segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Apogeu e Queda de Uma Civilização


Napoleão Bonaparte, acertadamente, dizia que o amor pela pátria é a primeira virtude do homem civilizado: " l´amour pour la patrie est la première vertu de l'homme civilisé".

O amor à pátria reflete o apreço pelo espírito público que anima a formação de uma civilização superior. Suprimindo os interesses individuais em prol da coletividade, da nação a que se esta vinculado. Disso resulta o esplendor da civilização helênica, que se estruturava numa formação marcadamente comunitária, o homem helênico vivia em função da sua pólis, materialização do sentir coletivo, a quem dedicava sua vida.

Em contra ponto, no oriente.... a ausência desse sentir coletivo, resultou em sociedades hierarquizadas, incapazes de formarem uma unidade nacional, estruturadas em castas, que segregam e impedem a formação de um corpo unitário, nacional. E que carrega em sua essência a defesa de interesses particularistas, individuais. Não existe nessas sociedades o "interesse público". O reino é propriedade do rei, os súditos são vassalos, que subsistem para servir ao rei, não existe a idéia de pátria como entidade existente para defesa nacional. Tudo se reduz a defesa privada, dos interesses particularistas, pouco importando o destino do país.

Isso é ainda mais acentuado no oriente, pela pouca vinculação do homem a terra. As unidades agrícolas no oriente eram escassas, ainda hoje assim é pela aridez de suas terras, constituindo as poucas extensões agrícolas a um soberano, marginalizando todo o restante da população. O caso se agrava pela a localização estratégica, e sua condição de rota comercial que impele essa população sem terra ao comércio, atividade estéril, que não adere o homem a terra e degrada os valores produzindo personalidades avaras, gananciosos por bens materiais.

Esse é o traço fundamental que encontramos nas populações do medio oriente, contrapostos a civilização helênica a viver um estilo de vida fortemente comunitário. A decadência grega, subvem justamente ao fim da guerra do peloponésio, o arrasamento de seus campos agrícolas, a fome decorrente, a peste, uma maior aglomeração urbana a viver do comércio, alheia ao interesse coletivo. O comerciante é todo de seu negócio e só para os lucros que dele aufere se importa.

São os sintomas que acometem o Brasil, na atualidade, sem uma classe produtiva própria, nacional, a classe mercantil (a mais prostituta de todas) são maioria e de onde sai a classe dirigente que conduz o país a ruína.


Artigos Correlatos:

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Bandeirismo - A Expressão Cultural de Apoio ao Estado Novo.


Ao estudarmos a Semana de Arte Moderna de 22, vemos a subdivisão que dela adveio entre o movimento Pau-Brasil que se desdobrou no movimento antropofágico, e o verde-amarelismo, esse pintado como "fascista", oque é uma deslavrada mentira. Dos três fundadores: Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado, apenas Plínio seguiu a vertente fascista, e mesmo quando participava, ainda não havia aderido, logo é completamente sem fundamento tal alcunha. 

De toda sorte, o verde-amarelismo tomou dois rumos a nível político: o Integralismo e o Bandeirismo. O Integralismo com Plínio Salgado e seu movimento homônimo, e o Bandeirismo com Menotti del Picchia e Cassiano Ricardo, dentre outros, de apoio ao modelo político de Getúlio Vargas. O silêncio sobre o Bandeirismo é sepucral na literatura, oque só se explica por ranço ideológico presente na oligarquia paulista, em redutos como a USP, que mais do que silenciar disseminam para o restante do país, mentiras sobre o período.

O Movimento Bandeira, foi organizado entre 1935-37 por dois dos principais poetas verde-amarelos: Menotti del Picchia  e Cassiano Ricardo. Tendo como principal meio de difusão o jornal Anhangüera.
O movimento bandeirista parte da idéia alegórica, expressa no poema Martin Cererê de Cassiano Ricardo, que narra a origem mítica da Nação por intermédio de uma “criança travessa” que deve ser orientada e disciplinada.

No que se refere a polêmica entre os movimentos políticos oriundos do verdeamarelismo, tanto o Integralismo como o Movimento Bandeira, se colocavam como defensores da unidade, pelo nacionalismo  e contra  influências estrangeiras.

O Movimento Bandeira não se colocava simplesmente como terceira via, mas como uma quarta via frente ao Comunismo, Integralismo e à Oligarquia Liberal. De modo que o Movimento Bandeira se apresentava como uma “novidade original”.


A Academia Verde-amarela.
O início oficial do Verdeamarelo se deu em 25 de julho de 1926, com a publicação de um artigo de Hélios (pseudônimo de Menotti del Picchia) no Correio Paulistano em que esse anunciava a criação da “Academia Verde e Amarela”, formada por ele, Plínio Salgado e Cassiano Ricardo.

A coletânea O Curupira e o Carão publicada em 1927, publicações de autoria coletiva dos três: Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado. A tríade verde-amarela afirmava que alguns desacordos não deveriam refletir na constituição do grupo, uma vez que o importante era criar um pensamento, uma arte e uma política genuinamente brasileira. Segundo esses escritores, o verde-amarelismo estava pautado na liberdade de cada um procurar o Brasil como quisesse.

Um traço essencial do verde-amarelismo era o anti-academicismo. O próprio nome “Academia Verde e Amarela” era uma sátira à Academia Brasileira de Letras e suas congêneres, com suas regras sobre como escrever uma boa literatura, estatutos e a glorificação de literatos passadistas, significando, enfim, o encarceramento da literatura em instituição.

Contra isso, o autor sugeria liberdade de criação e exaltação das características essenciais do Brasil. O objetivo principal do grupo era o “descobrimento do Brasil”. Descobrimento de toda uma riqueza cultural escondida pelo formalismo da literatura passadista e também pela interpretação errônea dada por outros grupos modernistas contemporâneos, dentre eles o da revista Terra Roxa. Dizia Hélios: “nós, filhos da terra, cantaremos suas plantas, seus animais, seus caboclos e seus heróis, com a língua nativa a que daremos nosso devotamento e nosso amor”.

A Escola da Anta e a Polêmica entre a Anta e a Loba.
A polêmica entre a anta, a loba e outros símbolos sugeridos, como o manitôs e o caracu, se estendeu aproximadamente por um mês no Correio Paulistano. No final das contas, os demais membros do grupo aderiram à causa – embora, com ressalvas – e, finalmente, elegeu-se a Anta como o símbolo da campanha verde-amarela. A eleição do símbolo acabou por determinar qual seria a linha de pensamento assumida pelo grupo a partir de então.

Menotti defendia metaforicamente, que a herança cultural brasileira provinha da loba “nas colinas do Capitólio” por intermédio dos portugueses. Ainda que reconhece-se o simbolismo racial do indígena como fator assimilatório,  atribuia ao meio ambiente, a terra, a verdadeira força de integração étnica. Plínio Salgado defendia a origem tupi:
“Nós não bebemos leite da Loba, mas sugamos o leite da Anta – totem racial brasileiro – na seiva americana! Não viemos da colina de Capitólio, mas dos planaltos bolivianos enamorados dos Ibiturunas.”

Plínio tentava sustentar que a herança tupi estava presente pela herança cultural e mesmo biológica constitutiva do brasileiro, e assim, justificar a Anta como totem.

Menotti concordava quanto a Anta como símbolo integrador de uma raça futura, contudo ainda rejeitando a raça indígena como sua delineadora.

Já Cassiano Ricardo admitia, em parte, a influência do índio, mas de forma passiva, sem maior contribuição cultural:
“Eu poderia dizer, em resumo: o indígena influiu justamente por isso. Por essa incultura que o fez pacífico e acolhedor, desconhecendo ódios de raça e preconceitos de inteligência – coisas que tanto separam os homens. E não precisava dizer mais nada. Limitar o índio a uma figura decorativa é evidente.”

A posição de Plínio Salgado, preponderou, dando ao índio tupi a personalidade constitutiva. O resultado da polêmica foi resumido meses depois de anunciado o fim do grupo, no artigo O atual momento literário, chamado de Manifesto Nhengaçu. Contudo como registra Cuccagna, a adesão dos demais, se deveu mais a conveniência do que por convencimento:
“Se, por exemplo, dois signatários do manifesto como Menotti del Picchia e Cândido Motta Filho aderiram à Anta, foi mais pelo interesse em defender objetivos sociopolíticos e culturais comuns, valorizados na luta para o prestígio e a supremacia sobre os da Antropofagia, do que pelo endosso sincero à concepção de um Brasil formado e a se formar pela ação de forças étnico-culturais tupis, que eles, conforme haviam motivado na polêmica de 1927, rechaçavam com decisão. Apenas Cassiano Ricardo, dos quatro autores que auxiliaram Plínio Salgado na composição do manifesto (além dos citados, o outro foi Alfredo Ellis Júnior) foi quem realmente abraçou boa parte das ideias indianistas da Anta e as divulgou (...) no primeiro Martim Cererê, de 1928”. In: CUCCAGNA, C.. Op. cit.. p. 213.

No final de 1927, o grupo declarou seu fim. Quem primeiramente expressou a decisão foi Menotti, que considerava acabada a tarefa. Segundo ele, as preocupações, inicialmente focadas em questões estéticas, alargaram-se, principalmente após o exame de obras tradicionais como as de Alberto Torres e de Tavares Bastos. Tomava-se consciência da realidade brasileira, o que contribuía para:
“(...) a formação de uma vasta consciência nacionalista, autônoma, pessoal, de características tão próprias, capazes de dar uma fisionomia típica aos nossos processos de vida e de trabalho, à nossa estrutura político-jurídica, às nossas tendências, à nossa língua, a tudo, enfim, que caracteriza este formidável acampamento humano, que vitoriosamente realiza a maior experimentação democrática sob os trópicos, na acertada observação de um escritor ilustre.

Alguns dias mais tarde, Plínio Salgado escreveu artigo intitulado: Matemos o verdeamarelismo, em que concordava com a dissolução. Justificava a leitura de pensadores políticos como Alberto Torres, Tavares Bastos, Euclides da Cunha, Farias Brito e Oliveira Viana, na medida em que ajudavam a pensar no “problema social brasileiro”, para com os quais outros grupos modernistas eram indiferentes.

Os verdeamarelos sentiram a necessidade de fundir, num só corpo, “a arte e o senso econômico-social, de sorte a [construir] um Brasil absolutamente novo”. Por seu turno, “uma filosofia, genuinamente brasileira, ou sulamericana, se poderia aparecer quando consolidada a unidade étnica e estabilizada a situação econômica”.

Salgado não concordava com Menotti, entretanto, quando o companheiro dizia que a missão estava finda. Ao contrário, acreditava que havia muito a fazer para atingir o objetivo de dar ao Brasil uma consciência social. “Entretanto, não devemos mais caminhar juntos. Separemos as nossas atuações. Com a mesma finalidade, lutamos conservando as nossas personalidades. Com responsabilidade própria. Pela imprensa do país, pelo livro, pela palavra.” Dizia o autor:
“Separemo-nos, para agirmos melhor. O rótulo de verdeamarelo estava já se tornando insuportável. Todas as nossas atitudes e gestos, as nossas obras literárias, a nossa atuação social era formada segundo regras e fórmulas de tal grupo. Éramos os verdeamarelos. A nossa combinação libérrima estava, de tempos para cá assumindo um caráter de intolerância literária e doutrinária. E estando nós num regime de procura, as realizações transitórias que íamos efetivando já vinham (sic) tomadas como modelos. Acabaríamos tornando-nos acadêmicos. Teríamos os nossos preconceitos. E, afinal, o verdeamarelismo terminaria por formar corpo de doutrina, assimilando-nos, sem que o percebêssemos. Matemos o verdeamarelismo. Era mais um ismo. Não queremos mais ismos. Queremos, agora, entrar num período fecundo de arte, com um alto sentido social.”

Somente após alguns meses depois de encerradas as atividades, em 17 de maio de 1929, Menotti, Plínio, Cassiano, Alfredo Elis, e Cândido Mota Filho lançaram um texto no Correio intitulado O atual momento literário, por ocasião do ingresso dos quatro primeiros na Academia Paulista de Letras, oque foi motivo de deboche por parte dos antropofagistas, ante a incongruência de se dizerem anti-acadêmicos e contraditoriamente ingressarem na Academia. O texto procurava ser uma explicação da orientação do grupo “na obra de renovação intelectual brasileira” e, mais tarde, ficaria conhecido como Manifesto Nhengaçu Verdeamarelo.

Em sua escrita memorialista, Cassiano Ricardo afirma que a diferença entre o verde-amarelismo e a Escola da Anta, é que este último era inspirado pelas obras de Alberto Torres, Barbosa Rodrigues, Couto de Magalhães, Roquete-Pinto e Alarico Silveira.

Cassiano Ricardo relata que defendia que ele e Plínio Salgado “deveriam se entender” sobre o Integralismo. Cassiano Ricardo convidou Plínio para dialogar sobre “o partido que ele iria fundar”, nesta conversa, lembrou que, se eles haviam combatido os “ismos” literários de importação na década de 1920, então “por que [deveriam] importar” um “outro ‘ismo’ mais grave porque político-ideológico”. Na ocasião, o poeta defendeu a opinião de que o grupo deveria se chamar Bandeirismo ou “qualquer outro ‘ismo’ histórico” brasileiro. Imbuído da subjetividade e veracidade pertencente a escrita memorialista, Cassiano Ricardo afirma que Plínio prometeu “estudar melhor o problema”, mas dias depois, o poeta viu um “grupo integralista em formação paramilitar, com seus ‘anauês!’ e sinais do sigma”. Esses relatos memorialistas expõem o ressentimento de Cassiano Ricardo frente a recusa de Plínio Salgado em rever seu interesse em fundar o Integralismo sob signos contrários a estética defendida pelo poeta.

Anos posteriores a fundação da AIB, Cassiano Ricardo expõe sua não adesão ao Integralismo em seu ensaio O Brasil no original (1937, p. 136) – livro propaganda do Movimento Bandeira – o ensaísta afirma que não sabe:
por que cargas d’água o encarregado de redigir esse […] documento revolucionário de 32 foi Plínio Salgado. Só sei que convidado a escrevê-lo, o atual chefe do Integralismo cometeu a maior perfídia que um homem de inteligência poderia cometer: deu feição política às ideias literárias que o “Correio” […] vinha publicando desde 1922.

Tanto Menotti quanto Plínio eram descrentes do liberalismo, mas Plínio, explica Menotti: “já pendia para a direita e eu para o ideal trabalhista”. Menotti ainda lembra que, por não concordar com sua orientação, ele juntamente com Candido Motta Filho, Cassiano Ricardo, Alfredo Ellis Jr. e outros, separaram-se do líder integralista e organizaram o movimento da “Bandeira”, pela a adoção por parte do Integralismo das influências estrangeiras.

Cassiano Ricardo explica que inicialmente o movimento modernista foi dividido em dois grupos, os quais poderiam explicar “a superfetação da esquerda e da direita”: o Integralista e o Bandeirismo. Embora tendo origem no mesmo movimento literário (verde-amarelismo), Cassiano Ricardo afirmava que as diferenças eram radicais: 
1. a oposição ao “caráter internacionalista” da AIB, pois a “Bandeira” é nacionalista; 2. a AIB é “contra a liberdade individual” e a Bandeira é “pela valorização do indivíduo como ser social”; 3. a AIB é contrária à “autonomia dos Estados” e a “Bandeira é federalista”; 4. a AIB é pelo racismo, já a Bandeira é pela valorização das contribuições de cada raça; e 5. a AIB é “um partido político” enquanto a Bandeira é um movimento cultural.
Ressalva que na comparação entre o “chefe da Bandeira” e “o chefe fascista”; o primeiro “dispensa o copiado figurino romano”. Por essas razões, Cassiano afirmava que tal “fascismo redundaria num artifício, numa caricatura. Seria uma imitação desajustada e grosseira”. Por essas razões, advertia que os brasileiros deveriam refletir:
"Hoje, como quando o sertão era um jogo livre de forças descêntricas […] o mundo apresenta o mesmo espetáculo alarmante e agressivo. Retornar ao espírito das “bandeiras” é a única forma de recompor, dentro da disciplina e da força do comando, as energias que se anulam, se combatem e se dispersam. Não é preciso procurar fora de nossa Pátria, no exotismo de fórmulas políticas de enxerto a estrutura espiritual de nosso grupo humano, uma vez que nossa própria história contém o esquema seguro e instintivo das normas sociais que criaram uma nacionalidade."

Prevenindo contra o comunismo, os redatores anhangüeras perguntavam: a “Bandeira é Comunista?”. A resposta é categórica: “Não […] porque é pela Pátria, pela religião e pela família” (ANHANGUERA, 1937, 29 de junho, ano 1, n. 3, p. 3). Os bandeiristas questionavam: “se a Bandeira é por Deus, pela Pátria e pela família, será acaso fascista?”. A resposta também é direta: “Não”, pois se o Fascismo era “uma solução nacional italiana […] não podia ser uma solução brasileira”. Menotti del Picchia (1936, p. 9), considera que a tríade “Deus, Pátria e Família” era fundamento da civilização cristã, sendo o Brasil criado sob esse signo; a Bandeira defendia esses princípios. Completando o argumento de Picchia, Cassiano Ricardo afirma que mesmo tendo como ponto de encontro a tríade “Deus, Pátria e Família”, existia vários pontos de desacordo entre a AIB e o Movimento Bandeira.

Sobre a posição dos “novos bandeirantes” entre a tensão capital e o trabalho. Os bandeiristas argumentavam que o comunismo russo não abolira o capital, apenas transferiram para o Estado e aboliram as iniciativas privadas. Também questionavam o conceito de “ditadura do proletariado”, uma vez que, segundo eles, no Brasil não existia um “proletariado”. Segundo os bandeiristas, para justificar sua “sangrenta doutrina no Brasil”, os comunistas repetiam como “papagaios, as fórmulas de sua mística”, inventando que entre nós também existe o “camponês”. O que temos, de acordo com os “novos Bandeirantes”, são “trabalhadores, cheios de tarefa [...] dispostos a mandar às favas todos os Lenines, Prestes, Trotzkis, Bergers e Stalins”. 


De acordo com a posição dos bandeiristas, o “paraíso terreal revelado pelo Integralismo ao operariado corre parelhas com o céu rasgado pela demagogia bolchevista” (ANHANGUERA, 1937, 9 de agosto, n. 37, ano 1, p. 3). E concluíam: “parece que foi um comunista escarlate quem concebeu a doutrina” e, “apesar dos disfarces”, é “apenas uma denominação nova à sovietização”. Os bandeiristas perguntavam o que seria do “operariado, sem direito de pensar, desarmado, fiscalizado pelos capatazes do sigma, obrigados a bradar trinta ‘anauês’ por dia” e, ao menor protesto, ser atirado “nas algemas do inferno disciplinador”

No que se refere à solução da tensão entre trabalho e o capital defendida pela AIB, os “novos bandeirantes” afirmavam que somente havia “promessa e divagação” e que os integralistas pretendiam transformar o Brasil em um “Estado policial […] senhor da produção e ordenador absoluto da atividade obreira”.

Os “novos bandeirantes” defendiam “que o trabalho e o capital” eram duas forças que precisavam ser harmonizadas. Para eles, o capital tinha “seu complemento no trabalho”, daí a necessidade de se criarem leis trabalhistas que harmonizem “os interesses do empregador com os dos empregados”, de forma que o Estado protegesse as “classes menos favorecidas sem atentar os interesses das classes capitalistas”. A respeito dessa posição, os “novos bandeirantes” acusam o Comunismo de destruir a autoridade e o Integralismo por ser irracional frente à autoridade. Os bandeiristas afirmam que, para que se justificasse a aplicação do Comunismo ou do Integralismo no Brasil, era preciso ter os mesmos problemas da Rússia, Alemanha ou Itália. Além da ausência de características para suas implantações, os “novos bandeirantes” também criticavam o imperialismo russo, italiano e alemão na Europa.

Em seu ensaio O Brasil no original, Cassiano Ricardo alerta que em razão das eleições marcadas para 1938, os integralistas vinham falando de democracia. E por isso, defende que até nisso a AIB faz “pensar no Fascismo e no hitlerismo que, de vez em quando, também se dizem adeptos da democracia”. Segundo os bandeiristas, essa era outra incoerência dos integralistas, uma vez que eles se colocavam “contra o voto, mas votavam. Eram contra os partidos, mas eram um partido. Eram contra a democracia, mas só existiam por favor da democracia”. Paralelamente a afirmação de que os integralistas se pareciam com o Fascismo europeu ao se aproveitarem da democracia, os bandeiristas afirmavam que o grupo de Plínio Salgado eram uma cópia. De acordo com os bandeiristas, são copiadas as camisas, o “sigma, que é um disfarce da cruz suástica”, e o “gesto romano, que nunca foi nosso”. Para os “novos bandeirantes”, o “Chefe verde” é o “maior plagiador” de estrangeirismos, sendo o Estado Integralista uma “transposição ipisis literis do Estado totalitário corporativo fascista”. Segundo eles, a AIB copia “a doutrina, a organização, a técnica, o ritual”, até a “maneira de falar do seu chefe”.

A respeito do “fenômeno nacional”, Cassiano Ricardo propõe que não “se trata de uma democracia que só funcione em razão dos partidos”, do direito ao voto concedido pelos “direitos políticos” ou da confusão que “Fascismo e Comunismo praticam para iludir massas”. Ressalta, ainda, que, frente a essas confusões, “o conceito de democracia” não “pode sofrer deturpação” e que, para não haver deturpação, o Bandeirismo seria o movimento que organizaria a democracia, “modernizando-a, limpando-a da politicagem” (RICARDO, 1937, p. 227-228).  Frente a um regime que funcione em razão dos partidos, do direito ao voto e das confusões das “duas pragas”, Cassiano Ricardo propõe uma “forma de governo” que melhor “assegure a sua existência” (RICARDO, 1937, p. 228). Para os “novos bandeirantes”, a única forma capaz de recuperar a originalidade nacional é a Democracia Social Nacionalista. No artigo “Os três caminhos”, escrito para o jornal Anhanguera – e como de costume, sem autor declarado –, os bandeiristas defendem o ideal “nem bolchevismo, nem Fascismo”, nem “Democracia Liberal”, mas a “Democracia Social Brasileira” (ANHANGUERA, 1937, 4 de agosto, ano 1, n. 33, p. 3).

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Goiânia, a Cidade Símbolo do Projeto de Expansão Para o Oeste.


por Costa Melo.

A primeira filha da Revolução Brasileira de 1930. Em 24 de Outubro de 1933 é lançada pelo interventor Pedro Ludovico a pedra fundamental da cidade-símbolo da Marcha para o Oeste, a ocupação dos vazios populacionais do interior do Brasil. Seu simbolismo era a fundação de um Novo Brasil, livre das velhas oligarquias, enraizadas na velha capital, a Cidade e Comarca de Goyaz. Outrossim, a mudança pôde contribuir para a preservação do acervo arquitetônico colonial muito presente naquela urbe hoje quase tricentenária.

Goiânia, apesar dos traçados mais futurísticos, ainda aguarda muitas transformações necessárias.

No mapa abaixo, de 1943, logo após o batismo cultural, com a presença do então presidente Getúlio Vargas, traz algumas curiosidades que apontam o quanto foi modificado o projeto original:

A sede da Catedral Metropolitana era para ser na atual Praça do Cruzeiro, que domina o panorama do Setor Sul, cuja arquitetura residencial era bastante avançada, buscando harmonizar habitação e paisagismo com farta arborização (havia uma parte reservada para casas do programa de habitação dos famosos IAPIS de Vargas); vê-se também o investimento em áreas verdes no plano inicial do Setor Oeste, com o Lago das Rosas ainda compatível com o banho público.

O mais interessante é que além do prospecto urbanístico valorizar muito o verde e a circulação entre os bairros e vilas, o Setor Norte Ferroviário, cujo centro dominava a Estação Central da Estrada de Ferro Goyaz, todas as cercanias e partes do início da Avenida Goiás, além de destinada ao comércio e serviços, era destinada também a galpões de oficinas industriais, uma vez que o projeto era a ferrovia chegar a Mato Grosso e Norte do Brasil, com pontos de industrialização, sobretudo metalúrgica e agrícola, para apoiar a interiorização do país.

Goiânia, ao menos no princípio, era uma cidade revolucionária, em todos seus conceitos.

Apesar de preservar muitas áreas verdes, seus cursos d'água no perímetro urbano estão bastante degradados, causando inclusive falta de abastecimento, além da incompletude de redes de esgoto, isto porque a especulação imobiliária tomou conta dos poderes públicos com relação ao urbanismo; a cidade é feita e dominada por carros, com um transporte público desumano, apenas feito por ônibus. Até hoje é apenas um pálido sonho uma rede básica metroviária, isto porque a cidade jaz em terreno predominantemente plano. Enfim, esperamos um dia poder devolver muito de seus primeiros desideratos.


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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Vargas e o Integralismo



“Não consentiremos que o esforço e a dedicação patriótica dos bons brasileiros venham a sofrer inquietações e sobressaltos originados pelas ambições personalistas ou desvarios ideológicos de falsos profetas e demagogos vulgares." - Getúlio Vargas.


Estando em viagem pela Itália em 1930, Plínio Salgado escreve uma carta a um amigo se mostrando impressionado pelo regime fascista e seu encontro com Mussolini:

“Tenho estudado muito o fascismo; não é exatamente esse o regime que precisamos aí, mas é coisa semelhante. O fascismo, aqui, veio no momento preciso, deslocando o centro de gravidade política, que passou da metafísica jurídica às instituições das realidades imperativas. (...). Penso que o Ministério das Corporações é a máquina mais preciosa. O trabalho é perfeitamente organizado. O capital é admiravelmente bem controlado. (...) Volto para o Brasil disposto a organizar as forças intelectuais esparsas, coordená-las, dando-lhes uma direção, iniciando um apostolado.”

“Contando eu a Mussolini o que tenho feito, ele achou admirável o meu processo, dada a situação diferente do nosso País. Também como eu, ele pensa que antes da organização de um partido, é necessário um movimento de idéias”. (Apud MEDEIROS, Jarbas; VIEIRA, Margarida. “As idéias políticas de Plínio Salgado”. In: CRIPPA, Adolpho (coord.). As idéias políticas no Brasil.)

Plínio Salgado
Disso derivou a idéia de criar a AIBAção Integralista Brasileira, oque veio a se concretizar em 32. 

O Integralismo nasce assim do fascismo e terá nos imigrantes italianos e alemães seus principais núcleos de apoio, tendo recebido mesmo ajuda financeira ao longo de sua existência de Mussolini.  Havendo também estreita colaboração entre integralistas e o partido nacional-socialista no Brasil, como os jornais Blumenauer Zeitung e Joinvillerser Zeitung, que atuaram na cobertura dos dois movimentos (CARONE, 1977, p. 212; GERTZ, 1987, p. 192); tendo inclusive a NSDAP compartilhado sua sede com a AIB em Rio do Sul – SC. (RIBAS, 1944, p. 129).

O envolvimento de Plínio Salgado com movimentos estrangeiros, e seu relativo distanciamento do governo, embora o movimento desperta-se simpatias em Vargas, provocava também desconfiança em Getúlio. A lembrar que Plínio Salgado fora apoiador da contra-revolução de 32. Assim é que Getúlio registra em seu Diário:

“O integralismo é uma forma orgânica de governo e uma propaganda útil no sentido de disciplinar a opinião... Não confio muito nos seus dirigentes, nem eles têm procurado se aproximar do governo de modo a inspirar confiança.”

Com a instituição do Estado Novo em 37, o fechamento dos partidos políticos será decretado em dezembro desse mesmo ano, incluso a AIB e o partido Nacional-Socialista.

Antes mesmo do decreto de três de dezembro de 1937, começar a valer, em 18 de abril de 1938, Getúlio recebeu o embaixador alemão Karl Ritter, que manifestou desagrado com o fechamento do partido nacional-socialista no Brasil, e que isso implicava ter o Brasil como inimigo. Getúlio contemporanizou alegando que não poderia abrir exceções posto que todos os partidos, inclusos os brasileiros, foram extintos. Eis o teor da conversa:
Karl: " - O Partido Nacional-Socialista é a própria Alemanha [....] Todos os ataques que são dirigidos ao Partido, portanto, são considerados também ataques diretos ao Reich."
Getúlio: " - Ora, não devemos comprometer uma grande questão com outra menor".
Karl: " - Se o senhor considera a proibição do Partido Nacional-Socialista no Brasil uma questão pequena, não vejo por que insiste nela. Os temas políticos são fundamentais para o Führer. E os nossos negócios, mesmo os mais consideráveis, não tem qualquer importância se comparados aos assuntos supremos do Partido".  

O inconformismo de Karl Ritter, com o fechamento do partido nacional-socialista no Brasil, se devia ao projeto alemão de incorporação do sul do Brasil como colônia alemã. 

Segundo Olbiano de Melo, Getúlio prosseguiu em suas negociações com os integralistas mesmo após a extinção dos partidos, oferecendo-lhes o Ministério da Educação. A liderança do movimento chegou a escolher o nome de Gustavo Barroso para a pasta, mas a indicação, transmitida por Alcebíades Delamare a Francisco Campos para que este a levasse até Vargas, misteriosamente.....  jamais chegou a seu destino.
"Encontrei com Plínio Salgado. Caipira astuto e inteligente, entendemo-nos bem." - Getúlio Vargas, 26 de outubro de 1937.

Em 11 de março de 1938, antes do efetivo fechamento dos partidos em 18 de abril. Ocorreu a primeira tentativa de golpe por parte dos integralistas. Uma grande quantidade de armas foi apreendida na casa de Plínio Salgado, onde, segundo Hélio Silva, foram encontrados três mil punhais marcados com a suástica. Tendo Plínio Salgado e Belmiro Valverde — chefe militar do levante — conseguido escapar.

Getúlio registrou em seu diário, antes desse primeiro evento, já ter conhecimento da conspiração dos integralistas contra seu governo, diz:

“12 de fevereiro de 1938: ―Vieram falar-me sobre conspirações que estavam sendo tramadas no Exército etc. Combinei inicialmente providências militares no Rio Grande e em São Paulo, e aconselhei ao chefe de Polícia vigilância aqui, não convindo, por enquanto, fazer prisões.”

Dois dias depois, em 14 de fevereiro, as informações da conspiração chegavam de modo mais grave:

“―O ministro da Justiça, impressionado com os boatos de conspiração, quer apressar as coisas.

E, no dia 16 do mesmo mês,  assim registrava o clima conspiratório dos integralistas contra o governo:

“―A polícia fluminense descobre uma conspiração integralista em Petrópolis e faz prisões.”
"Ambiente de franca conspiração, dirigido por integralistas. Disse ao ministro Campos que ou o Plínio vinha colaborar ou eu teria de adotar medidas de repressão contra seus partidários." - Getúlio Vargas, 05 de março de 1938.
A conspiração prosseguiu e, na véspera da deflagração do segundo levante, ocorrido em 11 de maio de 1938. O movimento foi novamente dominado após algumas horas de cerco dos integralistas ao palácio Guanabara e um levante no Ministério da Marinha. Com as prisões efetuadas. Ficou claro que a tentativa de assassinato a Getúlio não partira tão somente dos integralistas, mas também de liberais, denunciando mais uma vez a relação do Plínio Salgado com os liberais, e de setores de dentro das próprias forças armadas.
10 de maio de 1938 – “à noite, após o despacho, fui deitar-me. Não havia ainda adormecido, quando sobressaltou-me cerrada fuzilaria e descargas de metralhadoras. Era o ataque ao palácio, feito de surpresa. O ministro da Guerra veio até o portão, mas não pôde penetrar porque o espaço era varrido pelas metralhadoras. As forças do Exército e da polícia cercavam os arredores, mas não podiam penetrar. Essa situação manteve-se até a madrugada, quando os rebeldes se renderam.” - Getúlio Vargas.
12 de maio - "Aproveitei para fazer o elogio do ministro da Guerra. Realmente, durante mais de três horas em que estive atacado no Guanabara pelos assaltantes e pela própria guarda do palácio, quase sem defesa, foi ele o único homem entre os altos funcionários da administração que, com o risco da própria vida, procurou salvar-me. Dos outros, os que não fugiram, procuraram primeiro garantir a si próprios." 
28 de junho - (Descobriu-se que um irmão de Oswaldo Aranha estava implicado no ataque ao palácio. O chanceler quer demitir-se) "Oswaldo reiterou seu pedido de demissão, dizendo que sua mãe era de opinião que ele não poderia continuar servindo a um governo que castigara seu irmão."
Belmiro Valverde, um dos integralistas presos, aponta Plínio Salgado como um dos mandantes:

“Plínio Salgado sabia, estava acompanhando os fatos, alegrou-se com as primeiras notícias favoráveis, desesperou-se quando soube do fracasso. Um depoimento por nós ouvido de Francisco San Tiago Dantas acrescenta que Plínio redigiu um depoimento para que ele lesse no Rio de Janeiro, logo que saísse vitorioso o movimento.”

Sobre Plínio, diz ainda Valverde:

“vencidos, ele (Plínio Salgado) nos pôs de lado; vencedores, haveria de querer surgir como grande Messias, o Homem do Destino. Cometemos para ele o pecado de não ganhar a partida”.

Anos depois, o próprio Plínio confessara sua participação no levante:

“A minha autorização, não apenas ao sr. Valderde, mas aos chefes integralistas do DF, era no sentido de articular, preparar e aguardar, e nunca decidir sobre a forma de ação, e nem sobre a data da sua execução”.

O envolvimento com liberais e apoio externo do fascismo italiano se comprova com a prisão de Severo Fournier, liberal e ex contra-revolucionário de 32, que se refugia no consulado italiano.

As correspondências entre o embaixador italiano Vicente Locajono e o ministro fascista do exterior, Galeazzo Ciano, comprovam que a AIB recebia subvenções do governo italiano.

Do envolvimento dos integralistas com o partido Nacional-Socialista no Brasil, no que pese haver colaboração, havia divergência ideológica ante o projeto de assegurar a germanização das colônias alemães por parte do partido nacional-socialista do projeto integralista de brasileirização desses contigentes. Plínio Salgado reiteradas vezes chegou a atacar as proposições racialistas do Nacional-Socialismo, bem como acusando-os de pagãos.   Em junho de 1935, Plínio Salgado chegou a enviar um emissário, Dr. José Zamarin da Testa, à embaixada da Alemanha, no Rio de Janeiro, oferecendo a cessação dos insultos que proferia à Alemanha e a manutenção do germanismo no sul após a chegada ao poder, em troca de ajuda financeira do III Reich. (C.f. GERTZ, 1987, p. 135-136).

O alemão Stemmer, agente secreto de Batista Luzardo, revelou a parceria dos nazistas com os integralistas, e a união desses com Flores:
"O Stemmer foi apresentado ao Contreiras pelo Sr. Correia Pires, agente de ligação entre Flores e o elemento florista em Rivera. ( ... ) Acrescentou o Contreiras que os integralistas não carecem de recursos, visto que o Sr. Plínio Salgado teve sempre o auxílio pecuniário de elementos alemães. O Contreiras, no curso das conversas com o Stemmer, disse que a combinação com os alemães é a seguinte: o governo integralista que se instalar no Brasil dará o monopólio das exportações das matérias-primas brasileiras à Alemanha e concederá várias regalias aos alemães no Brasil" - Batista Luzardo, em carta à Getúlio em 04 de outubro de 1938.

Desta forma, Getúlio tinha ciência que, mesmo após o levante de 11 de maio de 1938, os integralistas não desistiram e continuaram articulados ao agente alemão e a Flores da Cunha, além de ainda contar com o apoio de alguns setores militares.

Diante dessas relações do integralismo com o nacional-socialismo e o fascismo, é que Getúlio confessa a sua filha Elzira Vargas, após ser indagado do porque não convocava o plebiscito para legitimar a Constituição de 37, o motivo da instauração do Estado Novo:

"o golpe de primeiro de novembro foi justamente para evitar qualquer movimento eleitoral que só poderia nos prejudicar nesta ocasião, e me perguntas pelo plebiscito? Não te passou ainda pela cabeça que os dois únicos partidos de âmbito nacional têm suas origens fora do Brasil: o comunismo e o integralismo? Todos os outros representam apenas interesses locais ou, quando muito, regionais" – Getúlio Vargas.

Desta forma, o Estado Novo surge como o salvador da ordem, que libertou o Brasil das doutrinas e das interferências externas e o projetou para si mesmo, a fim de evitar o caos e a pobreza gerada pelo liberalismo, ao mesmo tempo eliminar definitivamente os regionalismos que ameaçavam a unidade brasileira.


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Biografia de Gustavo Barroso.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Os Mais Antigos da Europa!


Estudo dos Genes de Histocompatibilidade HLA, revelou que os descendentes do primitivo povo que habitava o Norte e o Centro de Portugal, conhecido por Lusitano, possuía dois genes únicos:

• O A25-B18-DR2
• E o A26-B38-DR13

O A26-B38-DR13 é o gene mais antigo da humanidade, enquanto que o A25-B18-DR2 é único, pois apenas existe nos lusitanos! Ou seja, não existe em mais nenhum povo do mundo!

Os portugueses, não são mediterrâneos. Inexiste nos portugueses como nos bascos, o haplótipo mediterrâneo A33-B14-DR1, oque comprova o isolamento dessas duas populações.

O haplótipo paleo-norte africano, A30-B18-DR3, presente nos bascos, argelinos e espanhóis, também não é encontrado nos portugueses.

Em comum com os bascos e castelhanos de Madrid, os portugueses compartilham uma alta freqüência dos HLA-haplótipos A29-B44-DR7 (antigos europeus ocidentais), A2-B7-DR15 (antigo Europeus e paleo-norte-africanos), e A1-B8-DR3 (europeus).

O HLA (human leukocyte antigens) são cicatrizes adaptativas que ficam nos genes do sistema imunitário. Por isso quando os humanos encontraram corpos que lhes eram estranhos o sistema imunitário reage com os antígenos de forma a criar as reações dos anticorpos, do seu sistema imunitário. Por isso esses alelos no cromossoma 6, são uma excelente maneira de saber por onde andaram os seus antepassados.

Ao analisar os portugueses encontramos o HLA A2-B7-DR15. Este é conhecido como Europeu antigo e Paleo norte-africano. Chamemos-lhe EPA. O EPA é partilhado pelos R1b da europa ocidental e pelos Africanos (paleo), aqueles que habitavam a área muito antes da sua população atual, os Árabes. Estamos a falando dos Berberes e Tamazights do norte de África que na minha opinião conviveram com os R1b quando eles por ali passaram.

As variedades de R1b, comum na Europa Ocidental, são encontradas em abundância entre homens portugueses. Cerca de 60% do Português do Sul e cerca de 83% do Norte-português pertencem a subclasse R1b, conhecido como Haplotype Modal Atlântico (AMH). Há mesmo algumas áreas em Portugal, onde o AMH é encontrado em cerca de 90% dos homens.

O EPA encontra-se em alta frequência nos argelinos (por onde passaram os R1b), nos portugueses, espanhóis, bascos, austríacos e Reino Unido, com incidências elevadas nos portugueses, bascos franceses, pessoal da Cornualha e atrevo-me a dizer que se procuraram encontram na Irlanda, escócia e Pais de gales, tal como na verdade em todo sul da Inglaterra… porque esta marca seguiu os R1b do estuário do Tejo em toda a sua Celtificação (ou pelo menos largas partes da mesma) da Europa ocidental.

Convém relembrar que os Portugueses (e em doses menores os brasileiros e americanos pela imigração) possuem genes únicos que são o HLA-A25-B18-DR2 e A26-B38-DR13. Chamemos-lhe os Luso1 de o Luso2. Isto representa uma menor admixture da nossa parte.

Os estudos a que me refiro se centraram em pessoas das regiões entre o Tejo e o Douro. Mas a existência da localidade destes genes implica realmente na existência de uma população local que não sofreu uma mistura muito grande com o passar dos milénios e que representará o legado dos misteriosos Oestreminios (provavelmente) mais tarde identificados como os Lusitanos.

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