quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Guerra da Secessão - O Norte Protecionista, Contra o Sul Liberal.

A Guerra da Secessão (1861-1865) revela em toda sua crueza o antagonismo político entre o norte protecionista e o sul livre-cambista, embora alguns reduzam o motivador dessa guerra na questão da escravatura, nada é mais enganoso. A escravidão foi mero pretexto usado pelos Estados do sul ante seu enfraquecimento político de fazer valer seus interesses de livre mercado contra os do norte que se tornavam cada vez mais populosos com a atração de contingentes proporcionados pela industrialização e que, por sua vez, impunham sua visão protecionista no Congresso Federal. 

"Embora fosse incontestavelmente antiescravista, nunca advogou a abolição com firmeza; considerava os negros uma raça inferior e se opunha a que se lhes outorgasse o direito de voto. Diante disso, com a sua eleição, o Sul tinha mais a temer no tocante à frente das tarifas do que no referente à questão da escravidão. Aliás, no início da Guerra de Secessão, Lincoln sinalizou claramente a sua disposição a tolerar o trabalho servil nos Estados do sul em nome da unidade nacional. No outono de 1862, decretou a abolição da escravatura mais como uma estratégia para ganhar a guerra do que por convicção moral (CHANG apud GARRATY & CARNES, 2000, p.391-2, 414-5; FONER, 1998, p.92).

No período de guerra, as tarifas foram elevadas “ao seu nível mais alto em trinta anos” (CHANG apud COCHRAN & MILLER, 1942, p.106). Em 1864, novo aumento, ainda no curso da guerra, com o fim de cobrir as despesas de guerra, estendendo-se nesse nível, mesmo depois do conflito. Segundo Chang (2004, p.56): 


"A vitória do Norte, na Guerra de Secessão, permitiu aos Estados Unidos continuarem sendo os mais obstinados adeptos da proteção à indústria nascente até a Primeira Guerra Mundial – e mesmo até a Segunda – com a notável exceção da Rússia no início do século XX."

A SUPOSTA PERDA DE COMPETITIVIDADE EM UM REGIME PROTECIONISTA

Friedriech List
Friedriech List, diplomata 
e economista alemão.
Friedriech List, economista alemão e responsável pelo modelo econômico que desenvolveu a Alemanha, rechaça a tese liberal de que as barreiras alfandegárias constituiriam monopólios privilegiados supostamente diminuindo a competitividade dos bens ali eventualmente produzidos. List, com base no Tratado das Manufaturas de Alexander Hamilton, mostra que, em um primeiro momento esse fenômeno tende, sim, a aumentar os preços dos produtos beneficiados pelas tarifas, contudo, ao longo do tempo, com o desenvolvimento da atividade manufatureira, os preços das mercadorias produzidas pelo mercado interno tendem a cair, tornando-se mais baratos e de melhor qualidade do que os importados:

"Os manufaturados produzidos no regime de altas tarifas alfandegárias são melhores e mais baratos do que os estrangeiros. A competição interna e a garantia contra a concorrência destrutiva do exterior produziu esse milagre. Que a escola popular (liberal) desconhece totalmente e do qual nada quer saber. Portanto, não é verdade o que afirma a escola popular, ou seja, que as taxas protecionistas aumentam o preço dos produtos nacionais na mesma proporção que a porcentagem da respectiva taxa alfandegária. Por algum tempo, as taxas de importação podem aumentar o preço, mas em toda nação que estiver qualificada para possuir uma atividade manufatureira própria a conseqüência do protecionismo será que a competição interna logo reduzirá os preços a um nível abaixo do vigente quando a importação era livre." (LIST, 1986, p.262).

Assim, o sacrifício de valor causado pela proteção alfandegária, em um primeiro momento, é compensado pela obtenção da força produtiva que não apenas assegura à nação uma quantidade muito maior de bens, mas também a torna independente. Somente por meio da independência industrial e da prosperidade interna dela decorrente, uma nação tem condições de, com sucesso, engajar-se no comércio internacional.


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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Trabalhismo e Solidarismo - Resenha de Artigo de Alberto Pasqualini.



Precisamos distinguir duas formas de capitalismo: o capitalismo individualista (liberalismo) e o capitalismo solidarista (trabalhismo).

O capitalismo individualista é oque tem como elemento psicológico o egoísmo. É oque pretende tudo para si. Os métodos do individualismo são os da luta, luta pela dominação, luta pelo sujeitamento do indivíduo a outro indivíduo, luta pelo ganho sem limites, sem considerações, sem escrúpulos.

O pensamento do capitalismo individualista é dirigido exclusivamente para o lucro, para a acumulação da riqueza, que quer para seu exclusivo proveito. Por isso não titubeia em explorar o braço do trabalhador, em sugar-lhe todas as energias, como em explorar as necessidades do povo. Para o capitalista individualista são estranhas quaisquer considerações de ordem ética ou social. Para obter cada vez maiores lucros não hesita em recorrer aos processos mais condenáveis, desde o mercado negro até a formação de trustes. Sua filosofia é que , na luta pela vida, os fracos e indefesos devem sucumbir à ação dos mais fortes. Não tem consideração pelos semelhantes. O seu objetivo é um só: ganhar dinheiro e mais dinheiro, amontoar fortunas para seu exclusivo benefício, para satisfação do seu egoísmo e, muitas vezes, para malbaratá-las no luxo e na dissipação. As misérias, as privações e os sofrimentos alheios são meras contingências da natureza, uma espécie de lei inexorável da vida, à qual os oprimidos devem resignar.

O capitalismo individualista (liberalismo) propende, em suas últimas consequências, para o monopólio, para a hegemonia econômica, para a exploração do povo, para o imperialismo.

É, senhores, esse tipo de capitalismo, egoísta e agressivo, que nós combatemos, porque ele gera a opressão, a miséria, as guerras, a desgraça das nações.

Mas, ao lado dessa forma de capitalismo inexorável e sem entranhas (capitalismo individualista / liberal), pode haver outro capitalismo (capitalismo solidarista / trabalhista) qe não mergulha sãs raízes no egoísmo, mas inspira nos princípios da cooperação e da solidariedade social.

Parte da ideia de que toda forma de produção visa satisfazer necessidades humanas e que deve, em consequência, existir um nexo de solidariedade entre essas necessidades, os que detem ou coordenam os meios de produção e os trabalhadores que acionam esses meios. Entende, por isso que se deve instituir um sistema de cooperação social em que adjudicando embora aos coordenadores dos meios de produção ou capitalistas a parte que lhes é devida na produção da riqueza, se atenda, por outro lado, à contribuição prestada pelos trabalhadores e aos interesses gerais da coletividade.

Preconiza esse sistema que as relações entre o capital e o trabalho sejam reguladas por uma legislação justa que tenha na devida conta o esforço e a cooperação do trabalhador na produção dos bens que formam a riqueza nacional. Considera o organismo social como um todo solidário que só poderá manter em posição estável como o aplainamento das desigualdades sociais, não devendo, por isso, a riqueza acumular-se apenas em alguns pontos para não comprometer o equilíbrio de todo o sistema.

A essa forma  de capitalismo humanizado, que não desconhece os princípios da solidariedade social, mas antes nele se assenta, damos o nome de “capitalismo solidarista”.

Sua concepção fundamental  é que o capital não deve ser apenas um instrumento produtor de lucro, mas principalmente, um meio de expansão econômica e de bem-estar coletivo.

Esta é também, senhores, a ideia substancial do nosso programa. Para nós, trabalhismo e capitalismo solidarista são expressões equivalentes. 

Trabalhismo e capitalismo solidarista são expressões equivalentes, por que, no seu conceito, se ressalta o primado do trabalho na produção da riqueza. “A fonte fecunda de todos os bens exteriores, proclama a Encíclica ‘Rerum Novarum’, é principalmente o trabalho operário, o trabalho dos campos e da oficina. Tal é a fecundidade e a eficiência do trabalho que se pode afirmar, sem receio de engano, que é ela a fonte única de onde procede a riqueza das nações. Por isso, manda a equidade qe o Estado se preocupe com os trabalhadores à sociedade, lhes seja dada uma parte razoável, como habitação e vestuário, para que possam viver à custa de menos trabalho e privações. Essa solicitude, continua Leão XIII, longe de prejudicar alguém, tornar-se-á, ao contrário, em proveito de todos, porque importa soberanamente a nação que criaturas humanas, que são para ela o princípio de bens tão indispensáveis, não se encontrem continuamente a braços com a miséria”.

Infelizmente a dotrina dos pontífices, nem sempre tem sido seguida por aqueles mesmos que deveriam ser os seus propagadores e defensores pois tem, frequentemente, a alma mais inclinada para realidades terrenas do que para as promessas do céu. Eis porque Pio XI deplora:

que muitos que se dizem católicos tenham esquecido a ei sublime da justiça e da caridade, a qual não somente prescreve dar a cada m o que lhe é devido, mas ainda socorrer nossos irmãos como a Cristo mesmo. E acoisa mais grave, por cobiça de lucros, não receiam oprimir os trabalhadores, havendo também os que abusando da religião para vexame da própria religião, fazem do seu nome um anteparo com o fim de subtraírem as reivindicações plenamente justificada dos trabalhadores. Nós não deixaremos nunca, de reprovar semelhante conduta, visto que são essas causas pelas quais a Igreja, embora não o merecendo, pode ser acoimada de tomar a defesa dos ricos e de não ter sentimento algum de piedade para os sofrimentos daqueles  qe se acham deserdados do se quinhão de bem estar nesta vida.”

Cito, católicos, a palavra dos pontífices, não para afagar vossas crenças, e captar a vossa simpatia – pois não devemos por jamais a religião a serviço da política, nem a política a serviço da religião – mas para que conheçais a verdadeira doutrina social da Igreja e compreendais que é engano supor que ela defende o capitalismo individualista (liberalismo).

Nosso programa, trabalhista, é profundamente humano e essencialmente cristão.

O mal não esta em que haja iniciativa privada, o mal esta em que essa iniciativa seja conduzida num sentido egoísta e individualista, em explorar o povo, ao invés de ser dirijida para o bem coletivo. 

Desejamos um capitalismo sadio, humano, que reconheça os direitos dos trabalhadores, que compreenda sua verdadeira função econômica e social, que se inspire nos princípios da solidariedade, que suporte os encargos que lhe incumbem perante a coletividade.

Somente um capitalismo cristianizado, mas que não aparenta ser cristão e crente apenas quando trata de receber, continuando anti-cistão quando trata de dar; somente um capitalismo que não faça da religião como dizia Pio XI: 

o anteparo de sua cobiça, e que ignore quando estão em jogo os interesses dos trabalhadores e do povo; somente um capitalismo espiritualizado, sentimentalizado, tal como nós o concebemos e que se identifica com o próprio trabalhismo , - pois nesse caso, o capitalismo será um trabalhador por excelência – somente esse capitalismo poderá, na hora atual, salvar o mundo do débâcle e preservá-lo da escravidão.”.

Os que estiverem de acordo, os que formarem na linha de frente do capitalismo solidarista e do trabalhismo, venham consoco; os que formarem na retarguarda do capitalismo invidualista e reacionário (liberalismo), que nos combatam e neguem seus votos.


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sábado, 18 de julho de 2015

A Micro-Revolução Pessoal

 
 
Já havia a intenção de fundarmos um Movimento nessa linha (de defesa do Brasil), após o término da Faculdade. Todavia, percebemos que não daria para esperar, após nos depararmos com aquela infame e falsa Estátua da Liberdade, na Barra, bairro da cidade do Rio de Janeiro; realizamos uma marcha com o Hino Nacional e discursos no local, que ratificou a fundação dessa Frente Nacionalista Humanista, em defesa da continuidade do Brasil como Nação e da perpetuação da civilização brasileira.
 
80% da população foi à favor da defesa das coisas nacionais, os 20% restantes são os desinformados, omissos e os traidores.
 
Queremos nos próximos dois anos, solidificar essa política de educação fornecedora de informações estratégicas, na cidade do Rio de Janeiro, onde temos sete núcleos, e com potencial para iniciarmos muitos outros. Todavia, se houver facilidade para iniciarmos o trabalho em outros Estados, assim o faremos, haja visto que já temos um Núcleo funcionando em Brasília.
 
Nosso trabalho é fundamentalmente um trabalho de rua, nos inspiramos em nossos ancestrais culturais, os antigos romanos, decidimos fixar cartazes com mensagens de impacto em pontos estratégicos em toda a cidade do Rio de Janeiro, para preparar a população para receber nossas mensagens verbais ou escritas posteriores; cada modelo de cartaz, vai ter como lastro, 500 mil apostilas que serão distribuídas gratuitamente na cidade carioca, informando e clamando ao povo que inicie a virada! Estas distribuições serão feitas por meio de marchas, arrastões culturais, palestras e cerco aos mais variados sítios onde haja concentração de populares, priorizando os jovens.
 
Queria dizer o seguinte: aos pessimistas, digo que vejo a história da Humanidade sendo contada em séculos e milênios; vocês podem sentir nesse momento girar a roda da história? Podem ouvir nesse momento, o pulsar dos corações dos brasileiros? Conseguem perceber a insatisfação do Povo? 
 
Pois em verdade, a história é implacavelmente mutável. O povo espera que um grupo pavimente as estradas das mudanças para que ele possa com firmeza e confiança, marchar para um novo rumo. E essa estrada, queremos construir, levando as informações que são sonegadas pela grande mídia (que encontra-se sob o domínio dos estrangeiros, contrariando a Constituição Federal e a Lei dos Estrangeiros), acompanhado de nossa proposição, ou seja, a aplicação da micro-revolução pessoal, pois se o País não é hoje soberano, que pelo menos, você o seja! 
 
Tome uma série de atitudes na vida e nela insira essa soberania pessoal que vai libertá-lo da maldade das corporações transnacionais. Desprezando os termos ingleses em seu discurso, conversas, e documentos, desprezando símbolos do folclore, dos esportes, da música e da cultura dos EUA. Na parte econômica, podemos priorizar os produtos nacionais para que possamos impor derrotas contundentes à arrogância dos estrangeiros. Onde abastecer o carro? Em postos nacionais! Nos supermercados, nas lojas, nas lanchonetes, para quem enviaremos nosso dinheiro? Verifiquem se os mais diversos produtos e serviços são de empresas genuinamente nacionais. Assim, faremos girar a implacável roda da história à nosso favor e estaremos tornando o ambiente mais favorável às grandes transformações, para que possamos reescrever os capítulos da história do Brasil, de preferência, em capítulos verde e amarelo.
 
MV-Brasil, Wagner Vasconcelos.

terça-feira, 23 de junho de 2015

BRASIL HESPÉRICO, O Exílio e Fundação de Uma Nova Civilização.

"E se mais terra houvera, lá chegara!"

A Hespéria é um entre-lugar mítico, é o Ocidente, um lugar utópico, variável na Antiguidade com seu referente. Roma, por excelência, foi a civilização do Ocidente, que se expandiu pela Europa, antes formando seu império baseado na organização persa e egípcia do que na dispersão marítima helênica de cidades-Estado. O mito hespérico das terras do poente é o próprio mito civilizatório de Roma.

Escrita por Vigílio, maior poeta do mundo romano do I século antes de Cristo, Enéias, filho de Afrodite, será o personagem central da epopeia "Eneida", símbolo da continuidade das gerações.
Zeus, aparece em sonho a Enéias e lhe ordena tomar o compromisso de buscar uma terra de nome Hespéria para ali formar uma raça.

Chegando ao território da Hespéria (antiga Itália) Enéias, muito saudoso de seu velho pai que morrera na viagem, vai à Cumas procurar a “Sibila de Cumas”. Quer que ela o leve ao reino dos mortos. Esta era a mais famosa das pitonisas.  Com inigualáveis poderes, previu com minúcias os destinos do Império Romano, que constam nos famosos “Livros Sibilinos”, guardados no templo de Júpiter Capitolino.

A Sibila de Cumes mostra a Enéias os indivíduos que irão nascer na raça que ele criará, e lhe mostra o rio Lete, onde as almas beberão o esquecimento das vidas passadas, antes de nascerem na futura Roma.

Chegando finalmente em suas proximidades, encontrou o chefe de uma tribo de nome Latino (que daria nome a futura raça). Pai de uma jovem de nome Lavínia, num sonho, Latino havia sido advertido pelos Deuses que guardasse sua filha para um estrangeiro que formaria com ela uma raça que dominaria o mundo.

Casando-se com Lavínia, Enéias conta entre seus descendentes uma Vestal de nome Réa Silvia por quem o Deus Marte se apaixonara. Desta ligação nasceram dois gêmeos: Rômulo e Remo.  As Vestais eram sacerdotisas da deusa Vesta, guardadoras do fogo sagrado que protegia o local onde hoje é Roma. Obedeciam a um rigoroso voto de castidade e eram punidas com a morte se o transgredissem.
Falta-lhe contudo mulheres para procriar filhos que viessem habitá-la. Invade então uma cidade vizinha e lá rouba as suas mulheres. Episódio este conhecido na História como “O Roubo das Sabinas”. Fundada por um filho do Deus da guerra, Marte, Roma nasce sob a égide da violência. Torna-se um dos povos mais conquistadores, violento e invasor da Antiguidade.

O ciclo mítico, em Titanomachia, se inicia com uma luta contra forças primitivas, entre os titãs antropófagos, liderados por Saturno, e os deuses olímpicos, termina com a derrota de Saturno, que, em sua fuga, gera uma nova Idade de Ouro no Lácio. Depois desta Idade de Ouro é fundada uma civilização. Este mitologema resume a proposta do périplo de Enéias para a fundação mítica de Roma, advinda de uma viagem causada pela derrota dos troianos em uma guerra e a fuga de Enéias com a transferência dos Lares e Penates para uma nova cidade, quando chega ao Lácio, à Hespéria, ao Ocidente de Tróia. Logo, o mitologema narrado por Evandro é a síntese do mito hespérico: um exílio com a transferência de uma civilização.

Essa ampla cosmogonia sincretizada dará no Renascimento o tópos humanista da Ilha dos Amores, forma recorrente ao locus amoenus clássico, que encontramos n´Os Lusíadas, e em obras de diversos humanistas como Miguel de Cabedo, como no poema In nuptias Serenissimorum Principum Ioannis et Ioannae (SILVA, 1985 p.8190). Portanto, estará presente também em documentos medievais e, indiretamente, na Carta de Caminha, sobre o Brasil.

Podemos contabilizar três Hespérias no mito clássico:

1. o ocidente de Tróia, a primeira Hespéria é o Lácio, narrada em Virgílio, ao longo da Eneida;
2. em seguida a Hespéria, o ocidente do Lácio, é a Hispânia, narrada nas odes de Horácio;

3. a terceira Hespéria, o ocidente da Hispânia, são as Fortunatae insulae, as Ilhas Canárias, narradas por Diodoro, por Apolônio de Rodes, entre outros.

Estas ilhas são identificadas também como a civilização Atlântida do Timeu de Platão, confins do mundo helênico. Por fim, o ocidente, a Hespéria, das Ilhas Canárias é o Brasil, narrado no "De Gestis" de Anchieta. Logo, o ciclo mítico de Tróia chega ao Brasil, que se integra na tradição ocidental.

Em De Gestis, percebemos que dois momentos míticos são fundamentais em sua estrutura: a aurea aetas e a Titanomachia. Ainda que não expressos diretamente, ambos os mitos presentes remetem-nos ao mito medieval das Ilhas Brasil e este ao arcaico mito grego da ilha das Hespérides, que fazem parte de uma cosmogonia maior: o mito Hespérico. A Titanomachia é o combate entre deuses olímpicos e Titãs, que, no De Gestis, reflete-se na luta contra a antropofagia titânica indígena, porque é nesta base mítica que há o choque entre o homo humanus e o barbarus indígena. Assim, reinscreve-se, no poema anchietano, o mito do ocidente.

O corpus anchietano reflete em si as concepções de um jesuíta e humanista frente à tarefa de catequizar o Novus Mundus. Este projeto colonial, também jesuítico, que resultou na maior nação católica, atualmente, e em um país continental com o maior grupamento de falantes de uma língua neolatina, sofreu processos de transfigurações étnicas abruptas, mas se firmou como nação e Estado ocidental.

Não foram os jesuítas que trouxeram a idéia clássica e medieval do Brasil hespérico para a colônia lusitana da América, mas pela educação, sua maior arma, conseguiram desenvolvê-la e fixá-la como uma verdadeira identidade ocidental. A primeira marca dessa identidade é o De Gestis, que integra o Brasil ao Humanismo Português e ao mundo Greco-romano. Dessa forma, nos séculos subsequentes à expulsão da Cia. de Jesus do Brasil, o Humanismo ainda será uma marca da identidade nacional.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Rafael Pinto Bandeira, O Centauro dos Pampas.



Valente, insígne estrategista, amado e idolatrado pelos seus seguidores, conta-se que tinha uma memória prodigiosa que lhe permitia conhecer cada palmo do território e um senso de orientação capaz de se guiar na noite mais sombria, apenas pelos cheiros e ruídos do ambiente.

Generoso, recompensava com terras e dinheiro seus leais seguidores, muitos dos quais, se tornaram grandes estancieiros, ao passo que Rafael Pinto Bandeira veio falecer pobre. Registra-se ainda que ambicionava tornar aquelas terras agrestes, ensangüentadas pela guerra, numa próspera terra civilizada.

Rafael Pinto Bandeira é uma lenda viva nos pampas, aonde fincou as fronteiras do Brasil contra os castelhanos, sustentando uma das mais longas guerras pelas fronteiras do sul. Com 14 anos, em 1754, já tomava parte nas campanhas militares quando do Tratado de Santo Idelfonso. Descendia de família paulista assentada na província do Rio Grande de São Pedro como pelo lado materno de sangue indígena.

Nos anos de 1763-77, o Sul do Brasil foi envolvido pela primeira vez numa guerra. O atual Rio Grande do Sul sofreu duas invasões que chegaram a controlar cerca de dois terços de seu território. Ao final, os brasileiros acabaram por restaurar a soberania portuguesa sobre a área em contenda.

Para tal, contribuiram forças dos atuais Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina e Paraná. Destaca-se também a contribuição militar de civis paulistas, enviados durante a guerra, num fluxo contínuo para a fronteira de Rio Pardo. Unidos a um punhado de civis rio-grandenses, e lado a lado com os bravos do Regimento de Dragões do Rio Pardo, ajudaram a conduzir modelar guerra de guerrilhas contra o invasor, traduzida pelas vitórias militares obtidas:

Monte Grande - 1763,
Reconquista de São José do Norte - 1767,
Santa Bárbara e Tabatingaí - 1774,
São Marçotinho - 1775 e
Santa Tecla - 1776).

Dragão do Rio Pardo
As guerrilhas na área do Rio Grande do Sul, por dez anos, mantiveram as invasões circunscritas. Criaram condições para o Exército do Sul, com o concurso de uma Esquadrilha Naval, tudo ao comando do Tenente- General Henrique Böhn, completar a restauração com a reconquista da Vila de Rio Grande, em 1º de abril de 1776.

Em 1772, a Espanha invadiu Olivença(território português), diante do receio de que Buenos Aires(sob domínio da coroa castelhana) fize-se o mesmo com o Rio Grande de São Pedro, o Gal. Gomes de Freire arregimentou mil homens (800 sulistas - dragões, milicianos e aventureiros - e 200 aventureiros paulistas já participantes dos movimentos de demarcação do Sul e da Guerra Guaranítica), deslocando-os do Rio Pardo para o Arroio do Chuí, de modo a ter condições de avançar e construir uma fortaleza em Castilhos(Santa Tereza) no caso fosse Colônia do Sacramento atacada.

Em 10 de outubro de 1762, ao saber que os castelhanos haviam cercado Colônia do Sacramento, deu-se início à construção de uma Fortaleza em Castilhos, batizando-a 5 dias após com o nome de Santa Teresa. Ficaram ali 360 alquebrados Dragões e 640 civis improvisados em militares.

Os castelhanos atacaram, em 1º de outubro de 1776, Colônia de Sacramento, rendida após um mês de cerco, apesar dos socorros enviados do Rio. Em seguida as praças de Santa Tereza, São Miguel e Rio Grande caíram também em mãos dos castelhanos.

Com o Tratado de Paris, Colônia foi devolvida a soberania portuguesa, contudo os castelhanos se recusaram entregar a praça de Rio Grande. O governo da Província do Rio Grande de São Pedro foi transferido para Viamão. Diante dos parcos meios e a constante ameaça castelhana, a junta governativa do Rio de Janeiro, em junho de 1773, baixou ordem de fazer guerrilha aos castelhanos.

Em abril de 1766, foi retomado a márgem norte da fronteira da vila de Rio Grande (São José do Norte), que há três anos se encontrava sob domínio de castelhano.

reconstituição do uniforme
A reconquista de São José do Norte e os ataques a vila de Rio Grande(ainda sob domínio castelhano) foram mal recebidos em Portugal, que costurava um acordo com a Espanha para minar a influência dos Jesuítas, apontados como principais responsáveis pelo fracasso da demarcação de fronteiras no sul e a Guerra Guaranítica. De modo que os comandantes foram afastados, felizmente não se cumpriu a ordem de entregar São Jose do Norte aos castelhanos.

Em 1773, os castelhanos invadiram o Rio Grande pela campanha fundando o forte de Santa Tecla, com objetivo de varrer os brasileiros do Rio Pardo, Taquari, Porto Alegre e Viamão e finalmente São José do Norte, expulsando os expulsando definitivamente do continente do Rio Grande de São Pedro.

Em 2 de janeiro de 1774, Rafael Pinto Bandeira, a frente de 100 guerrilheiro e Dragões, bateu e tomou de assalto toda uma coluna proveniente das Missões, debilitando enormemente as pretensões castelhanas. 3 dias depois, em 5 de janeiro, Piquiri foi heroicamente defendida por 21 paulistas apenas, sem mantimentos posto a coluna proveniente das missões ter sido tomada de assalto, os castelhanos recuaram para a vila de Rio Grande, sendo perseguidos por Rafael Pinto Bandeira.

Dessa vez, a incursão dos castelhanos, foi tomada como uma afronta a Portugal, e o Marquês de Pombal determinou que fosse eliminado até o último castelhano em Rio Grande de São Pedro.

Foram enviados efetivos do Rio, foram destinados ainda todos os rendimentos das provedorias de São Paulo e Rio de Janeiro, subsídio voluntário e literário de Angola, 200.000 cruzados anuais, o equivalente ao soldo de dois regimentos enviados da Bahia. Em São José do Norte, fundeou a esquadra com seis unidades, entre as quais a "Belona" e a "Invencível", construídas em Porto Alegre. Ao final os efetivos das forças brasileiras contavam 4 mil homens. As tropas de Cavalaria Ligeira (nome oficial das guerrilhas) eram constituídas em grande parte por paulistas enviados em socorro ao sul.

Concluída a concentração de forças, ao final de 1775, teve início a ofensiva para restaurar o Rio Grande.
Em 31 de outubro de 1775, o Forte São Martinho foi conquistado de surpresa e arrasado por 205 dragões e guerrilheiros do Rio Pardo, ao comando de Rafael Pinto Bandeira.

Em 19 de fevereiro de 1776, objetivando criar condições para que o Exército do Sul assaltasse a vila de Rio Grande, a armada contando nove unidades, tentou destruir a esquadra castelhana, sem sucesso.
 Novo insucesso na tentativa de assalto a Santa Tecla, próximo a Bajé.

Para a conquista, recorreram a Rafael Pinto Bandeira, auxiliado pelo Major Patrício Correia Câmara do Rio de Janeiro.

Foi organizado uma força de 619 homens, composta de 366 Dragões do Rio Pardo (ao comando de Patrício), 193 guerrilheiros da Cavalaria Ligeira, e uma Companhia de Infantaria de Caçadores Índios.

A 1ª tentativa de Rafael e Correia Câmara, para surpreender Santa Tecla, falhou, submetida a novo cerco durante 26 dias; Durante o cerco, a situação dos sitiantes ficou crítica pelo desgaste da cavalhada, após um mês de operações, patrulhamento intenso e confinamento em reduzidas e raspadas pastagens de verão. Tiveram, então, de alimentar-se de raízes e ervas. E em 25 de março, capitulou sob condições; e a 26, seus defensores evacuaram-na pelo portão dos fundos, rumo a Montevidéu. Em 27, suas muralhas foram arrasadas pelos brasileiros. 

Expulsos os espanhóis de Santa Tecla e São Martinho, faltava a reconquista da Vila de Rio Grande.

Para reconquistar a Vila de Rio Grande, além de seus fortes e esquadra, era preciso vencer, com meios descontínuos, a enorme distância entre São José do Norte e Rio Grande. Para isso, fundamentalmente, serviriam as jangadas, construídas por soldados pernambucanos vindos de Santa Catarina com madeira pernambucana.

Em 1º de abril de 1776, dia seguinte ao aniversário da Rainha, foi a data escolhida para tomada do Rio Grande, ante o festejo ruidoso, com salvas e embandeiramentos, pelo Exército do Sul e Esquadra. Tudo para iludir os castelhanos em Rio Grande. Com um efetivo de 1.500 homens por terra e uma esquadra com 8 navios, contra 12 navios castelhanos, após 30h de combates, a vila de Rio Grande foi retomado pelos brasileiros.

Com a Reconquista do Rio Grande, as fronteiras brasileiras voltaram a ser Rio Grande e Rio Pardo. Castelha mandou fazer um exército de 9 mil homens, tomando Santa Catarina afim de isolar o Rio Grande de São Pedro do Rio de Janeiro.

O exército então foi reforçado pela Legião de Voluntários Reais de São Paulo e um Regimento de Infantaria de Santos; a cobertura de Rio Grande, ao norte, foi construído o Forte São Diogo, que foi guarnecido pela companhia de granadeiros do RI de Santos. Ao Sul, no Albardão e Taim, pela Cia. de Cavalaria do Vice- Rei e Dragões do Rio Pardo e, entre o Estreito e São José do Norte (atual), por uma Companhia de Cavalaria da Legião de Voluntários de São Paulo. Nesta ocasião, o forte de Santa Tecla foi reocupado pelos castelhanos.

Rafael Pinto Bandeira, (já coronel de uma Legião de Cavalaria Ligeira), estabeleceu a cobertura da Vila de Rio Grande face à direção de Santa Tecla, na Serra de Tapes, em Canguçu atual.


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terça-feira, 10 de março de 2015

A Marcha Para o Oeste e O Homem Novo.

“Pressinto que é na ‘Marcha para o Oeste’ que o Brasil, libertando-se do litoral cosmopolita e saturado de influências híbridas, achará a sua alma verdadeira”

Pierre Chabloz



O projeto nacional brasileiro contemplava a readequação do brasileiro ao novo sistema produtivo que se impelia, a industrialização.

O sistema produtivo do Brasil encontrava-se completamente atrasado, mais do que agrícola, uma agricultura mono-exportadora e rudimentar. E a margem desse sistema falido, encontrava-se o brasileiro, esteriotipado no “jeca tatu”, abandonado e vivendo um processo pré-capitalista, quase medieval, em um sistema clientelista. 

O projeto nacional brasileiro impelia a mudança por uma sociedade industrial e punjante, trazendo o brasileiro para éra industrial e capitalista. E para isso era preciso adequar o brasileiro, criar o homem novo, adaptado aos novos tempos, ao sistema industrial, capaz de gerar a prosperidade nacional.

Roquette Pinto, rejeitando as teses “racialistas” de que o atraso do Brasil derivava do seu tipo humano, apontava que o problema era de ordem de saúde pública e deficiência educacional. Rejeitava a substituição do brasileiro por imigrantes europeus. Contudo isso não implicava, a rejeição por políticas de melhoramento da raça. Tais como a proibição de casamento entre primos, ainda hoje vedado por acarretar em problemas genéticos oriundos da consangüinidade. Roquette Pinto propunha ainda, incentivos para o casamento entre casais saudáveis, afim de haver um incremento e melhoramento da raça.

Esse projeto se concretizou, na Marcha Para o Oeste, que visava a ocupação do imenso vazio do vale amazônico, por elementos fisicamente sadios, e que se firma-se ali o Brasil Novo, de um brasileiro branco e católico.  E para isso concorreu os soldados da borracha, no curso da II Guerra. Getúlio aproveitou os esforços de guerra, para ocupar a Amazônia, integrando-a, efetivamente, ao Brasil. Fez recrutar milhares de brasileiros, que ao final do conflito receberiam terras e ajuda governamental para se estabelecerem definitivamente. Realizando ao mesmo tempo uma reforma agrária e amparando do flagelo da seca os contingentes populacionais do nordeste do Brasil.

Foi criado o SEMTA – Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, órgão a cargo do recrutamente e tendo a frente o suíço Pierre Chabloz, encarregado de coordenar a propaganda.

“eu pressinto muitas vezes que é na ‘Marcha para o Oeste’ que o Brasil, libertando-se do litoral cosmopolita e saturado de influências híbridas, achará a sua alma verdadeira”

60 mil cearenses foram recrutados, ante o já grande contingente presente na Amazônia (I ciclo da borracha). O fato da população cearense não ter tido cultura escravocrata, tendo os mamelucos do interior cearense maiores similaridades com os mamelucos e nativos da Amazônia ocidental, ao contrario de outros lugares do nordeste e mesmo do sudeste.

Os indivíduos eram recrutados segundo tipos físicos sadios, de modo a não terem problemas congênitos e se enquadrarem no típico brasileiro sem digredir da nacionalidade, presente em todo o país.

Foram classificados dentre outros tipos em: normolíneo, tipo normal com pêlos e pescoço longo, que seria o mais desejável no processo seletivo; o mixotipo tronco longo e pouco volumoso, mais próximo do normal; o brevilíneo; e o disgenopata, o mais indesejável, a ser descartável.

O quadro sinótico, tinha a finalidade de ser distribuído entre os médicos de seleção, expressando a relação de hierarquia entre os biótipos.

Da esquerda para direita, dois mixotipos, normolíneo e brevilíneo. O normolineo era o tipo mais desejável. 
O tipo disgenopata era o mais indesejável
a ser descartado no processo seletivo





O projeto além de prever o assentamento permanente desses contingentes, previa a criação de cidades planejadas como centros logísticos de apoio permanente e de vida urbana para as fazendas criadas no seu entorno, a exemplo do exitoso projeto piloto de Cérceres em Goiás.

Cérceres foi uma colônia agrícola criada pelo Estado Novo, como projeto piloto, que visava a implantação de tantas outras no projeto de Marcha Para o Oeste, além do apoio governamental com a abertura de estradas, serviços públicos, financiamento, orientação técnica, o governo estruturava solidamente uma estrutura de ensino técnico para formação do homem novo. 

Um empreendimento que tornou e ainda hoje faz de Cérceres uma cidade modelo com melhor padrão de vida do centro-oeste.

Tudo isso deveria ter sido implementado na Amazônia, e foi melancolicamente abortado com a queda de Getúlio em 45. Os soldados da Borracha abandonados em um ambiente mais mortífero que os campos de batalha do norte da Itália, nunca receberam qualquer auxílio e tão pouco alguma homenagem do Estado brasileiro(usurpado pelos liberais).


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