A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), criada em 1914, deixou de existir em 1979, quando surgiu a CBF — Confederação Brasileira de Futebol, uma atecnia grotesca de denominação jurídica. Trata-se, na realidade, de uma federação, e não de uma confederação, embora essa aberração tenha sido validada. Não é, contudo, esse o nosso propósito temático nestas breves linhas. O que importa destacar é que, nesse modelo que surgia, com o aval e o incentivo da FIFA, gestaram-se os mecanismos que possibilitaram o controle do futebol brasileiro por uma entidade privada, alheia à representação esportiva nacional. Em 1989, Ricardo Teixeira ascendia à presidência da entidade. E os efeitos dessa nova estrutura já se fizeram sentir na Copa do Mundo de 1990, na Itália.
A partir de então, Sebastião Lazaroni foi alçado ao comando técnico da Seleção e passou a privilegiar atletas que atuavam no futebol europeu. Junto com eles, importou sistemas táticos pouco afeitos à tradição brasileira, como o 3-5-2. Estranho para os jogadores que atuavam no Brasil, mas não para aqueles que jogavam na Europa, num claro expediente para privilegiar esse tipo de atleta. Um efeito visível dessa política foi deixar fora da Copa do Mundo de 1990 o então camisa 10 do Corinthians, Neto. À época, Neto era o melhor meia-esquerda do Brasil e, indiscutivelmente, o melhor camisa 10 em atividade no cenário nacional. Já havia sido titular da seleção pré-olímpica de 1987 e conquistado a medalha de prata em Seul, em 1988. E, pasmem, pela primeira vez na história, o Brasil foi a uma Copa do Mundo sem um meia armador de ofício, rompendo com uma tradição que remontava às gerações de Didi, Pelé, Gérson, Rivellino, Zico e Sócrates. Concomitantemente, surgiram disputas por "prêmios" oferecidos por patrocinadores entre os jogadores, o que contribuiu para dividir o elenco.
Nas Eliminatórias para a Copa de 1994, o caso da convocação de Romário é paradigmático. Tudo começou no amistoso entre Brasil e Alemanha, em Porto Alegre, no qual a seleção brasileira derrotou com relativa facilidade a Alemanha, campeã mundial de 1990. A partida demonstrava que o Brasil, mesmo com um time circunstancial, possuía jogadores suficientes para ter vencido a Copa de 1990 com os pés nas costas. Voltando a Romário, nesse amistoso o "Baixinho" foi deixado no banco de reservas, inexplicavelmente. Romário vivia grande fase na Europa e, demonstrando insatisfação, reclamou da situação. Desde então, a dupla dinâmica Parreira e Zé Galo deixou de convocá-lo.Segundo seus críticos, a presença de um Romário incontestável e titular absoluto restringiria a constante rotatividade de jogadores, que favoreceria a valorização de seus passes e a obtenção de comissões decorrentes de futuras transferências para o exterior. Fato é que desde então, a rotatividade de jogadores, muitos dos quais, ilustres desconhecidos, passou a ser uma constante nas convocações. O restante da novela todos conhecem. Outro fato inusitado, que costuma passar despercebido: à época, Taffarel era o terceiro goleiro do Parma e sequer figurava no banco de reservas. Ainda assim, foi estranhamente alçado à condição de titular absoluto da Seleção, mesmo após falhas marcantes, como a que resultou na primeira derrota do Brasil em Eliminatórias, diante da "poderosa" Bolívia (tremei!). Outro grande nome deixado de fora da lista de convocados foi o Palhinha do São Paulo, mais do que o Rai, o cérebro da equipe do São Paulo comandado pelo Telê Santana, campeão mundial sobre o badalado Barcelona. Ausência, ofuscada, em parte, pelo coro que se fazia em torno do Romário. Mais uma vez o Brasil ia para uma Copa do Mundo sem um meia-armador.
Desde o Lazaroni passando pela dupla Parreira - Zé Galo, Filipão, dentre outros.... a enfase em times defensivos não é um acaso. Times ofensivos exigem conjunto, entrosamento, oque demanda um time fixo, algo incompatível com o esquema de ciranda de jogadores. A seleção de 94, e mesmo a anterior de 90, e doravante todas as posteriores, reflete esse cenário. Um meio campo formado por: Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho. Dois volantes e dois meias recuados com orientação para marcar. Tendo a frente apenas Romário e Bebeto. Bebeto no que pese o gol contra o "poderoso" EUA, no minguado 1 X 0 (imagina o Brasil ficar na oitavas contra os EUA.... quase aconteceu) foi figura apagada durante todo mundial. Não propriamente culpa dele, mas pelo isolamento do setor de ataque. Que só funcionou pelas jogadas individuais do Romário.
Após 94 também foi o marco em que findou o contrato com a UMBRO fornecedora do material esportivo, e deu inicio as tenebrosas transações com a Nike com sua contratação em 1996. Se antes pairavam suspeitas, a CPI Nike-CBF acusou a interferência da marca estadunidense em calendários, amistosos e convocações, além do favorecimento de jogadores, cuja presença na Seleção contribuiria para sua valorização no mercado internacional. Também foram levantadas acusações sobre comissões, intermediações e conflitos de interesse envolvendo dirigentes da CBF e que resultou no afastamento do então presidente Ricardo Teixeira.
Nada é tão ruim que não possa Piorar!
Fora Ricardo Teixeria, nem por isso o contrato com a Nike foi rompido, afinal todos precisam viver $$$$$$. Não bastasse, em 2018, Michel Temer por intermédio da lei 13.756 criou a figura das BETs, casas de apostas esportivas, com regulamentação do setor ocorrida em 2023-24. Regulamentadas, essas apostas já ocorriam de forma clandestina, caso Ivens Mendes (1997), quando o então chefe da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF, Ivens Mendes, foi gravado negociando favorecimentos a dirigentes de clubes em troca de vantagens. O escândalo levou à sua saída e revelou suspeitas de influência sobre arbitragens. Em 2005 novo escandalo A Máfia do Apito, o árbitro Edílson Pereira de Carvalho foi acusado de manipular partidas do Campeonato Brasileiro em associação com apostadores. Onze jogos apitados por ele foram anulados e repetidos.Em 2022-23 o maior escândalo de apostas da história do futebol brasileiro. O Ministério Público de Goiás descobriu uma organização criminosa que aliciava jogadores para provocar: cartões amarelos; pênaltis; expulsões; outros eventos específicos utilizados em apostas. As investigações apontaram manipulações na: Série A e B de 2022; campeonatos estaduais de 2023. Mais de vinte pessoas foram denunciadas, entre atletas e apostadores. As Denúncias de John Textor sobre o Brasileirão de 2023: John Textor afirmou possuir evidências estatísticas de manipulação em partidas do Campeonato Brasileiro de 2023 e apresentou relatórios ao Ministério Público.
Uma Seleção de Agenciados - A Lista de Convocados pelo Ancelotti em 2026:
Dos 26 convocados pelo técnico Ancelotti para seleção brasileira, 12 figuram direta e indiretamente em listas de casas de apostas:
Neymar é embaixador da Blaze e chegou a fazer publicidade para a empresa logo após sua convocação para a Copa de 2026.
Vinícius Júnior mantém acordo comercial com a Betnacional, além de diversos outros patrocinadores.
Lucas Paquetá é o caso mais conhecido envolvendo apostas, ele foi formalmente investigado pela Federação Inglesa por suposta manipulação de cartões para beneficiar apostadores.
| Jogador | Clube | Patrocinador de apostas |
|---|---|---|
| Neymar | Santos | Novibet |
| Danilo | Botafogo | VBet |
| Alex Sandro | Flamengo | Betano |
| Léo Pereira | Flamengo | Betano |
| Lucas Paquetá | Flamengo | Betano |
| Igor Thiago | Brentford | Hollywoodbets |
| Rayan | Bournemouth | BJ88 |
| Wesley | Roma | Eurobet.live* |
| (4º jogador do Flamengo citado pela reportagem) | Flamengo | Betano |
Convocados de clubes que exibem casas de apostas em posições secundárias da camisa (mangas ou parte superior):
Douglas Santos (Zenit – Winline);
Luiz Henrique (Zenit – Winline);
Ederson (Fenerbahçe – Nesine).
A Seleção dos Ignorados:
A título meramente ilustrativo, podemos montar uma Seleção apenas com nomes que ficaram fora da Copa e podeis observar o contraste da mediocridade que é o time da Nike-Bets-CBF do que seria uma verdadeira Seleção Brasileira. Eis a lista:
Para uma variação mais defensiva, sacaria o Yuri Alberto e poria o meio-campista Breno Bidon.
Gabriel Brazão goleiro do Santos F.C.: Foi o goleiro mais exigido do campeonato brasileiro em 2025, líder em número de defesas (127), atuando em um time de defesa mais exposta e que exige mais do goleiro. E Brazão deu conta do recado. Atestando objetivamente como um dos melhores goleiros do Brasil. Nunca foi convocado para seleção brasileira.
Beraldo e Fabricio Bruno: essa dupla de zaga, estreiou contra a Inglaterra, na estreia do técnico Dorival Junior, e foi o grande destaque da partida que deu solidez defensiva, ante as duas laterais debeis e um time montado de improviso, e que igualmente repetiu sua boa performance no jogo seguinte contra a Espanha. Estranhamente.... após esses dois testes de fogo, que passaram com louvor, não mais foram convocados. Dorival voltou a convocar Marquinhos e outros pernas de paus, para sua desgraça.
William, lateral direito do Cruzeiro: desde 2024 tem se destacado no brasileirão como um dos melhores laterais do campeonato, em 2025, ele foi um dos jogadores mais regulares do Cruzeiro. É um lateral equilibrado defensivamente, cruza bem e participa da construção.
Lucas Piton, lateral esquerdo do Vasco: em 2025 foi o lateral com mais assistências no Brasileirão, com 7 passes para gol na competição. No total, somou 10 assistências e 1 gol em 48 partidas na temporada. Atuou em 29 dos 30 jogos do Vasco no Brasileirão (como titular), demonstrando grande consistência e importância tática. Seus cruzamentos precisos foram uma das principais armas do time, especialmente na ligação com o atacante Vegetti.
Jorginho Frello, volante ex-Arsenal atualmente no Flamengo: Frello se notabiliza por ser um maestro do meio-campo que combina precisão nos passes curtos com a capacidade de infiltrar bolas longas e verticais para quebrar linhas defensivas. Em uma partida contra o Grêmio pelo Brasileirão de 2026, Jorginho completou 121 passes de 125 tentados (97% de acerto). A análise estatística da partida destacou que seus passes não são apenas horizontais, mas em grande quantidade verticais, ou seja, ele avançou a bola em direção ao ataque com frequência. Nesse mesmo jogo contra o Grêmio, ele acertou 100% dos passes longos que tentou (4/4) . Na temporada de 2025, seus números de passes longos também foram expressivos. Ele registrou 45 passes longos certos com uma taxa de acerto de 60,8% . Sua capacidade de circular a bola com segurança é um dos seus maiores trunfos. Em 2025, ele teve uma taxa de 91,3% de passes certos , e seu estilo ajuda a equipe a ter alto índice de posse de bola. Como volante, também é um jogador combativo, tendo estabelecido um recorde no Flamengo com 7 desarmes em uma única partida do Brasileirão em 2025.
Raphael Veiga, ex- meia do Palmeiras, atualmente no : Em 2023, seus números de passes progressivos (6.82 por 90') e cruzamentos (8.18 por 90') eram altos, e ele era o principal cobrador de escanteios e faltas do time. Porém, em 2025, lesões fizeram seu desempenho cair, ainda sim, com boas atuações, abaixo porém do que vinha apresentando em temporadas passadas. Seus dados de criação no Brasileirão foram razoáveis. Em 25 jogos (1.067 minutos), ele teve 2 gols e 4 assistências, com uma média de 0.34 assistências por 90 minutos. Ele também teve 64 cruzamentos na temporada, mostrando que continuou tentando criar jogadas. Em 2026 em 15 jogos (sendo titular em 9), Veiga já marcou 2 gols e deu 2 assistências. Em comparação com 2025, sua média de participação em gols por jogo melhorou. Se notabiliza também por um chute forte fora da área.
Matheus Pereira, meia-atacante do Cruzeiro: desde 2024, Matheus é destaque do brasileirão em sua posição. Em 2025, em 34 jogos (32 como titular), marcou 7 gols e deu 7 assistências no Brasileirão. Somando todas as competições, seus números são ainda mais expressivos: 13 gols e 8 assistências em 45 jogos. Sua média de 0.93 finalizações certas por jogo e de 0.23 assistências por jogo confirmam seu papel de protagonista no ataque. Ele também foi um dos líderes em cruzamentos (175) e faltas sofridas (111), o que mostra o quanto a defesa adversária o tinha como alvo. Atua como um "camisa 10", com a missão de ser o articulador do ataque, servindo os atacantes e aparecendo bem para finalizar de fora da área. Qualquer seleção no mundo o teria como titular absoluto! Mas não o time da Nike-Bets-CBF....
Savarino, atacante, ex-Botafogo, atualmente no Fuminense: talvez o jogador mais técnico e inteligente em atividade no Brasil. Craque da Libertadores, joga fácil. Atua nos dois lados do campo. Em 2025 ele criou 49 chances para os companheiros e teve uma média de passes bem-sucedidos de 84.9%. Disputou 27 jogos (24 como titular), marcando 4 gols e distribuindo 3 assistências. Em uma outra análise, seus números são de 4 gols e 2 assistências em 19 jogos.
Kaio Jorge, centro-avante do Cruzeiro: em 2025, foi o artilheiro do Brasileirão, com 21 gols . Sua capacidade de finalização foi um dos pilares do ataque do Cruzeiro, que terminou a competição na terceira colocação. Também foi o artilheiro da Copa do Brasil, com 5 gols. Ao conquistar a artilharia das duas competições no mesmo ano, ele se juntou a um seleto grupo de jogadores que conseguiram esse feito no Brasil, como Gabigol, Hulk e Cano. Em 33 partidas como titular no Brasileirão, ele marcou 21 gols e deu 8 assistências . A dupla com Matheus Pereira foi um dos grandes trunfos do time. Em 2026, disputou 26 partidas na temporada, marcando 14 gols e dando 2 assistências . No Campeonato Mineiro, ele foi decisivo, marcando 7 gols em 7 jogos, incluindo o gol do título na final contra o rival Atlético-MG.
Yuri Alberto, atacante do Corinthians: em 2024 marcou impressionantes 31 gols, em 2025, terminou o ano como artilheiro do Corinthians, com 19 gols em 58 jogos, além de 3 assistências . Em parte sua queda de desempenho é atribuivel a lesões, contando apenas 24 anos, ainda tem bastante potencial a oferecer.
Nomes em paralelo:
Breno Bidon, meio campista do Corinthians: em 2025, com apenas 20 anos, Bidon deixou de ser uma promessa e se estabeleceu como titular absoluto do Corinthians. O ponto alto da temporada foi seu papel decisivo na conquista da Copa do Brasil, sendo titular e um dos destaques nas finais contra o Vasco. Disputou 56 jogos, marcando 1 gol e dando 1 assistência. Atuou em várias funções no meio-campo, desde segundo volante até meia-atacante, mostrando grande capacidade tática. Mesmo não sendo um artilheiro, seus números entre os jogadores sub-20 do Brasileirão foram impressionantes: liderou em passes certos (1.591), passes longos certos (93), desarmes (82), interceptações (30) e bolas recuperadas (205). Bidon é um jogador bastante versatil a atuar como segundo volante juntamente com Jorginho Frello ou susbstituindo, conforme a preferencia, Matheus Pereira ou Raphael Veiga.
Pedro, centro-avante do Flamengo: em 2025, apesar das lesões, Pedro somou 15 gols e 7 assistências em 39 partidas na temporada . Em um recorte apenas do Brasileirão, foram 12 gols e 6 assistências em 21 jogos. Em 2026 em seus primeiros 11 jogos marcou 6 gols e dado 2 assistências. É um centro-avante de área, uma peça a se lançar mão conforme peça o esquema tático, e nesse setor, ele é o melhor em atuação. Embora já tenha sido convocado na seleção brasileira, nunca foi devidamente utilizado, preterido por outros jogadores de qualidade duvidosa....
Uma Seleção de 82 Melhorada!
Essa formação monta um time com identidade de jogo clara, que valoriza a posse, o passe e a inteligência tática, em vez do jogo de transições e drible usados pelos atuais técnicos retranqueiros. Taticamente essa formação se aproxima, com ajustes modernos, do espírito da Seleção de 1982, e em alguns aspectos pode ser vista como uma versão "corrigida" para os problemas que derrubaram aquele time.
A Seleção de Telê Santana jogava num 4-2-2-2 com uma volância dupla (Cerezo e Falcão), dois meias criativos por dentro (Sócrates e Zico) e um ataque móvel (Serginho Chulapa centralizado e Éder como um ponta-esquerda construtor). Os laterais (Leandro e Júnior) eram peças-chave na saída e no apoio. O time dominava os jogos com posse, tabelas e infiltrações, mas sofria com a transição defensiva, especialmente porque Cerezo e Falcão não eram volantes de contenção pura, e os meias não recomponham com intensidade. O gol de Paolo Rossi em 82 nasce exatamente de um erro de saída de bola no meio-campo.
Uma releitura moderna (4-2-3-1 ou 4-1-4-1
ofensivo)
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Função em 82 |
Nome em 82 |
Paralelo na sua escalação |
Diferença crucial (a "melhora") |
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Goleiro |
Waldir Peres |
Brazão |
Brazão é mais ágil, joga melhor com os pés e é mais
confiável que Waldir Peres. Ganho claro. |
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Lateral-direito |
Leandro |
William |
Leandro era mais zagueiro, William é mais ala ofensivo.
Ambos técnicos, mas William no apoio constante lembra mais o Leandro de 86
(quando virou zagueiro). |
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Zagueiros |
Oscar / Luizinho |
Beraldo / Fabricio Junior |
Oscar era um defensor técnico e sereno, parecido com
Beraldo. Luizinho era o marcador. A dupla atual tem saída de bola mais
qualificada. Ganho moderno. |
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Lateral-esquerdo |
Júnior |
Piton |
Júnior era um meia-armador que jogava na lateral. Piton é
ofensivo, mas não construtor central. Aqui 82 ainda leva vantagem, embora
Piton dê amplitude. |
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Volante de saída |
Falcão |
Jorginho |
Falcão era um "regista" avant la lettre, chegava
na área. Jorginho é um construtor de trás, mais posicional, mas igualmente
cerebral e de passe refinado. |
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Volante de ofício |
Toninho Cerezo |
(Não existe exato na sua formação) |
A principal melhoria tática: colocar Jorginho sozinho, mas com
Veiga e Matheus Pereira ajudando. Em 82, Cerezo era o "carregador de
piano", mas não tinha intensidade defensiva. Seu time, com Savarino
e Matheus Pereira pelos lados, teria mais recomposição do que Zico e Éder
jamais tiveram. |
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Meia-armador |
Sócrates |
Raphael Veiga (ou Matheus Pereira) |
Sócrates era mestre do passe e da cadência, mas não
marcava. Veiga é um armador moderno que faz gols e tem fôlego para voltar.
Menos talento puro, mas mais participação sem bola. |
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Meia-atacante/Ponta |
Zico |
Matheus Pereira (por dentro) |
Zico é incomparável em talento bruto. Mas Matheus Pereira
atuando como um "falso ponta" que vem para dentro, tabela e dá
passes verticais — como Zico fazia partindo da meia-direita — cria um
dinamismo parecido. Sua leitura é que o time teria um Zico
"coletivo", alguém que pensa o jogo. |
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Ponta esquerda construtora |
Éder |
Savarino |
Aqui o paralelo é quase exato. Éder era um ponta que
arrematava, mas também construía, tabelava e dava passes. Savarino é
exatamente isso no futebol moderno. Ambos são canhotos elegantes,
associativos e inteligentes. Savarino é o "Éder que volta para
marcar". |
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Centroavante |
Serginho Chulapa |
Kaio Jorge |
Serginho era mais possante. Kaio Jorge é mais móvel,
técnico e sai da área. Isso ajuda na fluidez, mas falta o "pivô de
força" que Serginho oferecia. O ataque ganha em movimentação e perde um
pouco em poder de choque. |
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Ponta direita aguda |
(Não havia em 82; o time fechava com Zico e Leandro) |
Yuri Alberto |
Isso é inovação tática: colocar um
finalizador de verdade na ponta direita, invertendo o perfil em relação ao
Savarino. Yuri Alberto cortando para dentro e finalizando lembra um atacante
de área partindo de fora, algo que 82 não tinha. Dá mais poder de fogo. |
Essa formação proposta de 2026 apresentaria uma transição defensiva muito mais sólida. Savarino, Yuri Alberto e até Veiga trabalham defensivamente muito mais do que Zico e Éder faziam. Isso reduz o maior defeito de 82: a exposição após perda da posse. Brazão é muito superior ao contestado Waldir Peres. Laterais equilibrados. Leandro e Júnior eram fora de série, mas Piton e William dariam amplitude sem abandonar tanto a defesa. Bola parada ofensiva. Com Fabricio Bruno, Kaio Jorge e Yuri Alberto, o time teria mais estatura e impulsão do que o time de 82.
Se comparamos essa formação com a Espanha de 2010.... Savarino é exatamente o tipo de jogador que desmonta um ferrolho suíço que a Espanha foi incapaz de furar: flutua, tabela, encontra passes entrelinhas. Matheus Pereira tem o drible curto e a visão de jogo para achar espaços onde não parecem existir. Yuri Alberto é um finalizador muito mais agressivo e presente na área do que David Villa ou Torres em 2010. Kaio Jorge oferece mobilidade e técnica para sair da área e abrir espaços. Jorginho contra uma Suíça retrancada teria tempo para ditar o ritmo e achar passes verticais.
Essa escalação tem muito mais recursos ofensivos e variação tática do que a guisa de comparação, a Espanha de 2010. Ela não ficaria trocando passes horizontais sem achar penetração, tem dribladores, finalizadores e jogadores de infiltração. A Suíça de 2010 que carimbou a faixa da Espanha em 2010, sofreria muito mais contra esse time do que sofreu contra a Espanha do tiki-taka lento.
Esse time corrige os defeitos de 82 (transição defensiva) e 98 (dependência de um craque), e que tem mais poder de fogo que a Espanha de 2010. Não é exagero dizer que, se esse time fosse a campo e tivesse entrosamento, seria o melhor time do mundo atual e candidato fortíssimo ao título de 2026. É conceitualmente, uma versão 2026 da filosofia de 1982: posse, infiltração, laterais ofensivos, inteligência coletiva, mas com a correção essencial da intensidade sem bola, que foi a ruína daquele time mágico. Com um treinador que goste de posse (um Jorge Jesus, por exemplo), esse time jogaria o futebol mais bonito que a Seleção poderia apresentar hoje. Encantaria e faria frente a qualquer seleção do mundo.