Mostrando postagens com marcador língua portuguesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador língua portuguesa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de abril de 2019

Carlos Nunez, A Descoberta do Brasil Galaico!

"Sempre nos disseram que o Brasil era muito português, misturado com o africano e o indígena, mas mais que  português é galego."
Carlos Nunez

Músico galego Carlos Nunez
Carlos Nunez é um dos mais prestigiados gaiteiros da Galiza, ganhou projeção mundial compondo a trilha sonora da obra cinematográfica "Mar Adentro". Após três anos morando no Brasil, em 2009, lançou seu album "Alborada do Brasil", que reuniu uma gama de artistas como: Caetano Veloso, Adriana Calcanhoto, Lenine, etc..., no qual manifesta as raízes galaicas que encontrou na música brasileira.  Posteriormente, esse trabalho etno musical, rendeu um documentário: "Brasil somos nós". 

Carlos Nunez conta que um dos motivos de sua vinda, foi a procura da história de seu avô que imigrou para o Brasil em 1907, e que havia sido morto no Rio de Janeiro. Aqui descobriu, que seu avô foi um músico bastante influente no Rio na época, que havia constituído uma nova família. 

Durante sua estadia, Carlos Nunez atesta que a pegada galega no Brasil é mais profunda do que a portuguesa. Com a certeza de que o Brasil é a Galiza do futuro, que nos três anos de preparação: "me sentia na minha casa nos dois países: o Brasil era a Galiza, e a Galiza era o Brasil."

Indagado no que o Brasil tinha em comum com a Galiza, diz:  
"O Brasil está cheio de cultura galaica, de fogueiras de São João, noites de luar, orvalho, lobisomem, coroças, luscos-fuscos... Essa Galiza profunda está viva no Brasil, mas pouca gente passou o trabalho de pesquisar o que se passa no terreno musical." 
"Sempre nos disseram que o Brasil era muito português, misturado com o africano e o indígena, mas mais que português é galego. Quando exploramos o terreno musical está claríssimo que aquele Portugal que chegou ao Brasil há 500 anos com instrumentos como a gaita era mais galaico, menos lusitano. O objetivo deste disco é abrir esse grande segredo que esconde o Brasil que no fundo esconde uma Galiza, misturada."
Discorrendo sobre a imagem vendida do Brasil para o exterior, "turística", Carlos Nunez faz um paralelo com a Espanha em que se veiculam a imagem caricata de: "touros, flamengo e futebol". 
"Eu não vim a procura desse lado turístico do Brasil que todos conhecemos. Procurei o lado galego, esse que não teve as oportunidades do outro mais oficial de capoeira, samba e futebol... 
Do Brasil (no exterior) somente se conhece samba, carnaval e futebol, ou seja, o Brasil turístico, e isso não é Brasil, é uma minoria, a maior parte da música brasileira lembra mais daquela música desconhecida do Norte de Portugal, do Norte da Península Ibérica, que para o samba. Este outro Brasil que descobrimos com este disco conecta com esta Espanha. Eu fiquei feliz porque o vice-presidente Fernández de la Vega, recomendou o disco Alborada do Brasil durante uma viagem ao Brasil, quando esteve com Lula poucos dias. Perguntaram-lhe por seus gostos musicais e recomendou especialmente o disco Alborada do Brasil " Puxa, menos mal, por fim, não somente, flamengo!"
Dos lugares em que mais achou ligações com a Galiza e Portugal, Carlos Nunez afirma que em todo o Brasil se constata essa presença galaica, variando sua intensidade conforme "os diferentes momentos de nossas ondas, ibéricas ou galaicas, para lá". Ressalta, porém o nordeste do Brasil, como também Minas Gerais e os Sertões, citando ainda o Rio de Janeiro bem como os demais centros urbanos, havendo nesses, uma mescla maior com ritmos e estilos contemporâneos.
O nordeste do Brasil, a área de Pernambuco, mesmo a Bahia, é a parte mais antiga. O nordeste foi a primeira região a ser colonizada e encontramos músicas peninsulares que lembram muito a música da gaita-de-foles, porque foi a gaita-de-foles, o primeiro instrumento que levaram os portugueses lá em 1500, quando chegaram à praia de Porto Seguro. Na carta do Descobrimento, redigida por Pero Vaz de Caminha, nos conta como se abaixou um gaiteiro que começou a tocar aos índios, eles gostaram, e a partir daí isso foi como uma bomba. A gaita foi o instrumento que lhes juntou-se acima das línguas. Os jesuítas escreviam cartas que diziam que não haverá um chefe índio que não deixe seus filhos para que lhes ensinarem a tocar. Encontramos gaiteiros negros em quadros, gaiteiros indígenas, com penas, algo impressionante. Depois da gaita de fole foi desaparecendo, mas sua alma ficou no imaginário da música. A alma da gaita continua a existir na alma da música popular, as melodias, os modos, as quedas...
No Sertão, que vem do deserto e é o grande deserto no interior do Brasil, salve a nossa idade média viva. Lá você encontra instrumentos que estão esculpidos no Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, instrumentos medievais, que já não há quase na Europa, como as rabecas ou até as violas medievais, e que continuam tocando e a serem construídas no interior do Brasil. Por isso, eles têm o sonho de que no interior do Brasil é a Idade Média, é por isso que Paulo Coelho se tornou tão famoso com esse livro sobre o Caminho de Santiago, esse imaginário medieval no Brasil é fortíssimo...
Em Minas Gerais, lá se encontra uma Galiza do período Barroco. Era a febre do ouro, para onde iam os Minhotos, eram áreas repovoadas por galaicos provenientes da zona do Minho, em toda a zona de Portugal, do Porto para cima, foi a Gallaecia histórica, eles repovoaram Minas Gerais. Daí o uso da gaita, de costumes, como as fogueiras de São João, o advento e todas essas palavras mágicas galegas que estão no Brasil. Foram conduzidas pela Galiza e Portugal antigo, em Minas encontramos essa parte de festas galegas e melodias muiñeirosas, como se fossem muiñeiras mas na música brasileira. Em cada parte do Brasil encontra interações diferentes. 
Há novas áreas, como o Rio de Janeiro, as cidades burguesas, onde existe mais a interação com os negros africanos, com o século XX, as harmonías do jazz, a música de guitarra está muito misturado com a música popular do século XX. Os galegos, como meu bisavô, participaram da criação de todas essas músicas que são no fundo, a soma da polca europeia com todos os ritmos internos brasileiros, como o samba ou o caxixe, tudo isso.
Linguisticamente, Carlos Nunes, também constata essa maior proximidade do português do Brasil com o da Galiza, do que entre o de Portugal. Oque explica pela uma melhor conservação da língua no Brasil, que conservou vários arcaísmos como ainda se observa na Galiza também. Propugnando que o idioma galego, tão combalido na atualidade pelo castelhano, e ameaçado de extinção, encontra no Brasil um poderoso meio para se manter vivo.
"No Brasil descobres o poderio enorme que tem o galego. Insisto em que não sou linguista mas descobri que o brasileiro é mais semelhante ao galego que ao português, percebe-se melhor. No Brasil guardam muitas coisas do galego antigo, das cantigas de amigo, do mundo dos trovadores e poesia galego-portuguesa, que se perderam por influência do castelhano. Não viria mal fazer um pouco de esforço na escola e, do mesmo modo que aprendes a gramática galega oficial, aprender o português. Se são três ou quatro coisas! Por esse pouquinho mais de trabalho podes chegar a mais de 200 milhões de falantes. Uma vez Jordi Pujol disse-me que o problema do galego era que estava castelhanizado de mais e não o entendi, mas agora captei a mensagem deste catalão que se dava conta das possibilidades do nosso idioma."
".... galego lhe vai abrir portas no mundo, de que podes perceber-te com 200 milhões de pessoas porque, como diz Caetano Veloso, 'é uma língua superior para cantar e para a poesia'."
Descobrimos a nós mesmos, por que alí (Brasil) se guarda nosso passado, nossas antigas tradições peninsulares e, certamente, guardam o nosso futuro, porque foram misturado com muitos outros componentes, como a música indígena, etc, é como uma música do futuro, que aponta para muitas questões. A ter misturado bem, fizeram-no com sabedoria e, de alguma forma, incorpora a minha música uma espécie de glamour urbano, porque o invadiu no Início de Rosalía de Castro, toda a parte do swing, esses ritmos sensuais, essa sensibilidade das melodias adaptadas ao ritmo...é um grande mistério o Brasil, que aí estava isolado. Todo o mundo sabia da ligação linguística, o brasileiro é como um galego antigo, nos entendemos melhor brasileiros e galegos, que galegos e portugueses, porque no Brasil se mantêm toda uma série de palavras antigas do galego, da época das cantigas medievais, que chegou ao mundo moderno através de trovadores contemporâneos, como Adriana Calcanhotto, ou Caetano Veloso, são todos contemporâneos, que, de repente, se falam de "as noites de luar" "as noites das estrelas", são criadores urbanos, como trovadores que jantam sushi e moram em apartamentos.

Artigos correlatos:

André Vidal de Negreiros - O Arquétipo do Santo-Guerreiro Restaurador da Ordem
A Imigração Portuguesa para o Brasil
A Imigração Espanhola no Brasil
O Nacionalismo como Tomada de Consciência e Defesa da Cultura Brasileira
Os Brasilaicos, A Raíz Identitária do Brasil.
Do Kéltico ao Galaico-Português - A Língua dos Brasileiros.
Sangue e Tradição - O Nacionalismo Brasileiro e seus Elementos Caracterizadores.
Marcha de Titãs, Breviário Histórico do Nacionalismo Brasileiro
Apogeu e Queda de Uma Civilização
Os mais antigos da Europa!
Os Colonos Formadores.
Identidade e Formação da Nacionalidade Brasileira.
A Campanha de Itamaracá - As Primeiras Manifestações de Energia da Terra.
Nacionalidade e Nacionalismo.
O Arcadismo como Embrião do Nacionalismo Literário Brasileiro.
Calúnias e Difamações Contra os Bandeirantes - A Ação Patriótica dos Paulistas.
O Nacionalismo como Tomada de Consciencia e Defesa da Cultura Brasileira.
A Cepa - Os Lusitanos.
V Geração Castilhista
As Terras Altas do Brasil e Sua População Montanhesa


sábado, 22 de dezembro de 2018

Do Keltico ao Galaico-Português, A Língua dos Brasileiros.

"Conservando nossa língua, ecoamos as vozes de nossos ancestrais."


A língua portuguesa merecia melhor tratamento e maior glória do que lhe é conferida na atualidade.  Diferente do castelhano e do "alemão", que são línguas artificiais, inventadas, o português é uma língua histórica, de constituição orgânica que carrega em sua formação marcas "genéticas" de sua origem. Ao mesmo tempo que se trata de uma das línguas mais antigas em todo o mundo. A guisa de comparação, o islandês, tido como a mais conservadora dentre todas as línguas escandinavas e mesmo da família germânica, não vai além de 1540. O português tal como o conhecemos retrocede a 1175 (havendo referencias ainda mais antigas de 1108)!

O francês antigo, bem como o provençal antigo, comparados com o francês, e o provençal falado hoje, são outras línguas. Isso não ocorre com o português arcaico. Este representa uma fase envelhecida do idioma, sem contudo ser outro.

Velho nalgumas formas, arcaico no emprego de muitas palavras, obsoleto na preferência de certas expressões (e diverso na pronúncia, provavelmente), o português dos primeiros tempos é sempre inteligível, porque a gramática é a mesma.  

A língua portuguesa, que melhor seria chamar de: Galaico-portuguesa, nasce no noroeste peninsular. Foi essa a língua falada durante a Guerra de Reconquista contra os infiéis muçulmanos, e fator de distinção entre galaicos e sarracenos, que somado aos seus respectivos credos, os vinculavam a sua nação. Os galaicos, de fé cristã e língua galaica dos infiéis sarracenos, hereges e de língua árabe.

Inscrição Lusitana de Cabeço das Fráguas. Talhada quando da
transição da antiga língua celta para o latim:
OILAM TREBOPALA/INDO PORCOM LAEBO/COMAIA
ICCONA LOIMINNA/ OILAM USSEAM / TREBARUNE INDI
TAVROM/ IFADEM REVE
Em 61 A.C. o latim já era língua corrente no sul da península. Estrabão, historiador e geografo grego, radicado em Roma, observou que os turdetanos, na Bética (atual oeste da Andaluzia), haviam esquecido a sua língua materna (céltica), e se expressavam em latim. Nesse interregno até o séc. V, ocorre o processo de transição da antiga língua céltica para o latim a medida que a romanização avança para o norte. No séc. X, na cordilheira Cantábrica, ainda se registra vestígios da antiga língua.
 
O latim se espraiou por toda península com a invasão romana, e no Séc. V, com as invasões bárbaras (suevos, visigodos, alanos, vândalos), se intensificou a corrupção da linguagem. Com a invasão árabe, no Séc. VIII, a decadência do latim se acentuou, o latim reduziu-se a uns falares vernáculos, e quase despareceu das Espanhas, como havia de suceder no norte da África. 'Aljamia' chegou a chamar-se o linguajar latino, e era como se dissesse 'o bárbaro', o estrangeiro, em oposição à 'aravia', a língua árabe.

Mas no fim do séc. XI (1097) criou-se o condado portucalense, logo depois elevado a reino por Afonso Henriques. Os sucessos estimularam às oposições religiosas, e os portugueses não quiseram mais falar em árabe. Não podendo volver ao esquecido latim aceitaram a fala barbarizada da gente mais humilde.

No que pese, indubitavelmente, ser uma língua "latina", com forte contribuição do romance, que a torna aparentada as demais línguas neolatinas. O galaico-português manteve substratos de sua origem céltica. De modo que alguns filólogos a classificam como uma língua celto-latina.

Dentre esses substratos, estaria o uso do verbo ser ao invés de ter, em frases possessivas, ex: "a chave é minha". A marcante presença de ditongos decrescentes. São exemplos, e não só, dentre outros, de características presentes nas línguas célticas.

O galaico-português desde então, se conservará, quase que por um milagre, sem maiores transformações.

É esse o idioma que se traslada para o Braʃil. No que pese haver à época, oque se designou como: português quinhentista, um português mais padronizado e gramaticado. O português que aqui se estabelece, nos primeiros séculos de colonização, é o português nortenho, falado por aldeões e aristocratas rurais, em geral gente iletrada. Somente a camada letrada da sociedade, que basicamente se restringia, aos burocratas do Estado e padres, tinham acesso ao português gramaticado (quinhentista). Embora, com o perpassar do tempo, é ele que se estabelece nos dias atuais. Na população humilde o português arcaico resiste.

O emprego do infinito variável, ainda hoje usado com freqüência na língua popular, atesta sua proximidade com o português arcaico. Se não tivesse empregado o infinito variável , Camões teria escrito uma frase ambígua naquele célebre passo: "Ó Netuno, lhe disse, não te espantes de Baco no teus reinos receberes" (Lusíadas, VI, 15).

Repare como o segundo infinito variável, torna a frase mais leve, e o pensamento mais evidente na seguinte passagem de Alencar: "Nem por isso os outros deixam de continuar o seu giro, e as estações de seguirem o seu curso regular".

O uso do infinito variável, foi muito mais extenso no português antigo, e é mesmo mais notável na língua popular do que no português literário moderno. É um maravilhoso recurso de clareza, ou de ênfase, a que é lícito recorrer mesmo quando a gramática postula o contrário.

Em 1980, o filólogo Ataliba Castillo conta que quando se passou a debruçar sobre as diferenças entre o português falado no Braʃil do de Portugal, ao contrário, do que inicialmente se pensava.... que o português no Brasil se distanciava do de Portugal. A verdade, era que o português de Portugal é que se afastara do português do séc. XV, e que se manteve no Braʃil. 

Existem depoimentos de gramáticos do Séc. XVI, dentre os quais: Fernão de Oliveira, que ao tentar descrever o modo de falar dos portugueses, dizia que: "os portugueses falam como pessoas de muito ciso, falam lentamente".  Oque destoa do modo atual dos portugueses falarem, que se notabilizam pela contração de palavras, "engolindo" sílabas. 

Esse distanciamento do português de Portugal, teria se processado no séc. XVIII, por influência francesa. Daí não só a tendencia de engolir sílabas no meio das palavras, como o de omitir sílabas finais. Bem como, o abandono, pelos portugueses atuais, do gerúndio, tão empregado no português-arcaico e ainda usual no português do Braʃil.

A língua que se fala no Braʃil, ainda que transpareçam diferenças da de Portugal, é, em essência, a mesma, pois que se compendia na mesma gramática. Essas diferenças são classificadas como "linguajar" que se alteram mesmo entre estrados sociais de uma mesma localidade, e que de modo algum, distingue como outra língua.

O português dos colonos da alta camada social manteve-se, por isso, com um caráter muito conservador: em 1618, o autor dos diálogos das grandezas dizia que o Braʃil era Academia onde se sabia falar bem e que os jovens de Lisboa e doutras partes do reino aí vinham para aprender as boas falas [....] 

O português do Braʃil, assim, é mais arcaico e melhor conservado do que o falado em Portugal. E que urge uma melhor preservação do nosso idioma, a exemplo do islandês, que vige uma política linguística formulada desde o século XVIII que proíbe a entrada de palavras estrangeiras, e que no lugar de adotar estrangeirismos, cria neologismos a partir de palavras próprias; além disso, reativa palavras antigas e cria outras baseadas em raízes bem conservadas na tradição linguística nacional.





Artigos correlatos:

Da Lupercalia ao Entrudo, e desse ao Carnaval! Nesse Festival Celta, os Cães Ladram, a Banda Passa, e Viva o Carnaval!
O Catolicismo Popular Brasileiro
A Vanguarda da Língua Portuguesa no Mundo Latino
Os Brasilaicos - A Raíz Identitária do Brasil.
Sangue e Tradição - O Nacionalismo Brasileiro e seus Elementos Caracterizadores.
Os mais antigos da Europa!
Nacionalidade e Nacionalismo.
O Arcadismo como Embrião do Nacionalismo Literário Brasileiro.
O Nacionalismo como Tomada de Consciencia e Defesa da Cultura Brasileira.
A Cepa - Os Lusitanos.


sábado, 3 de março de 2018

Sangue e Tradição - As Características do Nacionalismo Brasileiro

“Lembrai aos seus descendentes que também são soldados, que não deveis desertar das fileiras de seus antepassados, ou por covardia, recuar.”

Platão


Uma Tradição é a condição essencial para que se confira caráter a uma coletividade humana e assim se distingua como nação. E é essa tradição, que sustenta a existência de uma entidade coletiva quando uma força exógena ou interna, a ameaça. O nacionalismo surge assim como reação ideológica consciente de defesa de seus interesses, não só material, mas como expressão viva em sua afirmação de existência.

nação é um agrupamento humano, unificado, que goza de uma origem comum, como explanamos em outras ocasiões: Nacionalidade e Nacionalismo. Oque implica, necessariamente, em laços de consanguinidade, bem como na consciência de comunhão desses laços, e sua consequente unificação política. Temos aí três elementos: 1. uma origem comum;  2. consciência de existência nacional; e 3. unidade política.

Já o nacionalismo, se manifesta uma vez existente a nação, atuando na defesa do interesse nacional. Sendo expressão ideológica dessa consciência nacional, constituindo assim, uma ideologia, uma ideologia que necessariamente zele pela sua preservação em todos seus aspectos materiais e existenciais.

Os aspectos materiais envolvem a defesa dos meios materiais da nação: um território, a pátria, que constitui a defesa de sua terra ancestral, de seus pais, ou mesmo eventualmente uma expansão territorial, quando necessária para assegurar sua existência. A constituição de um Estado.  Mas não só, dentro dos meios materiais esta incluso todo arcabouço tecnológico, industrial, recursos minerais ou vegetais e por assim dizer econômicos de que precise a nação para seu desenvolvimento e bem estar.

Os aspectos existenciais, se ligam a defesa da nação como entidade nacional, sua constituição, em sua afirmação de existência. Entram aí os elementos caracterizadores da formação da nacionalidade, em seus mais variados aspectos: étnico, religioso, psíquico, linguístico, etc..

No séc. XVIII, quando normandos franceses, holandeses e ingleses quiseram se estabelecer nessas costas, Portugal já havia desaparecido como nação soberana abatido pelo inimigo tradicional - Castelha. Não seria o seu influxo que sustentaria a nova pátria, naquela luta de morte, com os povos mais fortes do mundo. A descoberta e conquista da terra, as façanhas bandeirantes, a defesa contra o invasor, deram lugar a uma consciência comum, a um sentimento da figura do brasileiro. É nessa época que floresce a consciência histórica no brasileiro e quando o país toma sua configuração territorial, com o Tratado de Madrid, conduzido pelo brasileiro Alexandre de Gusmão.

Nesse sentido, o nacionalismo brasileiro por já constituir, de longa data, uma nação plenamente solidificada, a mais antiga das Américas, e mesmo de tantas quantas existentes na Europa. Não evidencia tanto o aspecto existencial na contemporaneidade, porque já cumpriu no passado esse papel. E por assim, mais se notabilizar, nos últimos tempos, pela defesa econômica.

Resta a demanda de um Estado Nacional próprio, que defenda os interesses nacionais, brasileiros, que será sob a forma de República:
“[....] verifica-se que, justamente um século antes das luta que se converteu em reivindicação nacional, justamente nos dois centros de formação brasileira, se desencadearam, ao mesmo tempo, lutas explicitamente nacionalistas: por parte dos paulistas que, brasilicamente, designavam os portugueses como forasteiros; por parte dos pernambucanos que, desdenhosamente, nomeavam os reinós de mercantis – mascates, e chegaram a falar em independência.... Admita-se no entanto, que tais lutas ainda não sejam esforços para independência: é inegável que nos fins do Séc XVIII, com os companheiros de Tiradentes, há uma explícita reivindicação de emancipação nacional. Notemos ainda, que em todos esses movimentos, a forma esboçada política é a da República. E assim se forma a nossa tradição de autonomia nacional.” - Manoel Bomfim.
Esse regime político republicano tomará sua maturidade com o Castilhismo, único sistema político verdadeiramente brasileiro, nas figuras de Floriano Peixoto e Getúlio Vargas no plano nacional, a se sagrar com a Constituição de 1937.

Na antiguidade, três elementos eram essenciais para caracterização de uma etnia (do grego: έθνος ethnos, povo): 1. origem comum; 2. língua e;  3. credo. A considerar que etnia é distinto de nação. Na etnia, embora um povo comungue desses três elementos, eles não se encontram unificados politicamente, caso dos helenos na Grécia clássica. Assim, os povos helênicos configuravam uma etnia, porque tinham uma mesma origem, uma mesma língua, e professavam o mesmo credo.  Mas não constituíram uma nação, porque não se unificaram politicamente. O mesmo ocorreu com os celtas, constituíam uma etnia mas não uma nação, porque lhes faltou unidade política, falta que os condenou a caírem subjugados por outros povos. Porém, uma vez que se unifiquem, formam uma nação. Então, tomando como parâmetro esses três elementos, e aplicando-os aos brasileiros, vemos com clareza os elementos caracterizadores da etnia brasileira: uma origem luso-tupi, a língua portuguesa e a religião católica. 

Uma origem comum, como já tratamos em outras oportunidades, não se confunde com raça, que é uma uniformidade de biotipo, mas sim com uma ancestralidade comum. Oque é bem caracterizado na formação brasileira pelo entrelaçamento lusitano e tupi, presentes em todo o território nacional. 


O brasileiro, filho de pai norte-português, mãe Normanda-tupi,
 língua galaico-portuguesa e fé católico-medieval.
Quanto a língua, foi o tupi a língua de nossa formação nacional, e um dos grandes fatores de unidade nacional. Falado do Amazonas ao Prata. Poucas línguas primitivas no curso da história, cobriu uma área geográfica tão extensa quanto o tupi. Seu largo emprego até meados do Séc. VXIII, mesmo por brancos, evidencia o grau de assimilação desses com o elemento nativo, e sua inserção na civilização que aqui se formava, ao mesmo tempo que desmente a falácia de que a população indígena fora exterminada. A língua foi fator também importantíssimo para incorporação de agrupamentos indígenas isolados ao longo de nossa formação, que ao tomarem contato com gente de mesma língua, se identificavam, e se deixavam absorver na civilização que se criava, a brasileira. O português se impôs pelo contínuo fluxo de portugueses para o Braʃil, que com a descoberta das minas, viu atingir seu pico, concomitante a uma explosão demográfica no Minho que despejou para o Braʃil uma das maiores levas humanas ocorridas na história. A adoção do português como língua nacional, note.... de maneira uniforme em todo o país! Atesta, mais uma vez, a unidade nacional brasileira, diferente do que se observa nas colônias de Espanha, em que populações nativas inteiras, viviam apartadas, formando castas sociais, e que por isso, ainda hoje, conservam, como uso franco, suas respectivas línguas nativas.  

A questão criada por Lima Barreto, em sua obra "Policarpo Quaresma", de que o português não nos é próprio, é coisa sem base. Tanto o tupi como o português, nos são legítimos, porque descendemos das duas cepas, além de serem parte de nossa formação nacional. Diferente seria, se nos fosse imposto falar inglês, posto não descendermos de ingleses. Como ocorre na Nigéria em que sua população não tem descendência inglesa, logo a língua inglesa é um corpo estranho, sem elos com sua etnia e nacionalidade. 

Não se pode se dizer nacionalista quem renega suas origens. Só se concebe um brasileiro católico, porque essa é a religião de sua ancestralidade, de sua identidade nacional, a qual deve honrar e manter. O genuíno catolicismo de um brasileiro é o popular, irmanado com seu povo, legado pelas gerações passadas, Tradicional, com a qual se conecta com tradições imemoriais de sua linhagem, de sua nacionalidade, perenizando o veio antigo e comum. 

Credos de matiz protestante ou qualquer outras alheias a nossa formação, são peremptoriamente descartáveis, posto serem elementos anti-nacionais, que ferem e rompem com a identidade nacional. Notadamente as seitas neopetencostais que se proliferam no Braʃil e na ibero-américa, ovos da serpente. 

Crenças revivalistas, desde que deite raízes em nossa linhagem nacional são legítimas. O candomblé deve ser rejeitado, pois vem pro Braʃil tardiamente no Séc. XIX, quando o Braʃil já estava feito, por escravos do golfo da guiné, iorubás, que foi um contingente ínfimo na formação brasileira, restrita ao recôncavo baiano, e mesmo lá, minoritária, e portanto não constituinte da nossa formação nacional.

O mesmo princípio se aplica a todas as searas de manifestação da cultura nacional: música, literatura, língua, arquitetura, vestuário.... tudo! Absolutamente tudo que implique expressão humana advinda de um brasileiro, deve se lastrear em suas tradições. 

Em fim, o aspecto cultural, é indissociável do étnico para o nacionalismo, pois somente é autêntico, quando oriundo de suas tradições orgânicas, porque só a transmissão cultural que se opera de geração para geração é caracterizadora de sua identidade nacional. Se uma cultura apresenta elementos estranhos a sua linhagem, trata-se de algo artificial, e portanto ilegítima, descaracterizadora de sua nacionalidade, e como tal, deve ser descartada.

Portanto, sendo o nacionalismo a manifestação consciente da nacionalidade, não se pode alcunhar de nacionalista eventual ideologia que não expresse seus elementos constituintes, seja em seu aspecto material ou existencial. Assim, o nacionalismo brasileiro deve expressar, necessariamente, a defesa de seus elementos caracterizadores, qual seja, a: perpetuação de sua descendência, Sangue; a defesa da Língua de seus pais, o português; e o Credo de seus ancestrais, a religião Católica Apostólica Romana.



Artigos correlatos:

Os Brasilaicos - A Raiz Identitária do Brasil.
A Destruição do Catolicismo Popular Brasileiro como processo de des-brasileirização do Brasil.
Os mais antigos da Europa!
Os Colonos Formadores.
Identidade e Formação da Nacionalidade Brasileira.
A Campanha de Itamaracá - As Primeiras Manifestações de Energia da Terra.
Nacionalidade e Nacionalismo.
O Arcadismo como Embrião do Nacionalismo Literário Brasileiro.
Calúnias e Difamações Contra os Bandeirantes - A Ação Patriótica dos Paulistas.
O Nacionalismo como Tomada de Consciência e Defesa da Cultura Brasileira.
A Cepa - Os Lusitanos.
O Brasil Hespérico.
O Arcadismo Como Embrião do Nacionalismo Literário Brasileiro.
A Formação da Mulher Castilhista.
O Castilhismo Como Herdeiro dos Valores Clássicos.
Os Valores Clássicos nas Personagens Femininas do Filme Tropas Estrelares
Uma Grécia nas Ribeiras do Atlântico Sul.
Por um Novo Século de Péricles.
Uma Esparta ao Sul do Brasil