terça-feira, 10 de março de 2015

A Marcha Para o Oeste e O Homem Novo.

“Pressinto que é na ‘Marcha para o Oeste’ que o Brasil, libertando-se do litoral cosmopolita e saturado de influências híbridas, achará a sua alma verdadeira”

Pierre Chabloz



O projeto nacional brasileiro contemplava a readequação do brasileiro ao novo sistema produtivo que se impelia, a industrialização.

O sistema produtivo do Brasil encontrava-se completamente atrasado, mais do que agrícola, uma agricultura mono-exportadora e rudimentar. E a margem desse sistema falido, encontrava-se o brasileiro, esteriotipado no “jeca tatu”, abandonado e vivendo um processo pré-capitalista, quase medieval, em um sistema clientelista. 

O projeto nacional brasileiro impelia a mudança por uma sociedade industrial e punjante, trazendo o brasileiro para éra industrial e capitalista. E para isso era preciso adequar o brasileiro, criar o homem novo, adaptado aos novos tempos, ao sistema industrial, capaz de gerar a prosperidade nacional.

Roquette Pinto, rejeitando as teses “racialistas” de que o atraso do Brasil derivava do seu tipo humano, apontava que o problema era de ordem de saúde pública e deficiência educacional. Rejeitava a substituição do brasileiro por imigrantes europeus. Contudo isso não implicava, a rejeição por políticas de melhoramento da raça. Tais como a proibição de casamento entre primos, ainda hoje vedado por acarretar em problemas genéticos oriundos da consangüinidade. Roquette Pinto propunha ainda, incentivos para o casamento entre casais saudáveis, afim de haver um incremento e melhoramento da raça.

Esse projeto se concretizou, na Marcha Para o Oeste, que visava a ocupação do imenso vazio do vale amazônico, por elementos fisicamente sadios, e que se forma-se ali o Brasil Novo, já solidamente constituído em sua expressão máxima de nacionalidade.  E para isso concorreu os soldados da borracha, no curso da II Guerra. Getúlio aproveitou os esforços de guerra, para ocupar a Amazônia, integrando-a, efetivamente, ao Brasil. Fez recrutar milhares de brasileiros, que ao final do conflito receberiam terras e ajuda governamental para se estabelecerem definitivamente. Realizando ao mesmo tempo uma reforma agrária e amparando do flagelo da seca os contingentes populacionais do nordeste do Brasil.

Foi criado o SEMTA – Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, órgão a
cargo do recrutamente e tendo a frente o suíço Pierre Chabloz, encarregado de coordenar a propaganda.

“eu pressinto muitas vezes que é na ‘Marcha para o Oeste’ que o Brasil, libertando-se do litoral cosmopolita e saturado de influências híbridas, achará a sua alma verdadeira”

60 mil cearenses foram recrutados, ante o já grande contingente presente na Amazônia (I ciclo da Borracha) e o fato da população cearense não ter tido cultura escravocrata, tendo os mamelucos do interior cearense maiores similaridades com os mamelucos e nativos da Amazônia ocidental, ao contrario de outros lugares do nordeste e mesmo do sudeste.

Os indivíduos eram recrutados segundo tipos físicos sadios, de modo a não terem problemas congênitos e se enquadrarem no típico brasileiro sem digredir da nacionalidade, presente em todo o país.

O projeto além de prever o assentamento permanente desses contingentes, previa a criação de cidades planejadas como centros logísticos de apoio permanente e de vida urbana para as fazendas criadas no seu entorno, a exemplo do exitoso projeto piloto de Cérceres em Goiás.

Cérceres foi uma colônia agrícola criada pelo Estado Novo, como projeto piloto, que visava a implantação de tantas outras no projeto de Marcha Para o Oeste, além do apoio governamental com a abertura de estradas, serviços públicos, financiamento, orientação técnica, o governo estruturava solidamente uma estrutura de ensino técnico para formação do homem novo. 

Um empreendimento que tornou e ainda hoje faz de Cérceres uma cidade modelo com melhor padrão de vida do centro-oeste.

Tudo isso deveria ter sido implementado na Amazônia, e foi melancolicamente abortado com a queda de Getúlio em 45. Os soldados da Borracha abandonados em um ambiente mais mortífero que os campos de batalha do norte da Itália, nunca receberam qualquer auxílio e tão pouco alguma homenagem do Estado brasileiro(usurpado pelos liberais).


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