época, não sabe compreender os extensos domínios, sem entrar na farandolagem de um arcaico Santo Império, Portugal, esse, teve a concepção de um Império em exploração ultramarina; esboçou-o, lançou-lhe os alicerces, e tê-lo-ia realizado, se não se corrompesse pela grandeza mesma a que se elevara. Decaiu; outros o imitaram, ao mesmo tempo que o espoliavam, e coube à Inglaterra o papel de alcançar, em plenitude de efeitos, os bons proventos de um tal Império, antevisto e preparado pelo gênio português. Sim: daí, deriva toda a exploração do mundo pela Europa. Novas finanças para a nação, cooperação do Estado em grandes empresas de comércio, intuição do novo espírito em economia, reabilitação e nobilitação da mercancia, feitorias para a exploração proveitosa de regiões afastadas... tudo isto vem de Portugal, projetado sobre os mares. 

No despontar da Renascença, a ousadia, o estímulo guerreiro faziam parte da vida comum, na Europa; não é, pois, a simples coragem que faltava aos outros, em cotejo com Portugal. Era a confiança ativa – a instintiva convicção de que a vontade tem sempre razão. E tanto que, para eles, não havia derrota definitiva. Sobrevém o desastre máximo de Tânger, com o mísero cativeiro do Infante: o ânimo português recolhe-se para ganhar forças, volta o infeliz ao martírio, guarda Ceuta, e acaba tomando a cidade cobiçada.  

Pequena fração, apenas, de uma Espanha turva, a Lusitânia, refeita em Portugal, afirma-se na continuidade da ação heroica, com efeitos gerais de que só temos similar no fulgor do pensamento Grego, ou na expansão do Romano. Nem há, nos fastos da humanidade, nada mais importante para a plenitude dos seus destinos. É realização imediata, e é escola. Pela primeira vez, na história, vemos um efeito universal realizado como programa e fim conscientes: a exploração dos mares, no proveito de uma nação. Foi o fado definitivo, a que o povo português se entregou, sob o influxo de um profeta da ação – o obstinado anacoreta de Sagres, cuja política reflete bem a alma do português daqueles dias: misticismo sem sonho, mercancia em heroísmo turvo e pertinaz. O instinto rapace do Ocidente, iluminado nos motivos de fé, gerara a formidável reivindicação dos Cruzados; Portugal, elevando tais instintos à política lúcida e conseguinte, teve a força de transmutar o multissecular movimento das Cruzadas em campanha nacional, e deu o golpe definitivo no Muçulmano. Sim: foram os portugueses os primeiros a sair da Europa – para atacar o sarraceno, lá mesmo nos seus redutos. E realizou-se, assim, a reação eficaz. Então, nessa conquista do Norte da África, se patenteou a qualidade do heroísmo português. É um testemunho completo e irrecusável: nada havia para a façanha projetada, a não ser a energia nacional. Houve que fazer tudo – marinheiros, navios, dinheiro... e a pertinaz energia deu para tudo. Nem o flagelo da peste pôde contra ela: “Morreu tanta gente em Lisboa que a cidade se vestiu de luto, e a esquadra teve de partir coberta de crepe”... Mas partiu! Nela ia um Ayres Gonçalves de Figueiredo, aos noventa anos de idade, sempre forte, na sua armadura de guerreiro. Dois séculos depois, encontraremos em Pernambuco Duarte Gomes, brasileiro, soldado aos oitenta anos, para combater o holandês invasor... Dez anos antes de Ceuta, não se conhecia no mundo marinha portuguesa; em 445, lá vão, para essa primeira conquista da África, 36 navios armados. Sobreveio, depois, o gravíssimo desastre de Tânger; mas persiste a necessidade íntima de expansão, e Portugal, que deve realizar o seu plano, mantém Ceuta, refaz as forças, e, em 471, volta ao reduto do sarraceno com 474 velas e Ceuta, Tânger... são apenas realizações imediatas muito limitadas, para uma ambição que teve de criar novas formas de expansão e de poder. No triunfar sobre Castela, a nação portuguesa sentiu-se capaz de mais largas vitórias, em vastas conquistas; havia excesso de força vital, e ela, a nação, transborda para o mar. Então o Oceano como que desvirtuou a tradição do Portugal primitivo. Atraído para a carreira que o porto de Lisboa lhe oferecia, a nação esqueceu a sua posição continental, e a própria história: desistiu de incorporar o resto de Galiza, quebrou a tradição europeia das conquistas de terras imediatas, e compreendeu noutros intuitos a sua situação geográfica. Portugal considerou-se, exclusivamente, litorâneo, e incluiu a visão do mar numa ambição lúcida e definitiva – ir por ali à Índia, e arrancar ao sarraceno e à Veneza o comércio que faziam. De caminho, o Português teve que fazer do Atlântico desconhecido o seu domínio. Assim, foi ele o primeiro a organizar a nação como realização de uma ideia, com a intuição da vida moderna – mercantilismo, valor das finanças, industrialismo... e soube aproveitar as possibilidades da grande navegação, donde o normando, mais ousado, talvez, nada pôde tirar. Dez séculos de grandeza e prosperidade, um poder incontrastável no Mediterrâneo, não bastam para garantir Veneza contra Portugal, que lhe arrebata o comércio...

Ora, Portugal foi a nação em que primeiro se revelou esse espírito moderno. Abrindo o Atlântico, iniciando a era das grandes navegações e descobertas, o pequeno reino abriu, de fato, a era moderna, cujo estímulo essencial foi a necessidade de expansão dos povos europeus. O processo inicial, nessa expansão, tinha que ser o desdobramento das relações comerciais, a criação de novos caminhos e de novos regimes de tratos. Tal o papel do pequeno povo: projetando-se sobre o Atlântico, suplantando venezianos e sarracenos traficantes de cabotagem, e, com isto, distendendo a Europa. Desaparecido o império romano, o mundo civilizado se disseminara, e a nova aproximação dos povos foi determinada e conduzida inicialmente pelo pequeno reino: “As comunicações diretas, estabelecidas por Portugal com a Índia, amesquinharam Veneza e Gênova, e, com elas, toda a centralização árabe. A abertura do Oceano como grande caminho (obra portuguesa) precipitou a Reforma e criou Anvers”. Esta é conclusão de um anglo-saxônico, num estudo desapaixonado, quando acompanha as diversas fases da centralização de capitais na Europa; e é a verdade, porque, no esforço do português, cria-se o novo imperialismo, a que a Europa teve de moldar-se, abandonando, indiferente, ou hostil, as serôdias tentativas de reconstruir o Império Romano. 

Despeitos patrióticos procuraram deixar tudo isto no silêncio, e, nós mesmos, buscando as forças de origem, quase esquecemos que rompemos para a vida nos restos da ação com que Portugal abriu a era da Renascença. No justo orgulho de espanhol, brada Blasco Ibañez a sua reivindicação: “El Renacimiento fué mas español que italiano. En Italia renacieron las bellas letras... pero no todo el Renacimiento fué literario. El Renacimiento representa el surgir à la vida de una sociedad nueva, con cultivos, industrias, ejércitos...” Ibañez, como ibérico, tem razão; mas os seus alegados se fazem em puras abstrações. Se ele houvera concretizado argumentos, a ação dos portugueses seria a apontada como o muito com que a Ibéria concorreu para a era moderna. A Renascença pura, a só manifestação literária, nada significaria, se não fora o complemento necessário, a expressão simbólica e fulgurante do surto em que o espírito humano se refez, para que a sociedade ocidental se reconstituísse, em todas as suas manifestações e atividades: comércio, indústria, ciência e filosofia... 

No Brasil, essa portentosa capacidade política dos portugueses manifesta-se neste milagre: mal se reconheceram, as populações coloniais aqui plantadas tiveram consciência da sua própria existência, unidas no vínculo de uma nova pátria, esse Brasil – o Estado do Brasil, de que já se fala antes de oitenta anos de colonização, quando em 1579, o então rei de Espanha, Felipe II, oferece a coroa do Brasil, já visto como nação digna de ser sede da monarquia portuguesa, ao duque Prior do Crato, pretendente ao trono português, em troca do reconhecimento dos seus direitos ao trono de Portugal. 





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terça-feira, 28 de maio de 2019

Em 2002 Brizola queria Lula! E Não Ciro Gomes!

Nas prévias das eleições de 2002, quando Brizola ainda articulava uma "Frente Trabalhista", composta pelo PDT, PTB e PPS, que por hora tinha o nome de Ciro Gomes (PPS) como cabeça de chapa. Brizola ao saber que o PPS, lançaria Antonio Brito como candidato a governador no RS, suspendeu a aliança, sob o obste do Antonio Brito ter privatizado a empresa de Telecomunicações do RS. É de se imaginar oque pensaria Brizola, do guru econômico do Ciro, Mauro Benevides, que, no programa do Ciro, dizia ainda ter 77 estatais para privatizar! E do próprio Ciro que o endossa..... 

Durante 3 meses, as negociações ficaram paralisadas, até que se convencionou, que a aliança seria apenas a nível Nacional. Antonio Brito saiu candidato pelo PPS no RS, enquanto José Fortunati pelo PDT. 

No Ceará, em que o PPS, partido do Ciro, tinha uma aliança informal com o PSDB, o candidato pelo PDT: Pedro Albuquerque, se negou formalmente a apoiar o Ciro Gomes.


A nível nacional, com a perspectiva de vitória no 1º turno de Lula, após 8 anos de devastação neoliberal promovida por F(MI)HC, Brizola anteviu que se deveria apoiar Lula, ainda no 1º turno, afim de sepultar qualquer chances de uma eventual vitória de José Serra (PSDB).

A posição de Brizola desagradou os outros líderes partidários: Roberto Freire (PPS) e Roberto Jefferson (PTB), que criticaram Brizola.

Roberto Jefferson (PTB), disse que a “deserção” de Brizola é a atitude de uma pessoa “desesperada”. “Como ele [Brizola] está quase sem chance de ser eleito senador, está tentando uma última ação desesperadora. Ele quer ver se consegue dessa forma conquistar o voto da onda socialista. Só assim para ser eleito.”

O presidente do diretório regional do PPS no Rio, o ex-deputado federal Sérgio Arouca, disse que faltou lealdade na decisão de Brizola. “A Frente Trabalhista foi formada com seriedade. Não se pode tomar decisões unilaterais sem se comunicar previamente os integrantes da coligação.”

Roberto Freire (PPS), disse que preferia não comentar a decisão “deste Brizola”. “Prefiro ficar com este Brizola do que com o outro, envolvido neste episódio”, disse Freire, referindo-se às declarações pró-Lula de Brizola.

Freire e Jefferson rechaçaram essa possibilidade. “Só se renuncia por uma boa causa. Nunca para beneficiar um outro candidato.”

A posição de Brizola, contrasta com a desses politiqueiros, que sempre colocam seus interesses partidários acima do Brasil, ao contrário de Brizola, que como nós, sempre colocou os interesses do Brasil acima de tudo e todos! Muitas vezes em prejuízo de si próprio, que é o proceder natural de um verdadeiro e legítimo nacionalista!


sábado, 25 de maio de 2019

O Fomento dos Movimentos Negros, do Regionalismo e Identitários como Ardil Imperialista

César Benjamin, ex-secretário da Educação.
" - Temos 15 milhões de dólares e vamos provar que o Brasil é racista."

A frase é de um executivo da Fundação Ford, dita em uma reunião realizada na sede da Fundação na praia do flamengo, relatado por Cesar Benjamin, ex-secretário da Educação do Estado do RJ, quando buscava financiamento para projetos de educação em áreas rurais:
" - Fiquei chocado com o que vi. Os funcionários da fundação disseram abertamente que só financiariam projetos que destacassem a questão racial no Brasil. Exigiram que eles mudassem todo o projeto que levaram."
Cesar Benjamin afirma categoricamente que o processo de promoção de movimentos negros, polemização de temáticas raciais, etc...  são um projeto do Departamento de Estado dos EUA.
"A Fundação Ford, que é um braço do Departamento de Estado, mirou no coração do nosso software, o conceito de povo brasileiro. Acertou em cheio. Se não há povo brasileiro, o Brasil não vale a pena. Isso é parte importante da grande crise civilizatória que se abateu sobre nós e nos paralisa."
Não basta-se a intensão desfragmentadora, anti-nacional, desses organismos internacionais, que não se resume a Fundação Ford, outras ONGs como as do George Soros que atuam livremente no Brasil, promovendo e cooptando inocente úteis para quebrar a unidade nacional dos brasileiros. Mentem e distorcem a História do Brasil fazendo crer, para a atual geração, uma relação escravocrata, no passado, que nunca houve no Brasil!

A escravidão no Brasil foi menos dolorosa do que em qualquer das outras colônias modernas, inclusive a América inglesa. É um testemunho universal, repetido até pelos anglo-saxões. No Brasil a vida geral se fazia com uma relativa aproximação de senhores e escravos, e havia para estes mais humanidade. Por isso, o reflexo do mal teve outros tons. Se é possível apontar algumas relativas cruezas nos quadrados de senzalas dependentes dos cafezais, pelo resto do Brasil era uma inocente escravidão rural ou doméstica. Inocente porque, dadas as condições de cultura dos escravos, as formas de vida tinham piores efeitos para os próprios senhores do que para aqueles, humanamente tratados. Uma coisa é o efeito de massas de cativos, quase isolados, jungidos ao trabalho da mina, ou nos ergástulos dos latifúndios, outra é a ação de escravos misturados ao viver da família: dezenas de negros e mulatos, no recesso das cozinhas, no segredo das alcovas. De tudo isso já se tem tratado muito; e, a mais de um propósito, admite-se que da escravidão derivou mal para a vida moral.


No mesmo leito, viam-se, frequentemente, os filhos do casal, ao lado de quatro ou cinco escravos, distinguindo-se, apenas, na cor. Nesse cativeiro, a alma do negro não se sentia intransigentemente amesquinhada; havia relativa expansão, uma qual liberdade, e sombras de felicidade. E porque assim se fez o cativeiro dos pretos, nunca houve, aqui, daquelas sangrentas reações de escravos, como se encontram na história de outras partes da América. Afora casos individuais, contra um ou outro senhor mais desumano, as revoltas se limitavam aos quilombos de negros fugidos, e que não eram caçados a dente de cães de sangue... O próprio desenvolvimento dos Palmares, e outros grandes quilombos, mostra que os pretos escravos tinham, no Brasil, possibilidades que não existiam noutras colônias. Palmares foi uma organização política, e não um reduto de ódios. 

A nobreza de então, que deu grande parte do heroísmo do primeiro Brasil, forma uma bela aristocracia rural, vivendo do escravo, sim, mas, tão humana, que não tem par em todos os outros países coloniais da época. O cronista inglês Henry Koster, que viveu na região de mais desenvolvido trabalho agrícola do seu tempo no Brasil, mostra-nos uma escravidão com senhores – “que não tiram da terra todo o proveito possível, tal é sua bondade para com os escravos”. Nas grandes famílias, a tradição é de que “Não se vendem as crias da casa”. Em Pernambuco, atesta ele noutra parte, “os escravos são sempre decentemente vestidos”. Singelos, quase ingênuos aristocratas, eles têm, apenas, a fidalguia de ânimo, essência que pela idade se apura. 

E se esse que vos fala lhes parecer de excessivo apresso verifique oque diz Jean Louis Rodolphe Agassiz, um dos maiores promotores e dos principais defensores das teses racialistas do século XIX, quando de sua estadia no Brasil:
"- Era grande a variedade de toaletes; sedas e cetins roçavam-se com lãs e musselinas, e os rostos mostravam todas as tonalidades, do negro ao branco, sem contar as cores acobreadas dos índios e dos mestiços.
Não há aqui, com efeito, o menor preconceito de raça. Uma mulher preta — admitindo-se, já se vê, que seja livre — é tratada com tanta consideração e obtém tanta atenção quanto uma branca.
"
Ainda no Rio de Janeiro, sua esposa, Elizabeth, escrevera à sua família, constatando que:
“não há aqui o sentimento de inferioridade do preto que existe entre nós.”
Essa democracia racial observada pelos Agassiz, em seus juízos, seria prejudicial no sentido de que a mestiçagem produz uma população fraca e depauperada, composta por seres “vagos, sem caráter nem expressão”. Segundo Elizabeth, que lamenta:
o fato, tão honroso para o Brasil, de ter o negro pleno e inteiro acesso a todos os privilégios do cidadão tende a aumentar, antes que a diminuir, sua importância numérica.
Na Africa do Sul, quando do estabelecimento das primeiras colonias holandesas na cidade do Cabo, antes possessão portuguesa. Nos dez anos em que viveu no Cabo, Jan van Riebeck jamais teve contato pessoal com a população negra. Nunca tentou aprender os idiomas locais. Muito pelo contrário, ordenou, em 1660, a implantação de uma cerca para isolar a si e a todos os colonizadores. Os nativos eram chamados por ele de "cães negros, imbecis e fedorentos".

Há quem especule que, se os portugueses tivessem tomado posse do Cabo da Boa Esperança, a história da África do Sul teria seguido rumo bem diferente. O jornalista sul-africano Allister Sparks é um dos que acreditam nisto. Em seu livro The Rise and Fall of Apartheid in South Africa, Sparks escreveu:
"A história girou com o vento. Tivessem os portugueses ficado no Cabo, jamais teria havido o povo dos africânderes (ou bôeres) e sua ideologia do apartheid. Talvez uma República da Boa Esperança, rica em minérios, teria se desenvolvido num segundo Brasil, numa sociedade conhecida por integrar diversas raças e não como símbolo mundial da segregação racial."
O fomento, na atualidade, dos ditos "movimentos identitários", de negarem a nacionalidade, o fomento de regionalismos, de supostos quistos étnicos dissonantes do corpo nacional, que são difundidos, não só no Brasil, como em todo o mundo! São ardis imperialistas para quebrar a unidade nacional com fim de enfraquecer os Estados-Nacionais. O aspecto "novo", e que merece um maior aprofundamento posterior, é que esse imperialismo, não mais se restringe a um país "A" contra um país "B", mas sim de uma casta oligárca contra TODAS as nações do planeta. A tática é muito mais sofisticada e sutil como jamais houve!


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segunda-feira, 6 de maio de 2019

A Imigração Espanhola para o Brasil

A imigração espanhola no que pese sua importância, é pouco citada, em contraste a outras de contingentes pífios como a alemã e a japonesa. Para mensurar, se somarmos o contingente imigrante germânico e japonês, juntos, não alcançam se quer a metade da imigração espanhola. Mesmo a portuguesa, a qual trataremos futuramente, é relegado ao mais profundo obscurantismo. Não é algo por acaso....  há muito de perfídia, em franca negação de contingentes afins a nacionalidade brasileira, pondo em relevo outras mais dispares. Assim, passaremos a tratar de forma mais detalhada dos principais contingentes imigratórios para o Brasil, a começar pela espanhola.
Editorial


A imigração hispânica no Brasil colonial, não é quantitativamente bem apurada, embora seja bem documentado inúmeros entrelaçamentos de espanhóis com famílias brasileiras, muitas das quais que vieram a ser os principais troncos formadores da nação brasileira, como é o caso dos Bueno(s), dos Quevedo(s) em São Paulo,  reduto à época da União Ibérica de intensa presença de hispanos. Na Bahia como em Pernambuco, centros maiores, e redutos da administração luso-espanhola, sua presença também foi marcante. (ver: A Imigração Basca para o Brasil nos primeiros Séculos de Colonização.)

O início da presença espanhola no Brasil começa com o navegante andaluz, Vicente Yáñez Pinzón que teria sido um dos primeiros descobridores do Brasil, aportando na ponta do Mucuripe, em Fortaleza, ao qual ele chamou de "Santa María de la Consolación", em 26 de janeiro de 1500, três meses antes de Cabral, e daí a foz do rio Amazonas que ele chamou de "mar dulce", e de lá passando ao caribe.

Em 1527 o navegador e capitão mór da armada portuguesa enviada para o Brasil, Cristóvão Jaques, em sua terceira expedição (1526-1528) a costa brasileira, dar conta de um náufrago espanhol de nome Rodrigo Acuña, da expedição de Jofre de Loyassa às Molucas (1525), vivendo em Pernambuco. Martin Afonso de Souza, em 1531, nas intermediações de Cananéia se depara com Cosme Fernandes, "O Bacharel de Cananéia", junto a seis náufragos castelhanos.

Em 1582,  o comandante espanhol Castejon com 132 soldados, tomam parte na conquista da Paraiba contra os franceses e muitos se estabelecem lá mesmo na cidade de Filipéia (atual João Pessoa), a terceira mais antiga do Brasil. 

De mencionar a expedição de Bagnuolo, Conde Napolitano, no curso da invasão Holandesa em 1631, quando vieram 500 (quinhentos) espanhóis sob seu comando para lutar contra os holandeses.

Pós independência, quando da imigração espanhola em massa para o Brasil pode se subdividi-la em três momentos:

Uma primeira fase que vai de 1880 à 1900, com preponderância de espanhóis de origem galega.

Uma segunda fase de 1900 à 1922, preponderância de andaluzes, especialmente no oeste paulista.

Uma terceira fase de 1922 à 1960, quando os imigrantes galegos voltam a ser majoritários.

Imigração espanhola para o Brasil, por décadas de 1884-1893, 1924-1933 y 1945-1949
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística - IBGE

Década

1884-1893
1894-1903
1904-1913
1914-1923
1924-1933
1945-1949
1950-1954
1955-1959
Espanhóis
113.116
102.142
224.672
94.779
52.405
4.092
53.357
38.819

Contingentes de outras regiões espanholas também contribuiram em menor grau: bascos, catalões, asturianos, leoneses, cântabros, extremenhos.... nota-se, que com exceção dos andaluzes e extremenhos, os imigrantes espanhóis provem do norte da Espanha, oque compreendia antes as velhas fronteiras do Reino da Gallaecia, no que pese, a Extremadura, mais ao sul, também ter composto o Reino Galaico. 

Os dados da imigração espanhola não são tão precisos, variam conforme as fontes e os períodos, agravado por alguns portos de embarque serem em território português (porto do Lelixão e de Lisboa) oque muitas vezes se tomava um imigrante galego por português.

Segundo os informes consulares, entre 60 e 70% dos espanhóis no Brasil eram galegos. Tais índices se explica pela similaridade linguística do idioma galego com o português, a proximidade dos portos de embarque portugueses e a existência duma corrente migratória previa rumo ao Brasil intermediada por Portugal. (Villares, 1996)
Segundo Klein entre 1880 à 1900 imigraram para o Brasil 199.193 espanhóis.¹  Dos quais, cerca de 159.350 (80%) eram galegos. Até o final do século XIX, houve um grande fluxo de galegos, que se fixaram principalmente em centros urbanos: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belém.

Do total, de 1900 até 1970: 750 mil espanhóis imigraram para o Brasil. (KLEIN, 1994, p. 36)

Os espanhóis estavam entre os primeiros e maiores grupos de imigrantes a chegar aos cafezais paulistas, ultrapassando inclusive os italianos.

Elena Pajaro Peres assinala a peculiaridade da imigração galega ao Brasil "polo feito de que o Brasil ser un dos destinos preferidos nos anos 1950, polo carácter rural da maioría destes inmigrantes e, sobre todo, por ser unha inmigración non vinculada necesariamente ao antifranquismo." ( Peres, 2002, p. 37) [...] a maioria dos espanhóis, nesse período, emigrou a Brasil por conta própria, sem gozar de qualquer assistência governamental. Entre estes, um grupo significativo provinha de Galiza [...].

A emigração subsidiada fora proibida. Porém, não teve efeito no trânsito para o Brasil, uma vez que se redirecionaram os portos de saída dos espanhóis. Os provenientes das províncias do sul e do leste passaram a buscar saída pelo Porto de Gilbraltar, enquanto no norte, especialmente Galiza, região densamente povoada e de mini-fundios, a saída se dava pelo Porto de Vigo (CÁNOVAS, 2001; KLEIN, 1994; MARTINEZ, 1999).

Entre 1900 à 1910, a imigração espanhola para o Estado de São Paulo foi majoritariamente de andaluzes, 60% do total, enquanto que 20% eram galegos e estes pouco utilizaram dos subsídios, visto que preferiam se direcionar para áreas urbanas, diferentemente dos andaluzes (MARTINEZ, 1999, P. 250)

A Andaluzia teve grande emigração até a década de 1910. Deste momento em diante, a Galiza, minifundiária e mais densamente povoada, será a região que mais emigrantes produzirá. 

Até 1910, os espanhóis casavam-se dentro de seu próprio grupo étnico em uma proporção maior do que a de italianos e portugueses: 62% dos homens casaram-se com espanholas, enquanto que 69% das mulheres casaram-se com espanhóis. [...] a partir de 1940, quando esta se torna urbana, os registros de casamento de São Paulo apresentam que apenas 12% dos espanhóis casaram-se entre si.

Com dificuldades de estatísticas anteriormente mencionadas, são importantes os dados de Gonzalez Martinez que, a partir de informes de cônsules aos Ministério de Assuntos Exteriores de Madrid em 1931, mostra a origem regional dos imigrantes espanhóis, a saber: 
Pará: 1.500 espanhóis, 90% galegos, 7% de Castilla-Leon, 3% de outras regiões. Esta imigração foi feita sob contrato para o desenvolvimento da agricultura e para a criação de núcleos coloniais na região. A maioria destes imigrantes abandona a região em busca de cidades como Rio de Janeiro ou São Paulo ou ainda Buenos Aires e outros voltam para a Espanha. 
Recife: 476 espanhóis, 70% galegos, 5% catalães, 5% andaluzes, 5% castelhanos velhos e 10% de outras regiões;  
Salvador: concentrava 96% dos 3.500 residentes em toda a Bahia, 98% eram da Galiza – a maioria de Pontevedra. Monopolizavam o comércio de mercearias, padarias e restaurantes e também de casas de penhores;  
Mato Grosso: 150 em Campo Grande e 110 em Corumbá;  
Amazonas: quase mil; 
Espírito Santo: quase 500; 
Rio de Janeiro: 40 mil espanhóis, 70% galegos, 30% de outras regiões, com predomínio de homens (70%), possuindo as mesmas características comerciais de outros lugares;
Segundo o censo de 1906, havia um total de 210.515 de imigrantes no Río, sendo 133.000 deste total portugueses, 25.557 italianos e algo mais de 20.000 espanhóis. No censo de 1920 os espanhóis continuaram representando o terceiro grupo máis numeroso de imigrantes nesta cidade. Os imigrantes destes anos foron atraídos para o Brasil devido ao crescimento econômico que o país passava, sendo Rio de Janeiro uma das cidades mais desenvolvidas do sudeste e sul, regiões que se concentrava 93,4% da população brasileira (Sarmiento, 2006). Outro dato importante é que, dentro da comunidade espanhola do Rio de Janeiro, os imigrantes de origem galega também são os mais numerosos.
Érica Sarmiento destaca que: [...] antes do inicio da imigração massiva para o Brasil (1890), já havia galegos que não só estavam estabelecidos na capital, com seus negócios, senon que tamen davam Trabalho aos compatriotas da mesma aldeia ou município. Podemos dizer que apesar de não serem majoritários antes de 1890, foram os pioneiros e sentaram as bases do que seria a futura imigração galega ao Rio: espontânea, baseada en lazos de parentesco e adicada principalmente ao setor do comercio e Hotelaría. (Sarmiento, 2006, p. 42)
Os galegos que chegaram ao Rio de Janeiro na sua maioria emigraram de forma espontânea e se instalaram no meio urbano. Dedicaram-se ao setor terciário, que lhes oferecia mais oportunidades de trabalho e permitia uma ascensão social mais rápida que o meio rural, ainda que a maioria fosse originaria do meio agrário na Galiza. Muitas vezes tinham alguma propriedade no seu lugar de origem que poderia ser vendida ou alugada para que ajuda-se nos gastos da viagem. 
Paraná: 500 espanhóis em Curitiba; 
Santa Catarina: menos de 400;
 
Rio Grande do Sul: existência de vários núcleos: Porto Alegre, Pelotas, Uruguaiana, Bagé, Santana do Livramento, com cerca de 10 mil residentes; os restantes no Estado não possui importância quantitativa (MARTINEZ, 1999, P. 246).
“Quem são os imigrantes espanhóis? Seguindo a tendência apontada por Martinez nesse período, a grande maioria era de galegos, que se fixaram principalmente em centros urbanos brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Para o Rio Grande do Sul, os dados são ainda mais dispersos. Seriam em torno de 10.000, segundo o consulado Espanhol, nos núcleos de Porto alegre, Pelotas, Uruguaiana, Bagé, Santana do Livramento, etc. [....]” (p.47) 
Minas Gerais: De 1884 à 1896, 3.002 espanhóis.


A Imigração Galega:


Os imigrantes galegos, além de mais numerosos entre os espanhóis, eram um contingente distinto, com cultura, língua e historia própria. E por que é mais difícil identifica-los? Érica Sarmiento crer que tal questão tem relação com a figura do imigrante português na sociedade carioca: Assim, os verdadeiros galegos, quando não aparecem ocasionalmente em obras sobre a imigração, espanhola em geral, apresentam-se camuflados sob a figura dos portugueses.

Não só eram chamados "galegos" os naturais da Galiza, como também os portugueses. A palavra era empregada duma forma pejorativa para alcunhar os portugueses quando se queria insulta-los. Posteriormente, o termo galego acabou estendendo-se a todo estrangeiros, e n´algumas regiões brasileiras, a palavra define as pessoas de pele muito clara e cabelos louros.
"A imigração portuguesa ocultou a comunidade galega impedindo que as miradas acadêmicas identificassem os galegos como um grupo numericamente importante, ativo na sociedade carioca e com características próprias. [...] Portugueses e italianos tiveram importância na sociedade carioca como os maiores grupos de imigrantes [...], mas os portugueses sem dúvida tiveram representação em um setor que trabalha diretamente com as classes mais populares: o do comercio. Eram maioria como donos de bares, pensões, restaurantes, padarias e tendas de ultramarinos. Curiosamente os galegos destacaram-se no mesmo setor profissional, em bares, hotéis e restaurantes, como se tivessem seguido o exemplo dos portugueses, que dominavam esse setor antes da chegada dos competidores. [...]"
Ademais de ocupar a mesma área profissional compartilhavam a proximidade entre os dois idiomas, a afinidade de costumes, a mesma zona geográfica da que procediam - os portugueses que estavam no Rio eram majoritariamente do Norte de Portugal - e o feito de que já existira - previamente a imigração transoceánica - um fluxo migratório de Galiza para este país. (Sarmiento, 2006, p. 44-47)

Oque Érica comenta sobre os brasileiros fazerem uso do termo galego fazendo alusão aos imigrantes portugueses também foi mencionado por José González Márquez na súa entrevista: "Sabes que alla no dicen" galego ", ¿no? Galego llaman a los portugueses. Alla, los gallegos de Galiza son españoles. Alli me llaman de español, asi como aquí me llaman brasileiro muchos. "



Famílias Hispânicas no Brasil Colonial:

1. Agostinho Guterres (Valencia, Espanha, c. 1685 - Viamão, Rio Grande do Sul, c. 1763) casado com Maria de Brito Peixoto.
2. André Martins Bonilha (Espanha, ? - Brasil, c. 1616) casado com Justa Maciel.
3. Antonia Gonçalves (Sevilla, Andalusia, Espanha, ? - São Vicente, São Paulo, c. 1616) casada com Antonio Preto, o Patriarca da Família Preto no Brasil.
4. Antonia Gonçalves (Sevilla, Andalucía, Espanha, c. 1560 - Brasil, c. 1616) casada com Francisco Martins Bonilha.
5. Antonia Pinto (Salamanca, Castile and León, Spain, c.1707 - Rio Grande, Rio Grande do Sul, 12 de junho de 1738) casada com João Antunes da Porciúncula.
6. Balthazar de Godoy (Castela, c.1561 -- ?, ?) nobre castelhano, que veio a S. Paulo na segunda parte do século XVI em tempo do domínio de Castela no Brasil. Aqui casou com Paula Moreira filha do capitão-mor governador Jorge Moreira.
7. Bartolomeu Bueno de Ribeira, o Sevilhano (Sevilha, Andalusia, Espanha, c. 1555 - São Paulo, c. 1629) casado com Maria Pires.
8. Bernardo de Quadros (Sevilla, Andalusia, Espanha, ? - Brasil, c. 1642) casado com Cecília Ribeiro.
9. Concépcion Martinez Martins (Conceição Martinez Sugrañez (Barcelona, Espanha, 8 de outubro de 1894 - 2 de outubro de 1980) casada com João Baptista Gomes Martins.
10. Concepción Montserrate Josefa Sugrañes Daudi (Barcelona, Espanha, 7 de dezembro de 1869 - Rio de Janeiro, 25 de dezembro de 1945) casada com Miguel Mariano Martínez Marmol.
11. Diogo de Lara (Zamora, Castile and León, Spain, ? - São Paulo, 22 de outubro de 1665] casado com Madalena Fernandes de Morais.
12. Diogo Trilha (Antequera, Málaga, Andalusia, Espanha, ? - Brasil, ?) casado com Suzana do Rosário.
13. Domingos de Amores (Castela, Espanha, ? - Brasil, ?) casado com Antônia de Siqueira de Mendonça.
14. Francisco José De Leivas (Sevilha, Espanha, c. 1727 - Brasil, ?) casado com Maria Joaquina De Aguirre De Abreu.
15. Francisco Martins Bonilha (Castile and León, Espanha, c. 1560 - Brasil, ?) casado com Antonia Gonçalves.
16. Francisco de Saavedra (Madri, Espanha, ? - Brasil, ?) casado com Maria Moreira.
17. Geraldo Mirambell Olivé (Barcelona, Espanha, c. 1825 - Pelotas, Rio Grande do Sul, 8 de dezembro de 1906) casado com Maria José Bernardina da Silva.
18. João de Azpilcueta Navarro (País Basco, c.1522 -- Bahia, 1557) padre da Companhia de Jesus, um dos primeiros a serem catequistas no Brasil, no século XVI. Era primo da mãe de São Francisco Xavier. (Curiosidade: empresta seu sobrenome para dar nome à Rua Aspicuelta, Vila Madalena, São Paulo.)
19. João Gonçalves Salgado (Santa Maria do Rio do Caldo, Lobios, Ornise, Galicia, Espanha, ? - Triunfo, Rio Grande do Sul, 22 de abril de 1779) casado com Ana Maria Leite de Oliveira.
João Matheus Rendon de Quebedo (Cáceres, Extremadura, Espanha, c. 1600 - Brasil, ?) casado com Maria Bueno de Ribeira.
20. João Piza (Balearic Islands, Spain, ? Brasil, ?) casado com Josefa Leite.
21. José Antonio Garrastazu (Espanha,? - Brasil, ?) casado com Dominique Barbiére Ibarburu, do qual descende o ex-Presidente da República Emílio Garrastazu Médici]
22. José Ortiz de Camargo, o Pai (Burgos, Castrojeriz, Burgos, Castille and Leon, Spain, ? - São Paulo, c. 1630) casado com Leonor Domingues.
23. Miguel Garcia Carrasco (São Lucas de Cana Verde, Espanha, ? - Brasil, ? ) casado com Margarida Fernandes e Izabel João.
24. Pedro Legaspe (Espanha, ? - Brasil, ? ) casado com Amélia Andrade.
25. Raimundo Mulet (Barcelona, Catalunha, Espanha,? - Brasil, ?) casado com Lauriana do Nascimento Martins.

Fontes:
¹KLEIN, H. A Imigração Espanhola no Brasil. São Paulo: Idesp, Sumaré, Fafpesp. 1994, p.31, tabela 1.1.
MARTINEZ, Elda E. Gonzalez.. O Brasil como país de destino para os imigrantes espanhóis. In Fazer a América, Org. Boris Fausto, São Paulo: EDUSP, 1999. 
“Ainda para Martinez 238.739 espanhóis saíram de portos espanhóis com destino ao Brasil, entre 1882 e 1929. [....]” (p.47)
“Martinez registra a presença de 567.176 imigrantes espanhóis no Brasil. Oque chama de segunda etapa com início em 1950, entraram 94.693, em 1960 já cai para 28.397. [....]”
“Para Klein, entre 1952 e 1970, o Brasil recebeu 111.100 imigrantes europeus, sendo 24.459 espanhóis, 22% de todos os europeus vindos para o Brasil [...]”
“Ao final da Segunda Guerra Mundial, ocorreu o último surto da imigração espanhola, até os anos 60.”
Entre 1884-1893 imigraram para o Brasil 113.116 espanhóis, dos quais 90.400 eram galegos. Até o final do século XIX, houve um grande fluxo de galegos, que se fixaram principalmente em centros urbanos: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belém.
Segundo Klein, H. de 1880 à 1892, imigram para o Brasil 74.751 espanhóis. 
De 1880 à 1900: 199.193. (Klein, H. A Imigração Espanhola no Brasil. São Paulo: Idesp, Sumaré, Fafpesp. 1994, p.31, tabela 1.1)
" [....] teriam sido introduzidos no ano anterior (1895) 6.631 imigrantes, dos quais 6.376 por conta do estado (ibidem, p.30). Prosseguindo-se os trabalhos no ano de 1896, foram introduzidos 22.496 imigrantes, dos quais 18.999 eram italianos e 3.002 espanhóis. No ano de 1898, o relatório do presidente do estado informa que teriam sido introduzidos no estado, no ano anterior (1897), 17.558 imigrantes, elevando a 61.259 o total de imigrantes vindos para o estado desde o final do ano de 1894
De 1900 até 1970, chegam ao País cerca de 750 mil espanhóis. Os espanhóis estavam entre os primeiros e maiores grupos de imigrantes a chegar aos cafezais paulistas, ultrapassando inclusive os italianos. Nos registros da Hospedaria dos imigrantes, em São Paulo, entre 1910 e 1915, dos 102.800 espanhóis que por aí passaram, apenas 15% pagavam suas passagens (KLEIN, 1994, p. 36).
“Conforme os números da Fundação de Economia e Estatística, em 1890, contabilizava em Porto Alegre dados referentes ao ano de 1872: 43.998 habitantes, entre livres e escravos. Pelo critério de sexo, a população é de 26.409 homens e 26.012 mulheres, totalizando 52.421 habitantes. No Rio Grande do Sul, como um todo, pelo critério da nacionalidade há em 1900, 1.013.986 brasileiros, 129.329, estrangeiros e 57.551 ignorados.”. (p.55)





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Carlos Nunez - A Descoberta do Brasil Galaico.
Clãs Brasilaicos 
O Nacionalismo como Tomada de Consciência e Defesa da Cultura Brasileira
Os Brasilaicos, A Raíz Identitária do Brasil.
Keltoi - Pela Restauração da Nobreza Brasilaica.
Do Kéltico ao Galaico-Português - A Língua dos Brasileiros.
Sangue e Tradição - O Nacionalismo Brasileiro e seus Elementos Caracterizadores.
Marcha de Titãs, Breviário Histórico do Nacionalismo Brasileiro
Apogeu e Queda de Uma Civilização
Os mais antigos da Europa!
Os Colonos Formadores.
Identidade e Formação da Nacionalidade Brasileira.
A Campanha de Itamaracá - As Primeiras Manifestações de Energia da Terra.
Nacionalidade e Nacionalismo.
O Arcadismo como Embrião do Nacionalismo Literário Brasileiro.
Calúnias e Difamações Contra os Bandeirantes - A Ação Patriótica dos Paulistas.
O Nascionalismo como Tomada de Consciencia e Defesa da Cultura Brasileira.
Divisão Breogan.
A Cepa - Os Lusitanos.
O Falseamento da Presença Judaica na Formação de Portugal e do Brasil.
V Geração Castilhista
1139 - A Fundação do Estado Nacional
A Composição Genética do Brasileiro, Menos Miscigenado, Mais Europeu do que se Cria.