GOLPE MILITAR OU REVOLUÇÃO REDENTORA?
CONSPIRAÇÃO VS CAMPANHA DE DESESTABILIZAÇÃO
Fico distingue o processo de conspiração do da campanha de desestabilização. O primeiro era anterior, já existente desde a queda de Vargas em 45, e que resultou em seu martírio em 54, junto com a tentativa de golpe em 55 contra a posse de Jucelino Kubitschek. Todos já de influência externa, ainda que indireta, no ânimo dos conspiradores. E que resultarão na Campanha de desestabilização iniciada em 62 com a posse de Goulart e que resultará, por fim, no Golpe de 64. Segundo Fico:
“{...} foi bem desarticulada até bem perto do dia 31 de março {..} a movimentação militar que levou ao golpe iniciou-se sem o conhecimento dos principais lideres da conspiração e seus resultados foram bastantes fortuitos {..}
A CAMPANHA DE DESESTABILIZAÇÃO, ANTECEDENTES
“ {...} objetivava manter a dependência da região aos EUA {..} a idéia principal era excluir os antigos fornecedores europeus ( inclusive a Alemanha e Itália).
{..} essa doutrina global que articulava segurança interna da região à necessidade de combater a pobreza, identificada como motivadora de regimes de esquerda, Levaria Lindon Johnson a buscar o envolvimento de lideres civis norte-americanos, especialmente empresários, na causa anticomunista {..}
ELEIÇÕES PARLAMENTARES DE 1962
O finaciamento de candidatos brasileiros simpaticos aos EUA e avessos ao governo Goular, revelou-se como uma das ações estratégicas para que o império pudesse se infiltrar no poder legislativo e garantir, sobretudo, que algum parlamentar, no caso o presidente da câmara, assumisse o poder quando o processo de deposição de Jango fosse deflagrado. Segundo Fico:
“Foi no contexto das eleições parlamentares de 1962 que a intervenção norte-americana no processo político brasileiro intensificou-se, ultrapassando os limites da propaganda ideológica que os EUA faziam em qualquer país, enaltecendo os costumes norte-americanos e defendendo o capitalismo contra o comunismo.”
MISSÃO DRAPER
“ILHAS DE SANIDADE”
PROPAGANDA DOUTRINÁRIA
Dentro da indústria de propaganda alienígena podemos destacar:
INVESTIMENTOS MACIÇOS1- Distribuição de publicações a parlamentares e outras autoridades: exemplares de U.S New s Letter, espécie de boletim informativo eram entregues aos parlamentares diariamente, enquanto que aos Governadores, Prefeitos e Juízes eram entregues Wireless File, sem contar outras publicações, como livros, estatísticas e análises. De 1963 a 1964 os gastos com tradução de livros para militares saltaram de US$6 mil US$15 mil.2- Exibição de Filmes nos quartéis: o USIS (Serviços de informações) adquiriu unidades moveis de projeção de filmes, chegando em 1963 segundo o relatório a completar mais de 1.706 exibições nos quartéis do Rio de Janeiro, abrangendo cerca de 180 mil militares.3- Concessões Financeiras para entidade de ensino de Língua Inglesa4- Programas de intercâmbio: considerada a iniciativa mais eficaz, pois consistia na oferta direta de dinheiro a braileiros influentes p’ra que viajassem aos EUA e tomassem contato com a civilização anglo-americana, trazendo pra cá seus paradigmas culturais. Havia diversas categorias. A categoria Líderes, dos 36 beneficiados em 1963, 15 foram para Deputados e 10 para governadores, dentre os quais, José Sarney UDN e Mário Covas PST. Havia um núcleo do USIS (Serviços de informações) voltado apenas para assuntos estudantis, chegou se a selecionar 5 mil lideranças estudantis em 22 universidades. As Mulheres representantes da Camde ( Campanha das Mulheres pela Democracia) também foram abarcadas pelo programa. Entre 1967 a 1968, foram abrangidos pelo programa cerca de 1.131 brasileiros.
EFICÁCIA DAS ATIVIDADES DE DOUTRINAÇÃO E PROPAGANDA DO USIS (SERVIÇO DE INFORMAÇÕES)
As avaliações eram feitas por órgãos externos ao USIS (Serviços de informações), como as Embaixadas de Brasília e Rio de Janeiro.
PLANO DE CONTINGÊNCIAS
Segundo Fico,
“{...} A campanha de desestabilização evoluiu para o planejamento de um possível golpe. O plano de contingências consistiu num documento no qual se vislumbrou certas conjecturas traçando para cada cenário uma possível linha de ação. {..}"
Ao contrário do que o Embaixador Gordan disse, que plano foi elaborado às pressas, o historiador nos mostra por meio de um documento em anexo que o plano foi concebido em 11 de dezembro de 1963. Igualmente, a operação Brother San, contida no plano, também não fora traçada às pressas, o autor cita um fragmento do plano em cuja operação brother Sun estaria inserida:
“deve-se usar de precaução contra passos preparatórios suscetíveis de serem descobertos prematuramente identificados como preparativos para os EUA intervirem aberta ou secretamente no Brasil.”
As linhas efetivas referiam-se aos segundo e terceiros cenários e traduziam o que de fato ocorreu:
1- controle militar temporário;
2- posse do presidente da câmara dos deputados;
3- e posterior eleição de um novo presidente.
“A operação contou na pratica com um porta-aviões, um porta helicópteros, um posto de comando aerotransportado, seis contratorpedeiros (dois equipados com mísseis teleguiados), carregados com 100 toneladas de armas (inclusive um gás lacrimogêneo para controle de multidões, chamado CS agent) e quatro navios-petroleiros que traziam combustível para eventual boicote das forças legalistas”
“Os EUA poderia intervir militarmente na hipótese, por exemplo, de um segundo estágio, caracterizado por um eventual confronto entre os golpistas e as forças legalistas {..}
"A operação Brother San poderia se desdobrar nesse sentido, mas originalmente ela não previa o desembarque de um punhado de fuzileiros navais e, portanto, se um confronto se instaurasse no Brasil e a casa branca decidisse intervir militarmente, Washington teria de agir às claras, consultando o congresso dos EUA e , possivelmente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) - cenário realmente chocante e quase inimaginável.”
“ao contrário das negativas de envolvimento de brasileiros na operação brother san, havia um contato brasileiro cuidando da entrega de armas, munições e combustível, o General de Brigada José Pinheiro de Ulhoa Cintra, um dos grandes revolucionários do Exército {...} descrito por Costa e Silva como “ um homem violento e querendo fazer bobagem”. O General Cintra deveria fazer uma avaliação da necessidade suplementar de armas e avisar Vernon Walters, adido militar estadunidense, conhecido de Castelo Branco desde a II Guerra".
PLANO DE DEFESA INTERNA PARA O BRASIL
E continua:
“Por causa dessas insuficiências e da iminência do Golpe, o Embaixador Gorgan sureriria ao governo norte-americano, dias depois, em outro documento, que se fizesse ma entrega clandestina de armas de origem não-americana (para impedir identificação e evitar acusações de intervencionismo) a serem repassada aos cúmplices de Castelo Branco em São Paulo, nada muito diferente do que já vinha sendo previsto desde de o plano de contingências do final de 63.”
MONITORAMENTO DO CONGRESSO NACIONAL
Eu enviei um telegrama ou emiti uma declaração que teve o efeito, com efeito, de reconhecer o novo governo. Goulart não estava totalmente fora do País e eu estava me arriscando. Mas funcionou belamente e foi muito efetivo. Foi o tipo de coisa que marcou o fim para o Sr. Goulart.George. W. Ball












