domingo, 3 de abril de 2016

A CIA Como Promotora do Feminismo no Pós Guerra.

Com o início da guerra fria, os EUA objetivou frustrar o apelo do comunismo, e através da CIA e os seus antecessores cooptou sindicatos, revistas e universidades. Criaram dezenas de comitês falsos e associações falsas - grupos de emigrantes do bloco soviético, artistas e intelectuais, estudantes, negros e mulheres.

Estas entidades aparentemente independentes e com propósitos nobres eram criados ou cooptados pela CIA.

Gloria Steinem, proeminente "feminista", foi colaboradora da CIA, e atuou na Europa para espionar universitários comunistas e sabotar suas ações. Devido às conexões de com a 'Central of inteligence agency' , Steinem foi ajudada em sua carreira e obteve financiamento para fundar a MS Magazine, que a editou durante muitos anos.

Steinem tentou abafar e extirpar esse fato, denunciado por um grupo feminista chamado "Redstockings of the Women's Liberation Movement".

Num artigo biográfico pela MS magazine em junho de 1973, se afirma que "Gloria Steinem foi uma escritora freelance durante toda vida profissional , sendo a MS Magazine o seu primeiro trabalho em tempo integral como assalariada ", onde se contava sobre a sua história como estudante marxista radical. Que se mostrou, na verdade, como uma farsa, pois mesmo de origem pobre e problemática, Steinem conseguiu adentrar à prestigiosa univerdade Smith College, e após graduar-se em 1955, uma irmandade, "Chester Bowles Student Fellowship", ofereceu-lhe um convite de para estudar na Índia. Sendo que essa irmandade não possui existência a além de Gloria Steinem.

No final dos anos 70, Steinem , tentou evitar que a história de seu envolvimento com a CIA , e obteve sucesso inicial evitando que tal fato fosse matéria do jornal 'Feminist revolution' , editado pelo ''resdstocking''. Mas apesar da ajuda de seus aliados da CIA, como a editora do Washington Post, Katharine Graham, pela Fundação Ford, e President Franklin Thomas Random House impediu de publicá-lo na "Revolução Feminista", a história apareceu no "Village Voice" no dia 21 de maio de 1979.

Em 1958, Steinem foi recrutada pela CIA por Cord Meyer , um figurão do serviço de inteligência norte-americano, para dirigir um "grupo informal de ativistas" chamado o "Independent Research Service" que tinha ligações com "Congresso pela Liberdade da Cultura", criado pelo filósofo Sidney Hook, um esquerdista moderado que se opunha ao comunismo soviético. E desse congresso surgiu revistas como "Partisan Review" e "Encounter" , visando promover uma linha ''soft'' de esquerda-liberal para se oporem ao marxismo.

Steinem, participou festivais da juventude comunista patrocinado pelos soviéticos na Europa (como o ''Three weel festival'' em Viena , no verão de 58) , publicou um jornal, informou sobre outros participantes, e ajudou a provocar tumultos.

Trabalhando em parceria com Cord Meyer e com o ex-general e veterano da Segunda Guerra Mundial , Charles Douglas Jackson (colaborador da CIA e futuro editor da Life magazine), Steinem dirige, em Cambridge, Massachusetts , o Serviço Independente de Informações sobre o Festival da Juventude de Viena, com isenção fiscal, sendo que Jackson ajudou a aumentar as contribuições através de corporações norte-americanas, como a a American Express Company. Mas a maior parte do dinheiro veio da CIA, para ser gerido por Jackson em um "conta especial". O custo de operação vai na faixa de US $ 85.000, uma quantia nada desprezível naqueles anos. 

Com a organização renomeada para serviço de pesquisa independente, Gloria Steinem continuou a receber apoio da CIA até 1962, quando financiou uma delegação americana para o Festival da Juventude de Helsinki, trabalhando com colaboração de Samuel S. Walker, Jr., vice-presidente da CIA-financiado pela Comissão Free Europe.

Um dos colegas da CIA Steinem foi Clay Felker que no início dos anos 1960, tornou-se um editor na Esquire e artigos publicados por Steinem, que estabeleceu como uma voz de liderança para mulheres liberais ( o termo é praticamente sinônimo de esquerdista nos EUA ) .

Em 1968, como editor da New York Magazine, ele contratou Steinem como uma editora de contribuição, e depois ela se tornou editora da Ms. Magazine em 1971 ( caindo assim por terra a história de que Gloria Steinem nunca tiveram serviço remunerado no jornalismo antes da criação de sua própria revista ).

Gloria Steinem teve um relacionamento de nove anos com Stanley Pottinger, um procurador-geral adjunto de Nixon, creditado com a fama de ter parado com as investigações do FBI sobre os assassinatos de Martin Luther King, e o ex-chanceler chileno Orlando Latelier. Na década de 1980, ela namorou com Henry Kissinger.

 
Gloria Steinem Confessando Seu Trabalho Junto a CIA

 A CIA não serve exatamente aos interesses de Washington como entidade política,  na verdade, sempre foi o instrumento de um sistema bancário e da elite dinástica internacional do petróleo (Rothschild, Rockefeller, Morgan), coordenado pelo Instituto Real de Assuntos Internos, em Londres e sua filial norte-americana., o Conselho de Relações Exteriores. Foi criado e povoado por "sangues azuis" do estabelecimento bancário de Nova York . E Gloria Steinem foi uma colaboradora desse emaranhado de interesses, ainda que como peça pequena do jogo do qual ela não era alheia em seu aspecto político, no contexto da guerra fria .


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Perguntas Freqüentes Sobre o Castilhismo.


    




1.   Oque é Castilhismo?

Castilhismo é uma doutrina política solidamente constituída no Séc. XIX, que vigeu de 1891 à 1937, além do período de 37 à 45 no plano nacional. Instituído por Júlio de Castilhos em 1891 através da Constituição do Rio Grande do Sul, que era o projeto da Constituição do Brasil, rejeitada pela bancada cafeicultora e traslada para o Rio Grande do Sul por Júlio de Castilhos. Tem como característica a centralização dos poderes no Executivo, a instituição de mecanismos de participação direta, como plebiscitos e referendos populares; um Estado modernizador, intervencionista e regulador da economia, além de sua atuação intermediadora e moralizadora da sociedade.

Veja também: O que é o Castilhismo-Trabalhista?
V Geração Castilhista
O Castilhismo como Materialização do Período dos "Cinco Bons Imperadores".

2.       O Castilhismo é “fascista”, “capitalista”, ou “comunista”?

É uma doutrina política própria, brasileira, que se formou no Brasil, distinta do fascismo, do marxismo e do liberalismo.
Erro crasso de neófitos, tomar o capitalismo como doutrina política, não é. Capitalismo é uma relação com o capital, o Liberalismo sim é doutrina política.
Cumpre esclarecer também, que não há nenhum antagonismo entre “socialismo” e “capitalismo”. Socialismo é doutrina política, “capitalismo” uma relação com o capital. A expressão “socialismo” foi cunhada por Saint-Simom, que compreendia esse modelo político como capitalista. O marxismo (outra doutrina política) é que rejeita a relações capitalistas em seu modelo econômico.
O Socialismo é capitalista e conserva a propriedade privada, embora lhe confira função social.
O antagonismo do Socialismo é pois com o Liberalismo e não em ser ou não capitalista.
De modo que o Castilhismo é Socialista, pois teve como uma de suas influências as idéias Saint-Simonianas, defendendo assim a propriedade privada e uma economia de mercado com forte regulação e intervenção estatal.


3.       Qual a diferença do Castilhismo com o Fascismo?

O fascismo não teve uma base doutrinária que o estrutura-se, de modo a dizer com clareza sua natureza. Embora na prática, seu surgimento advém como reação ao comunismo, tendendo mais a ser um movimento de ordem reacionária, do que propriamente nacionalista. Nesse aspecto o Castilhismo, por ser bem anterior, de 1882, tem mais um caráter de reformulação social ante a desestruturação social provocada pelo liberalismo.
O fascismo tendeu a um modelo corporativista, oque é rejeitado pelo Castilhismo, por retirar do Estado o controle da economia e das relações sociais, além do princípio do interesse público. É inaceitável, além de imoral,  paras os castilhistas, que grupos deliberem com bases em interesses próprios (corporações), assuntos de ordem nacional. 

Veja também: Vargas Fascista? 
                        CLT é a Negação da Carta di Lavoro 
                       A Rejeição do Corporativismo pelo Castilhismo

4.  E qual a diferença do Castilhismo para a Social-Democracia?

Primeiramente no que toca a origem. A Social-Democracia tem origem no pensamento marxista e carrega consigo a concepção de defesa de interesses de grupos. Daí adota o modelo político liberal, que compreende o governo como uma composição de forças deliberando sobre seus interesses. Novamente algo inaceitável para os Castilhistas.
O Castilhismo tem como um dos pressupostos a abolição do Estado Liberal, que se materializa no sistema representativo liberal, substituindo pelo Estado Positivo. Em que o Executivo centraliza os poderes e governa diretamente com o povo, isento assim das pressões da oligarquia.
Ou seja, a grande diferença do Castilhismo para a Social-Democracia esta na mudança das instituições políticas, na rejeição do Estado Liberal. 


5.    E quanto ao Trabalhismo? Porque o Castilhismo tomou essa denominação?

O Trabalhismo Brasileiro é uma adaptação, momentânea, do Castilhismo ao modelo político Liberal, quando da abolição da Constituição de 37.
Originalmente o Trabalhismo tem início na Inglaterra, quando em 1893, é organizado o Partido Independente dos Trabalhadores(Independent Labour Party). O Partido contemplava como objetivo final o Comunismo, mas, sua atuação prática se voltava na defesa dos problemas imediatos dos trabalhadores dentro do capitalismo.
Assim, o Trabalhismo é a forma de atuação política dos trabalhadores organizados. Não importa o que o partido esteja momentaneamente defendendo, pois seu caráter trabalhista é dado pela ligação orgânica com os sindicatos e deste com os trabalhadores. 
No Brasil, diferente do Trabalhismo Britânico, o Trabalhismo surge como uma proposta de Estado através de Getúlio Vargas como instituição de defesa dos direitos trabalhistas, mas não só, vai além, com a defesa do modelo político de Getúlio, incorporando o ideário nacionalista de Vargas. A criação do PTB não será apenas um meio para pleitear reivindicações trabalhistas (como o Trabalhismo Britânico) ele será o próprio bastião de defesa do projeto político de Vargas para o Brasil. 
Ante essas diferenças é que o ISEB alcunhará o Trabalhismo Brasileiro, como Nacional-Trabalhismo como modo de distinção do Trabalhismo Britânico, Canadense e Australiano.
Daí também o PDT, legatário do antigo PTB, integrar a Internacional Socialista, aonde se congrega não só partidos de origem marxistas, como trabalhistas e social-democratas, tendo sido Brizola Presidente de honra.

ver: Brizola e o Trabalhismo Australiano


6. O Castilhismo é Positivista? 

Não. Castilhismo e Positivismo são doutrinas distintas. Embora comunguem de princípios comuns. O Castilhismo tem origem nas ídéias racionalizadoras de Marquês de Pombal, no séc. XVIII, portanto bem anterior ao positivismo que só surgirá em meados do Séc. XIX. O advento do positivismo irá dar novo folego as idéias pombalinas, já existentes no Brasil.

Miguel Lemos, um positivista ortodoxo, a respeito diz que: 
"os nossos princípios, sem receber, oque não era aliás possível, uma consagração plena e sem misturas, têm prevalecido o suficiente para tornar essa Constituição (a redigida por Júlio de Castilhos para o Rio Grande do Sul) um código superior a todos os que foram inspirados pelas revoluções modernas [....]. O caráter fundamental desta constituição e que lhe é próprio, consiste no fato de que o poder chamado legislativo se acha ali reduzido fundamentalmente à sua função orçamentária, a iniciativa e a promulgação das leis pertencendo ao chefe do poder executivo, que deve submeter previamente os seus projetos legislativos a uma discução pública de três meses. De outro lado, ele nomeia o vice-presidente, que o deve substituir nos seus impedimentos: é um encaminhamento em direção da faculdade de nomear o seu sucessor"

7. O Castilhismo é Ateu?

NÃO! O Castilhismo não adotou a concepção religiosa do Positivismo. E mesmo o Positivismo, em sua ortodoxia, em nenhum momento concebeu um antagonismo religioso contra a Igreja Católica, antes a elevava a posto especial, como bastião moral da civilização ocidental. Consagrando em seu calendário sua celebração. O Anti-clericalismo é típico de entidades e ideologias ligadas a maçonaria, não por acaso intrínseco ao marxismo, ao liberalismo e a toda sorte de movimentos gnósticos. O anti-catolicismo do protestantismo não é mero antagonismo histórico, e sim arma para quebrar a unidade cristã, contra o Catolicismo. Perceba que congregações protestantes, desde sua origem, se aliam a grupos diversos (como a mulçumanos) em muitos casos, doutrinariamente, mais antagônicos entre si, com suas milhares subdivisões, do que ao próprio catolicismo.  O Castilhismo sempre teve como suas mais fortes bases, zonas eleitorais, em que a ação de clérigos católicos militavam abertamente por políticos castilhistas, em colaboração mútua, a ponto de no Rio Grande do Sul Castilhista, a Igreja Católica ter se expandido como em nenhum outro momento durante todo o período monárquico! Júlio de Castilhos é bastante claro quanto a promoção religiosa pelo Estado Castilhista: 
“Não há malquerença tacanha e deturpadora que logre fazer prevalecer a meu respeito a coima de irreligioso, ou que ouse reputar-me irreverente para com a Igreja Católica. Por saudável impulso orgânico e por educação laboriosa, posto que ainda exígua, sinto intransigente aversão à irreligiosidade, qualquer que seja a sua espécie, tanto a que se ostenta frívola e ridícula, como a que se recata nos meneios da hipocrisia precavida e deletéria. Conceber a sociedade sem religião é tão absurdo como julgá-la capaz de subsistir sem governo”.  – Júlio Prates de Castilho.
Ademais, o Círculo Castilhista, ministra que a liberdade religiosa, como em todos os ordenamentos jurídicos, se manifeste nos limites da lei, a ser exercida segundo o art. 5º da Constituição de 1824:
Art. 5. A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas as outras Religiões serão permittidas com seu culto domestico, ou  particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior de Templo.
Aditamos também o restabelecimento do Padronato Régio, quando o corpo eclesiastico do País era nomeado pelo Rei. Para isso, se faz necessário que o Chefe de Estado (Presidente) seja católico. Assim todo Presidente eleito, e cargos que possam vir a sucedê-lo (notadamente o de Vice-Presidente, Presidente da Câmara, e Ministros do STF) sejam exclusivo de Católicos.


8. O Castilhismo é Terceira Posição? 

Antes, cabe uma explanação, sobre a concepção de "Terceira Posição". Como teorias político-econômicos temos como sistemas:

Mercantilismo.
2º Liberalismo (Adam Smith)
3º Nacionalismo (Friedrich List)
4ª Socialismo (Saint-Simon)
5ª Comunismo (Karl Marx)
6º Nazi-fascismo(?)   

Obs: poder-se-i-a citar ainda como 1º sistema o Feudalismo. Contudo como não se consubstanciou como teoria em sua época, é uma classificação posterior. Não foi correlacionado.

Isso posto, a idéia de "3ª Posição"como sistema econômico não subsiste.

Também não prospera como modelo político. Pois suas instituições não apresentam nenhuma novidade. Oque se evidencia no nazi-fascismo (exemplo emblemático), é apenas uma maior ingerência do Estado na economia, oque já era conhecido desde o mercantilismo e reforçado por List. Também já empregado por outros Estados anteriores, aos ditos estados fascistas. Então oque temos de "novo" no nazi-fascismo é apenas uma tendência de época de alguns Estados proeminentes na adoção dessas políticas.

A alcunha "Terceira Posição" foi criada por Peron, tendo como conotação uma concepção geopolítica para a América do Sul de não alinhamento com os EUA ou a URSS. (Ver: A Terceira Posição Como Projeto de Integração Sul-Americana )

O Castilhismo deita raízes no mercantilismo, com o surgir do Estado Nacional português, sofre influência das idéias socialistas de Saint-Simon e engendra instituições políticas completamente novas, não empregadas por nenhum Estado anterior. Assim, o Castilhismo, é uma evolução do Mercantilismo, podendo ser assim sistematizado:

Mercantilismo => Nacionalismo => Socialismo => Castilhismo.


9. Qual a posição do Castilhismo quanto ao “identitarismo”?

O Castilhismo, como ideologia nacionalista, só reconhece uma única identidade étnica e nacional no Brasil, como de fato somente há, a brasileira. Darcy Ribeiro, um dos expoentes do nosso Trabalhismo é expresso e claro nesse sentido:
“Os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia. Vale dizer, uma entidade nacional distinta de quantas haja, que fala uma mesma língua, só diferenciada por sotaques regionais, menos remarcados que os dialetos de Portugal. Participando de um corpo de tradições comuns mais significativo para todos que cada uma das variantes subculturais que diferenciaram os habitantes de uma região, os membros de uma classe ou descendentes de uma das matrizes formativas.
Mais que uma simples etnia, o Brasil é uma etnia nacional, um povo-nação, assentado num território próprio e enquadrado dentro de um mesmo Estado para nele viver seu destino. Ao contrário da Espanha, na Europa, ou da Guatemala, na América, por exemplo, que são sociedades multiétnicas regidas por Estados unitários e, por isso mesmo, dilaceradas por conflitos interétnicos, os brasileiros se integram em uma única etnia nacional, constituindo assim um só povo incorporado em uma nação unificada, num Estado uniétnico. A única exceção são as múltiplas microetnias tribais, tão imponderáveis que sua existência não afeta o destino nacional.” – Darcy Ribeiro.
Darcy Ribeiro é ainda mais enfático em sua Carta aos Moços:
“Meu apego apaixonado pela unidade nacional começa pela preservação desse território como a base física em que nosso povo viverá seu destino. Encho-me da mais furiosa indignação contra quem quer que manifeste qualquer tendência separatista. Acho até que não poderia nunca ser um ditador, porque mandaria fuzilar quem revelasse tais pendores.
É de lamentar, porém, que vez por outra surja, entre eles, uns idiotinhas alegando orgulhos de estrangeiridade. O fazem como se isso fosse um valor, mas principalmente porque estão predispostos seja a quebrar a unidade nacional em razão de eventuais vantagens regionais, seja a retornarem eles mesmos para outras terras, como fizeram seus avós. Afortunadamente, são uns poucos. Com um pito se acomodam e se comportam.”
A defesa de identidades locais é completamente incompatível para quem quer que se diga nacionalista, antes é a negação da nacionalidade. Caso ilustrativo, foi o de Otho Strasser, que lançou essas idéias no seio do partido nazista, rejeitadas por Hitler, razão que culminaram no seu assassinato.

Ver:
O Combate de Getúlio Vargas aos Regionalismos e as Doutrinas Estrangeiras
Sangue & Tradição - As Características do Nacionalismo Brasileiro
Os Brasilaicos - A Raíz Identitária do Brasil
Nacionalidade e Nacionalismo.


10. O Castilhismo é Autoritário?

Quem nos taxa de "autoritários" são nossos detratores! O Castilhismo, mais do que qualquer outra ideologia é democrata! Verdadeira e autenticamente democrático! Pregando a Democracia Direta (redundância do termo) ante a deturpação do sistema representativo liberal, esse, uma oligarquia por excelência! Por "autoritários" induzem, de forma vaga, um governo "autocrático". O termo é propositalmete vago para aí caber todo tipo de deturpações: "tirania", "ditadura", etc.... dando um viés de ilegitimidade e de usurpação do poder. Nada mais falso! O Castilhismo se caracteriza como Democrático, porque as decisões políticas, resulta diretamente do povo, via referendos e plebiscitos populares! Isso é Democracia! O chefe do executivo, o Presidente, no regime castilhista, não é um usurpador, um "tirano", porque é eleito diretamente pelo povo. A outorga do poder de legislar ao Executivo, razão que motiva os liberais o taxarem de "autocrático", não prospera, porque essa função é tomada diretamente pelo povo, como já dito, mediante referendos e plebiscitos. A tomada de decisões políticas por representantes, isso sim, caracteriza a usurpação do poder político, que deveria ser diretamente tomada pelo povo em um Democracia! No sistema representativo liberal, as casas legislativas, antes de serem a "casa do povo" como cinicamente os liberais gostam de dizer, configura uma oligarquia! Ao contrário, no Castilhismo, o executivo administra o Estado mediante leis tomadas diretamente pelo povo! Nos repugna qualquer regime que usurpe o poder popular! Tal como sucedeu no golpe de 64!



11. O Castilhismo é unico e exclusivamente sul-riograndense?

Uma ideologia, seja aonde for, em algum lugar se desenvolverá, se não tivesse sido no Rio Grande do Sul, teria sido em algum outro ponto do País, e assim é em qualquer lugar..... seria como dizer que o NS Alemão é Bavário e não alemão, ou que o Fascismo Italiano é romano, e não italiano. E ainda que por ventura se desconsidere isso, o Castilhismo embora tenha sua maturidade no RS, não é resultado exclusivo de lá, mas, produto das tradições brasileiras.... antecedendo as ideias pombalinas, difundidas no Brasil na Escola Militar sediada no RJ, e mesmo sofrendo influencias posteriores do positivismo (que é um ideologia distinta, mas que influencia o Castilhismo), influencia essa difundida, especialmente, nas faculdades de Direito de SP, Recife, RJ. Júlio de Castilhos tomou contato com elas quando estudante de Direito em SP. Um dos principais teóricos do Castilhismo foi Raymundo Monte Arraes, que era do Ceará (Veja um artigo a respeito), além de vários outros nomes espalhados pelo Brasil. Borges de Medeiros que sucedeu a Júlio de Castilhos era filho de pais pernambucanos. A própria Constituição Castilhista (promulgada por Júlio de Castilhos em 1891) nada mais é do que a Constituição do Brasil, elaborada pela bancada positivista, e rejeitada pela bancada cafeicultora, e por assim traslada para o Rio Grande por Castilhos. 


12. O Castilhismo é Nacional-Desenvolvimentista? 

Não. O termo, Nacional-Desenvolvimentismo, foi criado por economistas liberais que costumam englobar o período de Vargas aos governos golpistas militares, como um modelo econômico, pondo-os no mesmo saco. E alardeado, mais recentemente, por partidários do Ciro Gomes, querendo colar sua imagem a JK e paradoxalmente a Getúlio Vargas. O modelo econômico nacionalista de Vargas, é antagônico ao implementado por Jucelino Kubitschek, e posteriormente pelos golpistas de 64. Não por acaso, o golpe de 64 foi feito com o intuito de extinguir a Éra Vargas. O modelo nacionalista, não só de Vargas, como de qualquer país soberano rejeita o aporte de capitais estrangeiros nos setores estratégicos de sua economia. Nos governos de JK como militares, não só houve a entrada de capitais externos, como a substituição da indústria nacional por multinacionais, com a complacencia e mesmo o apoio dessa casta golpista anti-nacional contra empresários brasileiros. Como já lecionava Barbosa Lima Sobrinho: "o desenvolvimento econômico, sendo acumulação de capital, só se realizará com poupanças e capitais nacionais. Não há lei que possa desviar o capital estrangeiro de seu roteiro natural, orientado para o rumo que mais convier aos seus donos, aos homens que na verdade o comandam. Ao passo que o capital autóctone terá sua tarefa e o seu destino incorporados ao processo de desenvolvimento nacional". Só existe desenvolvimento baseado no Capital Nacional, o resto é colonialismo! 



13. O Blog Ressurreição Nacionalista é afliado a algum partido político?

Não, de nenhuma espécie! Nunca qualquer de nossos colaboradores foram parte de qualquer partido instituido ou em formação. Como explanamos em nossa seção "Apresentação" desse mesmo blog. Somos cidadãos brasileiros abnegados pela nossa pátria, devotados unica e exclusivamente ao Brasil, politizados sim, ardorosamente nacionalistas, porém sem elos com as atuais siglas partidárias. Quase todas vendidas ao liberalismo e ao identitarismo.


14. Existe Castilhismo Monárquico? 

O Castilhismo é republicano, embora possa parecer paradoxal, tem uma natureza monárquica. A Monarquia não se caracteriza pela hereditariedade, mas, pela vitaliciedade! Concomitante a uma centralização intrínseca a figura real, como personificação da unidade de um povo. Além, claro, do seu poder de soberania, sob dado território.


15. Quem ou Qual Movimento Representa o Castilhismo?

O Círculo Castilhista, Lankia e Dragões Imperiais, são os movimentos que congregam os castilhistas, e os únicos a nós filiado, com direito de portar nossos símbolos, insígnias, brasões, e denominações.


16. Quem pode adentrar no Círculo Castilhista?


Todos os brasileiros natos, católicos, que comunguem dos ideais castilhistas, qual sejam: Defesa de um Estado Centralizado, ainda que federativo, com poderes concentrados na União; Um executivo forte, que concentre consigo o poder legislativo, garantido pelas eleições ilimitadas e a soberania popular exercida por meio de plebiscitos e referendos (Democracia Direta).
O Castilhista








 





sexta-feira, 18 de março de 2016

Castilhismo, Um Estado Espartano ao Sul do Brasil.

 "... O Estado do Extremo sul, guiado pelo seu grande organizador [....] 
ergueu dentro do sistema da Constituição Federal, um regime institucional
 em que admiravelmente se consorciam a autoridade com a liberdade. 
Melhor compreendendo a natureza do regime presidencial, instituiu um
 poder executivo forte, facultando-lhe, sem receio, consagrar e manter 
as mais amplas franquias liberais". "Lá [no Rio Grande do Sul] o Presidente
 do Estado propõe a lei que toma a forma plebiscitária, com a publicidade ampla,
 a colaboração direta do povo na apresentação de emendas e referendum 
dos Conselhos Municipais....” - Getúlio Vargas.


Em sua obra "O Sobrado", Érico Veríssimo, escritor que melhor retratou a formação castilhista de Getúlio, remete-nos ao mitogema da Fundação do Estado Castilhista em analogia a fundação do Estado Espartano na figura do personagem Licurgo Cambará. Licurgo foi o legislador espartano que fundou as duras leis que consagraram Esparta. Como Licurgo, Júlio de Castilhos redigiu a constituição do Estado do Rio Grande do Sul que vigoraria durante 4 (quatro) décadas e influenciaria a ulterior Constituição de 1937. No dizer de Miguel Lemos: "o mais avançado código do ocidente". Mais do que uma constituição, Júlio de Castilhos, fundou um Regime Político que congregou oque de melhor havia em Esparta e Atenas, o militarismo espartano juntamente a Democracia ateniense. 

Commte absorveu muito de Platão, que por sua vez, se inspirou em Esparta. Não é de se admirar as semelhanças entre o Estado Castilhista e o Espartano. A isso une a tradição militarista do Rio Grande do Sul, uma província de longa data com permanentes postos militares brasileiros como contenção aos castelhanos.  

A figura de Júlio de Castilhos como Caudilho, em sua verdadeira acepção da palavra: a de um chefe militar em defesa do povo, segue a tradição de Rafael Pinto Bandeira, O Centauro dos Pampas, que varreu a presença castelhana do sul do Brasil. A absoluta fidelidade de seus séquitos aos seus chefes, leais até a morte, e sempre prontos para de punho em armas defender suas chefaturas. Que não se confunde com "personalismo" como acusam os liberais. O "personalismo" implica na defesa irrestrita da pessoa política independente do que ela venha a defender. Oque não ocorre no Castilhismo. No Castilhismo seus chefes são servos do povo, e dos ideais instituídos, não se concebe nunca que um chefe castilhista transgrida o credo que aderiu, se assim o fizer, cessa o apoio de seus seguidores, e antes, deve ser objeto de exemplar punição.   

Traços também observados com Floriano Peixoto, na formação dos Batalhões Patrióticos, voluntários que aderem a Floriano, em defesa da República. 

É nesse esteio que o Rio Grande se tornará sob a égide do castilhismo o Estado mais militarizado do Brasil. Júlio de Castilhos funda a Brigada Militar, que ainda hoje conserva o nome, organizou e mordenizou, as táticas e os armamentos do exército. Enquanto as tropas maragatas, formadas por fazendeiros e seus agregados, estavam precariamente armadas, ainda se utilizando das cavalhadas para a locomoção. Os republicanos possuíam tropas militares modernas, formadas em boa parte por soldados, sub-oficiais e oficiais profissionais, que se serviam das ferrovias para locomoverem-se e conheciam divisão e especialização de funções – infantaria, cavalaria, artilharia, intendência, etc.... foi todo esse aparato militar, superior as deprimidas forças federais, que deram a superioridade militar do Rio Grande do Sul na gloriosa Revolução de 30.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O Castilhismo Como Herdeiro dos Valores Clássicos.


O Brasil é fruto do Renascimento, do Renascimento Ibérico, português, no descortinar da éra das grandes navegações, que suplantou e foi além das meras artes plásticas do "renascimento" italiano. Contudo, os descobrimentos são apenas o resultado visível de algo maior, e pouco mencionado, o despontar do Estado-Nacional, invenção do gênio português, o primeiro da face da terra. Não é acaso do destino, ser as fronteiras portuguesas as mais antigas de toda a Europa. O pequeno Reino português resgata das antigas cidades-estados gregas a concepção de funções inerentes ao Estado para com seus cidadãos, e inova conferindo-lhe caráter nacional, o elemento inovador, ante a limitação da polis grega, e mesmo de Roma, integrando ao Estado como cidadãos todos aqueles que se encontrassem sob o manto de sua soberania. Também diferente do império romano, porque não confere caráter a suas "regiões", como parcelas de províncias submetidas, mas sim, como um todo contínuo de terra com cidadãos vinculados ao Estado, sua pátria. Também distinto dos Reinos medievais, que Portugal também foi pioneiro com o antigo Reino Suevo, porque o Estado não é mera extensão privada do Rei e sim da nação, e como tal, com obrigações para com seus cidadãos. 

"Seu maior mérito (Portugal) está na ação propriamente política. Deu o primeiro exemplo da monarquia administrativa, e fez valer o direito da coletividade, representada na dinastia, contra as pretensões da aristocracia (ação de João das Regras). O grande esforço político dos Estados dominantes na Europa medieval constituiu em exercer o Império; mas nenhum deles foi além do absurdo de pretenderem refazer, fora de Roma e fora do tempo, o império romano. Portugal, sim achou a fórmula do império possível no mundo moderno. Fernando, a realizar a unidade de Espanha, ainda trata o reino como propriedade sua: quase um século antes, o Mestre de Avis é caracterizadamente o chefe de uma nação. É no tempo em que a maior parte da França ainda se considera feudo do príncipe normando Carlos V, apesar da sua época, não sabe compreender os extensos domínios, sem entrar na farandolagem de um arcaico Santo Império. Portugal, esse, teve a concepção de um Império em exploração ultramarina: esboçou-o, lançou-lhe os alicerces, e te-lo ia realizado, se não se corrompe-se pela grandeza mesma que se elevara. Decaiu. Outros o imitaram, ao mesmo tempo que o espoliavam, e coube à Inglaterra o papel de alcançar, em plenitude de efeitos, os bons proventos de um tal império, ante-visto e preparado pelo gênio português." - Manoel Bomfim.

O Estado-Nacional que surge é oque torna possível o advento das grandes navegações, porque é por sua mão que são condensadas e fomentadas todo o aparato necessário para levar a efeito. A atração de matemáticos, cartógrafos, artesãos, artífices náuticos, astrônomos.....  o Estado coordena e confere assistência a essa gama de notáveis que propiciarão a inovação tecnológica necessária para lançar-se na empreitada traçada para o destino nacional, e daí resulta todo esplendor da época, que se reflete nas suas artes. Nos Lusíadas, de Camões, o "herói" é a nação portuguesa e não um indivíduo, como na Ilíada ou na Enéias, o feito português é fruto de uma ação coletiva. Remete-se aos mitos fundadores da nação, sob qual repousa a identidade nacional. 

Então sob esse influxo renascentista é que deriva a concepção do Estado-Nacional, e daí o resgate das idéias de Solon, Clístenes e Péricles, de justiça igual para todos, a repartição de cargos públicos pelas várias classes sociais e não por hereditariedade como se operava nos reinos medievais, a igualdade de direitos e deveres, o direito da palavra nas assembléias, a assistência do Estado aos mais necessitados, são alguns princípios que se fundam o Estado-Nacional. Idéias, muitas das quais, consideradas  "modernas" mas que nos remete a Grécia clássica.

Com a descoberta de Pompéia em 1748, as idéias clássicas recebem novo folego e inspiram tanto as artes como tratados políticos. A Europa se ver envolta no que ficou conhecido como iluminismo. Filósofos como Spinoza e Locke, lançaram os fundamentos do 'individualismo' que entrou, depois, no credo político de todas as espécies de liberalismo, completado pelo individualismo econômico de Adam Smith e Ricardo. O individualismo político é doutrina moderna, pois as democracias da Antiguidade clássica, na Grécia e Roma, mantinham a prioridade respectivamente da polis e da res publica.

O individualismo opõe-se a todas doutrinas políticas que dão prioridade ao bem comum, um claro rompimento com o ideal clássico de subordinação dos interesses privados ao interesse público. No que pese, nem todas as figuras "iluministas" advogassem a defesa do 'individualismo". O individualismo é uma deturpação dos valores clássicos.


É nesse período que surge, oque denominou-se, posteriormente, como "despotismo esclarecido". Governos absolutistas norteados pelos princípios humanistas e de racionalização do Estado. Como Frederico II, da Prússia, que aboliu as torturas nos interrogatórios, Catarina, na Rússia, que construiu escolas, modernizou a administração, e em Portugal, Marquês de Pombal.

Pombal aumenta a centralização, implementa reformas racionalizadoras no Estado português afasta a ingerência religiosa, em prol de maior autonomia do Estado e tenta acabar com o domínio inglês sob Portugal, não conseguindo ante a resistência dos comerciantes exportadores de vinho, a oligarquia dominante em Portugal, aliados ao ingleses.

Apesar da classificação reducionista do marxismo entre burgueses e proletários, há uma significativa diferença de interesses entre comerciantes, mascates, e atravessadores, uma casta parasitária, que como regra, não se vinculam ao interesse do país, e produtores. A classe produtora: proprietários de terra, pequenos ou médio artesãos, industriais (ainda que incipientes em sua fase de desenvolvimento) estão vinculados ao destino do país, a sua nação, quando seus artigos são destinados ao consumo interno. uma vez desenvolvida em seu grau mais avançado de manufatura, mesmo, quando seus artigos internamente manufaturados, são destinados a exportação, essa classe permanece vinculada ao país, porque o Estado, passa a ser externamente, agente de seus interesses. O marxismo reduz esses dois setores, muitas vezes antagônicos, a "burgueses" e os contrapõe aos "proletários" (jargão marxista), quando na realidade, tendem mais a se ligarem (proletários) aos interesses dos produtores do que aos dos comerciantes.  Essa será a tônica entre os países atrasados no seu desenvolvimento e os já desenvolvidos. E somente países com Estados centralizados e fortes, conseguiram proteger sua classe produtora da ação parasitária dos mascates aliados aos grupos estrangeiros. Lição bem assimilada pelos castilhistas.

Esses governos, ainda que não sejam um almejado governo democrático, segundo os valores clássicos, ainda sim são governos legítimos, porque pautados no interesse comum, coletivo. 

É nesse cenário que surge o liberalismo, como reação ao despotismo esclarecido, pela nascente burguesia mascate, que vê seus interesses (privados) contrariados pelo Estado (interesse público). Daí buscam mitigar o poder do Rei através do parlamento, de formação eminentemente oligárquica, que nem de longe reflete a Democracia clássica. Vociferam "Democracia" quando oque defendiam e, posteriormente, vieram a instituir como modelo político para favorecê-los, foram oligarquias, como as 'monarquias parlamentaristas', ou mesmo os embustes "democráticos" do sistema representativo liberal.

Os monárcas se tornam assim reféns dessa classe plutocrática, quando não, se aliam gostosamente a elas, se associando. Esse aspecto é bastante visível com Napoleão que após centralizar o governo e se coroar imperador, contrariando os interesses mercantis de franceses e ingleses, que no começo o apoiavam, é objeto de ataque dessas classes até sua deposição. O mesmo se sucederá com Napoleão II.

Com a a vitória inglesa sob Napoleão. O Liberalismo torna-se doutrina dominante e propagada pelos ingleses, no início do Séc. XVIII, posto que os favorece, sugerindo que os países abrissem seus mercados a sua rapina. É em reação a isso, que surge as idéias socialistas, baseadas no ideal clássico de preponderancia do interesse coletivo sob o individualismo, com Saint-Simom, que virá a influenciar determinantemente o positivismo e por desiderato o Castilhismo que conflui com a sua, já anterior, herança pombalina. Antes Friecriech List refuta as teses econômicas do liberalismo de Smith. Paradoxalmente, são as ulteriores teses marxistas, que trazem novamente a tona, as já desacreditadas teses liberais de Adam Smith, lhe dando novo vigor.

Desse exposto se observa uma luta dual entre luz e trevas no curso da história, é uma luta permanente entre o interesse público (ideal clássico) e o interesse privado (ideal moderno). Os Reinos medievais são instituições patrimonialistas que embora, ocasionalmente, causassem algum incomodo a classe mercantil, não despertava maiores dissabores. Somente quando esses Reinos passaram a desempenhar funções estatais (resgatando o papel dos Estados Clássicos) ampliados por seu caráter nacional, essa classe mercantil reage, sob bandeira do individualismo, propondo novas instituições políticas em que sua influência fosse dominante, que notadamente, se reflete na figura do parlamento, de representação marcadamente plutocráta.

Os valores clássicos, renascentistas, com sua visão antropocêntrica, humanista, racionalizadora, ungidas em um sentir coletivo comum, pública, são as bases fundadoras do Estado-Nacional, pilares sob os quais se assentam a nacionalidade e que nos serve de guia, a aurora do tempo que rompe as trevas espargindo luz!

Ver também:

O Pensamento de Julius Evola - O Precursor da Direita Olavista
O Combate de Getúlio Vargas aos Regionalismos e as Doutrinas Estrangeiras
V Geração Castilhista
O Arcadismo Como Embrião do Nacionalismo Literário Brasileiro.
A Formação da Mulher Castilhista.
Os Valores Clássicos nas Personagens Femininas do Filme Tropas Estrelares.
Uma Grécia nas Ribeiras do Atlântico Sul.
Por um Novo Século de Péricles.
Uma Esparta ao Sul do Brasil
Do Kéltico ao Galaico-português - A Língua dos Brasileiros.
Bandeirismo - A Expressão de Cultural de Apoio ao Estado Novo.
Brasil Hespérico - O Exílio e Fundação de uma Nova Civilização.
Clãs Brasilaicos 
Sangue & Tradição - As Características do Nacionalismo Brasileiro

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A Instituição da Juventude Brasileira.



Na questão da educação cívica, privilegia-se a formação de uma consciência patriótica, significando que "na alma das crianças e dos jovens deverá ser formado o sentimento de que o Brasil é uma entidade sagrada, e que a cada cidadão cabe uma parcela de responsabilidade pela sua segurança, pelo seu engrandecimento e pela sua perpetuidade, e ainda de que, a exemplo dos grandes brasileiros do passado, deve cada brasileiro de hoje estar por tal forma identificado com o destino da pátria, que se consagre ao seu serviço com o maior esforço e esteja a todo momento pronto a dar por ela a própria vida."(35)


(...)


A justificação simbólica deste projeto era buscada na figura de Olavo Bilac, que tivera um papel tão importante, nas primeiras décadas do século, no fortalecimento do Exército brasileiro e na implantação do serviço militar obrigatório. A idéia de Bilac, mais tarde retomada, era a de "formar o cidadão-soldado através da interpenetração cada vez mais estreita entre o Exército e povo, e que tinha o serviço militar como seu principal instrumento. Era desta forma que seria possível estabelecer 'o triunfo' da democracia; o nivelamento das classes; a escola da ordem, da disciplina, da coesão; o laboratório da dignidade própria e do patriotismo. É a instrução primária obrigatória; é a educação cívica obrigatória; é o asseio obrigatório, a higiene obrigatória, a regeneração muscular e física obrigatórias."(48)


(...)


A premissa básica era assim formulada por Oliveira Viana: "Nossos sistemas escolares, aliás, têm concorrido, não para corrigir e, sim, para agravar esta falha da nossa formação social: nas nossas escolas temos procurado, sem dúvida, dar instrução à nossa mocidade, cultura geral ou especial; mas não nos temos preocupado nunca, a sério, em incutir-lhe, de maneira sistemática, planificada, nenhum sentido de vida coletiva, nenhuma idéia de sacrifício individual em favor do grupo, nenhum espírito de devoção à coletividade; em suma, nenhum principio, hábito ou tradição de solidariedade social ou de cooperação."(69) O risco de uma educação individualizada era o de não contribuir para a formação da nacionalidade, e este texto mostra como a formação da nacionalidade era entendida como algo que dependia da construção de certas práticas disciplinares de vida que, pouco a pouco, fossem introjetando no quotidiano dos cidadãos a consciência da vida comum, a consciência cívica.

Fonte: Tempos de Capanema, de Simon Schwartzman, EDUSP, 1984.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A Bandeira Castilhista.




Primeiramente, necessário assinalar que o Castilhismo é um movimento e uma doutrina. Movimento por uma necessidade (a partir de 1882, com o republicanismo, o abolicionismo, a ordem fundada no valor do trabalho, reforma do Estado Brasileiro, etc.), doutrina originada de princípios. Princípios estes que deitam raízes profundas não apenas na corrente positivista, unificadora dos republicanos brasileiros. Administrativamente, o Castilhismo é inspirado no forte e centralizado Estado português, na pessoa do Marquês de Pombal, exemplo singular do despotismo esclarecido lusitano, que soube expandir, fortificar, encorajar e consolidar o Brasil colonial com Companhias estatais, fundar fortalezas e cidades, reprimir focos de "Estados dentro do Estado".

No que pese o Castilhismo defender as verdadeiras e tradicionais manifestações nativistas, estimular o nacionalismo como cultura cívica, na economia, nas ciências e artes, o nacionalismo brasileiro já nasceu com o primeiro estabelecimento colonial em Pernambuco, Bahia e São Vicente. O sentimento nativo nasce com os primeiros brasileiros, no século XVI. O Castilhismo visa manter vivo o amor à terra e ao povo que nela habita, com a chama acesa da nacionalidade, a primeira das Américas, como o amor à liberdade com a índole republicana.

O negro da flâmula representa o próprio trabalho, férreo, árduo, difícil, sobretudo daqueles que vão às minas de onde retiram o ferro e de lá, até às forjas das siderúrgicas, pois lá o ferreiro, com seu martelo e o braseiro, molda as demais ferramentas e utensílios do trabalhador. Sem os metais, não há modo mais célere de obter os instrumentos que concretizam a produção, os frutos do suor do trabalhador.

A cor branca, acerca de ser recorrente a menção de representar a paz, dela faz jus porque era a cor do lenço de Júlio de Castilhos, durante a guerra federalista de 1893. A cor branca do lenço chimango, serve para lembrar que a Constituição Republicana Castilhista de 1891, conjugando o princípio da autoridade com o da democracia direta mediante plebiscitos, que veio para trazer a paz social e a ordem fundada no conhecimento, na ciência, no mérito, no interesse público e no supremo valor da virtude do trabalho. A Constituição é um instrumento de assegurar a paz pública e dela retirar os frutos da civilização.

A cor vermelha, vem com os Revolucionários de 1930, da qual o grande Getúlio Vargas fez uso, envergando o lenço encarnado, pelo qual selaria a conciliação com os maragatos unificando o Rio Grande e transplantando para o Brasil o Castilhismo, através da vitoriosa Revolução de 1930, o governo provisório, a sua eleição pelo colegiado da Carta de 1934, pelo Estado Novo inaugurado com a arrojada Carta de 1937 consagrando-se e consolidando-se com sua eleição pelo voto popular em 1950. Vermelho também é o sangue do grande caudilho, que se imolou pela conciliação do Brasil em 24 de agosto de 1954, com o manifesto da pungente Carta-Testamento. O vermelho tem o significado de conciliar os brasileiros trabalhadores, bem como os homens públicos, trazendo a solidariedade e união. Este é o significado das cores.

Ao centro, a Insígnia Castilhista, estandarte do movimento Castilhista, forjado a ferro e fogo pelo chefe do Círculo Castilhista, marca indelével da evolução permanente do Castilhismo ao Trabalhismo Brasileiro. A Insígnia Castilhista é como um marcador, um selo, um sinal que recorda a causa que se luta! EIA SUS!


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Tentativa de Invasão Inglesa em Salvador.

De três naus inglesas, que neste tempo vieram à Bahia:

Pouco tempo depois de começarem a governar o bispo, e Cristóvão de Barros, entraram subitamente nesta Bahia duas naus, e uma zabra de ingleses com um patacho tomado, que havia dela saído para o rio da Prata, em que ia um mercador espanhol chamado Lopo Vaz; tanto que chegaram, tomaram também os navios que estavam no porto, entre os quais estava uma urca de Duarte Osquer, mercador flamengo, que aqui residia, com marinheiros flamengos, que voluntariamente lha entregaram, e se passaram aos ingleses, e logo todos começaram as bombardadas à cidade tão fortemente que desanimados, e cheios de medo, os moradores fugiram dela para os matos; e posto que o bispo pôs guardas, e capitães nas saídas, que eram muitas, porque não estava murada, para que detivessem os homens, e deixassem sair as mulheres, muitos saíram entre elas de noite, e algum com manto mulheril, e esses poucos que ficaram pediram ao bispo fizesse o mesmo; ao que acudiu um venerável, e rico cidadão chamado Francisco de Araújo, requerendo-lhe da parte de Deus, e de El-Rey não deixasse a terra, pois não só era bispo, mas governador dela, e que se a gente era fugida, ele com a sua se atrevia a defendê-la. Também veio uma mulher a cavalo, com lança e adarga, de Itapoã, repreendendo aos que encontrava, porque fugiam de suas casas, e exortando-os para que se tornassem para elas, do que eles zombavam.

Neste tempo não estava Cristóvão de Barros na cidade, que andava pelos engenhos do recôncavo, tirando uma esmola para a casa da Misericórdia, de que era provedor aquele ano, mas logo acudiu ao som das bombardadas, trazendo consigo todos os que achava, com os quais, e com os que na cidade achou, a fortificou, repartindo-os por suas estâncias, castigando alguns dos fugitivos porque não tornassem a fugir, e para exemplo dos outros pôs um à vergonha no pelourinho metido no cesto com uma roca na cinta; e porque os ingleses se não atreveram a entrar na cidade, mas contentaram-se de balraventear pela Bahia, que é larguíssima, e de muito fundo, e onde não era tanto que pudessem chegar  os navios grandes, mandaram a zabra, e as lanchas à pilhagem, ordenou Cristóvão de Barros uma armada de cinco barcas, das que levam cana e lenha aos engenhos, as quais ainda que sem coberta são mui fortes e veleiras, mandando-as empavesar, e meter em cada uma dois berços, e soldados arcabuzeiros com seus capitães, que eram André Fernandes Margalho, Pantaleão Barbosa, Gaspar de Freitas, Antônio Álvares Portilho, e Pedro de Carvalhaes, e por capitania uma galé, em que ia por capitão-mor Sebastião de Faria, para que onde quer que desembarcassem os ingleses dessem sobre eles; e assim sabendo que eram idos a Jaguará a tomar carnes ao curral de André Fernandes Morgalho, e por os acharem já embarcados à zabra a combateram, donde houve mortos, e feridos de parte a parte, e entre os mais foi um Duarte de Goes de Mendonça, que ia na galé, a quem passaram o capacete, que tinha na cabeça, com um pelouro, e lhe fez nela tão grande ferida, que esteve a perigo de morte. Também saíram outra vez na ilha de Itaparica. Donde Antônio Álvares Capara, e outros portugueses com muito gentio os fizeram embarcar com morte de alguns, e no mar lhe tomou também uma das nossas barcas um batel com quatro ingleses, que o remavam, e mataram três, pelo que visto o pouco ganho que tinham, e que Lopo Vaz, de quem esperavam resgate, lhes havia fugido a nado para a cidade, levantaram as âncoras e se foram ao Chamamu, para fazer aguada, onde também o Capara lha não deixou fazer, e lhes matou oito, de que trouxe as cabeças aos governadores e assim se tornaram os ingleses para a sua terra, depois de haverem aqui estado dois meses.

Artigos Correlatos:

domingo, 24 de janeiro de 2016

Getúlio Vargas e A Mulher Cidadã

A 24 de fevereiro de 1932, Getúlio Vargas, concedeu o Direito de voto às mulheres.

Carlota Pereira Queiroz
Podendo votar e ser votada,  a mulher brasileira passou a ser reconhecida como cidadã, integrada ao processo político, econômico, social e cultural do país. O direito ao voto às mulheres foi instituído pelo novo Código Eleitoral, promulgado por Getúlio através do decreto 21.076. Em 1933, pela primeira vez, as mulheres votaram e foram votadas para a Assembléia Nacional Constituinte. Entre os 214 deputados eleitos, uma única mulher: Carlota Queiroz. 

Em 17 de maio de 1932, Getúlio regulamentou o trabalho feminino. As mulheres passaram a ter acesso ao mercado de trabalho em igualdade com os homens. Foi estabelecido o princípio de salário igual para trabalho igual, a jornada de trabalho de oito horas e a licença-maternidade de dois meses.

Getúlio proporcionou às mulheres o acesso a diversos setores da sociedade e rompeu com uma série de preconceitos, como o ingresso no ensino básico e universitário e cargos públicos através de concursos.

O estadista foi o maior defensor do feminismo no Brasil, como comprova o seguinte episódio em que tomou parte a filha, Alzira Vargas: quando Alzira levou à presença de seu pai uma jovem que pleiteava ingresso em cargo público, até então reservado só para homens, sem a menor surpresa, ouviu de Getúlio: "A mulher de hoje precisa falar inglês, saber datilografia e guiar automóvel. A senhora já sabe?"

Getúlio recepciona as representantes do Fundo para Federação Brasileira para o Progresso Feminino.